Archive for the ‘Neil Young’ category

Top 20 – Álbuns ao Vivo (parte 15)

13/04/2016

Os álbuns a seguir vão por conta da simpatia pura. Aquele disco que você escuta, ama, e pronto, sem mais.

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Unplugged (The Official Bootleg)

Unplugged – The Official Bootleg (1991), Paul McCartney.

Os álbuns ao vivo mais importantes da carreira de Paul McCartney são, certamente, o vinil triplo Wings Over America, quando ele se afirmou junto ao público e à mídia como artista solo, e o igualmente triplo Tripping the Live Fantastic, que marcou seu retorno aos palcos após 10 anos (quase toda a década de 80) longe deles.

Mas o meu preferido é o seu acústico pra MTV, gravado logo em seguida e lançado inicialmente como um bootleg limitado. O Unplugged (The Official Bootleg) de Paul foi o primeiro disco da série MTV Unplugged. Então não é exagero dizer que foi o CD que deu origem à série.

Nele é possível ouvir um Paul solto, relaxado e à vontade com a banda que o acompanhou na turnê internacional. Relaxado, porém não menos ensaiado. O repertório é dos mais interessantes. A música mais recente é um cover de Ain’t no Sunshine, de Bill Withers, gravado em 1971. O resto é alternado com covers de rock e blues dos anos 40, 50 e 60, sucessos dos Beatles e canções de deu primeiro álbum solo, McCartney, de 1970, além de I lost my little girl, uma composição sua de 1956, quando tinha 14 anos.

O dado interessante da gravação é que foi tudo 100% acústico, com o som dos instrumentos sendo captado pelos microfones.

Aqui as gravações da MTV, para além do álbum.

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MTV ao Vivo - Pato fu no Museu de Arte da Pampulha

MTV ao Vivo – Pato Fu no Museu de Arte da Pampulha (2002).

Também da MTV, mas totalmente plugado, o álbum MTV ao Vivo do Pato Fu, gravado em 2002 no Museu de Arte da Pampulha, serve como uma simpática coletânea da banda mineira, e um resumo bastante representativo de sua carreira, pegando desde a irreverência do Rotomusic de Liquidificapum até as baladas mais radiofônicas como Perdendo Dentes e Depois, passando por experiências mais arrojadas em Eu e a ótima versão de Porque te vas, cover clássico de seu repertório retirado do filme Cría Cuervos (1975), de Carlos Saura. O som da banda pouco evolui ou mudou depois daí, apenas ampliaram um pouco seus horizontes, seja por meio da carreira solo de Fernanda Takai ou explorando o universo infantil.

Canção para viver mais ao vivo no Museu de Arte da Pampulha.

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Live at Massey Hall 1971

Massey Hall 1971 (2007), Neil Young.

Neil Young toca violão, gaita e arranha um piano. O som é tão límpido que nem parece um bootleg. Sua voz, que nunca chegou a chamar a atenção pela qualidade, chega a soar incrivelmente boa. Sério. Em Massey Hall 1971, o canadense chega até a cantar bem!

Esse é o disco. Simples, direto, solitário, um punhado de grandes canções, com destaque ao début de A man needs a maid e Heart of Gold em um formato de medley ao piano. O show foi em janeiro de 1971 e as canções só foram gravadas no mês seguinte. O show inclui também canções da passagem de Young pelo Crosby, Still & Nash e da época do Buffalo Springfield, como On the way home (que mereceu um cover de Renato Russo no acústico da Legião Urbana), que abre o disco. Incrível que só tenha sido lançado em 2007.

Old Man ao vivo no Massey Hall.

Top 30 – 1970/1979 (11ª parte)

19/03/2014
Bridge Over Troubled Water (1970), Simon & Garfunkel.

Bridge Over Troubled Water (1970), Simon & Garfunkel.

Nada mais anos 60 do que uma canção de Simon & Garfunkel. Mas, apesar de ter sido gravado em 1969, o lançamento de Bridge Over Troubled Water foi no início de 1970, que, apesar de tecnicamente ser década de 60, nesse meu Top Top não é.

A faixa título é a mais avassaladora interpretação de Art Garfunkel, e foi coverizada por Elvis, Aretha, Jackson 5, Willie Nelson, Whitney Houston, entre vários outros.  No “lado B” (coisa de velho), o igualmente clássico The Boxer. Ambas com letras inspiradíssimas. Como se não bastasse,  o disco ainda tem a linda The Only Living Boy in New York e a versão de Paul Simon para a peruana El Condor Pasa.

