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Queen, a Biografia.

05/11/2016
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A Verdadeira História do Queen (2010), Mark Blake. Edição brasileira, Seoman, 2015.

Quando comprei A Verdadeira História do Queen, foi uma decisão de momento. Estava comprando outros dois livros e, de repente, vi a biografia, que eu nem sabia que existia, sobre o balcão. Como bom fã, de impulso, passei mão na edição e incluí na compra. Só quando cheguei em casa é que pude parar para analisá-lo melhor. Se tivesse feito isso na loja, talvez não o tivesse comprado. Mas ainda bem que comprei.

Ao folhear aleatoriamente suas páginas, achei a tradução um pouco esquisita, com escolhas estranhas. Fui verificar o nome do tradutor e me assustei em não encontrá-lo. Pensei logo numa tradução via Google translator ou numa versão revisada de uma edição portuguesa. Contudo, ao pegar o livro pra ler muitos meses depois, achei a leitura tranquila. Alarme falso (além de ter realmente umas escolhas de termos e formas pouco usuais).

De cara, o título “A Verdadeira História” soa um tanto arrogante, com cara de tabloide britânico. Justiça seja feita ao autor, o título em inglês soa um pouco menos pomposo: Is this the real life? The untold story of Queen. Parece não só que vai contar algo que ninguém mais contou como irá fazer uma série de revelações bombásticas. Nada disso. O subtítulo na capa da edição brasileira só piora as coisas: “os bastidores e os segredos de uma das maiores bandas de todos os tempos”. Tirando a passagem em que Peter Gabriel chama Roger Taylor para ser o baterista do Genesis, antes de convidar Phil Collins, e saber que John Deacon teve seis filhos com a mesma mulher, nenhum outro “segredo” me fez levantar da cadeira. Quanto aos bastidores, ora, toda biografia de um artista visa os bastidores, ou não seria uma biografia, mas uma análise da obra.

A primeira metade do livro é o grande destaque, a que vale a leitura e o dinheiro e tempo gastos. Não que a outra metade seja ruim, mas soa mais como uma compilação jornalística da carreira da banda e de seus integrantes, recorrendo a livros já publicados e a inúmeras entrevistas em rádio, jornal, revista e TV, com algumas entrevistas originais ligando os pontos e preenchendo algumas lacunas.

É mais difícil penetrar nos bastidores de uma banda já famosa, que se torna mais refratária à invasividade da mídia. Seus integrantes transitam em círculos mais fechados, os amigos mais próximos ficam mais precavidos. Nos primórdios, entretanto, as coisas não são assim tão controladas. E o mérito de Mark Blake, que tem as revistas Mojo e Q no currículo, além de livros sobre Pink Floyd, Bob Dylan e Keith Richards, foi justamente encontrar as pessoas que conviveram com Freddie Mercury, Brian May, Roger Taylor e até mesmo John Deacon muito antes da banda fazer seu primeiro ensaio. Um amigo de Fred de Zanzibar, por exemplo, só soube que o velho amigo de escola havia se tornado um astro de rock cinco ano após a sua morte, mesmo morando nos EUA. Ele explica quem sempre foi ligado ao jazz.

Assim sendo, as primeiras 238 páginas do livro, que vai desde o nascimento de Farrokh Bulsara até a turnê americana de A Night at the Opera, na esteira do sucesso de Bohemian Rhapsody, é um belo trabalho de jornalismo. Blake conseguiu entrevistar dezenas de pessoas e construir um mosaico que contasse uma historia linear, coerente e interessante. Brian e Roger não parecem ter dado entrevistas ao autor para a biografia propriamente, mas para as revistas, de forma que não são eles que conduzem a narrativa. Porém, a participação deles certamente concede uma aura de oficialidade a toda a obra. Portanto, não temos uma visão “de dentro” do Queen, até porque isso seria impossível diante das reservas de Fred quanto a sua vida pessoal e familiar, a ponto de até mesmo seus companheiros de banda não o conhecerem tão intimamente. Mas é possível ter uma visão de como eram vistos no meio social em que viviam, uma verdadeira narrativa em terceiras pessoas.

A vida de Fred em Zanzibar e no internato na Índia certamente é mais eletrizante que a tranquila infância de Brian em Londres ou as aventuras musicais de Roger na Cornualha. Mesmo assim, dá-se o mesmo peso a cada uma delas. Essas narrativas iniciais seguem até o momento em que os três começam a frequentar o mesmo circuito de pubs e shows nos subúrbios de Londres. Já John Deacon, que foi o quatro baixista do Queen, é quase um fantasma nessa história, aparecendo muito depois, e sempre nos limites de sua discrição e timidez.

