Top 20 – 1980/1989 (10ª parte – final)

Boy (1980), U2.

Quando os irlandeses do U2 estouraram por essas bandas, já estavam no 4º álbum. O sucesso era Pride (in the name of love), que eu não curti muito. Mas logo vieram a reboque Sunday Bloody Sunday e New Year’s Day, com seu vídeo clip. A primeira, em particular, gostei bastante. Com o EP ao vivo, Under a blood red sky, algumas músicas do álbum de estreia ficaram conhecidas e fizeram sucesso, especialmente I will follow.

Boy foi recebido como um grande debut. Se lembrarmos que os integrantes da banda oscilavam entre 18 e 20 anos, mal dominavam seus instrumentos, incluindo aí a voz, e vinham de um país marginal da Europa, o feito se torna impressionante. Conseguiram fazer um disco cuja sonoridade é originalíssima, particularmente bateria e guitarra; tanto letra quanto música conseguem compor um todo homogêneo, intuitivamente conceitual, construindo um painel sobre as incertezas adolescentes. Absolutamente todas as faixas têm qualidade.

Boy não tem a pegada de War, a experimentação de The Unforgettable Fire, a grandeza de The Joshua Tree e sequer a ousadia de Achtung Baby ou a pretensão de POP, Rattle & Hum e Zooropa. Até mesmo o quase esquecido October consegue ser instrumentalmente superior. Mesmo assim, Boy é referência obrigatória para qualquer fã da banda, assim como a capa inusitadamente polêmica.

O álbum possui um forte magnetismo que perpassa todas as turnês. Suas faixas podiam ser facilmente esquecidas pela banda, sem nenhum sucesso radiofônico que impusesse a sua execução, mas isso jamais ocorreu. O garoto entrou em crise, foi à guerra, atravessou os Estados Unidos, colocou óculos escuros, vestiu roupas coloridas e passou a frequentar as pistas de dança. Tornou-se, enfim, um homem maduro, pai de família. Mas, como cantou Bono quase 15 anos depois, “time won’t take the boy out of this man”.

Boy é U2 de raiz.

Out of Control, o primeiro single da banda, ao vivo no Morumbi, em 10 de abril de 2011.

*****

Gostaria de agradecer, mais uma vez, a Cowboy Junkies, Loreena McKennitPeter Gabriel por terem feito esta década discograficamente memorável. E, ainda, às inestimáveis contribuições de Dire Straits, Faith no more, Ira, Iron Maiden, Lou Reed, Pixies, RPM, Suzanne Vega, Titãs, Traveling Wilburys (valeu, rapazes!) e Whitesnake.

Já a próxima década vai dar um trabalho danado… Por isso, talvez demore um pouco para iniciá-la.

Até os anos 70!

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