Archive for the ‘Legião Urbana’ category

Top 20 – 1980/1989 (7ª parte)

06/05/2012

O Passo do Lui (1984), Os Paralamas do Sucesso.

Os Paralamas do Sucesso mal tinham estourado no verão de 1985 com Óculos e lá estavam eles escalados para tocar no Rock in Rio. Matéria tipo RJTV com o Pedro Bial mostrava os rapazes andando pelas ruas, admirados com um pôster deles numa loja, e tocando o tema de James Bond pra expressar a tensão pré-festival.

E no dia D subiram naquele palco enorme de bermudas e, como objeto cênico, uma singela palmeirinha, que não passou despercebida do comentário maravilhado de Caetano Veloso no pós-show.

Se em seu disco de estréia já tinham dado uma mão aos colegas da Legião Urbana ao gravar Química, no Rock in Rio a ajuda foi pro Ultraje à Rigor, com uma versão sensacional de Inútil.

A banda cantou e tocou como gente grande, e fez a platéia pular e cantar como as grandes estrelas do festival. Foi, de fato, uma apoteose, agora disponível em DVD.

O sucesso da banda ao vivo transformou O Passo do Lui num dos mais importantes discos de rock dos anos 80, talvez só perdendo pra Revoluções por Minuto do RPM, que mostrou a todos que o rock brasileiro podia soar como os estrangeiros. Não me esqueço do meu primo, Marcelo Paulino, delirando ao descrever Juvenília. Na verdade, só minha preferência pessoal pelas bandas desse post e um certo envelhecimento dos arranjos do RPM me fizeram tirá-lo desse top 20. Seguramente ele é o 21º disco.

O antigo lado A do vinil traz 5 eternos sucessos radiofônicos: Óculos, Meu Erro, Fui Eu, Romance Ideal e Ska. Do lado B, como era comum naqueles tempos, só Mensagem de Amor dá sequência aos grandes sucessos, mas Me Liga e Assaltaram a Gramática, de autoria e com a participação de Lulu Santos e Waly Salomão, não deixam a peteca cair. Só as duas últimas, Menino e Menina e a instrumental faixa título ficaram no esquecimento.

Óculos ao vivo no 1º show deles no Rock in Rio (o DVD é um registro do 2º show).

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Legião Urbana (1984).

Com um empurrãozinha dos colegas de sarau de Brasília, Renato Russo e sua turma tiveram a chance de gravar seu primeiro disco. Intitulado simplesmente de Legião Urbana, eles entram de sola desfilando a trilha sonora de uma geração e alguns símbolos marcantes da mitologia da banda, como o desenho do Congresso Nacional e a frase em latim Urbana Legio Omnia Vincit.

Inicialmente, havia incluído na lista apenas o Dois (já resenhado). Mas aí resolvi revisitar esse disco. O frescor e vitalidade de A Dança não me deixaram dúvidas: a magia ainda estava no ar. Além desta, canções como Teorema, Petróleo do Futuro e O Reggae são tão poderosas quanto outras mais conhecidas (e batidas) como Será, Ainda é cedo, Geração Coca-Cola, Soldados e Por Enquanto. Só mesmo Baader-Meinhoff Blues e Perdidos no Espaço parecem ter resistido menos ao teste do tempo. Como ficar indiferente a uma obra dessas?

De certa forma, eu fiquei. Justamente quando ela foi lançada. Radical, torcia o nariz pra tudo que tocava em rádio. O próprio Paralamas só me dobrou com a performance no Rock in Rio. Lendo as letras do encarte na casa de um vizinho, especialmente a de Geração Coca-Cola, percebi que aquilo tinha qualidade. Mas ainda implicava com aquele jeitão meio Jerry Adriani do Renato Russo cantar.

O Reggae no programa Perdidos na Noite, quando o Faustão ainda estava na Band e o Dado Villa-Lobos ainda não tinha aprendido a solar.

Top 20 – 1980/1989 (5ª parte)

12/03/2012

Graceland (1986), Paul Simon.

