Archive for the ‘Pearl Jam’ category

Top 20 – filmes e vídeos de música (parte 7)

26/02/2017

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O Pearl Jam tem alguns DVDs bem interessantes, e talvez até musicalmente melhores, mas Immagine in Cornice tem um charme irresistível e mora no meu coração.

O vídeo mostra a passagem da banda pela Itália na turnê de 2006, com trechos de apresentação em Bolonha, Verona, Milão, Torino, Turim e Pistoia, num total de 13 músicas. Mas o destaque vai para as cenas de bastidores, na estrada, ensaios e entrevistas. O DVD vem com três faixas bônus.

A fotografia é particularmente bela e poética, incomum em vídeos musicais. Provavelmente esta característica tenha influenciado no título.

Lançado em 2007, depois dele a banda só lançou o Twenty, e em 2011! Tão esperando o quê?

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Pearl Jam 2015

28/11/2015

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Pearl Jam é uma banda que transita com bastante desenvoltura entre o folk e o hardcore. Tem também como assinatura a incrível variação do setlist entre um show e outro, similar à versatilidade de um Bruce Springsteen, mas sem o radicalismo de uma Tori Amos, que chega a manter de manter apenas quatro canções fixas em suas apresentações. Assim, alguns shows podem pender mais pra um estilo ou pra outro, defendendo da vibe dos músicos em determinada noite. Naquela noite carioca de lua quase cheia, eles estavam bastante pilhados, apresentando o setlist mais pesado de sua passagem pelo Brasil. Em 2005, por exemplo, a porradaria ficou para os curitibanos. Azar o meu, que preferiria muito mais os setlists de Porto Alegre e de São Paulo (ou o de Bogotá, três dias depois do Rio), e ainda fiquei sem ouvir os covers de Rain (talvez devido ao tempo bom) e All along the watchtower. Mas o pior show do Pearl Jam é ótimo.

Poucos artistas podem navegar por um repertório de mais de 20 anos de carreira com tanta desenvoltura, sem medo de ser feliz ou de desagradar o público. Alguns, como o U2, optam por um setlist mais engessado; outros, como Paul McCartney, não mudam sequer as piadas entre as músicas. O carisma de Eddie Vedder e esse suspense contínuo de qual será a próxima música são garantias de emoção do início ao fim.

Desnecessário falar das músicas, da empolgação da galera, que quicava até mesmo nas cadeiras do fundão, das homenagens às vitimas do Bataclan. O maior destaque da noite foi a própria emoção de Eddie Vedder sobre o palco, esforçando-se ao máximo para ser entendido em seus discursos. Ficou transparente que havia aproveitado bastante sua passagem pelo Brasil, e se divertido muito, e como nunca.

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Assisti aos três shows do Pearl Jam no Rio de Janeiro, nas turnês de 2005, 2011 e a de agora, em 2015. Os dois primeiros foram na Praça da Apoteose, o último no Maracanã. Continuo achando a Apoteose o melhor lugar para shows de arena de grande porte no Rio. Tirando a galera do gargarejo, há pouca diferença visual e sonora entre pista e arquibancada, além da possibilidade de poder circular livremente entre uma e outra (até a invenção da Pista Premium). Os dois shows que assisti no Engenhão, Paul McCartney e Roger Waters, foram muito bons, com ótima acústica, mas não troco pela sensação de integração que sinto na Apoteose, além da questão do acesso (insuperável, no caso do Maracanã, a arena mais central e de mais fácil acesso de todas).

O reduzido Novo Maracanã se mostrou mais apropriado para shows do que o antigo gigante, no qual, enquanto os arquibaldos cantavam “Hey”, a galera da pista já estava no “Jude”. Assistir a um show na arquibancada naquela época devia ser como assistir a um jogo da Seleção em HD: a galera do bar já tá comemorando o gol enquanto no seu sofá o Neymar ainda vai bater o pênalti. Rock in Rio, Rolling Stones, Paul McCartney batendo recorde no Guinness Book, vi e ouvi tudo do gramado.

