Archive for the ‘REM’ category

Top 20 – 1980/1989 (4ª parte)

05/03/2012

The Queen is Dead (1986)m The Smiths.

Nos anos 80, não gostava muito de The Smiths. Enquanto na Inglaterra a turma se dividia entre U2 e Echo & The Bunnymen, no Brasil parecia se dividir entre U2 e The Smiths. Talvez os fãs da banda não se conformassem com o fato do U2 ser visto como a maior banda dos anos 80 em vez de Morrissey, Marr e Cia.

No finado Jornal do Brasil, havia um colunista (demitido após enraivecer os fãs de rock progressivo), fã de Smiths, que conseguiu a proeza de detonar até mesmo o Joshua Tree. Talvez eu deva a ele, Luiz Carlos Mansur, a implicância inicial. Vai também o fato de que a sonoridade é um pouco repetitiva.

Só quando saiu o ao vivo Rank é que eu comecei a me ligar na banda, pois ali a sonoridade mudava um pouco, ganhava mais peso. O resultado é que hoje tenho todos os LPs originais da banda (optando pelo americano Louder than bombs no lugar do inglês The World won’t listen).

Ainda que Meat is Murder seja um puta disco e a tentativa de mudar a sonoridade em Strangeway, here we comes (último álbum inédito da banda) me encante, The Queeen is Dead é de fato meu preferido.

De 10 faixas, 7 são simplesmente sensacionais, ainda que prefira muito mais a versão do Rank de Vicar in Tutu. Entre elas, minha preferida: The boy with the thorn in his side.

E, de quebra, tinha uma fita pirata com o show da Legião Urbana no Maracanãzinho, em julho de 88, onde o Renato Russo canta a letra inteira de Bigmouth Strikes Again no meio de Que país é esse?

Vicar in Tutu ao vivo em 86 (versão do Rank).

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Lifes Rich Pageant (1986), REM.

Se alguém me perguntasse, antes de começar essa série de Tops, qual o meu disco preferido do REM nos anos 80, provavelmente eu responderia Reckoning ou talvez Green. Mas, como eu disse ao falar do Out of Time, minha percepção dos álbuns pré-Automatic for the people era bastante obscura, mais focada nas canções em si.

Ao ouvir novamente toda a discografia do período, não tive dúvidas em escolher Lifes Rich Pageant, que sempre foi o favorito do Alexandre, meu sumido companheiro de blog.

O REM dos anos 80 possui uma mistura divina de urgência e leveza. É incrível que, com 7 discos lançados no período, só tenha estourado na virada da década (ao menos no Brasil). Disparado a mais conhecida do álbum é Fall on me, mas o disco inteiro é tudo de bom.

I believe ao vivo, da época em que Michael Stipe ainda tinha cabelo.

Top 20 1990-1999 (8ª parte)

29/01/2012

Achtung Baby (1991), U2.

O que dizer sobre Achtung Baby que ainda não foi dito? Um dos discos mais celebrados dos anos 90? O álbum que livrou o U2 da rejeição e narizes torcidos que os modernos dirigem àqueles que alcançam o topo do estrelato e chafurdam nele? Essa transformação o DVD From the Sky down já retrata satisfatoriamente.

A guinada do U2 em direção à música industrial alemã, à eletrônica, ao pop e ao cinismo foi recebido por muitos como a confirmação que os dias do rock como estilo mainstream estavam acabados.

Mas nem o rock havia acabado, nem o U2 deixou de ser o U2. As letras ásperas, existenciais, políticas e religiosas ainda estavam lá, só que disfarçadas com casacos de couro, óculos de mosca e calças de vinil.

Depois do arrasador sucesso de Joshua Tree e de ter visto o filme Rattle & Hum 8 vezes no cinema, era natural que a expectativa do próximo disco estivesse nas alturas. O vídeo de The Fly já circulava na MTV e causava uma sensação estranha nos fãs. Já o vídeo de Mysterious Ways, apesar de muito distante do som dos anos 80, parecia mais assimilável. E que diabos é esse negócio de “achtung”?!

Quando a Rádio Cidade anunciou que José Roberto Mahr faria uma prévia do disco em seu programa dominical, não desgrudei da minha cama, ao lado do rádio (a Cidade era a única FM que pegava decentemente em casa). Estarei mentindo se disser que foi uma experiência transcendental (aliás, ouvir Joshua Tree também não foi – U2 não é do tipo que faz música para colar no ouvido). Até hoje não entendi o que Mahr quis dizer ao descrever One como uma versão psicodélica de Stairway to Heaven (alguém tomou chá de cogumelo naquela noite, e não fui eu!). A minha primeira paixão no disco foi Acrobat.

