Archive for the ‘Bruce Springsteen’ category

Top 20 – filmes e vídeos de música (parte 5)

19/02/2017

Bruce Springsteen é basicamente um artista de palco. Suas músicas, quando transpostas para os shows, ganham nova envergadura, entram em outra dimensão. Poucos artistas sabem se apresentar ao vivo como Bruce. E foi por isso que ele não hesitou em contrariar o próprio homem que lhe abriu as portas do Olimpo, John Hammond (só o cara que descobriu Billie Holiday e Bob Dylan), que queria um álbum voz e violão, e insistiu em incluir sua banda, pois sabia do que era capaz de fazer em turnê. Mike Appel, seu empresário, nunca tinha lhe visto ao vivo com a banda e não entendia a insistência. Quando viu, percebeu que Bruce sabia exatamente o que estava fazendo. E lhe deu razão. O resultado foi um álbum mezzo acústico, mezzo com banda.

Da mesma forma, fui fisgado pelo The Boss ao assistir a um show da turnê The River na Bandeirantes. Nos anos 80, os melhores shows passavam na Band, desde sua estreia em rede nacional, abrindo com uma apresentação de Chico Buarque. As únicas a lhe fazer concorrência eram a TVE (Rio) e a TV Cultura (São Paulo) em termos de shows nacionais. No final da década, a Manchete tomou-lhe o lugar.

Assim, não é de se admirar que Bruce ocupe três lugares neste Top 20. Curiosamente, o primeiro vídeo ao vivo só foi lançado nos anos 90, pela MTV. Todo material anterior, do seu auge, só foi lançado posteriormente como extras de versões comemorativas luxuosas de seus álbuns.

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O primeiro da série é o Live in New York City, gravado em duas noites no Madison Square Garden, em 29 de junho e 1° de julho de 2000, que virou especial da HBO (que ganhou dois Emmy com ele) e foi lançado em CD e DVD no ano seguinte. Ambas as versões ganharam mais de uma dezena de extras, que não funcionam muito bem em conjunto. Portanto, me reporto aqui apenas ao material do especial de TV, que começa com My love will not let you down e termina com American Skin (41 shots), em um total de 14 canções.

A turnê em questão é nada mais nada menos do que o retorno da E Street Band. O tesão dos músicos e de Bruce em tocarem juntos novamente está explícito em cada gota de suor espirrada pela camisa encharcada do cantor, seja quando ele desliza de joelhos na beira do palco, seja quando rege o público de pé sobre o piano de Roy Bittan.

Além de ser uma das casas de shows mais lendárias do pop/rock, o Madison Square Garden tem a capacidade de dar grandiosidade e intimidade a suas apresentações. Com o público sendo conduzido por Bruce, o show ganha ares ecumênicos, simbolizado por uma das mais fantásticas apresentações de músicos uma banda, chegando ao clímax na vez de Clarence Clemons.

As versões de Prove it all night, Badlands, Out in the street e Tenth Avenue Frezze-Out são apoteóticas, assim como a versão repaginada de Youngstown, oriunda do acústico The Ghost of Tom Joad.

Quando assisti pela primeira vez, não entendi o encerramento com a recém composta American Skin. Não conhecia a história por trás da canção e o vídeo em nada revela a tensão que havia em sua execução. Lendo a biografia de Peter Carlin sobre Bruce, fiquei sabendo do quanto a composição irritou a polícia de Nova York. A polêmica antes da apresentação foi ácida e feroz. Ainda não tive a oportunidade de rever o show após a leitura.

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O DVD Live in Barcelona, que não ganhou versão em CD, registra a Rising Tour. Gravado em 16 de outubro de 2002 no Palau Sant Jordi, em Barcelona, só foi lançado no ano seguinte. Foi transmitido incompleto pela MTV Europa e pela VH1 britânica. Pela primeira vez um show inteiro de uma turnê regular de Bruce Springsteen era registrado e lançado em vídeo. E essa é a principal razão de sua inclusão na lista.

Além de The Rising ser um bom álbum e o show conter várias faixas tiradas dele (e, como era de se esperar, em versões muito mais palpitantes), o pacote geral permite sentir o que é estar em show de Bruce. Incrível como Bruce consegue transformar qualquer plateia em uma festa de arromba em seu jardim. Mais do que a música, a atmosfera de êxtase é arrebatadora!

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Por fim, Live in Dublin, já comentado e também incluído no Top 20 de melhores álbuns ao vivo, registra a The Sessions Band Tour, a partir do álbum We Shall Overcome: The Seeger Sessions. O show foi gravado na penúltima parada da turnê, em Dublin (depois, eles teriam só mais uma noite em Belfast), no Point Theatre, ao longo de três apresentações em novembro de 2006. Ao contrário do show em Barcelona, o resultado não é uma apresentação inteira, mais uma seleção de material entre os diferentes dias, ficando muitas faixas de fora.

