Top 20 – 1960/1969 (1ª parte)

Retomando o Top of Tops, dou início ao meu Top 20 dos anos 60, o último por décadas. Sendo um Beatlemaníaco, tive que ser honesto comigo mesmo e estabelecer o seguinte critério: por que eu vou colocar esse disco e não qualquer outro dos Beatles que tenha ficado de fora? E assim a lista de álbuns do quarteto de Liverpool cresceu um pouquinho. Só um pouquinho…

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Odessa (1969), Bee Gees.

Odessa (1969), Bee Gees.

Há algumas coisas a explicar sobre Odessa, um álbum sobre o qual já comentei nesse blog há mais de quatro anos. Trata-se originalmente de um álbum duplo em vinil (CD simples), mas lá em casa só tinha o primeiro disco. Não porque o segundo havia se perdido, arranhado, quebrado ou algo parecido, mas porque ele havia sido lançado na época desse jeito. Muito tempo depois é que fui saber que era um álbum duplo. Considerando apenas o nosso vinil, Odessa ganha seu espaço nessa listagem com méritos musicais de sobra. É um disco robusto, criativo, excelente. Já considerando o álbum na íntegra, talvez as razões afetivas contem mais, pois o segundo disco, ainda que bom, soa mais irregular.

O mais incrível sobre o “nosso” Odessa é que ele foi comprado pelo meu pai, a segunda pessoa mais antirroquenrou que eu conheço (a primeira é meu cunhado). Ao longo da vida, vi meu pai fazer raras concessões ao gênero, como Rock around the clock, Simon & Garfunkel e esse disco dos Bee Gees.

Outra razão afetiva é que uma das faixas embalava um simpático filme inglês que vivia passando nas “sessões da tarde” da vida: Melody (Quando brota o amor, em português), de 1971, que narra um romance infantil. O filme tinha bastante ibope lá em casa, particularmente pro meu irmão, que tem o mesmo nome do protagonista. Outro dia consegui baixar com legendas em espanhol pra mostrar pra minha esposa. Continua simpático.

Sobre o disco em si, é mais um daqueles falsos discos conceituais, como Sgt. Pepper’s, Aqualung etc. Ambicioso, com três faixas instrumentais, algumas incursões no country, mas mantendo uma sonoridade perceptivelmente britânica, algo que desaparece por completo no decorrer dos anos 70. O disco marca também o fim de uma era para os Bee Gees, pois Robin Gibb sai da banda após atritos na escolha do primeiro single.

Apesar do disco contar com baladas típicas do grupo, como First of May (que acabou sendo o single escolhido, cantada por Barry Gibb),  Melody Fair, Lamplight, e corinhos mais típicos ainda, é possível encontrar algumas faixas pouco habituais, como as canções country (Marley Purt Drive e Give your best), Wishper Wishper, Suddenly e Odessa (City on the Black Sea), que beira o psicodelismo. Tinha o hábito de colocar a faixa título pros amigos adivinharem quem cantava. Não é tarefa fácil!

Curioso vídeo de Black Diamond.

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Caetano Veloso (1969).

Caetano Veloso (1969).

A primeira coisa que me vem à mente quando penso nesse disco não voador de Caetano Veloso são as primeiras frases de uma música que não está nele e só foi gravada anos depois: “Quando eu me encontrava preso, na cela de uma cadeia, foi que eu vi pela primeira vez as tais fotografias…” Não tá no disco, mas tem tudo a ver com a época em que foi composto e gravado, o último antes do exílio.

Se Transa, que conseguiu um espaço no disputadíssimo Top 30 dos anos 70, é o meu favorito, esse vem logo atrás. Nesse álbum, Caetano consegue mostrar um pouco de tudo do que virá a ser a sua carreira.

As doideiras de Acrilírico e Alfômega, que encerram (mal) o disco, remetem ao experimentalismo de Araçá Azul. As composições em inglês, Empty Boat e Lost in Paradise, prenunciam a fase londrina e a influência da psicodelia roqueira dos anos 60, também presente em Não Identificado. Marinheiro Só e Atrás do Trio Elétrico marcam o eterno diálogo do tradicional com o moderno em sua obra. No tango Cambalache, o constante namoro com a música dos hermanos. Em Carolina, temos Caetano o intérprete de outros grandes nomes da MPB. Em Os Argonautas, a veia tropicalista. Em Chuvas de Verão, o mergulho nas raízes do samba e da música brasileira. Por fim (mas abrindo o álbum), a simplicidade e despojamento do riso de Irene.

Não Identificado ao vivo, com cabelos brancos, mais de 30 anos depois.

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