Comprei o álbum assim que saiu, ainda em vinil. Aliás, quando ouvi a versão em CD do meu primo, decidi nunca mais comprar vinil. O som era bem melhor! Àquela altura, os vinis já não eram prensados com o mesmo cuidado. Comprei Zooropa em 1993 em CD, meses antes de ter o aparelho para tocá-lo. Por falar em Zooropa, não há como desvinculá-lo de Achtung Baby, assim como não é possível separar o Rattle & Hum do Joshua Tree. Até a versão resmaterizada do CD foi incluída na caixa super deluxe da edição comemorativa dos 20 anos do Achtung.

Continuei achando The Fly esquisito (hoje, adoro!), preferindo bem mais Zoo Station. Assim como preferi Ultraviolet a Even better than the real thing. E Who’s gonna ride your wild horses logo tomou o lugar de Acrobat, assim como One tornou-se logo minha preferida, principalmente depois deles a terem terminado ao vivo. Até hoje não curto muito os arranjos para So Cruel e Tryin’ to throw your arms around the world (que ficou bonitinha ao vivo).

Confesso que minha 1ª reação a Until the end of the world foi a pior possível. Só comecei a cogitar a hipótese de gostar da música quando assisti ao Live in Sidney, num laser disc. Aos poucos a ficha do disco foi caindo e pude agradecer àqueles irlandeses loucos por fazerem dois grandes discos em sequência, um completamente diferente do outro.

Tryin’ to throw your arms around the world na Zoo TV Tour.

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Out of Time (1991), REM.

Out of Time é um disco que me surpreendeu. Não na época, mas hoje! Sei lá por que, achei que o álbum fosse dos anos 80. Já tinha fechado o Top 20 quando me dei conta do erro. E, pra meu espanto, o disco ultrapassou os outros 5 tão sofridamente cortados e desalojou o Buena Vista Social Club, que tinha conseguido sobreviver à árdua seleção.

Conheci REM por meio de um amigo de faculdade, que tinha uma fita K7, possivelmente do Document, que achava o máximo uma banda com o nome de Rapid Eye Movement e uma música intitulada It’s the end of the world (as you know it). Mesmo assim, uma rápida checada em seus fones do walkman foi tudo o que eu ouvi. Tempos depois, assistindo na MTV o making of de um estranho vídeo de uma música chamada Losing my religion, me deparei novamente com a banda. Achei as entrevistas legais e gostei da música. Na Kitschnet (boate que sucedeu ao Crepúsculo de Cubatão) dançava Stand, mas tudo o que tive da banda foi uma coletânea da época da IRS, a gravadora deles nos anos 80.

Na verdade, o que jogou de vez a banda na minha vida foi o excelente MTV Unplugged (por que não lançam o DVD disso?), com repertório baseado no Out of Time e nas músicas que constam no The Best of REM.

Por um acaso da vida, até vê-los ao vivo no Rock in Rio de 2001, nunca tinha me relacionado com o REM em termos de álbuns, apenas de músicas. Sempre foi muito fácil pra mim ouvir os sucessos da banda. Era só pensar em uma, esticar os ouvidos, e ela estava lá, tocando em algum lugar, de forma que os álbuns nunca chegaram a ter uma identidade pra mim. Sempre foram uma fonte amorfa de grandes canções. Consegui, a partir de 2001, ir recuperando essa história discográfica de trás pra frente, até chegar ao Automatic for the People (que sobreviveu até o Top 25).

Então, se essa aventura solitária desbravando minha própria coleção valeu a pena, foi por ter recolocado Out of Time no seu merecido lugar de destaque. Tudo bem que o disco tem Shiny happy people, mas tem também Low, Me in honey, Half a world away, Radio Song… Tudo bem que sempre haverá uma loura histérica nos shows gritando pra tocar Shiny happy people, mas a gente sempre poderá jogá-la da arquibancada, não é mesmo, Alexandre?

Half a world away no MTV Unplugged.

Top 20 – 2000/2009 (2ª parte)

30/10/2011

Accelerate (2008), REM.

Depois de uma sequência de discos mais ou menos desde 1998, o REM parecia ter descansado sobre os louros da fama, satisfeitos em fazer bons shows (ancorados em seu vasto repertório) e um minguado punhado de boas músicas por álbum. Então, em 2008, a banda veio com seu melhor disco desde Automatic for the People. O álbum talvez não tenha aquelas músicas antológicas de Out of Time e Document, mas é tão consistente, vigoroso e bom de ponta a ponta quanto seus melhores discos dos anos 80. Misturadas ao repertório clássico, como pude comprovar pessoalmente em 2008 no HSBC Arena, as músicas novas harmonizavam perfeitamente com as antigas.

Este ano, o REM lançou mais um bom disco, Collapse into now, e anunciou o fim. Creio que eles estavam realmente cansados e resolveram dar um gás na reta final pra lembrar a todos por que eles eram “o” REM.

Aqui você pode conferir Supernatural Superserious ao vivo em Paris.