Além do valor musical, que já que me fez incluir o CD entre meus favoritos, o aspecto visual garante o DVD nesta lista. O entrosamento dos músicos (18 no total!) no palco, em uma movimentação constante, com cada um tendo garantido seu momento de brilho, é plasticamente empolgante. A reação da plateia irlandesa às músicas folk é de arrepiar. E meu destaque, sempre, às reinterpretações de Further on (up the road) e Open all night.

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Born to Run

14/12/2016
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Born to Run (2016), Bruce Springsteen.

Estava tão curioso em ler a autobiografia de Bruce Springsteen que, apesar de ter sido o último livro que comprei, tratei de fazê-lo furar a fila. É impossível não comparar com a biografia escrita por Peter Ames Carlin, publicada em 2012 e lançada no Brasil em uma edição apressada para aproveitar a vinda do Boss para o Rock in Rio de 2013. Foi com alegria que constatei que um não torna o outro obsoleto. São textos complementares.

Interessante notar que Bruce começou a trabalhar em Born to Run em 2009, sem se dar nenhum prazo para terminá-lo. Portanto, quando abriu suas portas a Carlin, já sabia que escreveria a sua própria biografia. Talvez isso tenha facilitado a decisão de se abrir, mas, por outro lado, é de se admirar a generosidade em guardar para si algumas revelações. No livro de Carlin, talvez a mais surpreendente seja a depressão daquele que incendeia multidões noite após noite. A depressão, que também atacou fortemente seu pai por décadas, torna-se o principal tema na reta final do livro. Mas está lá desde o início.

Assim como na biografia de Carlin, Bruce começa a sua falando da infância, da família, de seus pais e avós, para depois ir avançando por temas dispostos em capítulos relativamente curtos, no total de 79. Fico pensando se Bruce chegou a ler o que Carlin escreveu, pois é incrível como sua narrativa serpenteia pelas lacunas deixadas por seu biógrafo e não se detém por fatos ali abordados exaustivamente. O livro de Carlin nos dá o panorama histórico-cronológico jornalístico. O de Bruce nos revela alma por trás daqueles acontecimentos.

Bruce Springsteen faz parte de uma estirpe de compositores contadores de história, então é de se esperar algo semelhante em suas memórias. E ele não decepciona. Como ele mesmo diz no final, não dá pra contar tudo em um livro, seja pelo tamanho, pela discrição e o respeito às demais pessoas. Trata-se, contudo, de uma narrativa sincera, corajosa, e que tem como fio condutor um dos aspectos de sua personalidade: justamente o mais conturbado. E, por isso mesmo, aquele que o fez ser quem é.

Após o início familiar, totalmente pessoal, que ajuda também a dar o contexto psicológico e social de sua origem, em meio às colônias irlandesas e italiana de Freehold, em New Jersey, Bruce passa a descrever suas primeiras tentativas de se tornar um astro de rock. Na adolescência com os Castiles, depois com o power trio Earth, e finalmente com o Steel Mill, que chegou a angariar uma pequena legião de fãs locais. Na autobiografia fica mais evidente as motivações que o fizeram abrir mão de ser parte de uma banda pra querer ter uma banda para acompanhá-lo, inicialmente chamada de Bruce Springsteen Band.

O roteiro segue conforme o esperado, com o primeiro contrato, o primeiro disco, o sucesso de Born to Run, até chegar a The River. Ao chegar aos anos 80, com a explosão subsequente de Born in the USA, as questões pessoais voltam a se destacar e a competir com as musicais. Após o fim da turnê com a Anistia Internacional, em 1988 (eu fui!), até o triunfal retorno com a E Street Band em 1999, praticamente não se fala de música. Pela primeira vez ele fala de seu primeiro casamento, o início de sua relação com Patti Scialfa, da família, dos filhos, sobre ser pai. Na década seguinte, volta a falar também de música, seguindo até o lançamento de High Hopes e um pouquinho além, chegando a deixar registrado o falecimento de Allen Toussaint em 2015 (a biografia de Carlin vai até Wrecking Ball, de 2012).

O final do livro deixa um travo amargo, pois é um retrato de seu autor em luta contra uma doença pouco compreendida. Bruce foi vítima de um preconceito comum contra os remédios antidepressivos. Quando seu psicanalista por 25 anos faleceu em 2008, ele foi procurar outro, que acabou lhe sugerindo parar de tomar os remédios para ver o que acontecia. Nunca dá em boa coisa. E não deu.

Apesar desse final um tanto pesado, mas coerente com a narrativa da autobiografia (não se espera menos de um bom contador de histórias), a leitura é envolvente e agradável, com o humor e estilo típico de Bruce, da forma que a gente conhece dos shows e entrevistas. Lendo os dois livros, entende-se a opção do compositor em querer mostrar seu lado sombrio em detrimento do popstar.