A inclusão da versão ao vivo de Bye Bye Love, boa música mas com qualidade de som inferior, é uma incógnita pra mim. E até hoje ainda não me decidi se gosto ou não de Cecília. São os dois únicos senões de um álbum que foi o canto do cisne de uma dupla que fez lotar de saudade o Central Park dez anos depois.  Pra mim, entretanto, mesmo já tendo um Greatest Hits sendo furado no toca-disco lá de casa, foi neste reencontro que eu descobri  Simon & Garfunkel.

Keep the Customer Satisfied ao vivo em 2003.

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Moondance (1970), Van Morrison.

Moondance (1970), Van Morrison.

Fui apresentado a Van Morrison por um amigo no final dos ano 80 pelo vinil de Astral Weeks, sempre referido como o melhor de sua obra. Entretanto, só fui mesmo parar para ouvir este genial irlandês mais de 15 anos depois, restabelecendo contato pelo mesmo Astral Weeks. Gostei tanto que resolvi arriscar o disco seguinte, Moondance. E aí fiquei chapado.

Com todo respeito ao disco anterior, que é mesmo sensacional e está cotado (mas não confirmado) pro Top 20 – 1960-1969, este é o meu disco favorito do Van Morrison, basicamente pela pluralidade musical apresentada. Na faixa-título ele avança com maestria para o reino do jazz como que possuído pelo espírito de um Tony Bennet (não a toa ganhou cover do Michael Bublé, o Harry Connick Jr. da vez).

Moondance ao vivo no Festival de Montreux, em 1980.

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After The Gold Rush (1970), Neil Young.

After The Gold Rush (1970), Neil Young.

Descobri After The Gold Rush pouco depois de Harvest (também incluso neste Top 30), e um é a continuação musical do outro. Ainda tateando no universo de Neil Young, fui atraído a este álbum pela presença de Southern Man, que eu conhecia de um cover bastante mal gravado do U2. A rapidez com que me aprofundei no universo deste bizarro canadense logo tornou obsoleto uma coletânea comprada na mesma época, que por isso mesmo escutei umas duas vezes no máximo (alguém aí interessado?).

A beleza desses dois álbuns representa pra mim o coração da obra de Neil Young (mas não a resume ou sintetiza), assim como A Day at the Races e A Night at the Opera para o Queen.

Tell me why ao vivo em 1970.

Top 30 – 1970/1979 (7ª parte)

20/07/2013
Exile on Main Street (1972), Rolling Stones.

Exile on Main Street (1972), Rolling Stones.

Exile on Main Street é o último de uma sequência matadora de álbuns dos Rolling Stones, iniciada com Beggars Banquet, e único álbum duplo original (e com toda a pretensão que projetos do gênero sugerem). Como embarquei tarde nessa canoa, não conheci sua versão em vinil, mas apenas o CD simples. Influenciado pela disputa Beatles x Stones, só comecei a me interessar por Richards, Jagger & Cia por meio dos covers e snippets com os quais Renato Russo homenageava o grupo inglês. Assim, por algum tempo, uma fita k-7 de 60 minutos repleta de hits e o vinil duplo Love You Live era tudo o que eu tinha.

Meus primeiros CDs dos Stones foram Now e December’s Children, e Exile veio logo depois, já recomendado por um amigo como “o melhor disco dos Stones”. O disco de fato é excelente, mas não é meu favorito. O fator “álbum duplo” certamente contribui muito para isso, mas não é o único.

Não me lembro de já ter lido ou ouvido uma comparação de Exile com o Álbum Branco dos Beatles, mas é exatamente disso do que se trata. O álbum está embrulhado no mito de um mergulho nas raízes do rock e no glamour das gravações em Nellcôte, casarão de Keith Richards em Villefranche-sur-Mer. Mas o disco nem é uma proposta consciente e integrada de explorar as raízes do rhythm’ blues, e tampouco fruto das caóticas sessões nos porões de Nellcôte. O disco é uma colagem de momentos distintos e inspirações diversas das duas mentes criativas da banda: Mick Jagger e Keith Richards (nesse conflito de egos, talvez o papel de Mick Taylor, bastante ativo na “fase francesa”, tenha sido o mais subestimado).

