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A estreia solo de Daniel Lanois

12/05/2016
Acadie

Acadie (1989), Daniel Lanois.

Só fui parar para prestar atenção (ou mesmo saber da existência) na carreira solo de Daniel Lanois quando assisti ao DVD de Dave Matthews e Tim Reynolds no Radio City. Lá pelas tantas ele toca uma bela música, Still Water, composta pelo canadense, mais conhecido por sua carreira de produtor.

Entretanto, foi impossível encontrar Acadie para vender, mas consegui Shine (2003) e For the Beauty of Wynona (1993). O segundo álbum solo é irregular e a produção deixa a desejar. Já Shine é… brilhante. Disparado o melhor álbum dele, e muito bem produzido. Acadie, que tive de apelar para o download, contém a mesma atmosfera de Shine, mas com a produção de Wynona (ou talvez seja simplesmente a qualidade do mp3, que certamente não é da versão de 2005).

Shine, que já comentei no blog, é mais robusto e apresenta uma identidade autoral coesa. Acadie, ainda que apresente a mesma atmosfera delicada e relaxante, revela um manancial sutil de referências.

Como compositor, Daniel Lanois soa como a ambient music de Brian Eno (com quem havia gravado um álbum e produzido, àquela altura, dois álbuns do U2) com a soul music.

Logo na faixa de abertura, nota-se como Still Water de fato lembra uma faixa de Dave Matthews sem a banda, o que explica o inusitado cover.

Where the hawkwind kills, com algum sotaque árabe, lembra Peter Gabriel, produzido por Lanois nos anos 80 em dois importantes álbuns: a trilha sonora de Birdy e So.

Em mais de uma faixa é possível notar componentes sonoros de futuras colaborações com  o U2, particularmente a batida rítmica em The Maker, que me faz lembrar So Cruel, e arranjos instrumentais no estilo da trilha sonora de Million Dollar Hotel. Em sua versão de Amazing Grace, que fecha o álbum, há um momento que é possível ver a tradicional canção religiosa emendando em Where the streets have no name.

O que surpreende no meio do álbum é um folk cantado em francês, O Marie, e duas faixas country, Jolie Louise e Under a stormy sky, cantadas nas duas línguas. Seis anos depois, Lanois estaria produzindo o ótimo Wrecking Ball de Emmylou Harris.

Adam Clayton, Larry Mullen Jr, Art e Aaron Neville fazem pequenas participações no álbum, enquanto Brian Eno toca no disco todo.

Fica difícil dizer quem influenciou quem, mas meu palpite é que Daniel Lanois faz mais do que aparece nos créditos quando produz um álbum.

Still Water ao vivo.

 

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Daniel Lanois, o compositor.

03/10/2012

Shine (2003), Daniel Lanois.

O canadense Daniel Lanois é mais conhecido por seu trabalho como produtor, particularmente ao lado de Brian Eno na segunda fase do U2, co-produzindo disquinhos como The Unforgettable Fire, The Joshua Tree e Achtung Baby, entre outros trabalhos com a banda irlandesa.

Lanois também esteve por trás do retorno de Bob Dylan à boa forma, com Oh Mercy e Time out of mind; dos melhores álbuns da carreira solo de Peter Gabriel, So e Us; além de colaborar com Emmylou Harris, Neil Young, Willie Nelson, Sinead O’Connor, Robbie Robertson… uma lista nada desprezível. Seu último trabalho como produtor foi o novo álbum do The Killers, Battle Born, com mais quatro produtores de peso.

Porém, ele também possui uma carreira como artista pouco comentada por essas bandas. Still Water, do álbum de estreia Acadie (1989), mereceu um cover de Dave Matthews acompanhado de Tim Reynolds. Shine foi lançado 10 anos após seu 2º álbum, o bom For the Beauty of Wynona. São canções delicadas, relaxante, de muito bom gosto. A 1ª faixa conta com a participação de Emmylou Harris, I Love You, e a 2ª trata-se de uma regravação de Falling at your feet, da trilha sonora de The Million Dollar Hotel, no qual vários músicos se juntam ao U2 pra fazer a trilha sonora. Claro que Bono aparece na faixa lá pelo meio da canção.

Em alguns momentos do álbum surgem umas curtas faixas instrumentais que parecem mesmo fazer parte de um soundtrack, mas isso não diminui em nada a beleza de Shine.

A faixa título, Shine, em uma apresentação de rádio.