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Top 20 – Álbuns ao Vivo (parte 4)

02/10/2015
Elizeth Cardoso, Zimbo Trio, Jacob do Bandolim, Época de Ouro ao vivo no Teatro João Caetano (1968-1977).

Elizeth Cardoso, Zimbo Trio, Jacob do Bandolim, Época de Ouro ao vivo no Teatro João Caetano (1968-1977).

Quando éramos criança, eu e minha irmã achávamos engraçada e horrorosa aquela voz empostada da Elizeth Cardoso, que meu pai amava. Sempre que ele botava um disco dela pra ouvir (o que ocorria com frequência), nós logo corríamos pra implicar: “que coisa horrível, coloca Chico Buarque” ou algo do gênero. Mas no meio daquela zoeira toda, havia uma canção com a qual simpatizava, chamada Barracão.

Anos depois, não sei se estava no 2° grau ou já na faculdade, senti vontade de relembrar aquela musiquinha. Então fui direto à fonte, um vinil editado pelo Museu da Imagem e do Som, lançado inicialmente em dois volumes devido ao esforço pessoal de Hermínio Bello de Carvalho. Alguns anos depois, ainda nos anos 70, conseguiu publicar o terceiro volume, algo parecido com um “disco de sobras”.

O álbum em questão registrava o antológico show que reuniu Elizeth Cardoso, Zimbo Trio, Jacob do Bandolim e o conjunto Época de Ouro no palco do Teatro João Caetano. O espetáculo foi produzido e idealizado por Hermínio, que conta na contracapa como correu pelas ruas do Rio, embaixo de chuva, colando cartazes. O concerto ocorrido em 19 de fevereiro de 1968, ao qual meus pais só não foram porque estavam em Minas visitando minha tia, foi uma ousadia para época, pois reunia o tradicionalista Jacob e o “americanizado” Zimbo Trio.

Nos anos 90, os três vinis ganharam sua primeira versão em CD, mas não no Brasil. Esse show histórico foi lançado primeiro no Japão e só 10 anos depois, já neste século, em terras tupiniquins pela Biscoito Fino, em CD duplo, que ainda tinha mais “sobras” inéditas a revelar.

No CD é possível finalmente ter noção de toda a estrutura do concerto. O show começa com uma exibição instrumental do Zimbo Trio, com Elizeth entrando a partir da terceira faixa, Cidade Vazia. Lá pelas tantas, todos se retiram e é a vez de Jacob do Bandolim, acompanhado do Época de Ouro, fazer seu solo com Murmurando e Noites Cariocas. Então Jacob reintroduz Elizeth ao palco, numa sequência com muitas histórias, risadas, pura música e desconcentração. Entre elas a tal Barracão. O solo de Jacob nesta faixa (ele que não me ouça) está a um passo do rock and roll!

Na reta final, todos sobem ao palco, tanto a modernidade quanto a tradição, e Jacob e Zimbo Trio realizam um magistral duelo instrumental em Chega de Saudade, que faz a casa vir abaixo e pedir bis, no que é atendida de imediato.

Particularmente, meus momentos preferidos são com Elizeth e Jacob no palco, em Mulata Assanhada, Barracão, Feitiço da Vila, Chão de Estrelas, e a sequência gaiata do velho terceiro volume com Inocência, Foi numa festa e Jamais.

E aquilo que eu, como criança, desprezava transformou-se para mim no melhor disco de música brasileira de todos os tempos.

Mas isso lá era hora de viajar, papai?

Aqui a 2ª parte do show, com Barracão (entre 7:37 e 14:50), com Chão de Estrelas logo na sequência,  e Chega de Saudade (entre 36:50 e 44:30).