Só não é possível entender a razão de tantos problemas na tradução em português, realizada por dois tradutores. A falta de revisão salta aos olhos ante a quantidade de artigos e preposições desaparecidos (não se trata, no entanto, da versão de O Sumiço), problemas de edição do tipo “sua música dele” e até mesmo erros ortográficos. Há também muitas opções de tradução estranhas, frases confusas e alguma falta de familiaridade com o material traduzido. O título de um dos capítulos é o nome do power trio de Bruce, Earth. Colocaram “Terra”. Porém, ainda que um pouco irritante, o problema não atrapalha a leitura, exceto quando um “a la” se transforma em “lá”. Tive de reler a frase umas quatro vezes pra entender onde estava o erro.

E, assim como na biografia, termino minha resenho com um anticlímax.

Top 10 – Coletâneas (parte 7)

01/09/2016
Bruce Springsteen and the E Street Band Live 1975-1985

Bruce Springsteen & The E Street Band Live 1975-1985 (1986).

Durante uma greve na faculdade, estava com um amigo na finada Gabriela do Barra Shopping (antiga loja de discos) e me deparei com uma caixa do Bruce Springsteen ao vivo, Bruce Springsteen & the E Street Band Live 1975-1985. Não era barato, nem estupidamente caro, mas eu havia economizado o dinheiro do lanche por causa da greve. Indeciso, meu amigo deu o empurrão: “Você gosta do cara, tá com dinheiro, compra. Você não vai ter outra oportunidade dessas”. De fato, eu nunca veria essa caixa à venda novamente.

Comprei. Quem não ficou nada contente com o uso do dinheiro foi o meu pai. Apenas fui alertado para não fazer isso de novo. Ok. Quem gostou foi meu irmão, que “descobriu” Bruce Springsteen antes de mim, em um show na Bandeirantes.

O mimo continha cinco vinis e um encarte cheio de fotos e letras. Pra quem só tinha comprado The River (a preço de banana na também finada Mesbla) e gravado uma fita com Born in the USA, aquele material equivalia a uma arca do tesouro. E quem conhece Bruce sabe que ele ao vivo é outro tipo de animal.

Gravações de 1975 a 1985, abrangendo de forma bastante generosa os sete álbuns do Boss lançados até então. Incluindo quatro faixas que não estão em nenhum deles: a instrumental Paradise in the C; Fire, uma habitual dos shows na turnê do Darkness on the edge of town; a versão de Bruce para o hit Because the night, gravado por Patti Smith; e covers de War e Raise your hand.

A abertura, gravada no Roxy Theatre em outubro de 1975, com o anúncio “ladies and gentlemen, Bruce Springsteen and the E Street Band”, seguido da levada ao piano e gaita de Thunder Road, até hoje me causa arrepios. Curiosamente, as faixas ao vivo das músicas de Born in the USA foram as que menos me impressionaram, exceto pela arrepiante versão de Bobby Jean, onde o sax do Big Man se funde ao lamento de Bruce. Talvez, por isso, não tenha lamentado tanto a estranha ausência de Dancing in the dark e Glory Days, mas desejado por mais daquelas jams e o despojamento dos shows dos anos 70.

Duas décadas depois, minha esposa resolveu me dar de presente de aniversário a versão da caixa em CD. Importado, claro. A versão americana digital é reduzida de três CDs. E foi essa que ela encomendou. Só que, ao abrir o pacote, descobri que eles haviam enviado a versão japonesa, que reproduz fielmente a caixa original em vinil, com cinco discos, com as capas com foto de cada um deles, e até mesmo aquele indefectível plástico que envolvia os vinis. Ploft!

Aproveitando o tema, certa vez minha esposa me alertou sobre a liquidação de uma loja no Leblon que estava fechando. Claro que, quando cheguei lá, quase tudo de interessante havia sido levado. Mas eis que sorria para mim a Tracks, caixa de quatro CDs com sobras de estúdio, B-sides e gravações raras de Bruce Springsteen, de 1972 a 1995. E por uma pechincha!

Bruce

31/01/2016
Bruce

Bruce (2012), Peter Ames Carlin.

Ao falar dos livros sobre Paul McCartney, dei-me conta que fiquei devendo minha resenha de Bruce, biografia autorizada de Bruce Springsteen escrita por Peter Ames Carlin. Quando li, na época do show do bardo de New Jersey no Rock in Rio, escrevi tanto sobre ele que não quis saturar o assunto, limitando-me a um post no Facebook.

Nunca fui de ficar lendo biografias. A coisa mais fácil do mundo é achar um livro contando a história de alguém famoso. Difícil é saber o quão bom, fidedigno ou representativo esse livro vai ser. Minhas incursões no gênero praticamente se limitavam a um livreto de Rubens Ricupero sobre o Barão do Rio Branco, muito mais sobre sua obra do que sobre sua pessoa, a série de entrevistas organizadas por Neil McCormick com os integrantes do U2, e a polêmica biografia sobre Roberto Carlos. Como gostei do que li a respeito do livro do Peter Ames Carlin sobre Bruce Springsteen, comprei-o.