Antes de Graceland fazer o sucesso que fez, conhecia pouquíssimo da carreira solo de Paul Simon; ou melhor, achava que conhecia pouco. Tinha (e ainda tem) em casa o vinil do Live Rhymin’, show com músicas dos dois primeiros álbuns solos e alguns sucessos da era Simon & Garfunkel, e o antológico duplo ao vivo no Central Park da dupla, onde imaginava que apenas as músicas cantadas só por Simon eram da carreira solo (e não me impressionavam muito). Foi assim que cresci pensando que clássicos como American Tune, Me and Julio down by the schoolyard, Slip Slidin’ Away, Kodachrome e Homeward Bound eram da dupla.

De qualquer forma, aqui no Brasil a carreira solo dele era obscura e os discos recentes, nos anos 80, davam água até nos EUA. Então veio Graceland, canção em trilha de novela da Globo com direito a close na Bruna Lombardi etc.

A mistura com a música negra da África do Sul agradou em cheio o público, mas a lista de músicos que participaram do disco é extensa e variada. Além de africanos como Youssou N’Dour e o grupo Ladysmith Black Mambazo, há parcerias com Los Lobos (All Around the World or the Myth of Fingerprints), The Everly Brothers (na faixa-título) e Linda Ronstadt (na belíssima Under African Skies). Mas o que pegou mesmo de jeito foi aquele coro tribal em Homeless e Diamonds on the soles of her shoes.

Simon já fazia essas pesquisas musicais nos anos 70, tocando com músicos peruanos e grupos de gospel, e depois se enveredou pelo jazz. A experiência sulafricana deu fôlego a uma tentativa de bis, dessa vez com a percussão brasileira em The Rhythm of the Saints, que, se não chegou a ser tão bom quanto o seu antecessor, cumpriu sua missão na Terra ao trazer Paul Simon ao Brasil. Assim, tive a oportunidade de vê-lo num ótimo show na Apoteose, botando a galera pra dançar com You can call me Al (salvo engano, com direito a bis) e encerrando com uma versão simples e sensível de The Sound of Silence.

Recentemente, The Boy in the Bubble ganhou covers de Patti Smith e Peter Gabriel. Não é pouco, né?

You can call me Al ao vivo na África, em 86.

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Dois (1986), Legião Urbana.

O segundo disco da Legião Urbana pode não ser um álbum perfeito, mas é o seu disco mais importante, que elevou Renato Russo, como letrista, ao lugar que ocupa hoje no Panteão da música brasileira.

Eu só despertei pra Legião Urbana enquanto ouvia Faroeste Caboclo no trocador da C&A em minha compra anual de roupa (a música não acabava nunca!). Na época, era muito cruel com qualquer coisa que conhecesse via rádio (a Fluminense FM não pegava lá em casa, é bom esclarecer). Passei a ter um pouco de consideração pela banda após ver a letra de Geração Coca-Cola, mas implicava com o sucesso de Eduardo e Mônica (Oswaldo Montenegro faz esse tipo de música há tempos e ninguém fala nada”). Talvez a melancolia ainda não tivesse chegado a mim a ponto de curtir algo como Tempo Perdido. O pós-punk ainda estava pra ser descoberto por este, então, jovem adolescente.

Entretanto, depois de mergulhar de cabeça na onda da Legião, certamente o grupo se tornou (apenas com seus 3 primeiros discos) uma presença marcante em uma época da minha vida. E o repertório de Dois foi o núcleo disso tudo: Daniel na Cova dos Leões, Música Urbana 2, Andrea Doria, Acrilic on canvas, Eduardo e Mônica, Quase sem querer, Índios e, claro, Tempo Perdido. Uma coleção de obras-primas de tirar o fôlego.

Reza a lenda que Renato Russo queria fazer um álbum duplo. Mas se eles não conseguiram nada melhor pra por no lugar de Metrópole e Plantas embaixo do aquário, que nada acrescentam à discografia da banda, e ainda tiveram de usar faixas instrumentais de tapa-buraco, a decisão da gravadora me parece acertada.

Andrea Doria ao vivo no Jockey Club, em 90. Eu tava lá! Láááááá atrás…