Archive for the ‘Chico Buarque’ category

Top 30 – 1970/1979 (8ª parte)

24/07/2013
Transa (1972), Caetano Veloso.

Transa (1972), Caetano Veloso.

A carreira de Caetano Veloso é multifacetada, mas acho que dá pra dizer que Transa é o meu álbum preferido dele. Até a presente fase junto à Banda Cê, era o mais rock’n’roll dele. E não só. A banda formada por Jards Macalé, Tutti Moreno, Moacyr Albuquerque e Áureo de Sousa traz uma sonoridade envolvente e diferente (no Brasil) para a época. Caetano diz que Nine out of ten traz o primeiro som de reggae da MPB. O samba de Monsueto Menezes, Mora na Filosofia, é transformado numa espécie de jazz-rock. Triste Bahia (sobre poema de Gregório de Matos) e  It’s a long way são canções épicas que misturam o regionalismo à estrutura progressiva/psicodélica tão em voga. quantas pessoas não se identificam ao cantar “woke up this morning singing an old Beatles song”? A linda You don’t know me faz hoje a ponte daqueles dias de exílio com os shows do álbum e seus sucessores. No final, a bela balada Nostalgia (That’s what Rock’n Roll is all about) resume com muita simplicidade o astral do disco. Só mesmo Neolithic Man coloco num nível mais abaixo. Encaixaria melhor, talvez, no experimentalismo do disco anterior.

You don’t know me ao vivo em show recente.

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Construção (1971), Chico Buarque.

Construção (1971), Chico Buarque.

Pela discografia e livros escritos nos últimos 30 anos, é difícil entender porque Chico Buarque se tornou uma celebridade além do bem e do mal, cujas declarações quase nunca são contestadas. Mas ouvindo tudo o que gravou nos anos 60 e 70, percebe-se o que está além dos olhos verdes que tanto fazem as mulheres suspirarem. E a tal fama se mostra mais do que merecida.

Voltando de seu autoexílio na Itália, com um pouco mais de ginga na voz, Chico gravou seu 5º e melhor disco da carreira. Mais tarde, ainda na década de 70, lançou grandes álbuns como Meus Caros Amigos e o “disco da samambaia”. Antes, nos anos 60, gravou verdadeiras pérolas da MPB. Mas é em Construção que atinge o ápice de sua poesia, tanto relacionada ao universo feminino quanto à crítica social e política. O malabarismo necessário para driblar a censura só fez crescer sua habilidade como compositor. Tudo isso embalado em arranjos arrojados e marcantes de Rogério Duprat, o maestro do tropicalismo.

A faixa-título, fruto do desafio de compor uma canção com rimas em proparoxítonas, já valeria toda uma carreira. Mas o álbum ainda reserva ao ouvinte canções como Cotidiano, Valsinha, Samba de Orly, Deus lhe pague

Desalento ao vivo.

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