A partir de Bruce, resolvi colocá-las na minha lista de preferências. O relato de Carlin é tão honesto, fluido e instigante, capaz de dar ao biografado toda a complexa dimensão de um personagem de ficção bem construído, bem como dar a sua vida todas as nuances de um romance sem apelar a artifícios novelescos. Enfim, me empolguei e parti para outras aventuras.

Chama a atenção o primeiro capítulo ser todo dedicado a justificar o título do livro. Porque Bruce e não The Boss. Segundo o biografado, que não gosta de ser chamado assim, trata-se de uma piada interna com origens nas partidas hardcore de Banco Imobiliário no apartamento de Steven Van Zandt lá pelos idos de 1971.

Carlin traça toda uma base psicológica para explicar o seu personagem. Para isso, viaja até os anos 20, narrando a trajetória da família desde a infância do pai. O que pode parecer excesso ou uma novela familiar, acaba sendo relevante para entender vários aspectos da personalidade do artista, particularmente quando este se revela com problemas de depressão. A música e o ritmo compulsivo de composição são parte da terapia. Esta corajosa revelação é o ponto alto das duas últimas décadas da narrativa. Mas a grande atração vem muito antes, antes mesmo do primeiro vinil de Bruce soar nos toca-discos norte-americanos.

De 1966 a 1979, o relato é denso, fazendo seis meses parecerem anos de vida. Mostra um delicioso painel da cena musical de New Jersey na virada dos 60 pros 70, e da própria contracultura americana do período. Contextualiza a cena local na história da música americana e o desenvolvimento de Bruce como músico no meio disso tudo.

Desde a adolescência com os Castiles até a hoje mítica apresentação na Columbia que lhe rendeu o contrato para gravar seu primeiro álbum, Bruce teve várias vidas como artista, cada qual com seu próprio pacote de músicas, a maioria delas deixada pra trás, ignorada, descartada em Greetings from Asbury Park, N.J.

Primeiro foi o power trio Earth, que quase lhe rendeu o primeiro contrato, o que acabou não acontecendo porque os dois outros integrantes eram menores de idade e os pais não toparam o negócio.

Depois foi a vez do Steel Mill, já com alguns músicos que posteriormente integrariam a E Street Band. O grupo conseguiu alguma repercussão no circuito de shows, festivais universitários e até chegou a passar uma temporada na Califórnia. Por ter a agenda ocupada, deixaram de participar de Woodstock, festival para o qual haviam sido convidados. Se tivessem ido, as longas performances musicais, com a versão guitar hero revolucionário de Bruce, estariam imortalizadas em película. Num período de muita repressão em New Jersey, um show do Steel Mill provocou confusão com a polícia. Sobre o palco, Bruce ficou assustado com o seu poder de galvanizar a plateia, estando sob suas mãos a possibilidade de causar um conflito mais explosivo ou não. Bruce recuou. Inclusive musicalmente. Acabou se desinteressando do rock engajado. Pouco tempo depois, a banda não mais existia, e todo o seu repertório foi abandonado.

Após algumas jams e formações voláteis, Bruce se dedicou a um novo projeto: Dr. Zoom & The Sonic Boom. Um projeto que colocava vários músicos no palco, com proposta teatral, quase um musical off-Broadway. Ambicioso demais para vingar com parcos recursos, mas que entusiasmou os Allman Brothers. Patti Scialfa chegou a participar dos testes, mas foi rejeitada por ser ainda uma colegial. Paralelamente foi testando outras formações, chegando a abrir pra o Humble Pie com a Bruce Springsteen Band. Quando entrou na Columbia para uma audição com o produtor John Hammond, o descobridor de Bob Dylan e o homem que eternizou Billie Holiday em vinil, Bruce estava acompanhado apenas de seu violão.

Bruce Springsteen Plays the Electric Ballrooom - August 22, 1975

(Photo by Tom Hill/WireImage)

Os dois primeiros álbuns foram experimentos para a construção do que viria ser o inconfundível som da E Street Band, que se consolida no terceiro álbum. De imediato, o magnetismo de Bruce sobre o palco chamou a atenção do público e da crítica. O sucesso com Born to run e a inesperada crise que se sucedeu antes e durante as gravações de Darkness on the Edge of Town foi bem abordado no documentário The Promise. Enquanto o filme aborda mais a tensão no período de composição das músicas, o livro esmiúça mais os bastidores, a relações com agentes, produtores e gravadora.

A partir da turnê do The River, a velocidade aumenta, mas sem saltos relevantes, até chegar ao reencontro com a E Street Band em 1999/2000. Aí aperta um pouco mais o passo até 2012, com o início da Wrecking Ball Tour. Para os fãs, os pontos mais curiosos talvez dessa segunda etapa sejam as circunstâncias das gravações de Nebraska, como Born in the USA foi uma obra urdida ao longo do tempo, como o rapaz franzino virou o cantor malhadão e o processo de dissolução da E Street Band, ocorrida paralelamente ao deslumbramento de Bruce com a parafernália eletrônica surgida nos anos 80. Neste e em outros episódios, fica patente a personalidade difícil, temperamental e mandona de Bruce, capaz de rompantes cruéis, sem dó de constranger suas vítimas em público.

