Archive for the ‘Emerson, Lake & Palmer’ category

Greg Lake

31/12/2016

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No início do ano, à época da morte de Keith Emerson, escrevi aqui sobre o Emerson, Lake & Palmer. Com isso, acabei deixando passar a morte de Greg Lake no início deste mês. Só que Lake é muito mais do que o trio que o imortalizou. Antes disso, ele foi o vocalista do álbum de estreia do King Crimson, In the Court of the Crimson King, participando também do segundo disco. Mas é o primeiro que me chamou a atenção para a banda (tardiamente) e o único do qual eu realmente gosto. Coincidência ou não, é também com o Lake o melhor momento da banda Asia. Sem nunca ter gravado um álbum com o supergrupo que reuniu nos anos 80 ex-integrantes do King Crimson e do Yes, além de Carl Palmer, do ELP, Lake foi chamado para integrar a banda na turnê de 1983, após problemas com o vocalista John Wetton. Deixou registrado sua passagem no vídeo do show no Budokan, em Tokio, o bom Asia in Asia. Sua carreira solo, entretanto, não decolou.

Na adolescência, tirando Beatles, Simon & Garfunkel, Elvis Presley e Dire Straits, tinha predileção pelo rock progressivo e todas as bandas fragilmente relacionadas ao estilo. Com o tempo, após ser apresentado ao pós-punk, acabei cansando do gênero, do qual fui me reaproximar há poucos anos. Da obra do ELP, são justamente as baladas de Lake que voltaram a me encantar, particularmente Still… You turn me on. E só depois do U2 gravar uma versão de I believe in Father Christmas é que eu fui saber que a canção era um single solo dele de 1975.

Com a morte de Lake, Palmer é o único sobrevivente do ELP. Talvez a morte prematura de Cozzy Powell em 1998, que integrou o trio Emerson, Lake & Powell em meados dos anos 80, tenha confundido a atarefada agenda ceifadora de 2016. Sorte do baterista…

The Show that never ends…

15/03/2016
The Best of Emerson Lake & Palmer

The Best of Emerson, Lake & Palmer (1980).

Na minha adolescência, eu era fã de rock progressivo. Tudo começou com aqueles discos conceituais pretensiosos do Rick Wakeman: Journey to the Centre of the Earth, The Myths and Legends of King Arthur and the Knights of the Round Table (cacilda, parece nome de disco da Fiona Apple!) e The Six Wives of Henry VII. Mas eu ouvia aquilo ainda criança, gostava, mas não fazia a menor ideia do que era. A coisa começou pra valer com Renaissance e uma coletânea do Emerson, Lake & Palmer. Como quase tudo dessa seara que entrava lá em casa vinha da casa dos meus primos, resolvi ir direto à fonte. “Emerson, Lake & Palmer, mostre-me mais”.

E foi a partir daí que tomei gosto pela coisa. Neófito, não sabia que muitas bandas rotuladas na época como “progressivo” na verdade não o eram. Era o caso de Supertramp, Jethro Tull, Queen e Pink Floyd. De forma que, da gema mesmo, só acrescentei ao meu repertório Yes e Triumvirat. Já na saideira, conheci Marillion. Depois, enchi o saco. E foi assim que bandas de progressivo que só fui conhecer mais tarde ficaram de fora, especialmente Rush. Genesis acabei ouvindo e curtindo anos depois, via Peter Gabriel. O Genesis dele, claro, pois o do Phil Collins eu achava muito pop (como radical eu era).

Aquele The Best of Emerson Lake & Palmer (cuja capa e contracapa eram muito bem bolada) foi o meu guia pela discografia do trio. Dali cheguei ao clássico Brain Salad Surgery, Pictures at an Exhibition, o vinil triplo Welcome Back, My Friends, to the Show That Never Ends… Ladies and Gentlemen, Emerson, Lake & Palmer (olha o titulão aí de novo!) e o In Concert, um ao vivo muito mal editado que nos anos 90 mereceu uma edição completa rebatizada de Works Live. Na época, além de gostar de progressivo, tinha um fraco por álbuns ao vivo. Hoje tá tudo às avessas.

Creio que foi numa sala de vídeo na Passarela da Freguesia que assisti a eles em ação, possivelmente no show Pictures at an Exhibition, onde vi Keith Emerson girando seu sintetizador sobre o palco e o esfaqueando. Presepadas infinitas, mas cheias de charme e autoridade.

Há poucos anos, adquiri o homônimo disco de estreia, de 1970, e achei muito bom.

Emerson morreu semana passada, revelando que eu também envelheci, assim como o rock progressivo.

The Best of Emerson Lake & Palmer 2

Pictures at an Exhibition na íntegra.