O que se vê em seguida é uma divertida descrição do circuito musical da Londres da segunda metade dos anos 60, como viviam os aspirantes a rockstar, a contracultura, a penúria, as influências musicais. Fred ajudando um iniciante David Bowie a empurrar mesas pra construir um palco improvisado em uma escola. Os futuros astros babando no gargarejo das apresentações de Jimi Hendrix e do Cream. A série de formações, troca de bandas, excursões furadas. A luta para compor material próprio.

Brian e Roger logo se juntaram e sempre estiveram às voltas com grupos musicais. Já Fred Bulsara parecia o mais improvável a se tornar uma lenda viva do rock, embora dissesse a todos que um dia se tornaria um grande astro enquanto tocava sua barraquinha hippie em Kensington junto com Roger.

Nesta parte do livro, é muito comum citações a frases que Fred teria dito, dando uma noção de seu jeito e maneirismos. Em cada uma dessas cenas, vinha a minha mente não a figura de Mercury, mas a do ator que interpreta Felix em Orphan Black, Jordan Gavaris. Este seria o melhor intérprete do jovem Fred Bulsara.

É justamente esse período formativo do artista que gera os melhores filmes. Não só pelo desafio, pelos obstáculos a serem transpostos, mas também pelo material mais desabrido, menos controlado e estudado. Ainda que alguns pontos de uma carreira consolidada possam render boas narrativas, como a morte de Mercury, geralmente é difícil contar uma boa história coesa e com bom ritmo do início ao fim. Por isso um Backbeat (a história dos Beatles com Stuart Sutcliffe) rende melhor do que o filme que conta tooooda a vida de Chaplin; assim como aquele que narra os tempos de Renato Russo em Brasília é mais vibrante que a narrativa picotada sobre Cazuza.

Das gravações de A Day at the Races em diante, o livro se assemelha a uma gigantesca (e boa) matéria especial de revista. Bastante detalhada, mas com poucos momentos palpitantes. Exceto, talvez pela doença de Mercury, a primeira turnê sulamericana (se a passagem pelo Brasil em 1981 fez eu me sentir constrangido, logo o sentimento foi superado pela aterradora turnê no México) e o show no Live-Aid. Aliás, a introdução do livro é o Live-Aid.

Inicialmente, achei estranha a opção do autor. Mas, no decorrer da leitura, passa a fazer sentido. Desde The Game, mais especificamente o single Crazy little thing called love, que fez a banda finalmente acontecer nos EUA e, consequentemente, na América Latina (de fato, eu e meus irmãos só viemos a tomar conhecimento da banda a partir daquele cara que “imitava Elvis” no rádio), que a banda se mantinha na ativa no embalo de sucessos imprevistos. A má recepção de Hot Space e as confusões na turnê americana (que foi a última nos EUA) levaram a banda ao limite. Talvez uma motivação estilo Abbey Road (“vamos parar deixando uma boa imagem”) levou ao The Works, cujo sucesso os colocou na estrada novamente. No final da turnês, o plano era ficarem cinco anos dedicados a projetos solos. Mas aí veio o convite para o Live-Aid… O resultado foi mais impactante do que o salto do Bono em Bad (o próprio autor classifica esse momento do U2 como o único de todo o espetáculo, tanto em Londres quanto na Filadélfia capaz de rivalizar com o esmagador sucesso da apresentação do Queen).

Pelo menos daqui, do meu ponto de vista tupiniquim, eu sempre vi o Queen como uma das grandes bandas da história do rock. Mas o que se nota é que sua relação com a crítica musical chegou a ser tão áspera quanto a de Roberto Carlos nos anos 80. Principalmente nos EUA, onde a boa vontade se limitou ao disco de estreia e ao The Game. Na Inglaterra, ainda que às turras, a mídia não podia ignorar o grande sucesso da banda. Havia, claro, o surgimento do punk (que Mercury confessava não entender) e a new wave, sendo o Queen associado aos dinossauros virtuoses dos anos 70. Mas talvez todo esse “nariz virado” se deva mais ao comportamento de Freddie Mercury, que realmente não fazia a menor questão de ser simpático com quem quer que seja, fosse a imprensa, o pessoal da produção, os músicos de abertura ou mesmo o público.

Curiosamente, se externamente Freddie era a personalidade mais difícil da banda (e Brian o bom moço), dentro do estúdio ele era o diplomata, a pessoa que conseguia contornar os atritos entre os demais integrantes da banda e fazer o trabalho fluir. Na hora de trabalhar, não havia divas ou celebridades (Roger adorava a vida de rockstar), todos trabalhavam duro.

