Archive for the ‘Arcade Fire’ category

Top 20 – 2000/2009 (6ª parte)

15/11/2011

Os dois álbuns abaixo pertencem às duas bandas nascidas nesta década que mais me empolgaram e impressionaram positivamente: Arcade Fire e Franz Ferdinand. As duas lançaram seu primeiro álbum em 2004, e calhou de conhecê-las também no mesmo ano, em 2006. De lá pra cá, ambas lançaram mais dois álbuns.

Funeral (2004), Arcade Fire.

A estréia discográfica da banda canadense foi, na verdade, em 2002, com um EP homônimo. Mas o grande début foi mesmo com Funeral, que antigamente seria chamado de LP.

De cara, o grupo me lembrou Belle & Sebastian: banda numerosa, indie, criada em torno de um casal, e com um texto no encarte muito parecido com o de Tigermilk, primeiro álbum da banda escocesa. Mas as semelhanças param por aí.

Meu primeiro contato foi com a canção Wake Up, que abria os shows do U2 na Vertigo Tour. De tanto ouvir aquilo nos bootlegs, foi natural querer ouvir a música toda e mais coisas da banda. E assim cheguei a Funeral, um disco pouco comum, de sonoridade dramática e complexa, nada radiofônico. O vocal feminino lembra muito Bjork.

O crescimento musical desde o EP e as sutis, mas significativas, mudanças de um disco pro outro representam uma maturidade musical animadora.

Da primeira vez que a banda veio ao Brasil, não a conhecia. Depois, fiquei torcendo que sua possível vinda ao Rock in Rio 2011 se concretizasse. Não foi dessa vez…

Vídeo de Wake up.

Franz Ferdinand (2004).

Conheci os escoceses do Franz Ferdinand também via U2. Sem ter ouvido um acorde sequer da banda, vi com prazer os rapazes abrindo para o U2 no Morumbi em fevereiro de 2006. Vi uma banda empolgada, tocando com garra e habilidade, e um som contagiante. Voltando ao Rio, o antológico show deles no Circo Voador já estava esgotado. Ficamos pegando restos de som na cerca do lado de fora. Minha esposa, após o show, ainda conseguiu autógrafos de Alex Kapranos e Bob Hardy nas fotos tiradas dias antes em São Paulo. Conseguimos vê-los meses depois na Fundição Progresso, cuja acústica é deplorável.

O disco de estréia eu conheci após o segundo CD, You could have it so much better, e me causou ainda mais impacto pela inventividade e vibração das composições.

Nesses dois primeiros trabalhos, a banda apresentou diversos caminhos possíveis, mas preferiu, no terceiro, Tonight, seguir na área de conforto do rock dançante. Fico na expectativa de que a inquietação que percebi em Joss Stone e Arcade Fire venha a arrebatar esse simpático grupo.

Take me out ao vivo aqui.

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Enquanto Franz Ferdinand e Funeral representam o novo, os outros dois álbuns de 2004 são de velhos conhecidos. Coincidentemente, as duas escolhas mais pessoais desse Top 20.

Trampin’ (2004), Patti Smith.

O primeiro disco de Patti Smith a gente nunca esquece. Ela foi uma daquelas artistas de que eu sempre ouvi falar e demorei a conhecer. Mais um empurrãozinho do U2, com o cover de Dancing Barefoot.

Não há um disco de Patti que eu ache ruim, mas este possui um encanto especial aqui em casa. Quando minha esposa me pedia pra ouvir Patti Smith, eu botava qualquer um, apenas para perceber que, na verdade, ela sempre queria ouvir Trampin’.

A razão disso continua um mistério. Tento, racionalmente, explicar pra mim mesmo que é porque o disco é mais equilibrado que os anteriores, mais regular. Mas, no fundo, creio que seja o vínculo afetivo da descoberta.

Pouco tempo depois, tivemos a oportunidade, junto com o Alexandre, de marcar presença em seu show no Tim Festival.

Jubilee ao vivo na França.

How to dismantle an atomic bomb (2004), U2.

Se alguém disser que eu incluí esse disco só porque é do U2… estará certo. No dia em que fechei a lista, me fiz uma pergunta: eu trocaria algum desses discos por aqueles do U2 que ficaram de fora? Bem, foi com esta pergunta que No line on the horizon tirou American Idiot (Green Day) da lista.

Então, dando a lista como encerrada, resolvi botar How to dismantle an atomic bomb pra tocar enquanto passava um caderno a limpo. Me peguei cantando todas as músicas, mesmo aquelas das quais já tinha enjoado, como Miracle Drug. Então me dei conta que não tinha como deixar um disco com Vertigo, City of Blinding Lights, One step closer e Original of the species de fora; não seria honesto. Além disso, foi devido à turnê desse disco que me interessei por Arcade Fire e Franz Ferdinand. E foi assim que Sea Change (Beck), saiu da lista. Sorry, coisas do coração…

One step closer em um vídeo caseiro, utilizando imagens de shows.

Top 20 – 2000/2009 (3ª parte)

04/11/2011

Raising Sand (2007), Robert Plant e Alison Krauss.

Há pouco a acrescentar ao que já comentei aqui no blog. Apenas que, com este disco e o inteiramente solo, Band of Joy, lançado em 2010, Robert Plant mostrou que tinha mais o que fazer do que sair por aí numa turnê-museu ao lado de Jimmy Page e John Paul Jones. Após o show histórico no O2 Arena, Plant foi culpado pelo fracasso de uma tour com o Led Zeppelin. Escutando esses discos, só tenho a dizer que o mundo da música agradece.

Aqui o link para Killing the blues, no Later with Jools Holland, em 2008.

American Doll Posse (2007), Tori Amos.

Talvez uma das piores capas da história da indústria do disco. Mais quem vê capa não vê coração. Após o début oficial com Little Earthquakes, Tori Amos enfileirou ótimos discos, mas nenhum a ponto de rivalizar com ele. Após alguns discos bons, mas que já soavam mais do mesmo, quando não esperava mais nada excepcional desta irrequieta pianista e cantora norte-americana, ela me aparece com o melhor disco desde a estreia.

Apesar de um pouco longo demais, como os dois discos anteriores, American Doll Posse é bom do início ao fim. Se há músicas que soam medianas, é pelo simples fato que, aqui, o nível é elevado. Bouncing off clouds, Digital Ghost, Devils and Gods, Father’s Son e Smokey Joe estão entre minhas favoritas.

Para forçar a inspiração para este disco, Tori imaginou uma banda só de mulheres, a personalidade e a história de cada uma, e compôs cada música incorporando estes personagens. O resultado é arrebatador!

Aqui, versão ao vivo de Digital Ghost na Antuérpia em 2008.

Neon Bible (2007), Arcade Fire.

Após o bem sucedido long play inicial, os canadenses do Arcade Fire tinham tudo para seguir a fórmula que havia dado certo. Em vez disso, seguiram novos caminhos, com o mérito de inovar sem perder a identidade sonora.

Neon Bible chega a ser melhor que Funeral, mostrando maturidade e criatividade, impressão reafirmada em seu álbum de 2010, The Suburbs. Pra mim, a banda mais instigante nascida nesta década.

Vídeo de No cars go.