Archive for the ‘Dire Straits’ category

Top 20 – filmes e vídeos de música (parte 9)

12/03/2017

Dois vídeos que se encontram no Top 20 dos melhores álbuns ao vivo. Entram na lista de melhores vídeos única e exclusivamente por sua qualidade musical.

Alchemy DVD

Alchemy (1984), Dire Straits.

Alchemy, do Dire Straits, é uma gravação padrão de show dos anos 80. Já comentei no blog sobre a excelente versão em DVD (que demorou uma eternidade pra ser lançada), mas mesmo tendo em mente apenas o vídeo original em VHS, além do charme das imagens do antigo Hammersmith Odeon, ele possui uma direção que valoriza o instrumentista. E foi assim que me apaixonei por Alan Clark, Terry Williams e, claro, Mark Knopfler. Você vê a música acontecendo, sem aqueles cortes rápidos e frenéticos dos vídeos deste século.

No se si es Baires o Madrid

Nó sé si és Baires o Madrid (Fito Paez), 2009.

No sé si es Baires o Madrid, também muito comentado aqui no blog, mostra Fito Paez em sua versão mais sóbria. Sempre me incomodou um pouco seu jeito afetado, quase histriônico, sobre o palco. Aqui, só ao piano (e uma música na guitarra), e recebendo convidados, a música está sempre em primeiro plano, assim como a simpatia de Fito. O DVD é bem mais completo que o CD. Só o pato de ter me apresentado ao Marlango faz deste um show especialíssimo.

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TOP 20 – Álbuns ao Vivo (parte 1)

14/09/2015
Alchemy (1984), Dire Straits.

Alchemy (1984), Dire Straits.

Pouco antes do Natal de 1984, perguntei a meu irmão o que ele havia pedido de presente.

Alchemy”, respondeu.

Escrevendo fica fácil. Mas mesmo ele repetindo cinco vezes uma palavra que eu nunca tinha ouvido em inglês, e com a pronúncia dele, foi impossível entender. Então ele escreveu num canto de uma folha de jornal: “ALCHEMY”. Aaah…

Aí veio inevitavelmente veio a segunda pergunta: “de quem é esse disco?”

Bem, se entender “alchemy” já foi difícil, imagine Dire Straits… Eu não conhecia Sultans of Swing, eu não tinha visto a novela O Gigante e, salvo engano, a gente não tinha aquela trilha sonora lá em casa.

Quando ouvi o disco, achei bom pra cacete, mas tinha um problema… Meu irmão tinha tanto ciúmes de determinados discos, que ele não deixava ninguém manuseá-los (coisas da época do vinil). Eu só podia escutá-los quando ele fosse escutar. E, claro, Alchemy estava entre eles. Precisei gravar duas fitas k7 para poder o álbum quando quisesse.

Um belo dia vi o anúncio que iam exibir o vídeo do Alchemy numa sala de vídeo perto de casa (quem viveu a época sabe). E fui eu uma, duas, três vezes. Fiquei tão fascinado por aquele show que, pro meu aniversário de (provavelmente) 1986, pedi de presidente a fita. Claro, não tinha no Brasil. Tive de recorrer a um primo meu que encomendava vinis de uma loja da Inglaterra (e assim ele obteve todos os singles dos Smiths). Só que na época ninguém sabia das diferenças de sistemas entre países: PAL, PAL-M, PAL-G… Imaginem minha frustração quando só saiu som do vídeo! Nem a derrota do Brasil em 82 me deixou tão arrasado. Muito tempo depois, esse mesmo primo conseguiu uma fita compatível e copiou para mim, mas numa época em que eu estava voltado mais pra U2, Echo The Bunnymen e toda essa galera do pós-punk.

Sei que já contei essa história quando escrevi sobre o DVD aqui, mas não tem como falar do Alchemy sem contá-la. Não só por esta situação emblemática em minha vida, mas por ser uma síntese do que tenho como parâmetro neste top 20, estreio com este álbum esta lista não cronológica dos meus 20 álbuns ao vivo preferidos de todos os tempos.