O Novo Maracanã, entretanto, ainda sofre com um pouco de eco na arquibancada, como foi possível perceber em Black. Mas não foi esse o problema no show do Pearl Jam, e sim a altura demasiada, que fazia o som parecer aquele porta-malas de carro de playboy estacionado na frente do bar, com o som no último volume para impressionar as mina. O pessoal da vizinhança não viu, mas ouviu o show de graça (comentário baseado em fatos concretos). Quem mora na área sabe que a acústica externa do Novo Maracanã faz você se sentir dentro do estádio. Uma vez, ao descer do ônibus bem em frente ao setor Sul, onde estava concentrada a torcida do Botafogo, saiu um gol. Com o susto, meu espírito atravessou a rua antes do meu corpo. Impactante! Imagino o efeito de 50 mil pessoas cantando Alive a plenos pulmões.

Então, foi com uma ponta de tristeza que, logo nos primeiros acordes de Ocean, percebi que o som estaria longe do ideal (pra quem acha som ideal em show uma utopia é porque não ouviu Sir Paul tocando no Engenhão).

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Em alguns vídeos, como o de Yellow Ledbetter, ficou claro que a turma da frente não teve o mesmo problema de som. Percalços de shows de arena…

Top 20 – Álbuns ao Vivo (parte 9)

16/11/2015
Live at Benaroya Hall

Live at Benaroya Hall, October 22, 2003 (2004), Pearl Jam.

Menosprezado pelos críticos devido ao seu formato semiacústico (e, pelo visto, muito apreciado por mim, pois já é o quarto do gênero na minha lista), entre tantos (e olha que são MUITOS) álbuns ao vivo lançados pelo Pearl Jam, a performance da banda no Benaroya Hall, teatro sinfônico de Seattle, é a que mais se destacou aos meus ouvidos.

Devido, talvez, ao fato de que, ao encararem o formato acústico, muitos artistas são forçados a sair de sua zona de conforto, alguns deles aproveitam a oportunidade para revisitar seu repertório com uma nova abordagem, um outro olhar, e não fazer uma mera transposição das músicas para o violão, embora algumas faixas (particularmente neste álbum) soem assim. Creio que tal característica vai ao encontro do meu primeiro critério na elaboração deste Top 20: que o álbum não seja apenas uma coletânea ao vivo, mas como uma obra em si. E o show beneficente que o Pearl Jam deu em 22 de outubro de 2003 para a YouthCare, entidade que presta auxílio aos jovens sem teto de Seattle, tem essa característica.

O que salta logo aos olhos é a excepcionalidade do setlist, mesmo para uma banda que costuma variar bastante de um show para o outro, com o début de Man of the hour (da trilha sonora do filme Big Fish, que seria lançado algumas semanas depois), cover de Bob Dylan (Masters of War), uma ótima versão de 25 minutes to go e a pouco tocada Fatal.

Com apenas três canções do então álbum mais recente, Riot Act (2002), só dois megahits (Daughter e Black) e uma linda versão de Immortality, Live at Benaroya Hall sempre será para mim o disco que resgatou Binaural, álbum de 2000.

Tendo Yeld como meu álbum preferido da banda, diferentemente da maioria, que prefere ou o Ten ou o Versus, quando ouvi Binaural pela primeira vez, não lhe dei muito valor. Porém, quando ouvi as mesmas músicas nesse ao vivo (Of the girl, Thin air, Sleight of Hand, Parting Ways), percebi que estava deixando passar alguma coisa, e hoje o álbum é um dos meus favoritos. Na verdade, bastou a abertura com uma estonteante versão de Of the girl para me causar este efeito.

Não só Binaural é o álbum mais contemplado no show, o que por si só é um elemento bizarro, como vem seguido de No Code (um patinho feio da discografia deles) e Riot Act, com três canções cada.

