Archive for the ‘Marillion’ category

Top 20 – 1980/1989 (9º parte)

09/08/2012

Script for a Jester’s Tear (1983), Marillion.

“Ah, mas eles imitam o Genesis!”

Esse era o comentário mais comum que se ouvia a respeito dos ingleses do Marillion, quando surgiram com o grandalhão Fish nos vocais, que saiu em 1988 após 4 discos de estúdio e 2 ao vivo. Inicialmente era mais uma banda tocada pelo mundo fantástico de J.R.R. Tolkien, chamando-se Silmarillion, título de um dos livros do autor de O Senhor dos Anéis. Entretanto, temendo um possível processo de direitos autorais, encurtaram para Marillion.

A crítica de fato procedia, pois o som da banda e os vocais e a teatralidade ao vivo do escocês Fish lembravam muitíssimo o Genesis da época de Peter Gabriel. Mas é aquela história… em 1982, o Genesis com Phil Collins à frente já trilhava outros caminhos, assim como a carreira solo de Gabriel quase nada lembrava sua passagem pela banda que o consagrou. Então, qual o problema?

Possivelmente, o ápice da banda foi o lado A de Misplaced Childhood (na era do vinil, claro), com suas canções impecavelmente amarradas. Não só o disco era conceitual como Fish tentava dar uma continuidade de álbum para álbum, como se contasse uma só história, e assim fazia crer a belíssima arte das capas, ricas em detalhes e referências.

A melhor capa é a do LP de estreia, Script for a Jester’s Tear, com a figura icônica do Joker ou Curinga tocando violino, as cifras de Yesterday, os discos jogados em frente à lareira, como o Meddle do Pink Floyd e o primeiro single da banda, Marquet Square Heroes.

Em estúdio, o andamento das músicas parece mais lento do que deveria, como em Garden Party e He knows you know, as mais “agitadas”. Mas a riqueza de detalhes sonoros a la Pink Floyd por todo o disco e o uso criativo do estéreo em Forgotten Sons garantem o interesse mesmo quando o som soa um pouco datado.

A dramaticidade e poesia da faixa título continua eficiente, e ainda hoje me arrepia a abertura com a voz solitária de Fish cantando “so here I am once more…” Mas a música que melhor sobreviveu ao tempo foi Chelsea Monday, atualmente a minha favorita não só do álbum, mas do grupo.

Chelsea Monday ao vivo em Recital os the Script, gravado ao vivo em 1983 no Hammersmith Odeon.

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The Final Cut (1983), Pink Floyd.

Após The Wall, Roger Waters gostou do resultado e decidiu continuar sua ego (bad) trip no disco seguinte, exorcizando seu passado e seus problemas com o pai morto na 2ª Guerra. Na verdade, o projeto inicialmente era para a trilha sonora do filme The Wall. De fato, parte de One of the few é cantada no banheiro na sequência final. Mas a Guerra das Malvinas levou Waters a direcionar seus canhões à guerra e a Margaret Thatcher.

The Final Cut não é muito badalado, mas é um grande álbum. Infelizmente, é também o marco do fim do Pink Floyd como o adoramos. O tecladista Richard Wright havia saído da banda por não querer ser mais o “músico de estúdio” de Roger Waters. David Gilmour só canta em uma faixa, Not now John. O clima, definitivamente, não era dos melhores. Não é a toa que é considerado mais como o 1º álbum solo de Waters do que o último do Pink Floyd reunindo Waters e Gilmour. Se o maior sucesso de vendas da banda foi Dark Side of the Moon, The Final Cut pode ser considerado o genuíno dark side of Pink Floyd, considerado um dos mais depressivos discos já feito.

O álbum, assim como o anterior, tem bobagens como Get your filthy hands off my desert, que mal funciona como vinheta. Por outro lado, há faixas dignas dos melhores momentos da banda, incrementadas com a percussão de Ray Cooper e o sax de Raphael Ravenscroft: a breve e poderosa abertura com The Post War Dream; o solo arrasador de Gilmour em Your possible pasts; a belíssima The Gunner’s Dream, onde a voz de Waters se mescla com o sax cortante; Paranoid Eyes, que fechava o lado A com Waters revivendo o tom quase insano de Brain Damage, do Dark Side of the Moon; a singela Southampton Dock, que emenda com The Final Cut, a melhor música não composta para The Wall, cuja letra se encaixa perfeitamente na derrocada interna do astro de rock Pink; a pesada (em termos sonoros) Not now John; e o final com a deliciosa balada Two Suns in the Sunset.

Vídeo em sequência de The Gunner’s Dream e The Final Cut.