Archive for the ‘Gilberto Gil’ category

Top 20 – Álbuns ao Vivo (parte 6)

21/10/2015

Dois acústicos produzidos pela MTV Brasil foram responsáveis por resgatar um artista e uma banda nacional para o meu CD player. Mas não só por isso eles fazem parte deste Top 20. Em comum, como ocorre em muitos acústicos, os shows são mais do que uma coleção de sucesso desplugada, são setlists pensados e trabalhados para comporem um todo orgânico e um momento musical único.

Gilberto Gil Unplugged (1994).

Gilberto Gil Unplugged (1994).

Gilberto Gil nunca esteve entre os meus favoritos dos monstros sagrados de nossa MPB. Muito pelo contrário. Apesar de conhecer (e até gostar) de várias músicas, nunca me interessei em conhecer a sua obra além daquilo que me chegava simplesmente por estar vivo e morar no Brasil (a boa e velha osmose). O resultado é que até meados dos anos 90 nunca tinha sequer escutado um disco inteiro do baiano. Gilberto Gil Unplugged venceu essa resistência (por que “unplugged” e não “acústico”, e por que a edição americana é “acoustic” e não “unplugged”, não me pergunte).

Jamais vi o vídeo. Decidi ouvir o álbum após reiterados elogios de amigos cujo gosto eu considerava bastante. Não me arrependi. Gil conseguiu tecer um setlist inspirado e relevante, dando a cada faixa um excelente arranjo (magistralmente executados pelos ótimos instrumentistas que participaram do projeto) e interpretações vibrantes, emocionais e certeiras.

Graças ao acústico, hoje tenho algumas pérolas dele em minha discoteca (não muitas, pois Gil continua não sendo um dos meus favoritos). Aprendi que Gil, quando quer, sabe ser genial.

Expresso 2222 acústico.

*****

Acústico MTV (1999), Paralamas do Sucesso.

Acústico MTV (1999), Paralamas do Sucesso.

No final dos anos 80, estava tão fissurado no pós-punk britânico, mergulhado em Echo & the Bunnymen, U2, The Jesus & Mary Chain, que saí completamente de sintonia com a onda caribenha dos Paralamas do Sucesso. Assim, desde Selvagem e o show em Montreux, só ouvia aquilo que era impossível deixar de ouvir. Nos anos 90, a coisa só piorou, ainda que tivesse assistido ao show deles com os Titãs no Hollywood Rock (mas confesso que fui mais pelos Titãs do que por eles).

No final da década, assisti por acaso ao making of do acústico deles gravado no Parque Lage, que foi ao ar como forma de divulgação do show ainda inédito. Gostei das entrevistas, do clima, da proposta. Assim, quando o show foi transmitido, lá estava eu em frente à TV (coisa rara!).

Acompanhados por Dado Villa-Lobos, João Fera e um naipe de metais, eles desfilam um setlist pouco óbvio, versões inéditas e covers bem sacados. Muitas faixas eu ainda não conhecia ou havia escutado tão pouco que era como se estivesse escutando pela primeira vez de novo. Tudo era de tão bom gosto – o uniforme vermelho, o lugar, o calor da plateia empoleirada sobre o piscinão de Macunaíma, os arranjos – que eu fiquei querendo saber de onde tinha vindo tudo aquilo.

Com o CD em mãos, pude fazer minha pesquisa musical e, dessa forma, descobrir os Paralamas dos anos 90 que eu já ia deixando passar. Resultado é que os discos dessa década não só é minha fase preferida da banda como considero a melhor coisa produzida pelo entre as bandas do BRock oitentista.

Infelizmente o acidente de Herbert Vianna aconteceu pouco depois, quando estava no auge de seu amadurecimento como compositor e intérprete. Resquícios disso ainda podem ser vistos (e ouvidos) no álbum Longo Caminho, gravado depois mas com muitas composições anteriores à queda do ultraleve.

Fui eu acústico.

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Gil Expresso

14/05/2010

Expresso 2222 (1972), Gilberto Gil.

Música do Gilberto Gil, no Brasil, é como aqueles sucessos pop: mesmo que a gente nunca compre um disco, sabemos a música de cabo a rabo, de tanto que ela toca nas rádios, nas novelas, nos bares, nas rodinhas de violão… Então eu nunca tive um disco de Gil, até chegar o Unplugged da MTV (ok, teve aquela coisa horrorosa com o Stevie Wonder que meus irmão compraram, mas isso não conta!).

Sempre preferi Caetano, mesmo não desgostando de Gil. É que, em estúdio, sempre pareceu faltar algo. Mesmo no bom Refazenda há uma certa frieza, uma certa burocracia que só desaparece ao vivo. Já em Expresso 2222, não. O disco tem pegada, tem vibração, e, principalmente, tem veia roqueira. Mesmo nos momentos mais caídos, como Ele e Eu, a peteca não atinge o chão. Destaque para a faixa-título e Back in Bahia, um rock pauleira com duplo sentido.

Aliás, no youtube tem um vídeo ao vivo de Back in Bahia, no qual aparece um Caetano pulando de um lado pro outro. Infelizmente não chega ao fim. Mas você pode ver aqui.