Um dos méritos do livro é não acabar com a morte de Mercury. Ele segue em frente com a vida de Brian e Roger (e, quando possível, a de John), suas carreiras, a vida privada e o retorno com Paul Rodgers. Ainda que isso soe como um arrastado anticlímax, como em O Senhor dos Anéis após a destruição do anel.

Mas uma coisa realmente me incomodou no livro, uma falha básica de informação: dizer que o Queen abriu e encerrou o Rock in Rio. Quem encerrou foi o Yes. A segunda apresentação do Queen ocorreu duas noites antes. Se Blake foi capaz deste pequeno deslize, quantos mais não terá cometido?

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Queens

02/11/2016
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Queen (1973).

É fácil para um fã brasileiro do Queen imediatamente notar uma discrepância na qualidade do som da banda entre os dois primeiros álbuns e aqueles que fizeram a fama do grupo inglês. Confesso que dois primeiros e os dois últimos foram muito pouco ouvidos por mim. Só perdem pro Hot Space, que ouvi apenas uma vez na casa de um amigo, ainda na adolescência, para nunca mais. É o único da banda que eu não tenho.

Ao ler a biografia do Queen, uma nova perspectiva se abriu para apreciar Queen e Queen II (um título pobre, conforme o próprio Brian May). Ao saber que eles tiveram de gravar seu primeiro álbum em 1972 (lançado apenas em 1973) nas horas vagas do Trident Studios, o que significava ficar de bobeira no bairro esperando um ok da produção, é possível perdoar a baixa qualidade das faixas. A própria banda ficou bastante insatisfeita com o resultado final. Há um nítido salto de qualidade no som para o segundo álbum, Queen II, lançado em 1974, mas gravado em 1973.

A demora no lançamento do álbum de estreia fez com que o grupo já o visse como um registro ultrapassado, pois eles já estavam se debruçando sobre as músicas do segundo. Tristes também pela demora em lançar um álbum tê-los colocado na esteira do glam rock, quando o som que produziam era anterior ao boom do estilo.

O som do Queen se define em Sheer Heart Attack, o terceiro álbum, mas é possível identificá-lo desde o seu début. Porém, é natural que este estivesse ainda muito contaminado pelas influências de cada membro da banda, que nem eram tão díspares assim. É difícil imaginar Freddie Mercury obcecado por Jimi Hendrix, mas este foi um fator de conexão com Brian May e Roger Taylor, de cuja banda, Smiles, o então Fred Bulsara era fã e até mesmo chegou a trabalhar de roadie. Na lista de influências ainda constam Beatles, Cream, Led Zeppelin e The Who. Exceto pelo quarteto de Liverpool, é possível perceber um pouco de cada banda no som inicial do Queen.

Antes mesmo de se juntarem, Fred (no Ibex), Brian e Roger (no Smiles) já experimentavam composições complexas, inspiradas no psicodelismo, juntando passagens musicais bastantes distintas em uma mesma canção, o que caracterizou a produção do grupo nos anos 70.

É curioso notar que o irregular álbum de estreia do Queen agradou mais à crítica americana do que à inglesa. Entretanto, no segundo, a situação se inverteu. A imprensa americana não se deu nada bem com o estilo desafiador e impertinente de Freddie Mercury, o que fez, posteriormente, a banda vetar as turnês norte-americanas depois de Hot Space. A crítica musical inglesa também não morria de amores por eles, mas tiveram de se curvar aos fãs e ao estrondoso sucesso de Bohemian Rhapsody.

Se os americanos viram frescor e inventividade em Queen, em Queen II enxergaram um disco pretensioso. De fato, o álbum divido entre lado Branco (composto quase todo por May, com uma faixa de Taylor) e Negro (composto por Mercury) permite tanto a leitura favorável da imprensa inglesa, particularmente pelas composições de May, quanto os ataques norte-americanos, pelos exageros conceituais de Mercury.

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Queen II (1974).

Dentro de uma perspectiva histórica, por assim dizer, qualquer deslize é perdoável em uma banda que procurava acertar seu som. Porém, só quem viveu a época pode realmente dizer como foi e o que significou ouvir Queen pela primeira vez dentro daquele contexto musical. A biografia, de certa forma, ajuda a ter uma vaga ideia. E os álbuns ganham muito com isso.

Até a capa mambembe de Queen se torna perdoável, elaborada pelo próprio Mercury, que inclusive desenhou a logo, assim como, futuramente, as capas de A Night at the Opera e A Day at the Races.

