Archive for the ‘Echo & The Bunnymen’ category

Top 20 – 1980/1989 (8ª parte)

24/07/2012

Born in the USA (1984), Bruce Springsteen.

No clip de We are the World, apareceu aquele moço de cara limpa, pinta de galã e um baita vozeirão, ganhando mais destaque do que o seu anonimato no Brasil sugeriria. Agradou em cheio e provocou a pergunta que não queria calar: “quem é esse cara?!”

O “cara” era Bruce Springsteen, a salvação do rock na 2ª metade dos anos 70 e que bombava com seu recém lançado Born in the USA. Tanto sucesso que até o republicano Ronald Reagan tirou uma casquinha, citando “I was born in the USA” em um de seus discursos. Bastou para os apressadinhos do Brasil cravarem o sujeito de críticas, tachando o eterno defensor dos democratas de “propaganda americana”, no pior dos sentidos.

O cara cantava a realidade do homem comum americano, sujo de graxa, sem perspectiva; do veterano do Vietnã, todo fudido… Mas neguinho aqui achava que Born in the USA era a exaltação da supremacia norte-americana e Glory Days, a glorificação do american way of life. Santa ignorância, Batman!

Born down in a dead man’s town

The first kick I took was when I hit the ground

You end up like a dog that’s been beat too much

Till you spend half your life just covering up

Born in the USA

Born in the USA foi o auge da carreira do The Boss. Depois deste álbum, seu maior sucesso foi The Rising, em 2002, que não chegou perto. Mas este disco, e os sucessos anteriores com Born to run, Darkness on the edge of town e o duplo The River garantiram o sucesso do bardo de New Jersey para todo o sempre, amém.

O Brasil, coitado, só teve o prazer de vê-lo em ação no show da Anistia Internacional, no Parque Antártica, em 1988… e eu estava lá!

O sax do saudoso Clarence Clemons se mesclando à voz de Bruce na bela Bobby Jean; o estilo folk de Downbound Train; o rock de arena de No Surrender; a apaixonada I’m on fire; a dureza de My Hometown (que ganhou um cover ao vivo do U2); o pop de Glory Days e Dancing in the dark; e a pegada de Cover me, além da inquietante faixa-título, fazem deste um álbum épico.

Bobby Jean ao vivo em Paris, 1985.

*****

Ocean Rain (1984), Echo & The Bunnymen.

Em 1987 eu só conhecia Echo & the Bunnymen das capas da coleção de disco do meu primo Sérgio. Passava uma semana por lá quando ele saiu pra assistir ao primeiro show da banda no Brasil, no Canecão. Curto de grana, achei melhor não ir. Quando voltou, botou para tocar a fita do show que havia gravado em seu walkman. Trauma e arrependimento…

O show, com muitas músicas do disco de estréia, Crocodiles, baseado em Ocean Rain, o quarto disco da banda, com quatro covers (Twist and Shout, Soul Kitchen, In the midnight hour e Paint it black), e antecipando quatro canções do quinto álbum, ainda inédito, foi simplesmente impecável e marcou a história da própria banda.

Ocean Rain não chega a ser aquele disco perfeito, mas é certamente o melhor disco dessa banda menos famosa de Liverpool. Audacioso, com instrumentos de corda e arranjos mais complexos, o álbum contém as duas melhores músicas do Echo: a faixa-título e The Killing Moon. Ainda que Nocturnal me, que chega a evocar uma sonoridade de cossacos russos, e The Yo-Yo Man estejam em um nível bem abaixo, Silver, Crystal Days, Seven Seas, Thorn of Crowns e My Kingdom justificam a inclusão do álbum neste top 20.

The Killing Moon, como o próprio Ian McCulloch (vocalista) disse em entrevista à Rede Manchete, foi o mais próximo que a banda chegou da música perfeita, aquela que finca raízes no repertório popular, ganhando vida além da própria banda.

The Killing Moon ao vivo no Canecão, em 1987.

Echo do passado

22/05/2010

Live at The Royal Albert Hall (2009), Echo & The Bunnymen.

Quando estava fazendo minha listinha de compra na internet, dei de cara com este disco do Echo & The Bunnymen. Nunca tinha ouvido falar, não constava (e não consta) no Wikipedia, e não havia maiores referências quanto ao disco. Pensei ser mais um dos vários discos ao vivo recentes postos no mercado, com a voz esgarçada de Ian McCulloch, pra dar uma graninha pro pessoal. Mas achei no site da Amazon a informação que buscava: o show era de 1983. Opa!

Comprei, escutei, e as lágrimas quase vieram com a emoção de ouvir o Echo ao vivo com Pete De Freitas na bateria (a gente só sabe a falta que um determinado baterista faz quando ele não está lá) e Ian no auge da voz. Versões impecáveis de Villiers Terrace, Heads will roll, Crocodiles, All my colours. Versões antológicas de Going up e Porcupine. Mesmo o show sendo da tour de Porcupine,realizado em 19 de julho de 1983, eles já tocam Silver e The Killing Moon (ainda com a letra inicial, como aparece nos extras de Ocean Rain), que só foram lançadas oficialmente em maio de 1984. Para qualquer um que goste da banda, é obrigatório!