O repertório da banda tem essa dualidade entre músicas mais pesadas e baladas melancólicas. O formato semiacústico acaba privilegiando o segundo grupo, com o qual me identifico mais. Ainda que grandes canções tenham ficado de fora, o resultado final é puro Pearl Jam: sentimento cortante, honestidade na veia (só a capa que é feiinha).

Aqui uma edição em vídeo do show no youtube.

E uma garrafa de rum…

15/07/2012

Nesses meses monográficos não tive tempo para escrever por aqui ou mesmo para colocar um CD calmamente para escutar. Como não curto muito earphones, headphones etc., só me restou meu street midibox pra continuar a ouvir música, pois assim a música poderia me acompanhar do banho ao café da manhã sem problemas. Aproveitei pra tirar do limbo vários bootlegs em mp3 que havia baixado há tempos de um bom site, do qual não me lembro mais.

Entre eles, algumas boas surpresas que listo aqui:

♦ Bruce Springsteen live in Cleveland, 9 de agosto de 1978.

Espetacular! Ótima gravação, excelente show, no nível do Hammersmith Odeon em 75. Repertório do Darkness on the edge of town, antecipando Sherry Darling do album seguinte, The River.

Esse show tem versões antológicas de Prove it all night e Backstreets, que ganhou novo significado pra mim após ouvir este bootleg. Desde a abertura, com Summertime Blues, até o encerramento, com a dupla matadora Raise your hand e Twist and Shout, é pura adrenalina.

Setlist: Summertime Blues; Badlands; Spirit in the night; Darkness on the edge of town; Factory; The Promise Land; Prove it all night; Racing in the street; Thunder Road; Jungleland; Paradise by the C; Fire; Sherry Darling; Not fade away/Gloria/She’s the one; Growin’ up; Backstreets; Rosalita; 4th of July, Asbury Park; Born to run; Because the night; Raise your hand; Twist & Shout.

♦Bruce Springsteen live in Stockholm, 30 de outubro de 2006.

Show com a Sessions Band, na turnê que culminou no DVD Live in Dublin, e repertório relevantemente distinto. As músicas do Seeger Sessions são basicamente as mesmas do show na Irlanda, mas há muitas diferenças no repertório próprio adaptado para a musicalidade folk, como The Ghost of Tom Joad, uma transmutada The River, uma irreconhecível You can look but better not touch, e Fire, raridade também presente no show de 78.

Além de tudo, da empolgação do público sueco, o som tá impecável!

Setlist: Atlantic City; John Henry; Old Dan Tucker; Further on up the road; Jesse James; O Mary don’t you weep; Growin’ up; Jesus was an only son; Eire Canal; My Oklahoma Home; Love of the common people; The Ghost of Tom Joad; Mrs. McGrath; How can a poor man stand such times and live; Jacob’s Ladder; Long time comin’; Open all night; Pay me my money down; The River; You can look but better not touch; When the Saints go marching in; This little light of mine; American Land; Fire; Land of hope and dreams.

♦ Eric Clapton – Bottom Dollar: Santa Monica, 11 de fevereiro de 1978.

Um conhecido bootleg de Eric Clapton no Civic Auditorium. E não é por menos: o som é ótimo e o repertório impecável, com ótimas performances.

Setlist: Peaches and Diesel; Wonderful tonight; Lay Down Sally; Next time tou see her; The Core; We’re all the way; Rodeo Man; Fool’s Paradise; Cocaine; Badge; Double Trouble; Nobody knows you when you’re down and out; Let it rain; Knockin’ on Heaven’s Door; Last Night; Goin’ down slow; Layla; Bottle of red wine; You’ll never walk alone.

♦ Travis in Hamburg, 16 de novembro de 2003.

Tenho os dois discos básicos da banda, mas após esse simpático show na Alemanha devo voltar a investir neles.

Setlist: Happy to hang around; Re-offender; Writing to reach you; Pipe Dreams; Quicksand; Sing; Love will come through; Side; As you are; Driftwood; Somewhere else; Turn; The Humpty Dumpty Love Song; Why does it always rain on me.

