Top 20 1990-1999 (8ª parte)

Achtung Baby (1991), U2.

O que dizer sobre Achtung Baby que ainda não foi dito? Um dos discos mais celebrados dos anos 90? O álbum que livrou o U2 da rejeição e narizes torcidos que os modernos dirigem àqueles que alcançam o topo do estrelato e chafurdam nele? Essa transformação o DVD From the Sky down já retrata satisfatoriamente.

A guinada do U2 em direção à música industrial alemã, à eletrônica, ao pop e ao cinismo foi recebido por muitos como a confirmação que os dias do rock como estilo mainstream estavam acabados.

Mas nem o rock havia acabado, nem o U2 deixou de ser o U2. As letras ásperas, existenciais, políticas e religiosas ainda estavam lá, só que disfarçadas com casacos de couro, óculos de mosca e calças de vinil.

Depois do arrasador sucesso de Joshua Tree e de ter visto o filme Rattle & Hum 8 vezes no cinema, era natural que a expectativa do próximo disco estivesse nas alturas. O vídeo de The Fly já circulava na MTV e causava uma sensação estranha nos fãs. Já o vídeo de Mysterious Ways, apesar de muito distante do som dos anos 80, parecia mais assimilável. E que diabos é esse negócio de “achtung”?!

Quando a Rádio Cidade anunciou que José Roberto Mahr faria uma prévia do disco em seu programa dominical, não desgrudei da minha cama, ao lado do rádio (a Cidade era a única FM que pegava decentemente em casa). Estarei mentindo se disser que foi uma experiência transcendental (aliás, ouvir Joshua Tree também não foi – U2 não é do tipo que faz música para colar no ouvido). Até hoje não entendi o que Mahr quis dizer ao descrever One como uma versão psicodélica de Stairway to Heaven (alguém tomou chá de cogumelo naquela noite, e não fui eu!). A minha primeira paixão no disco foi Acrobat.

Comprei o álbum assim que saiu, ainda em vinil. Aliás, quando ouvi a versão em CD do meu primo, decidi nunca mais comprar vinil. O som era bem melhor! Àquela altura, os vinis já não eram prensados com o mesmo cuidado. Comprei Zooropa em 1993 em CD, meses antes de ter o aparelho para tocá-lo. Por falar em Zooropa, não há como desvinculá-lo de Achtung Baby, assim como não é possível separar o Rattle & Hum do Joshua Tree. Até a versão resmaterizada do CD foi incluída na caixa super deluxe da edição comemorativa dos 20 anos do Achtung.

Continuei achando The Fly esquisito (hoje, adoro!), preferindo bem mais Zoo Station. Assim como preferi Ultraviolet a Even better than the real thing. E Who’s gonna ride your wild horses logo tomou o lugar de Acrobat, assim como One tornou-se logo minha preferida, principalmente depois deles a terem terminado ao vivo. Até hoje não curto muito os arranjos para So Cruel e Tryin’ to throw your arms around the world (que ficou bonitinha ao vivo).

Confesso que minha 1ª reação a Until the end of the world foi a pior possível. Só comecei a cogitar a hipótese de gostar da música quando assisti ao Live in Sidney, num laser disc. Aos poucos a ficha do disco foi caindo e pude agradecer àqueles irlandeses loucos por fazerem dois grandes discos em sequência, um completamente diferente do outro.

Tryin’ to throw your arms around the world na Zoo TV Tour.

*****

Out of Time (1991), REM.

Out of Time é um disco que me surpreendeu. Não na época, mas hoje! Sei lá por que, achei que o álbum fosse dos anos 80. Já tinha fechado o Top 20 quando me dei conta do erro. E, pra meu espanto, o disco ultrapassou os outros 5 tão sofridamente cortados e desalojou o Buena Vista Social Club, que tinha conseguido sobreviver à árdua seleção.

Conheci REM por meio de um amigo de faculdade, que tinha uma fita K7, possivelmente do Document, que achava o máximo uma banda com o nome de Rapid Eye Movement e uma música intitulada It’s the end of the world (as you know it). Mesmo assim, uma rápida checada em seus fones do walkman foi tudo o que eu ouvi. Tempos depois, assistindo na MTV o making of de um estranho vídeo de uma música chamada Losing my religion, me deparei novamente com a banda. Achei as entrevistas legais e gostei da música. Na Kitschnet (boate que sucedeu ao Crepúsculo de Cubatão) dançava Stand, mas tudo o que tive da banda foi uma coletânea da época da IRS, a gravadora deles nos anos 80.

Na verdade, o que jogou de vez a banda na minha vida foi o excelente MTV Unplugged (por que não lançam o DVD disso?), com repertório baseado no Out of Time e nas músicas que constam no The Best of REM.

Por um acaso da vida, até vê-los ao vivo no Rock in Rio de 2001, nunca tinha me relacionado com o REM em termos de álbuns, apenas de músicas. Sempre foi muito fácil pra mim ouvir os sucessos da banda. Era só pensar em uma, esticar os ouvidos, e ela estava lá, tocando em algum lugar, de forma que os álbuns nunca chegaram a ter uma identidade pra mim. Sempre foram uma fonte amorfa de grandes canções. Consegui, a partir de 2001, ir recuperando essa história discográfica de trás pra frente, até chegar ao Automatic for the People (que sobreviveu até o Top 25).

Então, se essa aventura solitária desbravando minha própria coleção valeu a pena, foi por ter recolocado Out of Time no seu merecido lugar de destaque. Tudo bem que o disco tem Shiny happy people, mas tem também Low, Me in honey, Half a world away, Radio Song… Tudo bem que sempre haverá uma loura histérica nos shows gritando pra tocar Shiny happy people, mas a gente sempre poderá jogá-la da arquibancada, não é mesmo, Alexandre?

Half a world away no MTV Unplugged.

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