Archive for the ‘Los Hermanos’ category

Top 20 – 2000/2009 (9ª parte)

04/12/2011

Antes de prosseguir no Top 20, devo fazer uma errata: acabo de reparar que errei na conta. Em vez de listar 20, listei 21 álbuns. Como todos os que restam são presença garantida, devo pedir pra desconsiderar o How to dismantle an atomic bomb, do U2, que entrou de última hora, e também pela relevância.

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Bloco do Eu Sozinho (2001), Los Hermanos.

Esse é um disco que impõe sua presença pela importância. Acredito que, nele, materializa-se todo um movimento da música jovem brasileira que teve seu início, ou um de seus inícios, quando Marisa Monte surgiu no cenário como compositora, em seus discos Mais e Cor de Rosa e Carvão, e Nando Reis com suas composições juvenis e despojadas.

Até então, samba era coisa de velho ou do povão. Como o personagem-narrador da graphic novel Marvels, eu fui testemunha ocular da transformação: estudantes da PUC sentados nos bancos do Baixo Gávea tocando música de raiz; Seu Jorge, recém saído do Farofa Carioca, desfilando com seus vinis debaixo do braço nas mesinhas em frente ao Seu Cláudio, boteco da Lapa que, junto com o Semente, Sinuca da Lapa e alguns poucos bares, começavam a atrair um público jovem universitário ao bairro. Antes do ressurgimento do Circo Voador, a Fundição Progresso funcionou meio como bunker dessa geração.

De repente o samba virou música de jovem descolado, e cada vez mais era atraído para o liquidificador sempre ligado do rock. Misturas musicais não nasceram com Chico Science e Raimundos, já existem no BRock desde Raul Seixas e Mutantes. Mas a síntese dessa cena musical, unindo o universo da MPB com o rock, criando praticamente um novo estilo musical, ou que a partir dele passou a ser reconhecível como tal, foi o disco Bloco do Eu Sozinho.

Los Hermanos havia surgido um pouco antes com Ana Julia e um disco muito punk. Ninguém esperava o que veio depois; nem o baixista original, que deixou a banda durante as gravações, sendo o instrumento assumido por Kassin. Houve também muita discussão com os produtores e com a gravadora, que simplesmente rejeitaram a nova proposta. A banda marcou época não só musicalmente, mas pela convicção em acreditar na qualidade do seu trabalho contra a gravadora. Alguns pensavam, na época, que o sucesso de Ana Julia havia lhes subido a cabeça (e, de fato, muita coisa devia lhes subir a cabeça). Enfim, sem essa determinação eles não teriam colocado seu bloco na rua (trocadilho inevitável).

A partir desse álbum, que fez a banda dar dois passos pra trás, em termos de público, para depois dar 5 pra frente, a banda apenas reforçou o estilo,  e, no 4º álbum, pareceu cair numa mesmice da qual não conseguia sair. A banda deu um tempo, deixando pra trás uma legião de fãs fiéis e, muitas vezes, odiados.

De fato, Los Hermanos tem algo de chato: frases chicobuarqueanas, a cara sempre deprimida de Marcelo Camelo, e a insistência de Rodrigo Amarante em cantar cada vez mais desafinado (o que é uma pena, pois, no 4, suas composições são mais interessantes que as de Camelo). Mas tudo se perdoa ao ouvir o hino Todo carnaval tem seu fim, que considero a melhor gravação da década no Brasil.

Clipe oficial de Todo o carnaval tem seu fim.

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