Archive for the ‘Fleetwood Mac’ category

Top 20 – Álbuns ao Vivo (parte 13)

23/03/2016
Fleetwood Mac Live

Fleetwood Mac Live (1980).

Fleetwood Mac Live é um belo exemplo de uma coletânea ao vivo. Gravado em várias cidades na Europa, Estados Unidos e Japão, o álbum lançado em 1980 registra a melhor fase da formação mais popular da banda. Na verdade, o melhor se resume a dois discos: Fleetwood Mac (1975) e Rumours (1977). O terceiro, o álbum duplo Tusk, é um daqueles retratos de uma banda que já está se esfacelando, pois parecem não conseguir chegar a um acordo sobre quais músicas devem ou não entrar no disco. Mesmo se fosse um álbum simples, o disco não estaria à altura dos anteriores.

De Tusk saíram três faixas: a boa Over & Over, de Christine McVie, a muito boa Sara, de Stevie Nicks, e a razoável Not that funny, de Lindsey Buckingham.

Três faixas foram gravadas durantes os ensaios, duas delas inéditas: Fireflies, de Nicks, e One more night, de McVie. A terceira é um cover dos Beach Boys, The Farmer’s Daughter. Nenhum desses momentos, contudo, podem ser descrito como memoráveis. O álbum duplo levanta voo mesmo é nas canções do período 75-77, turbinadas com uma canção animada da época da dupla Buckingham Nicks, Don’t let me down again.

Apesar da ausência de You making love fun, o show contém o melhor dos dois álbuns. Quase todo o lado A de Rumours está presente, e com versões excelentes, particularmente uma arrasadora Go your own way, cujo solo de guitarra extrapola com sobras a comportada versão original. Sempre me deixa a impressão que o teatro ficou reduzido a cinzas. Já Never going back again, igualmente comportada, ganha mais nuances e malícia ao vivo.

O álbum homônimo de 1975 está contemplado com seis canções, quase todas em versões melhoradas. Over my head é a única que mantém o mesmo (bom) nível. I’m afraid ganha um extenso solo hipnótico que vais crescendo em espiral como um Bolero psicodélico. Monday Morning e Say you love me ganham mais energia. Mas é Lanslide e Rhiannon que roubam a cena, ambas de Nicks.

A bonita Landslide ganha um tom confessional mais denso ao vivo, enquanto Rhiannon, podada por um fade out na versão em estúdio, alça voo ao vivo como a personagem da canção. A interpretação de Nicks na canção é catártica.

Acredito que a importância do Fleetwood Mac ao longo dos anos se deva aos dois álbuns acima citados e este petardo ao vivo. Um breve momento em que a química funcionou e explodiu criatividade.

Go your own way ao vivo em 1977, portanto, versão distinta do álbum, não tão explosiva, mas excelente assim mesmo.

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Top 30 – 1970/1979 (2ª parte)

06/05/2013
Even in the Quietest Moments (1977), Supertramp.

Even in the Quietest Moments… (1977), Supertramp.

Apesar de ter duas faixas que deixam cair um pouco a peteca, esse belo disco do Supertramp está repleto de referências nostálgicas, além de ter sido por ele que conheci essa banda inglesa que mistura blues, pop, progressivo e um toque de gospel. Apesar dela ter estourado mundialmente no disco seguinte, Breakfast in America, creio que foi o Even in the Quietest Moments que colocou o grupo às portas do estrelato.

Há discos que são responsáveis diretos pelo boom de um artista. Contudo, há outros que preparam o terreno pra esse boom, desde que o próprio artista não pise na bola e entregue um disco ruim. Não necessariamente o disco do boom é superior ao disco anterior. Isso aconteceu, por exemplo, com Dire Straits e Legião Urbana.

A primeiro coisa que me chamou a atenção no álbum, ainda moleque, foi a bela capa que me remetia diretamente às cenas dos Beatles cantando na neve em Help (coisa de criança, claro…). Depois, aqueles cabeludos na capa, e um deles (o saxofonista e showman John Anthony Helliwell) era sósia do então namorado da minha prima Lúcia (sim, eles eventualmente se casaram). Só mais adiante fui perceber que os meus irmãos não passavam uma semana sem por o vinil pra tocar (e bem mais vezes do que aquele outro que apareceu, com uma garçonete imitando a Estátua da Liberdade na capa).

A preferência não era modismo (pois nada daquilo tocava no rádio). Havia de fato uma pequena coleção de clássicos naquele álbum. A começar pela irresistível e aderente balada de abertura, Give a little bit, a mais radiofônica delas. Fechando o lado A (algo que se perdeu com os CDs – cada disco tinha 2 faixas de abertura e 2 de encerramento), a belíssima Downstream, um arrastado blues ao piano, composta e cantada por Rick Davies. Esta levou anos pra cair no meu gosto, e hoje é minha favorita. No meio, a linda faixa título, com canto de pássaros e aquela atmosfera religiosa própria de Roger Hodgson (por muitos anos ficou impraticável escutá-la devido a um insistente arranhão mais pro final).

Mas os grandes hits estavam mesmo no lado B: From now on (que ficou ainda melhor no ao vivo Paris) e a épica Fool’s Overture (a primeira das várias músicas que escutei a usar parte do discurso do Churchill). Apenas nesta última o Supertramp ainda fazia jus a sua inclusão no rol de bandas de rock progressivo.

Fecham o álbum as medianas Babaji e Lover Boy, uma de cada lado.

Roger Hodgson tocando Even in the quietest moments em carreira solo.

*****

Rumours (1977), Fleetwood Mac.

Rumours (1977), Fleetwood Mac.

Fleetwood Mac tem diversas encarnações como banda, mas eu fui apresentado primeiramente à última e mais conhecida, quando entraram Lindsey Buckingham e Stevie Nicks, por meio de um álbum duplo ao vivo lançado em 1980. O primeiro disco com a nova formação, de 1975, já foi muito bom, mas foi o segundo que marcou época – e com razão!

Em termos sonoros, Rumours é bem diversificado, mas consegue manter uma identidade soft rock que agrada a gregos e troianos. O antigo lado A é repleto de hits: Dreams, Never going back again, Songbird, a eletrizante Go your own way e a (muito) otimista Don’t stop. O lado B, como era comum na era do vinil, não tem a mesma pegada, tendo You make loving fun como único e grande hit, mas isso não desmerece as demais faixas, menos comerciais. Colocadas todas em sequência em um CD, o fosso que as separava em meu vinil magicamente desaparece, e o álbum, como um todo, ganha mais relevância e unidade.

Go your own way ao vivo na BBC em 1976.