Não fazem parte do mesmo pacote, mas também me fizeram boa companhia nesses tempos difíceis:

♦ Pearl Jam na Apoteose, Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 2005.

Não é porque o show foi no Rio e eu estava lá… Havia de fato magia no ar. Esse show é antológico, como o do Franz Ferdinand no Circo Voador e do Echo & the Bunnymen no Canecão.

Setlist: Last Exit; Do the evolution; Save you; Animal; Insignificance; Corduroy; Dissident; Even flow; Leatherman; Given to fly; Daughter; Don’t gimme no lip; Not for you; Small Town; Down, Once; Go; Soon forget; Better man; I believe in miracles; Blood; Kick out the Jams; Alive; Last Kiss; Black; Jeremy; Yellow Ledbetter; Baba O’Riley.

♦ Peal Jam em Paris, 11 de setembro de 2006.

Os parisienses devem ter sentido algo parecido com os cariocas, pois só de escutar esse bootleg é possível sentir uma vibração especial, aquele dia em que tudo parece dar certo sobre o palco. Em 2006 eles já engrenavam a turnê do disco do abacate.

Setlist: Corduroy; Animal; Last Exit; Save you; World wide suicide; Dissident; Unemployable; Marker in the sand; Daughter; Half full; Thumbing my way; Even flow; You are; Love Boat Captain; Lukin; Not for you; Black; Life wasted; You’ve got to hide your love away; Parachutes; Better man; Rearviewmirror; Go; Do the evolution; Alive; Rockin’ in the free world; Yellow Ledbetter.

♦ U2, Chicago, Rosemont Horizon, 29 de abril de 1987.

Um dos mais eletrizantes bootlegs do U2. Cada turnê tem seu boot especial. Da Joshua Tree provavelmente é esse, ainda que os de Wembley, Denver e outro em Chicago (em outubro) mereçam toda a atenção.

Setlist: Where the streets have no name; I will follow; Trip through your wires; I still haven’t found what I’m looking for; MLK; The Unforgettable Fire; Bullet the Blue Sky; Running to stand still; Exit; In God’s Country; Sunday Bloody Sunday; Bad; October; Springhill mining disaster; New Year’s Day; Pride; Mothers of the Dissappeared; With or without you; Gloria; ’40.

Top 20 – 1990/1999 (7ª parte)

24/01/2012

E 1991 foi o ano do grunge. Mas devo dizer que nos primeiros anos da década me encontrava bastante refratário às novidades, de forma que as bandas de Seattle demoraram pra entrar no meu radar. Os dois álbuns desse capítulo não estariam nesse Top 20 se eu seguisse exclusivamente meu gosto pessoal. Provavelmente o disco do Nirvana não emplacaria o Top 30 e o do Pearl Jam teria ficado entre os 5 últimos que tive grande dificuldade de tirar. Entretanto, é nesse momento que a importância histórica se sobrepõe. Mas cada um dos discos percorreu caminhos distintos para estarem aqui.

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Ten (1991), Pearl Jam.

Quando escrevi sobre o Yield, comentei em que ponto e como o Pearl Jam entrou na minha vida. Pois bem, Ten demorou um pouco mais. Em primeira audição, apenas Even Flow havia me cativado. Alive, apenas ao vivo, inicialmente na versão do Unplugged MTV. Fui reparar em Black no lançamento da coletânea ao vivo Live on Two Legs (1998).

Jeremy nunca esteve entre minhas favoritas. Sempre tive a impressão que a fama era mais devida ao vídeo do que à música em si. Fui cair de amores só no show de 2011, na Apoteose, em versão apoteótica (sem trocadilho). Mesmo assim, continuo preferindo Oceans, Once e Why Go.

O disco sempre me pareceu sofrer da síndrome “lado A/lado B”, muito comum na era do vinil. No Top 20 de 2000/2009, isso não foi obstáculo pra entrar na listagem. Já na concorrida década de 90, só mesmo tendo um borogodó.