Independentemente de desacertos e falhas de produção, seus músicos buscavam, desde o início, fazer algo diferente. Ainda que lançassem mão de ideias dos grupos que os influenciavam, elas eram aproveitadas de forma original. No estúdio, procuravam levar as possibilidades técnicas de gravação a um outro patamar. Sem ganhar um puto devido a um contrato pra lá de espartano, eram tremendamente profissionais e determinados nas gravações, bastante seguros do que queriam fazer e quase impermeáveis a interferências externas.

É normal que o repertório posterior acabasse relegando as faixas desses dois álbuns ao esquecimento, com exceção de um par de canções, mas foi um prazer revisitá-los com novos ouvidos.

Do primeiro álbum, Keep yourself alive foi um hit imediato e eterno, mas, das outras, só Liar foi revisitada. Great King Rat e My Fairy King foram canções que agradaram bastante na época. Doing all right tem a curiosidade de ser uma composição da época do Smiles. Mas o rock básico de Taylor, Modern times rock’n’roll, e Son and Daughter também têm seus encantos.

No segundo, Father to Son foi uma música que persistiu por algumas turnês, mas as outras faixas de May, White Queen (as it began) e Some day one day não fariam feio em nenhum show posterior. Já as faixas do lado negro soam bem mais datadas. Mas Mercury acerta na veia em Nevermore, uma curtíssima faixa ao piano, e Seven Seas of Rhye, o principal hit do álbum e a única faixa que sobreviveu ao tempo. Ainda assim, é possível vislumbrar o quanto The March of the Black Queen poderia impressionar positivamente à época.

Top 10 – Coletâneas (parte 1)

13/07/2016

Dou início agora ao Top 10 das melhores coletâneas, incluindo aí bootlegs, caixas e coletâneas ao vivo. Os principal critérios são a relevância e a fluidez do álbum, ou seja, que ele soe bem também como conjunto.

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Queen Greatest Hits

Greatest Hits (1981), Queen.

Depois do álbum duplo vermelho dos Beatles, talvez o Greatest Hits do Queen (quando esta era a única compilação da banda) tenha sido a coletânea mais importante da minha vida. Na época, os únicos discos do Queen lá em casa eram ele e o The Game, adquiridos pelos meus irmãos. Só alguns anos depois eu fui correr atrás dos News of the World, A Night at the Opera, A Day at the Races e o Live Killers, ainda em vinil. O resto da discografia eu só fui ter em CD.

Qualquer um que goste de Queen sabe que eu acabei de citar os melhores álbuns da banda, mas eu já tinha escutado o Greatest Hits tantas e tantas e tantas vezes, que aquelas músicas já tinham entrado em minhas veias como as canções dos Beatles. Não só as músicas, mas também a sequência das faixas.

Assim sendo, era estranho para mim que depois de You’re my best friend não entrasse Don’t stop me now. Ou que Somebody to Love não viesse seguido de Now I’m here. A cada faixa conhecida que eu escutasse no álbum original vinha essa sensação de algo fora do lugar.

Isso se deve, acima de tudo, ao fato de que a coletânea funciona bem como álbum, o que não é algo comum. Geralmente coletâneas contêm grandes músicas, mas não formam um conjunto homogêneo. Não é o caso aqui. Além de ter grandes músicas, o primeiro Greatest Hits (e só poderia haver um) é um grande álbum.

Acima de tudo, o disco nos serviu para voltar a escutar Save me, cuja faixa furou de tanto escutarmos no The Game.

Top 30 – 1970/1979 (3ª parte)

31/05/2013

Não tenho como não falar desses dois álbuns ao mesmo tempo, como se fossem irmãos siameses, o Yin e o Yang, o álbum branco e o álbum preto… O mesmo tipo de ilustração, com fundos opostos, e títulos de filmes dos Irmãos Marx. O primeiro mais progressivo, o segundo mais hard rock.

Após um início tolkiano em dois discos que não empolgaram muito, em seu terceiro disco, Sheer Heart Attack, o Queen começou a dizer a que veio, diversificando estilos e ganhando identidade. Este disco foi um ensaio pra obra prima lançada em 1975, com a fama de ser o disco mais caro já gravado até então.

A Night at the Opera (1975), Queen.

A Night at the Opera (1975), Queen.

