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Zumbi com Fome de Tudo

15/07/2013
Fome de Tudo (2007), Nação Zumbi.

Fome de Tudo (2007), Nação Zumbi.

Em 2008 fui surpreendido com um inusitado presente: o então recém lançado CD da Nação Zumbi, Fome de Tudo. Inusitado porque a banda, apesar de conhecida, não era fazia parte do meu repertório. Quando ela surgiu capitaneada por Chico Science, causando muito frisson, a eletrônica me manteve cautelosamente afastado, apesar de simpatizar com a proposta do Manguebeat.

Mesmo distante, era impossível ficar alheio ao fenômeno. Lembro de passar na casa do amigo Daniel Og um ou dois dias após um show deles no Circo Voador. Dani ainda pulava, recusando-se a deixar aquele momento mágico para trás. A empolgação com a qual descrevia o show era contagiante. Desde então, passei a colar na TV a cada apresentação do grupo para tentar “entender” o Dani. De imediato entendi Lúcio Maia, puta guitarrista! Logo depois, quando Chico atingiu aquele poste em Recife com seu Fiat, tive a exata noção de que uma imensa lacuna se abria no futuro da música brasileira. E não haveria como preenchê-la.

Depois do confuso álbum duplo CSZN, perdi a banda de vista, até reencontrá-lo nesse singelo regalo… e me surpreendi. Não mais com o presente em si, mas com a ótima qualidade do que ouvi. Em termos instrumentais, o som da Nação Zumbi nesse disco é excelente. Com influência mais pop do que o habitual, a banda atinge a maturidade em uma mistura perfeita entre o rock, o regionalismo e a eletrônica, aparando arestas que antes me incomodavam. E tudo isso embrulhado com insuspeitada poesia.

Como uma banda com essa qualidade permanecia à margem do sucesso? Claro, a Nação Zumbi tinha o sucesso de crítica e certamente um público fiel. Eu me refiro a um sucesso mais duradouro e inequívoco. Creio que a resposta está no vocal nada carismático de Jorge Du Peixe. Não que ele cante mal ou algo parecido. O mundo artístico é farto em exemplos de cantores medianos (pra dizer o mínimo) que fizeram estrondoso sucesso, como Bob Dylan, Chico Buarque, Mark Knopfler, Roger Waters… No universo pop, carisma conta bem mais do que uma bela voz. Ambas as qualidades faltam ao Jorge.

Minha satisfação com Fome de Tudo me deixou atento e curioso para o que viria em seguida (nem tanto para o que veio antes, pois a crítica acusava justamente uma virada na sonoridade da banda). Só que não veio nada. Desde 2007 a banda não lança um álbum de inéditas. Resta apenas a perspectiva de um novo disco em 2014.

A canção Inferno, que foi tema de novela recente da Globo (Lado a Lado), ao vivo no CCBB-SP.