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O irmão menos badalado dos Knopflers

16/04/2015
The Anthology (2009), David Knopfler.

The Anthology (2009), David Knopfler.

No DVD do Alchemy, há um excelente extra sobre as gravações de Making Movies, terceiro álbum do Dire Straits. Ali é abordada a saída de David Knopfler, irmão menos famoso de Mark Knopfler, da banda. As razões apresentadas por ele é que ninguém esperava que a banda fosse ficar tão grande (e nem era tanto assim na época), e ele não curtia aquela badalação toda.

Como três anos depois ele aparece com um disco solo, sem nunca ter cantado ou composto nada para a sua antiga banda, interpretei isso como o irmão mais novo se sentindo sem espaço ao lado de um irmão genial. Por outro lado, Mark participa e dá força nessa estreia do maninho.

Esse The Anthology mostra um bom painel da carreira de David entre 1983 e 2008, ao longo de 11 álbuns. Não é pouco pra quem sempre se manteve afastado do mainstream.

A primeira coisa a chamar a atenção é que a voz é praticamente idêntica à de Mark. Talvez um pouco mais dura e firme, enquanto a de Mark é mais rasgada e com registro mais baixo. Mas são filigranas. Ouvindo desavisadamente, você jura que é Mark cantando. Enquanto este, já no último disco do Dire Straits, escorrega pro country, estilo que abraça de vez na carreira solo, David explora um pop/jazz. Mas o DNA, em ambos, dos dois primeiros álbuns do Dire Straits é evidente.

Falei recentemente sobre as vantagens de ter os discos de carreira em vez das coletâneas. Mas às vezes uma coletânea cai muito bem. Não me senti particularmente tentado a adquirir nenhum álbum dele, mas estou satisfeitíssimo com esta antologia. O resultado final é um disco de muito bom gosto, agradável de se ouvir, homogêneo, com alguns poucos (mas significativos) momentos brilhantes.

To fell that way again tem um toque soul contagiante, bem característico dos anos 80. Algo que você nunca imaginaria ouvir na voz de Mark (e nunca ouviu mesmo!). Mas na maioria das vezes o toque sutil de guitarra, ainda que sem o mesmo virtuosismo, lembra muitíssimo o estilo do irmão. Arcadie, do álbum Wishbones, de 2001, é a minha preferida (e até poderia imaginá-la com o Dire Straits nos anos 80).

A impressão que fica, no geral, é que se o Dire Straits tivesse aberto para as composições de David (nem sei se ele chegou a tentar), a banda ganharia mais frescor e vitalidade para seguir junta por mais tempo. Mas esse negócio de irmão é mesmo complicado.

Playback muito do descarado de To fell that way again na TV alemã, em 1988.