O lado positivo de uma biografia autorizada é justamente poder ir a fundo na alma do biografado, permitindo melhor compreensão de seus atos, tanto os dignos de admiração quanto os reprováveis. O lado negativo é que certos limites traçados pelo biografado (implicitamente) devem ser respeitados, nem que seja por cortesia. No caso, a vida familiar de Bruce (os filhos e Patti Scialfa não deram entrevista). E as razões do fracasso de seu primeiro casamento com a atriz Julianne Phillips ficaram praticamente restritas ao que os dois tinham a dizer sobre o assunto: nada.

Na verdade, Carlin chegou a Bruce pelas beiradas. Ele não pediu autorização para escrever sobre o artista. Chegou a um ponto em que ele havia falado com tanta gente ao redor dele, chegado tão perto de sua intimidade, que Bruce achou melhor entrar em campo para garantir que o seu lado da história fosse levado em consideração e, de alguma forma, influenciasse os rumos do que viesse a ser publicado. A única coisa que Bruce pediu a Carlin foi para que o escritor fosse fiel a tudo o que ouviu.

Pra quem gosta do Boss, imperdível. Pra quem gosta de música, uma boa leitura. Nitidamente houve um pouco de pressa em deixar o livro pronto antes do Rock in Rio de 2013. Há muitos deslizes de estilo na tradução, fazendo até parecer tratar-se de uma versão de Portugal. Mas creio que foi falta de revisão mesmo. Espero que isso tenha sido ou venha a ser resolvido em novas edições. Felizmente, nada que estrague o prazer da leitura.

Top 20 – Álbuns ao Vivo (parte 10)

10/01/2016

Alguns álbuns ao vivo se destacam por registrar todo o esplendor criativo de um artista ou banda em um determinado momento carreira ou por sintetizar em um único momento toda a sua até então. Álbuns como Paris, Alchemy, Wings Over America e It’s too late to stop now certamente se encaixam em suas respectivas discografias dessa forma.

Em sentido oposto, alguns shows se destacam justamente por conter o registro de um momento singular de toda uma carreira. Alguns álbuns da série MTV Unplugged funcionam assim. Mas há outros exemplos de excepcionalidade, como o show de Chico Buarque e Maria Bethania no Canecão ou o encontro de Jimmy Page com os Black Crowes no The Greek.

Na sequência dos meus 20 álbuns ao vivo preferidos, listo um exemplo de cada um, onde os artistas conseguem, seja pela excepcionalidade, seja pela síntese artística, atingir resultados verdadeiramente brilhantes.

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Circuladô ao Vivo

Circuladô Vivo (1992), Caetano Veloso.

Curiosamente, o primeiro álbum solo ao vivo de Caetano Veloso surgiu após 20 anos de carreira, e foi em formato acústico, só voz e violão, chamado Totalmente Demais, gravado no Golden Room do Copacabana Palace. Até então, ao longo dos anos 70, só shows com outros artistas: Gil, Chico, Bethania, os Doces Bárbaros. Lembro-me de um show no Circo Voador, em meados dos anos 80, com formato também acústico, mas com banda completa, que desfiava um repertório muito semelhante ao dó álbum Caetano Veloso (1986), igualmente acústico, feito para o mercado norte-americano, que já renderia um excelente disco (ou fita VHS) ao vivo.

Mais foi apenas em 1992 que Caetano botou na rua um disco ao vivo que registrava todo o seu esplendor sobre o palco: Circuladô Vivo. Desde então, Caetano passou a lançar um disco ao vivo para cada álbum lançado, com exceção do A Foreign Sound.

Depois de passar os anos 80 com uma sequência de discos meia-bomba, foi com Circuladô que Caetano ressurgiu como um artista de álbuns, e não apenas compositor de grandes hits radiofônicos perdidos em meio a faixas inexpressivas, embora o álbum anterior, Estrangeiro, já apresentasse um processo de recuperação nesse sentido.

A turnê do Circuladô foi muito mais do que um show, ela marcou os 50 anos do artista, que rendeu um belíssimo especial na finada Rede Manchete, com cinco capítulos que foram ao ar de segunda a sexta, entremeando músicas de uma apresentação no Imperator com entrevistas, filmes antigos e cenas em família. Também havia música nas entrevistas, com versões emocionais de Cabelos Brancos, samba de Herivelto Martins, e Curvas da Estrada de Santos, de Roberto Carlos.

No material registrado em CD duplo está o que há de melhor em Caetano. Mano a Mano de Carlos Gardel, acompanhado apenas do violoncelo de Jaques Morelembaum, representa todos os tangos e boleros constantes de sua discografia desde Cambalache, em 1969.