O documentário do making-of, Stone in Exile, foca principalmente nas gravações na França, mas não deixa de registrar que muita coisa ainda foi feita depois dali (ou antes). Se, de fato, muita coisa teve origem na Côte d’Azur, o que rolou depois em Los Angeles, e até mesmo na Inglaterra, não teve importância menor. Basta dizer que Loving Cup, Tumbling Dice e Shine a Light vieram desse segundo momento. All down the line e Sweet Black Angel tiveram origem ainda durante as gravações de Sticky Finger, o disco anterior. E dá pra imaginar Exile on Main Street sem elas?

Nellcôte é puro Keith Richards, com suas drogas e gravações noturnas. Los Angeles é basicamente Mick Jagger. O resultado é a soma de esforços desconexos de um grupo que começava a perder a coesão. Um disco até certo ponto frouxo, variado e genial. Mais “álbum branco” impossível.

Sweet Virginia ao vivo no Texas, em 1972.

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Harvest (1972), Neil Young.

Harvest (1972), Neil Young.

Harvest foi o primeiro álbum do Neil Young que eu escutei por inteiro, e isso aconteceu há menos tempo do que eu gostaria. Até então conhecia algumas poucas músicas esparsas, o que não me impediu de ir ao show dele no Rock in Rio 3.

O disco (na verdade uma pasta com arquivos em mp3 que peguei com meu amigo Alexandre) me foi apresentado como “o melhor disco de Neil Young”. Não sei se é porque foi o primeiro, mas tendo a concordar. Seguindo o padrão soft-folk-rock do excelente disco anterior, Harvest não deixa de explorar algumas sonoridades, como em A man needs a maid e There’s a World, nas quais o arranjo com a Orquestra Sinfônica de Londres dá um ar de rock progressivo às faixas. There’s a World, particularmente, fica a cara de canção do Renaissance.

Impressiona também que um álbum tão bom tenha sido gravado praticamente de improviso, juntando músicos de estalo, e contando casualmente com participações de James Taylor e Linda Ronstadt, além do trio Crosby, Still & Nash.

Heart and Gold ao vivo em 1971, antes mesmo do disco ser gravado.

Feliz Aniversário, Neil Young!

12/11/2011

Long may you run (1976), The Stills-Young Band.

Ontem postei na 5ª parte do Top 20 de 2000-2009 um disco de Neil Young. Hoje, no café da manhã (à tarde), botei o Long may you run, um disco em parceria com Stephen Stills, seu parceiro no Buffalo Springfield e Crosby, Stills, Nash & Young. Um pouco mais tarde, ao entrar no Facebook, o Pearl Jam me avisa que hoje é aniversário do homem. Coincidência?

Então não pude deixar de fazer esse post em homenagem a Neil Young. Long may you run é um disco pouco comentado, mas muito agradável e relaxante. Lançado em 1976, considero o resultado superior aos discos solos de Neil Young em 75 e 77, Zuma e American Stars’n Bars, respectivamente.

Aqui vai o áudio ao vivo da faixa-título, na turnê abortada de 1976.

Top 20 – 2000/2009 (5ª parte)

10/11/2011

Prairie Wind (2005), Neil Young.

O que esperar do 28º álbum de qualquer artista? Quando se trata de Neil Young, qualquer coisa. Quarenta anos de carreira e o cara ainda consegue fazer um disco danado de bom! Mesmo sem inovar, ele ainda consegue se provar relevante, mesmo em longas faixas, que parecem curtas de tão boas. Neil Young é um daqueles artistas que às vezes erram feio. Mas quando acerta…

Enfim, não é um disco, é uma terapia.

A faixa título ao vivo aqui, com o coro saído de um episódio de “O Cavaleiro Solitário”.

Broken Arrow

04/02/2011

Broken Arrow (1996), Neil Young

Não sei por que fazem essas capas de discos quase “ilegíveis”. O mais próximo do cd real é a gravura escura a esquerda.

Mas, enfim, o que mais um disco de Neil Young pode nos trazer de bom, além do já esperado? Acredito que, no caso de Broken Arrow, são as 3 primeiras faixas, todas looongas, quase um rock progressivo. Viajantes e relaxantes, ótimas pra serem ouvidas na penumbra, deitado num sofá, de preferência com um cafuné. O que Ralph Molina faz com a bateria em Slip Away é tão bom quanto um balanço de rede.

No final há uma inexplicável faixa ao vivo como se fosse gravada de uma mesa no fundo do salão. Afinal, não seria Neil Young sem uma equisitice qualquer.