Como os nossos pais?

É normal termos expectativas sobre nossos filhos. É normal também que os pais tentem incutir nos filhos os mesmos gostos musicais, o clube do coração, a paixão pela leitura, hábitos gastronômicos etc. Não sei se isso dá muito certo. Muitas vezes pode acabar causando o efeito contrário. Não necessariamente por rebeldia. Talvez, ao se acostumar com algo muito cedo, a pessoa acabe enjoando ou associando aquilo a uma fase da infância. Enfim, não importa o que a gente planeje para os nossos filhos, vai dar errado.

De vez em quando me perguntam como vai a educação musical do meu filhote, que no momento está na versão 1.3. Posso responder que ele curte instrumentos musicais e adora batucar, experimentar o som das coisas. Ele gosta de ouvir música e às vezes pede pra colocar, apontando pro CD player desligado. Também gosta de ficar olhando as caixas de CDs. Aliás, ele pede! E reclama se a gente não der. O problema é quando ele quer um específico e a gente tem de pegar um a um até ele dar o ok.

Já poderia me dar por satisfeito por meu filho gostar de CDs, coisa rara hoje em dia. Mas eu sei que tudo isso pode ser temporário: os CDs, a música, a batucada. Não me fixo nisso. Desde a barriga, só me preocupei com uma coisa: exposição. Já parti pra maternidade com uma seleção (era pra mãe, mas já fiz o setlist pensando nele também), que ficou se repetindo todo o tempo em que estivemos lá. Como eram mais de 200 músicas, não chegou a enjoar.

Meu objetivo não é fazê-lo gostar de um determinado típico de música, embora haja um viés inevitável nessa exposição musical (por exemplo: ele já fica apontando pras fotos dos Beatles querendo saber quem é John, Paul, Ringo e George). O que eu quero e fazê-lo gostar de música. Ponto. Não falo gostar do tipo tratar música como papel de parede, algo que fica lá no fundo decorando o ambiente, como diz o Neil Young, mas desenvolver um senso crítico em relação à música. Seja apenas como ouvinte, seja também como instrumentista. Se algum dia ele virar pra mim e disser que quer ser músico quando crescer, provavelmente vou respirar aliviado por ele não querer ser advogado ou engenheiro.

Se ele vier a gostar de sertanejo, pagode, música eletrônica, ópera chinesa ou folclore búlgaro, que não seja pelo efeito manada, Maria vai com as outras, mas fruto de um gosto pessoal, desenvolvido ao longo dos anos (aliás, que seja assim pra tudo: política, esporte, religião, literatura). Nesse ponto, meu filho só irá me desapontar se for menos ele mesmo.

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