O resgate de sambas antigos, outra constante na carreira, com Quando eu penso na Bahia, de Ary Barroso, e Disseram que eu voltei americanizada, feito para Carmen Miranda.

Homenagem à Bossa Nova em Chega de Saudade e ao frevo, com os seus Chuva, suor e cerveja e A Filha da Chiquita Bacana.

Lá está também a reinvenção de canções da MPB, elevando-as a novo patamar, dessa vez com Oceano, de Djavan, uma música que sempre considerei chatinha e clichê, mas que na interpretação de Caetano ganha contornos épicos.

Lá está também os covers dos ídolos estrangeiros como Bob Dylan, numa versão de Jokerman superior ao original (bem, quando se trata de cover de Bob Dylan, isso costuma mesmo acontecer), e Michael Jackson, já abrasileirado anteriormente em Billy Jean (no tal disco de 86 e também no já citado show no Circo), dessa vez com Black or White, que serve de introdução a Americanos. Sim, o show também tem aquelas composições novas inéditas e experimentais que nem sempre funcionam muito bem, mas nada tão constrangedor quanto As Camélias do Quilombo do Leblon, apresentada na recente turnê voz e violão junto com Gilberto Gil.

Alguns clássicos que antes não me encantavam (devido possivelmente aos insossos arranjos típicos dos anos 80) ganharam versões brilhantes, delicadas e repleta de nuances, como Queixa e Você é Linda, além de eternos clássicos do top de Índios e Sampa. A batida Leãozinho é renovada com um acompanhamento solo do baixo de Dadi, para quem a canção foi composta.

Das faixas do disco que deu origem à turnê presentes no show, só sobreviveram ao disco Circuladô de fulô, Itapuã e A Terceira Margem do Rio, menos da metade das apresentadas ao vivo.

E, claro, tem também o momento confessional, de conversa com o público, histórias emotivas e, para alguns, surpreendentes. No caso, a história por trás de Debaixo dos caracóis dos seus cabelos, que Roberto Carlos compôs sobre o exílio de Caetano em Londres.

A excelência do show não se limita apenas ao repertório, mas principalmente aos arranjos de Morelembaum. A sonoridade retrata toda a complexidade de Caetano, com guitarras roqueiras, batuques, distorções, cordas e o velho banquinho e violão. Tudo na medida certa. Talvez só tenha ficado de fora a fase londrina, que, de alguma forma, fez-se representar pela canção do Rei.

Queixa ao vivo.

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Live in Dublin

Live in Dublin (2006), Bruce Springsteen with The Sessions Band.

Em 2006, Bruce Springsteen decidiu gravar um álbum baseado no repertório de músicas tradicionais resgatadas por Pete Seeger. Entretanto, nas mãos de Bruce, as canções folk ganharam uma roupagem mais adequada ao seu habitual wall of sound, e banjos, acordeões, tubas e violinos mesclaram-se à guitarra elétrica. Tanto melhor! Disco-tributo costuma pecar por excesso de respeito ao material original. Se We Shall Overcome: The Seeger Sessions (2006) fosse um disco de folk tradicional como gravado por Seeger, provavelmente seria teria se tornado uma nota de rodapé na carreira de Bruce.

Com o pé na estrada com sua The Sessions Band Tour, aquelas versões foram turbinadas pela mitológica energia de Bruce ao vivo. Quando chegou a Dublin no final da terceira leg da turnê, a Sessions Band havia se tornado um todo compacto, uma máquina musical e coreográfica perfeita. Nada menos do que 18 músicos sobre o palco, com intensa movimentação, numa aparentemente descontraída confusão, sem ninguém se atropelar, sem nenhuma trombada. E com cada músico tendo pelo menos um momento de brilho sob os holofotes ao longo do espetáculo. Uma grande festa!

We Shall Overcome é o primeiro e único (até o momento) álbum de Bruce com músicas que não são de sua lavra. Compositor prolífico, nunca houve muito espaço para covers em seus álbuns, apenas nos shows. Então é no mínimo inusitado um show do The Boss em que metade (ou mais) das músicas apresentadas não sejam dele. Mas se por um lado Bruce aproximou musicas tradicionais ao seu estilo, por outro, fez o caminho inverso com suas composições próprias, adaptando-as à sonoridade do álbum e, consequentemente, da Sessions Band Tour. Assim, enquanto canções como Long time comin’ precisaram de poucas mexidas, If I should fall behind vira uma valsa, Further up (up the road) fica a um passo do gospel, Open all night se transforma numa apoteótica big band dos anos 20 e Growin’ up só é reconhecível pela letra.

Além da excepcionalidade do show em si em relação à carreira de Bruce (a turnê foi muito mais aceita na Europa, onde foi um estrondoso sucesso, do que nos EUA, com casas à meia-bomba), o CD do show não deixa de ser uma excepcionalidade em relação à própria turnê, deixando de fora algumas canções regulares dos shows e eternizando outras que não eram tão tocadas.

