The Joshua Tree Tour

166622-show-145973

Quando John Lennon morreu, eu não era ainda um adolescente, de forma que a reunião dos Beatles nunca chegou a ser um sonho real. O show que de fato povoou meus sonhos, fez palpitar meu coração como nenhum outro, e que sempre carreguei a amargura de jamais ter chegado perto de assistir, absorvendo com avidez qualquer migalha dele que chegasse a meus olhos e ouvidos, foi o da The Joshua Tree Tour, ou ainda a Lovetown Tour (algo como a Zooropa Tour para a ZooTv Tour).

Não de cara o U2 se tornou minha banda preferida em vida (antes o lugar havia sido ocupado por Dire Straits), graças ao vídeo de Under a blood red sky. Embora já conhecesse todos os discos anteriores (inclusive um excelente disco pirata da turnê do Boy), o Joshua Tree foi meu primeiro lançamento da banda.

Como costuma ocorrer com o U2, não foi paixão à primeira audição. Talvez na terceira. A coisa explodiu quando veio o filme Rattle & Hum. O U2 tem a curiosa característica de continuar a trabalhar suas músicas ao vivo. O disco é apenas o registro de um momento. Ao vivo, a banda parte para outro plano de existência. Não necessariamente as músicas serão melhores, mas muitas o são. Não é como Bruce Springsteen, em que tudo ao vivo soa melhor. No caso do U2, existe uma química entre banda e público que até hoje escapa à razão.

Assim, Joshua Tree se tornou meu álbum favorito, e a turnê catapultou o grupo irlandês para a constelação do rock. Os fãs mais jovens possuem essa relação com a ZooTv Tour, mas acredito que a maioria dos fãs da minha idade sonham com um show da Joshua Tree Tour como os adolescentes dos anos 50 sonhavam com Brigitte Bardot. Qualquer disco, show, vídeo, entrevista ou matéria de jornal, depois disso, não deixava de ser uma tentativa de compensar o rombo existencial de não poder ter visto Joshua Tree ao vivo.

Portanto, quando a banda anunciou uma turnê nostálgica do disco, comemorando seus trinta anos, e ainda garantindo tocar todo o álbum (o que inclui obrigatoriamente músicas jamais tocadas ao vivo), foi como um portal se abrindo para que eu voltasse ao passado para realizar um sonho. Será o mesmo show? Claro que não. Mesmo que eles tentassem reproduzi-lo, a voz do Bono está muito aquém do que foi no passado.

Ouvi o show do Jethro Tull tocando Aqualung na íntegra. Burocrático e sem alma. Em tese, este tipo de resgate costuma apresentar problemas do tipo, exceto quando se trata de artistas que colocam a alma em tudo que fazem, como Bruce e U2. No Rock in Rio, Bruce Springsteen tocou Born in the USA na íntegra, e pouca diferença fizeram os quase 30 anos que separavam a apresentação da turnê original.

Não perdi nenhuma vinda da banda ao Brasil (assim como as de Bruce), e nem esperava que viessem dessa vez, por isso já havia comprado ingresso pra Barcelona. Mas eles vêm! E eu estarei lá, mais uma vez (ou melhor, duas vezes!). Não é sempre que temos a chance de realizar um sonho.

Anúncios
Explore posts in the same categories: U2

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: