Bohemian Rhapsody, o filme

Bohemian Rhapsody

AkiraReady Player One e V de Vingança são exemplos de obras cujas versões cinematográficas contam a mesma história, só que de uma forma completamente diferente (V se afasta menos do original que as duas primeiras). Esse é o caso do filme Bohemian Rhapsody em relação à história do Queen, ou de Freddie Mercury.

O filme é fiel à música e ao espírito do grupo, mas quem o assistir ficará sabendo muito pouco sobre a história da banda. Se for ficar falando tudo que está errado ou fora da ordem cronológica, esse texto vai ficar maior do que o roteiro do filme. Então, para ser breve, vou me limitar a listar os fatos mostrados no filme que realmente ocorreram mais ou menos da forma como ocorreram.

Freddie desenhou a logo da banda e criou o nome.

Mary Austin viveu com Freddie; eles se separam após ele revelar a ela sobre sua sexualidade; e eles continuaram amigos, sendo ela uma pessoa muito importante para ele.

Eles passaram três semanas em uma fazenda ensaiando as músicas de A night at the opera.

Bohemian Rhapsody foi tocada na rádio pela primeira vez no programa de um conhecido DJ amigo de Freddie.

Jim Beach era o advogado e se tornou o empresário da banda.

Freddie entrou numa onda de festas nababescas e de arromba, com muito sexo, drogas e álcool. Ao mesmo tempo, era bastante reservado sobre sua vida privada e nunca quis posar de ícone gay.

O show no Live Aid foi apoteótico, muito importante para a continuação e união da banda, e Freddie, no dia, enfrentava problemas de garganta. O volume da mesa de som foi aumentado por um membro da equipe.

Freddie começou a namorar um homem chamado Jim Hutton em 1985, que ele havia conhecido brevemente dois anos antes.

Pronto. Agora posso falar sobre o filme em si.

O filme é divertido, engraçado e emocionante. Os atores estão bem, particularmente os empresários e os intérpretes de Brian MayJohn Deacon e Mary Austin. Quando ele começa a tocar We are the champion no filme, praticamente fui às lágrimas. Pena que não tocaram o show todo. Faltaram Crazy little thing called love e We will rock you. Não entendi a ausência dessa última devido o destaque dado à composição dela no filme.

Os fatos que antecederam ao Live Aid são inteiramente ficcionais, mas, como roteiro, funcionam muito bem como preparação para o clímax.

Curiosamente, a biografia da banda escrita por Mark Blake começa da mesma forma que o filme: a apresentação no Live Aid. Não deve ser coincidência. Tive a impressão que o grupo que passa por Freddie ao subir ao palco é o U2. Eles não estariam ali, pois entre o U2 e o Queen teve a apresentação do Dire Straits (no final, quando retornam ao show, é possível ouvir o Dire Straits tocando). A furtiva homenagem não é casual: os irlandeses e o Queen foram considerados os dois maiores “vencedores” do evento. Além disso, reza a lenda que Mercury se chegou todo animado pra cima do Bono no backstage.

Geralmente esse tipo de filme dá bastante destaque ao surgimento da lenda: o início da banda, as dificuldades iniciais até o breakthrough. No caso do Queen, tudo é contado muito rápido. Afinal, há muito história ainda pela frente. A história do Queen e Freddie Mercury renderia fácil dois filmes: um até Bohemian Rhapsody explodir nas rádios; e outro até a morte de Freddie, com, o gran finale no tributo a sua homenagem. Ou mesmo 3, com o segundo abordando até o Live Aid. Como, em um único filme, não dá pra contar a história toda, fizeram muito bem em terminar no Live Aid, e, dramaticamente, ficou excelente antecipar a descoberta da doença. Freddie foi diagnosticado como HIV-positivo em 1987, embora já desconfiasse que as coisas não iam bem pelo menos desde o ano anterior, e enfrentasse problemas de saúde, creditados aos excessos, ainda antes disso.

Sobre o palco, Rami Malek está muito bem como Freddie Mercury. Fora dele, pareceu o tempo todo incomodado com os dentes, como se a boca lutasse contra eles, prestes a expeli-lo. Isso me desconcentrou bastante.

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