O disco de estréia do Pearl Jam nunca foi de frequentar muito meu cd player. Após alguns anos fui reparar a razão: ele estava em praticamente todos os álbuns ao vivo da minha coleção. Fenômeno semelhante ocorria com o Vs., de forma que ficava difícil sentir saudades de escutá-los.

Tive que fazer o caminho inverso, do show ao estúdio, pra me dar conta que o álbum não podia ficar de fora desse Top 20.

A apoteose de Alive no Rio de Janeiro em 2005 (dessa vez com trocadilho), um momento transcendental na minha vida.

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Nevermind (1991), Nirvana.

Com Nevermind, segundo disco do Nirvana, a história foi bem diferente. Meu primeiro cd do Nirvana foi tardio, o Unplugged MTV. Mas, apesar da minha resistência às músicas novas da época, não fiquei imune a Smell like teen spirit.

Mas por que eu tinha essa implicância? Na virada dos 80 pros 90, a imprensa musical e até mesmo alguns artistas, como Lulu Santos, entraram numas de querer enterrar o rock’n’roll. Lulu falava do sambapopbalanço. Lá fora, Pet Shop Boys eram o som do futuro: o pop eletrônico. Mesmo o recém lançado Achtung Baby do U2 parecia reforçar essa impressão: “Viram? Até a maior banda do rock voltou–se para o pop e para a eletrônica!”

Não adiantava chamar a atenção para o fenômeno Guns’n’Roses. O argumento era que a banda de Axl Rose fazia um som de época, o mesmo dos Rolling Stones e do Aerosmith. Não havia novidade, o rock estava parado no tempo. Sobreviveria apenas como gueto mercadológico, assim como o rock progressivo, o heavy metal e o tango.

Então, eu meio que me desconectei das revistas, das rádios, e pegava aquilo que o vento jogava na minha cara (o vento, em muitos casos, era meu primo Sérgio Erse, que não abraçou o grunge, mas me gravou umas fitas preciosas de rock britânico). E, mesmo assim, com muito pé atrás, com uma postura excessivamente crítica (mais ou menos como eu era lá por meados dos anos 80).

Então todos nós vimos e ouvimos aquele vídeo do Kurt Cobain arremessando, com a garganta, a alma conta a parede. Lembro de um debate sobre a música em plena pista de dança da Dr. Smith. E a indústria do disco nunca mais foi a mesma.

Lembro de uma entrevista recente com os Pet Shop Boys contando como foram chutados do topo das paradas para o limbo pelo fenômeno grunge. Lembrou-me muito das declarações dos grupos vocais americanos dos anos 60 comentando sobre a invasão britânica.

Sempre quando alguém tenta dar uma de Cassandra sobre o fim do rock, lembro-me daquela época e sorrio.

Aqui, o vídeo de Smell like teen spirit.

Top 20 – 1990/1999 (1ª parte)

19/12/2011

Começando mais um Top of Tops, desta vez analisando o período 1990/1999, me surpreendeu a dificuldade de fechar uma lista com apenas 20 álbuns. Chegar até 25 foi um sufoco. E, por uns três dias, dei a lista como terminada. Então tomei coragem e cortei os 5 que faltavam.

Como o ano de 1999 não emplacou nenhum disco na lista (mas teve candidates fortes), iniciarei esta jornada a partir de 1998.

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Yield (1998), Pearl Jam.

Devido a uma namorada fã da banda, fui me aproximar finalmente do Pearl Jam após o Vitalogy. No Code foi o primeiro lançamento que eu acompanhei. Ela me fez preencher vários cupons que sorteavam pessoas para assistir à estréia da turnê em Miami. Mas Yield foi o primeiro disco deles que me deixou encantado, apaixonado, vibrando. Tirando a faixa Push me, Pull me, o disco me agrada de cabo a rabo, incluindo o instrumental mezzo cigano mezzo árabe (Hummus) muitos minutos após terminar a ótima All those yesterdays, na mesma faixa.

