Archive for the ‘Lou Reed’ category

Top 20 – 1990/1999 (3ª parte)

24/12/2011

Set the Twilight Reeling (1996), Lou Reed.

Conheci Velvet Underground por meio do bootleg V.U. que um amigo havia comprado no Museu do Disco, em São Paulo, ainda na era do vinil. Mas tirando Walk on the wild side, mesmo assim via U2 ou Marky Mark; Dirty Boulevard, do álbum New York (que havia dado de presente a um primo, mas sem tê-lo escutado); Vicious, de um Free Nelson Mandela da vida; e o cover de Satellite of Love pelo U2, não conhecia nada da carreira solo de Lou Reed.

Portanto, estranhei quando a minha então namorada resolveu me dar, como primeiro CD de presente em nossa relação, o Set the Twilight Reeling. Estranheza porque tampouco ela era muito familiarizada com Lou Reed ou Velvet Underground. Se foi dica de algum amigo que trabalhava em loja (o que é bem possível), nunca revelou. Seja lá como for, acertou em cheio!

Não há faixa ruim no disco. A qualidade do som e o refinamento instrumental talvez fossem até então inéditos num disco dele. Fazia tempo que não o escutava, mas, ao ouvi-lo novamente, não tive dúvidas de que seria presença garantida nesse Top 20. Todas as emoções provocadas lá pelos idos de 97, 98, estavam ainda presentes.

Egg Cream me lembra inevitavelmente de Roberto Benigni no filme Down by Law, de Jim Jarmusch. Roy Bittan, da E Street Band, participa de Finish Line, música composta em homenagem a Sterling Morrison, do Velvet, recém-falecido. A então futura esposa, Laurie Anderson, participa de Hang on to your emotions. E a faixa-título, que encerra o álbum, sempre me remete a Rock’n’Roll Suicide, de David Bowie, mas nem vou tentar explicar isso.

Lou Reed e Laurie Anderson tocam Hang on to your emotions ao vivo na TV5.

*****

Unchained (1996), Johnny Cash.

Não fosse o U2 a banda que é, só o fato de ter tirado Johnny Cash do limbo ao convidá-lo pra cantar a última canção do álbum Zooropa, The Wanderer, já justificaria a existência do grupo irlandês.

Coincidência ou não, quando estive em Dublin, pude constatar como é fácil ouvir Johnny Cash sendo tocado nas ruas e pubs da cidade. Um turista mal informado poderia voltar pra casa com a certeza de que Cash era irlandês, assim como Van Morrison.

O ótimo desempenho de Cash na faixa fez uma luz se acender na cabeça do produtor Rick Rubin, que convidou o artista para o projerto American Recordings. O 1º volume é acústico, apenas Cash e seu violão. Já o seguinte, Unchained, conta com vários músicos e uma pequena constelação.

Lindsey Buckingham e Mick Fleetwood, ambos do Fleetwood Mac, participam do country Sea of Heartbreak.

Flea, do Red Hot Chili Peppers, toca em Spiritual, cujo título é auto-explicativo. Junto com Hurt, do 4º volume, é a gravação emocionalmente mais impactante da série. Se nos últimos álbuns Cash já soava como um velho e cansado bardo cantando sua alma, em Unchained isso não ocorre. Sua voz consegue soar jovial em alguns momentos, ou como nos álbuns posteriores quando assim a interpretação da música exige. É o que acontece nessa faixa.

O que Cash faz com a voz no cover do Soundgarden, Rusty Cage, é deslumbrante, atingindo seus impressionantes graves. Outro cover inusitado é a faixa de abertura, Rowboat, do Beck.

Um convidado que participa de todo o disco é Tom Petty, que também mereceu um cover, Southern Accents. Petty também participa, em menor escala, de Solitary Man, o disco seguinte.

Vídeo de Rusty Cage.

*****

Crash (1996), Dave Matthews Band.

Quando conheci Dave Matthews Band, Before these crowded street era o disco do momento. Mas foi um caminho tortuoso até chegar à banda.

Como acontece muitas vezes, o encontro foi antecedido de pequenos e sutis movimentos. O primeiro, foi um anúncio no Multishow enquanto assistia a um show de uma banda pouco relevante, The Presidents of the United States of America (alguém lembra deles?). Achei o nome Dave Matthews Band meio bobo, e achei que devia ser algo tão desinteressante quanto ao que estava assistindo naquela tarde tediosa de sei lá quando.

O segundo momento foi no terraço do apartamento do meu amigo Pedro. Percebi alguns CDs daquela banda com o tal nome “bobo”. Disse a ele que não conhecia e perguntei se era bom. Ele me respondeu: “você, que gosta de música, faça um favor a si mesmo: escute Dave Matthews Band”. A ênfase me impressionou, e fiquei com aquilo na cabeça.

