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Top 20 – 1990/1999 (7ª parte)

24/01/2012

E 1991 foi o ano do grunge. Mas devo dizer que nos primeiros anos da década me encontrava bastante refratário às novidades, de forma que as bandas de Seattle demoraram pra entrar no meu radar. Os dois álbuns desse capítulo não estariam nesse Top 20 se eu seguisse exclusivamente meu gosto pessoal. Provavelmente o disco do Nirvana não emplacaria o Top 30 e o do Pearl Jam teria ficado entre os 5 últimos que tive grande dificuldade de tirar. Entretanto, é nesse momento que a importância histórica se sobrepõe. Mas cada um dos discos percorreu caminhos distintos para estarem aqui.

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Ten (1991), Pearl Jam.

Quando escrevi sobre o Yield, comentei em que ponto e como o Pearl Jam entrou na minha vida. Pois bem, Ten demorou um pouco mais. Em primeira audição, apenas Even Flow havia me cativado. Alive, apenas ao vivo, inicialmente na versão do Unplugged MTV. Fui reparar em Black no lançamento da coletânea ao vivo Live on Two Legs (1998).

Jeremy nunca esteve entre minhas favoritas. Sempre tive a impressão que a fama era mais devida ao vídeo do que à música em si. Fui cair de amores só no show de 2011, na Apoteose, em versão apoteótica (sem trocadilho). Mesmo assim, continuo preferindo Oceans, Once e Why Go.

O disco sempre me pareceu sofrer da síndrome “lado A/lado B”, muito comum na era do vinil. No Top 20 de 2000/2009, isso não foi obstáculo pra entrar na listagem. Já na concorrida década de 90, só mesmo tendo um borogodó.

O disco de estréia do Pearl Jam nunca foi de frequentar muito meu cd player. Após alguns anos fui reparar a razão: ele estava em praticamente todos os álbuns ao vivo da minha coleção. Fenômeno semelhante ocorria com o Vs., de forma que ficava difícil sentir saudades de escutá-los.

Tive que fazer o caminho inverso, do show ao estúdio, pra me dar conta que o álbum não podia ficar de fora desse Top 20.

A apoteose de Alive no Rio de Janeiro em 2005 (dessa vez com trocadilho), um momento transcendental na minha vida.

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Nevermind (1991), Nirvana.

Com Nevermind, segundo disco do Nirvana, a história foi bem diferente. Meu primeiro cd do Nirvana foi tardio, o Unplugged MTV. Mas, apesar da minha resistência às músicas novas da época, não fiquei imune a Smell like teen spirit.

Mas por que eu tinha essa implicância? Na virada dos 80 pros 90, a imprensa musical e até mesmo alguns artistas, como Lulu Santos, entraram numas de querer enterrar o rock’n’roll. Lulu falava do sambapopbalanço. Lá fora, Pet Shop Boys eram o som do futuro: o pop eletrônico. Mesmo o recém lançado Achtung Baby do U2 parecia reforçar essa impressão: “Viram? Até a maior banda do rock voltou–se para o pop e para a eletrônica!”

Não adiantava chamar a atenção para o fenômeno Guns’n’Roses. O argumento era que a banda de Axl Rose fazia um som de época, o mesmo dos Rolling Stones e do Aerosmith. Não havia novidade, o rock estava parado no tempo. Sobreviveria apenas como gueto mercadológico, assim como o rock progressivo, o heavy metal e o tango.

Então, eu meio que me desconectei das revistas, das rádios, e pegava aquilo que o vento jogava na minha cara (o vento, em muitos casos, era meu primo Sérgio Erse, que não abraçou o grunge, mas me gravou umas fitas preciosas de rock britânico). E, mesmo assim, com muito pé atrás, com uma postura excessivamente crítica (mais ou menos como eu era lá por meados dos anos 80).

Então todos nós vimos e ouvimos aquele vídeo do Kurt Cobain arremessando, com a garganta, a alma conta a parede. Lembro de um debate sobre a música em plena pista de dança da Dr. Smith. E a indústria do disco nunca mais foi a mesma.

Lembro de uma entrevista recente com os Pet Shop Boys contando como foram chutados do topo das paradas para o limbo pelo fenômeno grunge. Lembrou-me muito das declarações dos grupos vocais americanos dos anos 60 comentando sobre a invasão britânica.

Sempre quando alguém tenta dar uma de Cassandra sobre o fim do rock, lembro-me daquela época e sorrio.

Aqui, o vídeo de Smell like teen spirit.

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