Nesse disco, Vedder botou todo mundo para compor, o que passou a ser o comum na banda a partir de então. Se a correta Brain J não chega a ser uma grande música de abertura, Faithfull, Wishlist, MFC, Low Light e In hiding garantem que este seja o meu disco favorito do Pearl Jam (ao contrário da imensa maioria dos fãs, que devem preferir Ten).

Do the evolution, a faixa punk que ganhou um clipe de animação feito por Todd McFarlane (pra quem curte HQs, dispensa apresentações; pra quem não curte, irrelevante explicar de quem se trata), virou faixa praticamente obrigatória nos shows, levando a platéia ao delírio. A minha música favorita deles no estilo “porrada”.

Por fim (do texto, não do disco), Given to fly é uma daquelas canções que te levam a uma outra dimensão, outro grau de existência. Quando a música leva a alma para um distante passeio e o faz retornar, ainda zonzo, no breve intervalo para a próxima canção. Talvez o melhor retrato disso seja a tradutora para linguagem de surdo-mudo dançando sobre o palco e “traduzindo” a canção no DVD Touring Band 2000, aqui.

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Hey-na-na! (1998), Paralamas do Sucesso.

Os Paralamas do Sucesso são conhecidos como uma das grandes bandas brasileiras surgidas nos anos 80. Dessas bandas, todas tiveram seus maiores hits lançados naquela década, e os Paralamas não fogem à regra. Entretanto, o que fizeram nos anos 90 supera em todos os níveis o feito alcançado na década anterior; particularmente a qualidade instrumental e a produção dos discos.

Hey-na-na! é, para mim, o auge do período, onde as misturas de rock, música latina e música brasileira se fundem, guiadas por poderosos solos de guitarra. Herbert Vianna, sempre econômico em solos nos 80, decidiu se deixar levar nos 90.

Em Por sempre andar e Depois da queda o coice, Hendrix encontra Gil, James Brown encontra Carlinhos Brown. Marisa Monte dá um pouco de qualidade à não muito inspirada O amor pode esperar, enquanto Jorge Mautner contribui com sua irreverência na parceria entre Paralamas e Chico Science, Scream Poetry.

Herbert canta a passagem do tempo em O Trem da Juventude e, em Santorini Blues, retrata um lugar onde ele parece não passar. Na experimental e viajante Brasília 5:31, ele faz uma bela crônica do cotidiano de viagens e hotéis (Quartos de hotel são iguais/Dias são iguais/Os aviões são iguais/Meninas iguais/Não há muito o que falar sobre o dia).

Enquanto Um dia em Provença talvez seja a canção mais irrelevante do disco, o grande hit do álbum é Ela disse adeus, que junta uma irresistível levada dançante com um arranjo sofisticado e uma letra afiadíssima (Lágrimas por ninguém/Só porque é triste o fim/Outro amor se acabou).

Mas o melhor, para mim, é a versão (fidedigna) de uma canção da banda de rock progressivo argentina Serú Girán, Viernes 3 AM. Tanto a versão original quanto a do Unplugged MTV da carreira solo de Charly García são ótimas, mas a dos Paralamas conseguiu superar as duas. Herbert toca o fino em um solo reforçado pelo vocal de Cecilia Spyer, dando um toque de The Great Gig in the Sky. E João Barone soa mais roquenroll do que nunca na bateria.

É claro que a inspirada letra sobre suicídio de García, muito bem traduzida por Herbert, contribui essencialmente para esses épicos 4:37min (A febre de um sábado azul/E um domingo sem tristezas/Te esquiva do teu próprio coração/E destrói tuas certezas/E em tua voz só um pálido adeus). O resto da letra você confere aqui.

Top 20 – 2000/2009 (10ª parte – Final)

10/12/2011

Binaural (2000), Pearl Jam.