Live in Dublin já pertence a uma etapa da indústria fonográfica em que os DVDs são o carro-chefe e os CDs uma espécie de by-product. De fato, até pela magistral apresentação cênica da Sessions Band, o DVD é o produto principal, mas, musicalmente, o CD não deixa nada a dever. Por sorte, o repertório é o mesmo, incluindo os extras.

Uma repaginada Blinded by the light e a arrebatadora O Mary don’t you weep no The Point Theatre, Dublin, em novembro de 2006.

TOP 20 – Álbuns ao Vivo (parte 3)

27/09/2015
Hammersmith Odeon London '75 (2006), Bruce Springsteen & The E Street Band.

Hammersmith Odeon London ’75 (2006), Bruce Springsteen & The E Street Band.

Quando veio chegando a época da celebração dos 30 do lançamento de Born to Run, álbum que definiu a sonoridade da E Street Band, Bruce Springsteen resolveu vasculhar gravações antigas, encontrando uma filmagem em 16mm e áudio de sua primeira performance em solo europeu, mais especificamente no palco do lendário Hammersmith Odeon em Londres. A data, 18 de Novembro de 1975.

A filmagem estava muito escura e deu um trabalhão torná-la assistível, de modo que o DVD só saiu na edição especial de aniversário do álbum. Já o áudio estava fantástico, e acabou merecendo um lançamento independente no ano seguinte.

Naquele debut em Londres, Bruce estava bolado com o excesso de publicidade e teve um “apagão” por todo o tempo em que esteve no palco, voltando ao camarim com a certeza de que havia estragado tudo, que o show tinha sido um desastre, mesmo recebendo elogios e cumprimentos. Por isso as gravações foram deixadas de lado.

Quando soube do lançamento do CD duplo, o primeiro que mostrava a íntegra (ou quase) de um show do bardo de New Jersey em seus primeiros 20 anos de carreira, não sosseguei até comprar e rapidamente escutá-lo.

Não lembro por que estava em casa naquela tarde de meio de semana. Possivelmente me encontrava de férias, mas minha esposa não. Botei o 1° CD e sentei no sofá, com os braços pousados sobre as pernas. Logo nos primeiros acordes de Thunder Road reconheci ser versão similar àquela de voz, piano e gaita que abria a caixa Bruce Springsteen & The E Street Band Live 1975-85. Arrepiei a medula. Simplesmente não pude me mexer enquanto as canções se sucediam. E que som era aquele!

Na turnê de 1975, apesar da mudança nas composições do terceiro álbum de Bruce em relação aos dois primeiros, a sonoridade mais performática e inspirada em jams do álbum anterior, The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle, mantinha-se intacta. E assim se sucederam Tenth Avenue Freeze-Out, versões antológicas de Spirit in the Night e Lost in the Flood, She’s the one, Born to run… e meus olhos iam se enchendo d’água. Até que lá pelas tantas, antes da primeira parte das duas horas de show terminar, o telefone tocou.

Mãe e esposas são especialistas em interromper esses momentos mágicos de enlevo artístico. E minha esposa tem um talento especial nesse sentido, um faro tão aguçado que conseguiu sentir lá de seu trabalho (coitada, na verdade só queria saber como eu estava). Infelizmente, uma vez quebrado, tais momentos são dificilmente retomados, como aquele sonho maravilhoso interrompido que você quer voltar a dormir para continuar a sonhá-lo. Algo que toda pessoa que come pipoca ou abre pacotinho de bala no cinema durante o filme é incapaz de compreender. Fato é que nunca mais a audição de um CD me provocou um impacto emocional como aquele.

Vídeo do show na íntegra aqui.

Bruce Springsteen and I

23/01/2014
Bruce Springsteen and I (2013).

Bruce Springsteen and I (2013).

Ridley Scott produziu um curioso documentário sobre fãs. Em cerca de 74 minutos, depoimentos entrecortados por trechos de shows gravados por câmeras profissionais ou simples celulares mostram a relação entre público e artista. Declarações de amor, emoções à flor da pele, casais apaixonados, mães impositivas, homens abandonados, trabalhadores e até mesmo (e por que não) Elvis Presley! Trailer oficial aqui.

Claro que o filme é obrigatório a todos os fãs de Bruce Springsteen, mas pode interessar não apenas a eles. Bruce Springsteen and I também é dirigido aos fãs. De ninguém especificamente, apenas fãs. Qualquer fã. Qualquer um que não aguentou esperar o preço baixar pra comprar um disco; que encontrou a trilha sonora de sua vida nas voltas de um vinil; que coleciona os objetos mais tolos sobre um artista; que montou guarda na porta de um hotel; dormiu numa fila ou esperou anos e anos para o tão aguardado momento único e breve de um concerto. Como não se identificar com aquilo que faz uma música ou um artista ser importante na sua vida? As formas variadas de se conectar, de gostar, de acompanhar a carreira? Cada fã tem seu jeito, seu estilo, sua intensidade, e deve se ver retratado por alguns dos vários personagens retratados.