A Night at the Opera é daqueles discos históricos que dispensam apresentação. Há duas faixas, Bohemian Rapsody e Prophet’s Song, que justificam a inclusão da banda às vezes no rol de grupos progressivos. Mas, pra mim, o lado mais marcante do Queen são as músicas de “cabaré”, um clima vintage facilmente reconhecido em faixas como Good Company, na qual Brian May canta e toca ukelele (instrumento hoje mais na moda, vide Eddie Vedder e Paul McCartney), Seaside Rendezvous e Lazing on a Sunday Afternoon.

Carregando também no clima retrô, as baladas ’39 e Love of my life (com arranjo de harpa), conduz o álbum para outros caminhos, passando pelas roqueiras Sweet Lady e I’m in love with my car (com o vocal rasgado de Roger Taylor), e o pop delicioso de You’re my best friend.

Talvez a maior proeza da banda seja, num grupo tão distinto de faixas, ter conseguido construir um conjunto final harmônico. O melhor retrato disso está na abertura com a indescritível Death on Two Legs e na épica Bohemian Rapsody, onde eles conseguem passear por vários gêneros em uma única canção.

Diante de tanta diversidade, não é a toa que o Queen é admirado por fãs de vários estilos musicais.

A Day at the Races (1976), Queen.

A Day at the Races (1976), Queen.

Depois de uma obra tão arrebatadora, deve ser difícil encarar a gravação do disco seguinte. Seguir a mesma linha? Tentar superar? Mudar o rumo? Em A Day at the Races, lançado logo no ano seguinte, a opção por seguir o mesmo caminho ficou escancarada no título e na capa. Mas o grupo acertou em continuar apostando na diversidade de estilos, logrando unir continuidade e originalidade.

O álbum abre com a pesada Tie your mother down, que reverbera mais adiante na percussiva White Man. Onde havia ’39, vem a bela Long Away; e onde havia Love of my life, está a arrepiante Take my breath away.

John Deacon substitui You’re my best friend pela romântica e empolgante You and I. Curiosamente, essa música nunca foi tocada ao vivo e tornou-se uma daquelas gemas escondidas da discografia dos grandes artistas.

Já Taylor substitui a crueza pela sutileza em Drowse, uma balada viajante e vocais quase fantasmagóricos.

A substituta de Bohemian Rapsody, estruturalmente falando, é The Millionaire Waltz, que é feliz em evitar o tom épico de sua antecessora, aproximando-se de uma divertida brincadeira musical.

Aquele lado cabaré que eu tanto gosto, contudo, quase não dá muito as caras. Ele aparece em alguns trechos de The Millionaire Waltz  e mesclado no pop/dance de Good old-fashioned lover boy.

O grande hit do álbum foi (e é) Somebody to Love, inspirado na música gospel. A canção tem a complexidade das texturas vocais de Bohemian Rapsody e tornou-se, nos shows, o momento para Freddie Mercury reger a plateia, como fazia em Love of my life.

O disco fecha com Teo Torriate (Let us ling together) uma balada-homenagem aos fãs japoneses.

Entretanto, creio que o álbum não atingiu o mesmo nível do anterior. Se no lado A (coisas da época do vinil) ele consegue atingir o mesmo efeito homogêneo de A Night at the Opera, o lado B soa como apenas uma coleção de (boas) canções.

Dito isso, separando todo o conjunto em 4 partes (os lados dos vinis), o lado A de A Day at the Races talvez tenha sido o que mais frequentou o meu toca-discos.

Queen no Rock in Rio

02/05/2010

Entrei nas Lojas Americanas neste feriado do trabalhador e a primeira coisa que vi foi um DVD do Queen, ao vivo. Qual seria? Pra minha surpresa: O SHOW DO ROCK IN RIO!!! Claro que comprei!

Eu tinha quase tudo em betamax, mas o beta lá de casa morreu faz tempo. Sempre sonhei que, um dia, iam colocar esse material disponível. Mas não foi bem assim. A fita é daquelas coisas nebulosas que você quase só encontra na LA: a capa, uma foto do Live Magic; o vídeo, uma gravação de TV bem lavada e escura, com a imagem levemente “achatada”, mas bem melhor que o piratão da transmissão da Band do show do Morumbi. A duração, 60 minutos cravados, sugere um especial feito por alguma TV estrangeira, pois a edição estava muito boa. Infelizmente, ficou de fora muuuito material, como todas as música do The Game que eles tocaram, o cover de Jailhouse Rock, e o melhor momento do show: Somebody to Love. E na capa ainda está a data errada: 12, em vez de 11 de janeiro de 1985. Eu fui no show do dia 18.

Mas o som está muito bom. Dá pra sentir bem a vibração do público. Deu pra emocionar. Enfim, vale o registro.