Sempre teremos Paris…

Paris (2014), Zaz.

Paris (2014), Zaz.

O terceiro álbum de estúdio da cantora francesa Zaz é inteiramente dedicado a Paris. Trata-se de uma coleção de canções antigas, com a exceção de Paris, l’après-midi, que tem a cidade como tema central. A única canção não francesa é I Love Paris, de Cole Porter, em dueto com a cantora canadense Nikki Yanofsky, mas é cantada em francês e inglês.

Outra participação transatlântica é a de Quincy Jones, que produz três faixas do disco: Champs Elysée (que virou uma espécie de “a chanson vai ao Harlem”), o dueto com Nikki em I Love Paris/J’aime Paris, e o dueto com a lenda viva da canção francesa, Charles Aznavour, em J’aime Paris au mois de Mai, que o próprio Charles apelidou de “Zaznavour”. As três receberam o arranjo de uma Big Band conduzida por John Clayton. É curioso notar que, no encarte, as faixas produzidas por Quincy Jones vêm acompanhada de uma logomarca própria do responsável por Thriller.

Em La Romance de Paris, do ator, cantor e compositor Charles Trenet, Zaz divide os vocais com o jazzista francês Tomas Dutronc. E, claro, não podia faltar um pouco de Piaf em Sous Le ciel de Paris (sim, o nome da cidade aparece em 9 das 13 faixas, sendo que outra se chama La Parisienne – o título do álbum NÃO é propaganda enganosa).

À Paris, uma canção de 1949, é executada sem instrumentos, só com um precioso arranjo vocal. Paris canaille, de 1953, vira um blues rasgado no final. J’ai deux amours, uma canção feita para Joséphine Baker em 1930 que já ganhou versão de Madeleine Peyroux, ganha uma roupagem sessentista, com um início vocal estilo doo-wop, seguindo como balada rock italiana tipo Rita Pavone para desaguar num gospel.

Em seus dois primeiros álbuns, Zaz transita com sua voz rouca entre o pop e a canção tradicional francesa com bastante fluidez. Nessa homenagem, é natural que a tradição das composições e arranjos se sobressaiam. Mesmo assim, ela consegue imprimir modernidade e jovialidade em canções dos anos 30, 40 e 50 sem muito esforço. La Parisienne e Dans mon Paris, por exemplo, poderiam muito bem estar em outro álbum seu. Edith Piaf já é figurinha fácil em seus shows, assim como os scats, estilo no qual ela deita e rola no disco.

Em um álbum monotemático, há variedade suficiente para manter a atenção do ouvinte. Além do mais, é Paris, né?

Making of das gravações com Quincy Jones.

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