Queen, antes e depois.

Em um final de semana assisti ao (salvo engano) mais antigo show do Queen lançado em DVD e ao mais recente: Queen Live at the Rainbow ’74 e Hungarian Rhapsody: Queen Live in Budapest.

O primeiro registra as duas noites no Rainbow, em Londres, no encerramento da leg britânica da Sheer Heart Attack Tour, em 1974. Em seguida a banda partiria para o continente e, no ano seguinte, para a sua segunda temporada nos EUA. Freddie Mercury ainda não tinha saído do armário (embora sua performance fosse mais afeminada do que a dos anos 80) e eles alcançavam seu primeiro big hit com Killer Queen.

Queen_-_Live_at_the_Rainbow_'74

No segundo, o Queen toca pela primeira vez do outro lado da Cortina de Ferro, em Budapeste, o que na época era um acontecimento. É o último registro de um concerto do Queen. O de Wembley foi filmado duas semanas antes. Ambos são parte da curta Magic Tour, iniciada em junho de 1986 e encerrada em início de agosto. Devido às críticas ao vídeo de I want to break free nos EUA, Freddie se recusou a tocar no país novamente. Por isso, a última apresentação do Queen na América do Norte foi em setembro de 1982 com a Hot Space Tour. Mas pode haver outros motivos para a curta temporada.

Oficialmente, Freddie foi diagnosticado com Aids em abril de 1987, mas os primeiros rumores surgiram em outubro de 86. E o cantor já vinha apresentando problemas de saúde e falhas na voz há um ou dois anos. É possível que ele já estivesse bolado.

No show de 74, os quatro já apresentam grande domínio de seus instrumentos e muita preocupação com o aspecto visual e teatral da performance. Os movimentos parecem milimetricamente ensaiados. Cabeludo, de rosto liso e mais falante com o público, Mercury já é um showman, mas é possível sentir ainda alguns movimentos ensaiados. O que mais chama a atenção é oi contraste entre o vozeirão roqueiro e rascante com a figura espalhafatosa e delgada do cantor.

Doze anos depois, vemos Freddie mais marombado, pulando e dançando pelo palco com a desenvoltura de quem entra em casa e chega ao quarto sem precisar acender a luz da casa. O visual é aquele que ficou pra história, o cabelo curto e o bigodão. A voz, porém, já não é a mesma. É possível perceber falhas, dificuldade em sustentar algumas notas e falsetes. Mas ele dribla bem as dificuldades com sua experiência.

Difícil dizer, na época, se era a saúde ou a falta de preparo de saracotear e ainda ter fôlego para cantar. Afinal, Freddie estava para completar 40 anos, e muitas cantoras jovens de hoje recorrem ao playback e backing vocals para não deixar a peteca cair.

O mais interessante foi assistir a dois excelentes shows com apenas três músicas repetidas: Seven Seas of Rhye, In the Lap of the Gods… Revisited e Now I’m here.

(Curioso que, se compararmos ambos os setlists com o Queen Rock Montreal, em 1981, da turnê do The Game, há três músicas do Rainbow e novo de Budapest, e apenas uma presente nos três: Now I’m here.)

Nos extras do DVD do Rainbow, há três faixas do show no mesmo palco e no mesmo ano, mas em 31 de março, antes do Queen partir pela primeira vez aos EUA pela Queen II Tour. A imagem está bem estourada.

Imperdível mesmo é o extra de Budapeste, o documentário A Magic Year, de 26 minutos, que mostra os doze meses da banda entre a apresentação no Live-Aid até o encerramento da turnê no Knebworth Park, em 9 de agosto. O documentário é uma delícia, mostrando cenas dos quatro, individualmente, passeando por Budapeste, e entrevistas com Freddie Mercury. Acho que eu nunca havia visto tanto o rosto do John Deacon… ou sequer ouvido a voz dele!

Queen Budapest

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