Depois de Yield, todos os discos lançados pelo Pearl Jam foram de lenta digestão pra mim. Acho que levou um par de anos pra começar a dar o devido valor ao Binaural, já após o lançamento de Riot Act, quando fui gravar um CD da banda pra um amigo.

Parte disso se deve a mudanças bruscas de climas ao longo do álbum. Ele se inicia com 3 músicas pesadas, sendo Breakerfall, a faixa de abertura, a minha favorita da série. Depois eles vão se aprofundando cada vez mais em sons viajantes e heterogêneos, o que não torna a audição do disco das mais fáceis.

Se Light Years e Thin Air são mais palatáveis, Nothing as it seems e Parting Ways exigem mais atenção do ouvinte. Na belíssima Soon Forget, Eddie Vedder surpreende com seu novo brinquedinho, o ukelele. E Of the girl, de Stone Gossard, é uma das minhas preferidas, mas fica um pouco perdida no meio do disco. É uma canção que renderia melhor abrindo o disco, como ficou provado no CD ao vivo Benaroya Hall.

Alguns take out foram incluídos na coletânea Lost Dogs, entre eles, Fatal, uma bela música que, inexplicavelmente, ficou de fora. Até porque a sonoridade e o clima sombrio combinam com o álbum.

Binaural marcou a estréia de Matt Cameron, ex-Soundgarden. O baterista se encaixou tão bem no grupo que, hoje, é como se ele estivesse estado lá desde Ten.

O título, por sua vez, refere-se a uma técnica de gravação utilizada em 5 faixas, que cria uma espécie de som 3-D. Parece que a melhor forma de aproveitar esse efeito é por meio de headphone (mas não com mp3), o que, curiosamente, nunca experimentei.

A tour do disco foi registrada no excelente DVD Touring Band 2000, que mostra a banda em ação em diversas cidades americanas. Foi nessa mesma oportunidade que o Pearl Jam lançou a idéia dos bootlegs oficiais pra combater a pirataria mercenária, irrigando o mercado com mais de 70 álbuns ao vivo, dos quais tenho apenas o Live at Wembley, fácil de encontrar no Brasil.

Of the Girl abrindo o show de 15/7/2006, em San Francisco.

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American Recordings III – Solitary Man (2000), Johnny Cash.

Fazer uma lista de quem Rick Rubin produziu nos últimos 30 anos é quase um resumo da história do rock. Mas o produtor já garantiria sua relevância apenas por ser responsável pela série American Recordings com Johnny Cash. O encontro rendeu 6 álbuns, sendo dois deles póstumos.

As gravações misturam composições de Cash com diversos covers, nem todos de country e folk. Em The Man Comes Around, IV volume, a faixa título talvez seja a melhor canção inédita do compositor na série. E Hurt, do Nine Inch Nails, o melhor cover. As versões de I Hung my head (Sting) e Personal Jesus (Depeche Mode) também estão excelentes, mas nas versões de Desperado (Eagles), In my life (Beatles) e Bridge over troubled water (Simon & Garfunkel), esta com participação de Fiona Apple, não conseguem ir além de simples covers, sem agregar valor à música original ou imprimir identidade própria à canção, como fez em Hurt e Further on (up the road), de Bruce Springsteen, no V volume.

Assim, acabei optando pelo III volume, Solitary Man, para marcar os discos da coleção lançados nessa década. O álbum conta com um cover de One, do U2, que, se não chega a ser inesquecível, impressiona por dar identidade própria a uma canção mais do que badalada (e quem fala isso é um fã de U2!), e de The Mercy Seat, do Nick Cave. Há também participação da esposa, June Carter, Tom Petty e Sheryl Crow.

Os três álbuns lançados no período 2000/2009 são excelentes, mas creio que o III volume mantém o mesmo alto padrão da primeira à última faixa.

Versão de One, aqui.

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All that you can’t leave behind (2000), U2.

