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Agnes Obel

08/01/2015
Aventine (2013), Agnes Obel.

Aventine (2013), Agnes Obel.

Não sou do tipo que sai caçando novas músicas e artistas por aí. Sou mais do tipo pescador preguiçoso, que fica sentado à beira da praia, com olhos (e ouvidos) bem atentos, aguardando o que as ondas trazem. E sempre traz algo. Se eu gostar, aí eu tiro minha bunda da areia, pego minha rede e tento pegar todo o cardume.

Numa dessas, em um grupo de fãs da Tori Amos no facebook, alguém pede uma dica de cantora que toca piano (não me lembro se precisava ser também ruiva ou se isso era um bônus), desde que não fossem Tori, Fiona Apple ou Regina Spektor. De início parecia que todas as possibilidades haviam se esgotado numa mesma frase. Mas então os peixinhos começaram a pular na água…

Daquela thread eu pesquei dois peixes: um canadense (de quem eu falarei em outra oportunidade) e outro dinamarquês, uma tal de Agnes Obel. Bonito nome, não? Pois bem… bastou ouvir uma ou duas músicas no youtube pra me aventurar pelos CDs. Não são muitos, apenas dois até o momento. Comecei pelo mais barato (sim, ainda compro essas coisas), Aventine, que é o mais recente. Aprovadíssimo.

Em comum com Tori Amos apenas o fato de ambas serem cantautoras (essa designação ibérica que eu adoro) e terem o piano como seu principal instrumento de trabalho. Bem, há também a questão dos shows serem praticamente solo. Agnes costuma se apresentar ao piano, acompanhada apenas de uma violoncelista e uma violinista.

Composições algo melancólicas, mas não tanto; lúgubres, de certa forma; algo etéreas; belas, singelas, com um dedilhado minimalista. Não tem a voz poderosa da ruiva. A voz de Agnes soa delicada e suave, mas firme. Aveludada, sem ser sedutora. “Never win and never lose / There’s nothing much to choose / Between the right and wrong / Nothing lost and nothing gained / Still things aren’t quite the same / Between you and me”.

Após a ótima boa impressão, parti pra Philarmonics, seu debut discográfico. O preço assustava um pouco, mas então eu reparei tratar-se de uma versão deluxe, com um CD extra! Aí valeu, ô se valeu! O disco bônus vinha com seis faixas ao vivo em Copenhagem e versões instrumentais de algumas canções.

Aventine encaixa como uma perfeita continuação de Philarmonica, numa trajetória sonora e narrativa na qual Agnes constrói seu próprio mundo e, como Tori, torna-se inclassificável. Pop? Folk? Clássico? Agnes Obel toca Agnes Obel.

Você pode conferir aqui The Curse em Berlin.

Philarmonics (2010), Agnes Obel.

Philarmonics (2010), Agnes Obel.

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