O desfecho com Born to run ao vivo, editado em trechos de diversas apresentações ao longo das últimas quatro décadas, fez este blogueiro solitário hidratar ligeiramente os olhos.

Sim, tem extras!

O DVD traz algumas apresentações do show no Hard Rock Calling de 2012, em Londres. O pacote traz uma arrebatadora participação de Paul McCartney junto com Bruce e a E Street Band, cantando I saw her standing there e Twist and Shout (sim, com fogos no final; e, sim, ele é expulso do palco no final).

Há também 4 vídeos que foram deixados de fora do documentário, um deles de um carioca, mas o destaque é o “livro-legenda” de uma japonesa.

Mas o melhor dos extras é o encontro, num show em Copenhague, de três participantes do filme com o ídolo. Cada um também conta como foi o seu making of, com destaque pra fã inglesa que resolveu enviar um vídeo só com o marido, que vai aos shows apenas para fazer companhia.

Bruce Springsteen e Eu

Claro que assistir ao documentário me fez editar mentalmente o meu próprio “vídeo” (como evitar, né?). E aqui vai a minha história com The Boss (ao menos nesse blog ela deve ser inédita).

Tudo começou com aquele vídeo de We are the World. Creio que quase todo mundo no Brasil o conheceu naquele vídeo. Como ignorar um cara boa pinta com aquele vozeirão? Achei o nome um tanto brega na época. E com aquela história de “born in the USA”, capa com a bandeirada americana, imediatamente torci um pouco o nariz. Fui salvo por um vizinho com quem trocava informações musicais (enquanto jogávamos xadrez e alguns jogos de cartas excêntricos). Quando vi o vinil na casa dele, ao perceber a minha cara, logo falou: “sabe que isso é bom?” Ouvimos e tive de concordar com ele. Saí de lá com uma fita Basf gravada que logo virou uma favorita do meu irmão. Este se deparou com um show de Bruce na Bandeirantes, magro e vestindo um blazer azul (show de 80, 81?), no qual ouvi pela primeira vez The River, Rosalita e Thunder Road.

E aí veio a conversão definitiva. Primeiro semestre da faculdade, greve de um mês. Havia juntado o dinheiro do ônibus e do lanche. Estava com um amigo no Barrashopping, entrei na Gabriela (antiga loja de discos, meio careira) e me deparei com “a caixa”. Trata-se, claro, da caixa com 5 vinis ao vivo de Bruce Springsteen e a E Street Band, com registros de 1975 a 1985. “Tá muito caro!”, falei. “Você gosta do cara. É uma caixa importada. Compra!”, falou meu amigo. E lá se foi o dinheiro economizado. Claro que, quando cheguei em casa, meu pai não concordou muito com o meu conceito de “economizar”. Para ele, economizar era sinônimo de não gastar.

Fiquei devorando e digerindo aquela caixa por meses a fio, como uma sucuri com um boi na barriga. Então, no ano seguinte, quando soube do show da Anistia Internacional em São Paulo, reunindo Peter Gabriel, Tracy Chapman, Sting, Bruce Springsteen, Youssou N’Dour e Milton Nascimento, não perdi tempo. Minha turma estava se organizando pra fretar um ônibus e eu já tinha mandado o meu “tô dentro”. Entretanto, aquele mesmo amigo que incentivou a comprar a caixa me convenceu a irmos antes e chegar pela manhã na cidade. O dia foi muito cansativo e os shows, sensacionais. Conhecia precariamente Peter Gabriel, que fez um show impecável, deslumbrante. Bruce entrou logo em seguida, última atração. A galera estava exausta devido à maratona, mas os primeiros acordes de Born in the USA acordaram qualquer defunto.

Sempre que falam sobre os Beatles no Cavern Club, do quanto eles eram especiais, fazem menção a uma sensação física, um som que vibra e bate no peito. E aqueles acordem faziam exatamente isso: eu os sentia batendo no meu peito. Pela primeira vez no Brasil, pouco tempo de show, o setlist foi enxuto e recheado de hits.

Saindo do Palestra Itália, não sabíamos se haveria ônibus pra rodoviária ou mesmo se haveria ônibus na rodoviária. Pensamos em pegar um táxi, mas não sabíamos se o dinheiro daria pro táxi e pras passagens de volta ao Rio. Então ouvi alguém me chamando e correndo na minha direção. Era a galera da PUC! Havia dois lugares sobrando no ônibus, e ganhamos uma carona e tanto de volta pra casa.

Muitos discos e DVDs se passaram até ele voltar ao Brasil, dessa vez pro Rock in Rio. Ingresso pro festival comprado, não pude resistir quando soube que tocaria poucos dias antes em São Paulo. Então posso dizer que vi todos os shows de Bruce Springsteen no Brasil.