O terceiro momento foi quando a mãe da minha futura esposa encontrou num banco do Baixo Gávea, em frente a Tracks (uma loja de CDs), uma sacola com CDs recém comprados. Salvo engano, era um do Seal (não gosto), Massive Attack (não gosto), alguma coisa da qual não lembro, e Before these crowded streets, da DMB. Depois de uma semana no quiosque de plantas em frente, aguardando alguém perguntar pela sacola, ela acabou levando os CDs pra casa. Assim, enquanto passava uma tarde na casa deles em Petrópolis, jogando um buraco, botamos os discos pra escutar. Não só gostei do que ouvi da DMB, como achei algo na voz de Dave Matthews muito semelhante ao Eddie Vedder.

Acabou que não foi esse o meu primeiro CD da banda, pois fiquei na expectativa de acabar “herdando o CD”. Mas a casa foi assaltada umas duas vezes, e, em uma delas, levaram os CDs.

Antes de comprar, resolvi pedir emprestado ao Pedro, que gentilmente me emprestou o EP Recently e Crash, que foi por onde comecei. Ao ouvir os primeiros acordes de So munch to say enlouqueci. E a sequência com Two Step, minha música preferida até hoje, foi demais para este pobre coração. Demorou dias para que eu pudesse avançar no disco, pois botava as duas primeiras e repetia tudo de novo. Tudo que vinha depois soava esmaecido, distante.

Claro que depois ouvi o disco inteiro, e outra dupla me encantou: #41 e Say Goodbye. Talvez Proudest Monkey não precisasse de 9 minutos, mas mesmo assim o disco é um prazer aos ouvidos.

Minha primeira providência, claro, foi copiar os CDs e pedir mais emprestado ao Pedro. Mas não demorou muito pra comprar o meu Crash. O Pedro, coitado, acabou emprestando o dele a uma ex-namorada e ficou a ver navios. Retribuí dando-lhe a minha cópia.

Muitos não curtem o pop/jazz da banda, tampouco as longas improvisações que fazem nos shows, mas os discos são bem mais econômicos nesse aspecto, conseguindo maior capilaridade comercial.

Two Step em Woodstock, 1999.

Anúncios

O primeiro de Lou Reed

13/06/2010

Lou Reed (1972)

Quando Lou Reed saiu do Velvet Underground, resolveu voar pra Londres pra refazer sua carreira. Recebido com pompa na capital inglesa, teve todas as condições para gravar seu primeiro disco solo. Inclusive a insólita participação de Rick Wakeman e Steve Howe, ambos então no Yes.

O disco é bom, mas acabou ficando prejudicado pela sombra do Velvet, pois a maioria das músicas são do que seria o quarto álbum da banda, não lançado devido à briga com a gravadora. Natural que Reed quisesse fazer com que as canções, então inéditas, vissem a luz do dia. O lançamento do V.U. com este material perdido (e com versões melhores) provavelmente fez com que este primeiro álbum fosse esquecido de vez. Assim, todos os holofotes ficaram pra Transformer e Berlin. De qualquer forma, os três discos do artista em Londres serviram para que encontrasse sua identidade longe do Velvet.

Difícil, para mim, é não ver um chapéu mexicano nessa capa (que aliás, não tem nada a ver com Lou Reed).

Lou Reed can dance!

14/05/2010

Sally can’t dance (1974), Lou Reed.

Até agora vou indo muito bem com minhas experiências pela carreira solo do Lou Reed. E Sally can’t dance é o disco pós-Velvet Underground mais insólito desta exitosa carreira. Vamos aos fatos:

– É o primeiro disco solo dele a não ter nenhuma música dos tempos do Velvet.

– É o primeiro disco solo gravado nos EUA (os anteriores foram na Inglaterra).

– O único álbum de Lou Reed a entrar no TOP 10.

– Lou Reed compôs, tocou e cantou suas canções, mas pouco participou da produção do disco e dos arranjos das músicas. O sucesso fez com que declarasse: “Parece que quanto menos eu me envolvo, mais sucesso faço. Se eu não aparecer pra gravar na próxima vez, talvez alcance o 1º lugar”.

E qual foi o resultado disso? Um disco cheio de balanço, com uma ginga que não se encontra em nenhum outro álbum dele, naipe de metais, guitarras firulentas… Êpa! Mas isso é Lou Reed?! Pois é, continua sendo. E do bom! Basta abstrair essa capa que mais parece um misto de Sr. Smith com Billy Idol.