Serú Girán, a Superbanda Argentina.

Bicicleta (1980), Serú Girán.

Bicicleta (1980), Serú Girán.

Serú Girán é uma banda de rock progressivo argentina que fez furor no país e no cenário de rock hispânico entre 1978 e 1982. De certa forma permite alguns paralelos com o nosso Vímana, também de influências progressivas, que reuniu futuros ícone do pop/rock dos anos 80: Ritchie, Lulu Santos e Lobão. O Serú Girán também reuniu músicos que fizeram fama na música argentina após seu término: Charly García, Pedro Aznar, David Lebón e Oscar Moro. A diferença é que o Vímana não lançou um álbum sequer, pois os artistas ainda eram ilustres desconhecidos, enquanto os membros do grupo argentino já tinham certa estrada.

O mais conhecido de todos, disparado, era Charly García, que já tinha causado furor ao lado de Nito Mestres no duo Sui Géneris (1970-1974), fazendo um som que misturava o soft rock estilo Simon & Garfunkel com influências psicodélicas. Encantado cada vez mais com o rock progressivo, García foi alienando cada vez mais Mestre da parte criativa. Com o fim da dupla, García partiu pra um projeto de rock sinfônico com o grupo La Máquina de Hacer Pájaros, de resultados bem duvidosos, eu diria. Após dois álbuns, o projeto desandou.

Charly García partiu, então, com David Lebón para Búzios, e de lá pra São Paulo. Conheceu aquela galera toda de Minas, especialmente Milton Nascimento, e voltou um ano depois pra montar o Serú Girán. Toda essa volta pra dizer que o Brasil influenciou o surgimento da maior banda de rock argentino. É como dizer que Rivelino inspirou Maradona (e não foi?).

Serú Girán lançou quatro álbuns e um ao vivo de despedida (houve um retorno em 1992, mas deixa pra lá). O segundo, Grasa de las Capitales, é bastante elogiado, e contém a belíssima Viernes 3am, que mereceu excelente versão do Paralamas.  Nas o auge da banda é mesmo Bicicleta, que equilibra perfeitamente os arroubos progressivos da banda (como na abertura com A los Jóvenes de Ayer), baladas delicadas (como a bela Desarma y Sangra, muito superior à versão que já havia ouvido em versão solo com Charly García), faixas de pop/jazz típicas dos anos 80, e até mesmo um surpreendente blues moderno, com direito a sopro de metais, na última faixa, Encuentro con el Diablo.

Canción de Alicia en el País, ao vivo em 1981.

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One Comment em “Serú Girán, a Superbanda Argentina.”


  1. […] Com crise no matrimônio, com dificuldade de se adaptar às exigências da paternidade como um Lennon portenho, e a chegada dos militares ao poder, em 1977 Charly Garcia decidiu passar uma temporada no Brasil. Passou um ano em Búzios, onde morou com sua segunda esposa, uma bailarina brasileira chamada Zoca, e mergulhou na música local (particularmente Milton Nascimento). Retornou a Buenos Aires decidido a formar uma nova banda, o Serú Girán, que também já mereceu um post aqui. […]


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