Lançado no final de 2000, All that you can’t leave behind marca o retorno do U2 ao topo do pop/rock internacional, depois de esticar demais a corda do experimentalismo nos anos 90. Àquela altura, muitos não acreditavam na volta por cima dos irlandeses, após o péssimo início da Popmart Tour, com estádios pela metade, o relativo fracasso do Pop, e a ausência de um single de sucesso, além de sérios problemas de voz enfrentados por Bono e o início de seu ativismo político.

De fato, quem, em sã consciência, iria dizer que uma banda, aos 20 anos de carreira, seria capaz de lançar uma obra-prima, ficando atrás “apenas” de Joshua Tree e Achtung Baby, dois dos melhores álbuns de rock de todos os tempos?

O segredo da banda foi aplicar o experimentalismo dos anos 90 na riqueza melódica dos anos 80. O resultado foi uma música de alta qualidade, extremamente radiofônica, com letras muito bem trabalhadas por um determinado Bono disposto a recuperar o posto de “melhor banda do mundo”.

O início do disco, que ganhou 7 Grammy Awards, emplacou 4 singles de imenso sucesso: Beautiful Day, Stuck in a moment you can’t get out of (dedicada a Michael Hutchence, do INXS, que havia se suicidado), Elevation (cuja versão na trilha sonora de Lara Croft: Tomb Raider é a melhor de todas) e Walk on (dedicada à birmanesa Aung San Suu Kyi), que dá o título ao disco e sempre me remete ao clássico de Frank Capra, Do mundo nada se leva (You can’t take it with you).

Qualquer disco que emende quatro sucessos desse calibre já garantiria seu lugar no Olimpo fonográfico, mas não para por o U2. A 5ª faixa, Kite, é uma das melhores letras já escritas por Bono (com auxílio de The Edge), sobre relação pai e filho. Em seguida, In a little while, com a voz de ressaca de Bono (literalmente), é uma irresistível balada de amor que Joey Ramone pediu pra escutar antes de morrer.

Qualquer artista ficaria feliz em poder ter 6 músicas dessas em um Greatest Hits. O U2 consegui tê-las em um único disco, o décimo da carreira.

All that you can’t leave behind sofre um pouco da síndrome Lado A/Lado B. A sua sequência fica bem aquém da 1ª metade. A comparação realmente prejudica. Wild Honey é uma balada gostosa e despretensiosa, mas nada marcante. Peace on Earth tem uma ironia interessante, mas parece atingir o clímax muitos antes de terminar. When I look at the world atinge ótimos momentos, mas não possui o mesmo acabamento das anteriores. New York não passa de uma faixa interessante que não empolga. Encerrando, Grace, uma faixa desprezada pela maioria dos fãs, mas cuja delicadeza da letra e do riff muito me agrada.

E pensar que a banda queria ter incluído no álbum a ótima The Ground Beneath Her Feet, do filme Million Dollar Hotel, mas os produtores acharam que a proximidade com o lançamento da trilha sonora seria prejudicial, e acabou saindo apenas como bonus track no Japão, Austrália e Reino Unido.

A Elevation Tour, que não veio ao Brasil (infelizmente), marcou um recuo cenográfico da banda em relação à grandiosidade da Zoo TV Tour e da Popmart, retomada recentemente na 360° Tour. E ganhou dois excelentes registros em DVD: Live in Boston e Go Home: Live from Slane Castle, o meu DVD preferido do U2, gravado uma semana após o falecimento de Bob Hewson, pai do Bono.

Kite ao vivo em Slane Castle.

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Gostaria de agradecer a Amy Winehouse, Andres Calamaro, Beck, Belle & Sebastian, Ben Harper, Bob Dylan, Dave Mathews, Diana Krall, Green Day, Madeleine Peyroux, Morrissey, PJ Harvey, Regina Spektor, ao casal John Ulhoa e Fernanda Takai (com ou sem o Pato Fu) e a Anneke van Giersbergen (seja em qual banda for) por terem feito esta década discograficamente mais interessante.

Agora terei de me virar pra fechar a lista de 1990/1999.