Alchemy é mais do que um álbum ao vivo, ele é um disco em si mesmo. Ele não se limita a ser o registro ao vivo de um set de músicas. Em sua maioria, cada faixa ganha vida própria em relação a seu registro original em estúdio. Sultans of Swing vira um êxtase de 10 minutos com um solo de guitarra mitológico; Once upon a time in the West vira um irreconhecível épico progressivo de 13 minutos; Tunnel of Love, Private Investigations e Expresso Love ganham cores e densidades inexistentes no estúdio. Enfim, quem juntasse as versões das mesmas músicas do show em estúdio ouviria uma obra completamente distinta.

Outra característica é que o álbum duplo em vinil não é um the best of ao vivo. Dos dois primeiros álbuns, há apenas uma música de cada. O resto do repertório é retirado dos dois discos seguintes, mais EP e participação de trilha sonora.

O show no mítico Hammersmith Odeon em julho de 1983 registra a banda em seu auge, antes de virar atração de grandes arenas e ganhar o status de celebridades da MTV, mas já com todos os elementos de uma grande banda de rock.

O Dire Straits acabou sendo associado ao rock clássico (e a sonoridade do show reforça isso), mas a presença de punks no Hammersmith relembram suas origens na cena punk londrina, quando ainda tocavam com camiseta puída e cabelos desgrenhados.

No vinil, ao contrário do vídeo e da versão em CD, a segunda faixa é Romeo and Juliet, com Expresso Love abrindo o lado B, alteração devida a limitações de espaço. O final de Romeo and Juliet, tanto no vinil quanto no vídeo, apresenta a introdução de Love over Gold. Tal omissão sempre foi sentida pelos fãs. A versão suprimida de Love over Gold só foi lançada como lado B do single de Money for Nothing. Nos CDs atuais, ela foi reinserida no tracklist, sendo bem nítida a diferença de som em relação ao resto.

Tunnel of Love, em sua melhor versão.

Alchemy

02/10/2010

Alchemy (1984), Dire Straits.

Finalmente saiu o DVD do lendário show do Dire Straits, lançado em vídeo em 1984, compilando duas noites de julho de 1983 no Hammersmith Odeon. Imagem restaurada e som resmaterizado, com extras.

Confesso que até o Natal de 1984 nunca tinha ouvido falar de Dire Straits ou escutado Sultans of Swing (Os Gigantes foi uma novela que eu não acompanhei – não era do Manoel Carlos, mas Vera Fischer fazia uma Helena). De forma que tive dificuldade em entender e o meu irmão pouca paciência em explicar o que ele havia pedido de Natal: o disco Alchemy, do Dire Straits. Já o que eu ouvi vindo das caixas de som, não tive a menor difuldade de perceber que estava diante de uma obra prima. Infelizmente, meu irmão tratava o álbum da mesma forma, e não tinha livre acesso ao vinil. O jeito foi gravá-lo numa velha Basf 90 pra poder ouvi-lo quando bem entendesse.

Aí decidi contra-atacar em grande estilo: pedi de aniversário a fita de vídeo. Na época, era comum ir a salas de vídeo. Afinal, praticamente não existia vídeos de shows nas lojas, muito menos computador e internet. E numa dessas pude assistir Alchemy, Pictures at an Exhibition do Emerson, Lake & Palmer ou Queen no Japão, na tour do A Day at the Races. Meu primo comprava seus singles dos Smiths de uma loja na Inglaterra, e encomendei minha fita de lá. Foi aí que este então inocente jovem descobriu as diferenças entre PAL, PAL-N, PAL-G, NTSC. Ou seja, as fitas da Europa não tocavam no Brasil (ou EUA) nem a pau! Hoje parece bobagem, mas foi uma das maiores frustrações da minha vida. Mesmo quando descolei uma cópia (sempre com meu primo), aquele gosto amargo permaneceu. De forma que posso dizer que, hoje, superei um trauma.

Não acredito que algum dia a versão “big band” do Dire Straits chegou a ser melhor que o quarteto inicial, ou mesmo o quinteto já com Alan Clark no piano. Mas certamente a turnê do Lover Over Gold, retratado nesse show, representa o auge da banda, com todo o impacto de uma grande banda e o frescor dos primeiros anos.

Os extras são duas apresentações de TV e um documentário de 1h, imperdível, mostrando entrevistas, cenas de ensaios do 3º álbum, Making Movies, e uma apresentação ao vivo, última com David Knopfler na guitarra rítmica. Imperdível!