Archive for the ‘Elis Regina’ category

Top 20 – Álbuns ao Vivo (parte 11)

27/02/2016
Elis Regina Montreux

Montreux Jazz Festival (1982, gravado em 1979), Elis Regina.

A história já é bem conhecida. Elis Regina ia fazer um show no Montreux Jazz Festival em 1979, com intenção de gravá-lo em um disco paras tentar novamente uma repercussão internacional (Elis já havia tentado se lançar na Europa no final dos anos 60). Devido à grande procura pelo show noturno, que contaria ainda com a abertura do “bruxo” Hermeto Paschoal, a produção resolveu transformar a passagem de som em uma matiné.

O problema começa quando Elis se empolga e entrega a alma no show da tarde. Ao retornar para o show principal, já não tinha o mesmo gás. Pra piorar a situação, Hermeto havia colocado a casa abaixo, o que sempre força o artista que se apresenta depois a se superar para não deixar a peteca cair. Elis tentou, mas não encontrou forças para dar o melhor de si. O cansaço é perceptível na gravação. Entretanto, é aquela história: o artista sabe o que ele pretendia fazer, a plateia não. A não ser quem já tenha visto o mesmo espetáculo antes, o público não tem a percepção de que aquilo poderia ser melhor e fica bastante satisfeito com o que vê.

Elis saiu do palco frustrada, arrasada, considerando sua performance burocrática. Enfim, achou que pagou mico. Tomada por este espírito, proibiu o lançamento do álbum ao vivo. Qualquer um que ouvir a gravação, certamente discordará dela, a começar pelo público ali presente.

Após sua trágica morte, a gravadora resolveu (felizmente) lançar o tal álbum, mesclando o melhor de cada apresentação. No caso da apresentação noturna, o melhor se trata da participação de Hermeto Paschoal no bis, travando um antológico duelo com a cantora que, extremamente competitiva, reagiu positivamente ao desafio e conseguiu a superação física que antes lhe faltara. No lote, versões jazzísticas (de verdade) para Garota de Ipanema, Corcovado e Asa Branca. Tão perfeito que parecia até ensaiado, só que não. Todo o resto é tirado do show da tarde. No encarte do vinil, a produção lamenta não poder incluir uma ovação de 11 minutos recebida pela cantora.

Na mesma época, um vídeo do show da tarde foi transmitido pela antiga TVE (no Rio), com o aviso de que, a pedido da família de Elis, seria a primeira e última vez que o show seria exibido. Não sei se, posteriormente, ele voltou a ser exibido (parece que passou também na Bandeirantes). Só sei que a fita onde gravamos foi vista e revista várias vezes. Até hoje não foi lançado em DVD (se foi, por favor, me avisem!). Ao ver e ouvir o show, é impensável que a frustração de Elis com o show da noite tenha lhe impedido de perceber o momento mágico que havia protagonizado naquela tarde. Elis estava linda, solta, sorridente e cantando como nunca.

Posteriormente, a edição em CD incluiu algumas faixas bônus retiradas do show da tarde (tudo o que havia ficado de fora do vinil). A inclusão, entretanto, tira um pouco da coesão do disco. Não só pelas músicas fora de ordem como pela qualidade ligeiramente inferior a do disco original. Nota-se, principalmente, um pequeno deslize de Elis em Rebento. Com certeza essa parte ela realmente desejaria deixar de fora. No show da noite, apesar do cansaço, ela acerta a passagem.

Recentemente, todo o material foi recuperado e um álbum duplo, com o título Um Dia, foi lançado com os dois shows separados e em sequência. No CD da tarde, curiosamente não consta Na baixa do sapateiro, que consta no vídeo. Há dois momentos no mínimo estranhos no CD do show da noite: a versão encurtada de Águas de Março, que termina num fade pois a fita havia terminado (no show da tarde está completo), e a inclusão apenas de uma vinheta de Maria-Maria, cantada em um poderoso medley à tarde. Não sei se, a medida que o sentimento de frustração foi lhe tomando conta, ela decidira encurtar o show, ou se a gravação deste espetáculo não foi inteiramente recuperada. Mas isso não impediu que Elis fosse ovacionada pela plateia (dessa vez, devidamente registrado).

No que diz respeito ao instrumental, o conjunto formado por Chico Batera, Hélio Delmiro, César Camargo Mariano, Paulinho Braga e Luizão Maia contagia a plateia na longa introdução de Cobra Criada. Quando Elis começa a cantar, o jogo já está ganho. São também eles que seguram a onda em Triste, que encerraria o show noturno, depois que ela sai do palco e a plateia pede insistentemente por seu retorno, o que acaba sendo providenciado por Claude Nobs, o saudoso fundador do festival.

Aqui o show da tarde completo, na versão da Band.

Um Dia

Um Dia (2012, gravado em 1979), Elis Regina.

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Elis em Montreux

25/07/2011

Montreux Jazz Festival (Elis Regina), 1982.

Está novamente nas lojas aquele que considero o melhor disco de Elis Regina (e por um preço camarada). O show dela no festival de jazz de Montreux, Suíca, ocorreu em 1979, mas o vinil só foi lançado em 82. A versão em CD, como não podia deixar de ser, vai além (de 9 pra 16 canções). O registro ao vivo compreende duas apresentações da cantora no mesmo dia. A banda que a acompanha tem nomes de calibre: César Camargo Mariano (hoje mais conhecido como pai da Maria Rita), Chico Batera, Luizão Maia, Paulinho Braga e Helio Delmiro. E uma participação especialíssima de Hermeto Pascoal, que fez seu show naquele dia.

Nos anos 80, na TVE, passou o show ao vivo, com um aviso de que nunca mais seria reprisado. Pena!

No vinil original havia uma nota de arrepiar, lamentando que o tamanho do disco impossibilitava registrar uma ovação de 11 minutos que a contora recebeu do público.