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Rádio Pirata ao Vivo

10/08/2013
Rádio Pirata ao Vivo (1986), RPM.

Rádio Pirata ao Vivo (1986), RPM.

Quando estava escrevendo sobre The Doors no meu Top 30 dos anos 70, quis me certificar da faixa na qual RPM cantava Light my fire. Então me deparei com a notícia de que o DVD do show deles em 1986 havia sido lançado (há algum tempo). UAU! Rapidamente corri para garanti meu tíquete aos anos 80.

Radio Pirata ao Vivo não tem uma grande qualidade de som e imagem, mas vale muito a pena. O show foi gravado no Ginásio do Ibirapuera em dezembro de 1986. Tem aquelas roupas brilhosas dos 80, ainda mais com o toque do Ney Matogrosso, diretor do show. Aquele jeitão do Paulo Ricardo se descobrindo um sedutor de multidões. O peito orgulhosamente cabeludo do Fernando Deluqui. Os arranjos um pouco datados do Luiz Schiavon. E são esses detalhes que dão graça e despertam a nostalgia.

No início da turnê, no Canecão, estava combinando de ir com amigos. Aí resolvi incluir um amigo e vizinho que curtia a banda. Lá fui eu bater no portão da casa dele: “Zeca, quer ir no show do RPM?”

Então ele abriu o portão, me fez entrar, apontou em direção à piscina e falou: “Sabe quem é aquele ali deitado? Fernando Deluqui, namorado da minha prima. Agora é a minha vez de perguntar: quer ir com a gente ao show, de graça?” Como recusar?

E lá estava eu com toda a família do Zeca, sentado em uma mesa do Canecão, ao lado da mesa de som, assistindo ao show como um videoclipe: a banda bem na altura dos meus olhos, o vértice desenhado pelo laser que saía detrás e acima da cabeça do Paulo Pagni, e a galera ensandecida pulando embaixo do “enquadramento”. Inesquecível!

Mas devo dizer que o que me arrepiou mesmo foram os extras. Além de uma apresentação chumbrega e incompleta do RPM nos insuportáveis playbacks do Chacrinha, o DVD apresenta a edição do Globo Repórter sobre a RPMania e a performance deles no Mixto Quente, também da Globo.

Mixto Quente era com xis mesmo, um trocadilho com mix. A Globo sempre teve grandes sacadas pra programas musicais, mas a execução deixava (e ainda deixa) a desejar. Não em questões técnicas, quesito no qual ela dá show, mas na abordagem, edição etc. Tudo embrulhado como um cheeseburguer do McDonald’s para viagem. Depois do Rock in Rio no ano anterior, a emissora percebeu a crescente demanda por mais oportunidades em ver nossos heróis nacionais em ação. Foi no Mixto Quente, por exemplo, que o Barão Vermelho se apresentou pela primeira vez sem o Cazuza, cantando seu Torre de Babel.

Os shows eram na Praia do Pepino, em São Conrado – sol, praia, asa-deltas cruzando o céu, meninas de biquíni… O local era um point nos anos 80, e foi lá (não sei se pro Mixto Quente) que meu irmão viu o Raul Seixas não conseguir dar um show. Pra quem ia (eu nunca fui) devia ser o máximo. Mas pra quem via pela TV, um pouco frustrante. Entretanto, o material do DVD tá completo, e mostra como os biquínis das meninas já eram bem ousados na época. E pensar que uma música como Revoluções por Minuto chegou a ser censurada…

A cereja do bolo é a reportagem de Pedro Bial com a banda no Globo Repórter. Excelente! Aí emocionou pra valer. É um retrato fiel de uma época distante. O documentário consegue captar bem como foi o impacto de uma música mais adulta e de boa qualidade no cenário do rock nacional. E também uma certa inocência, com o mico do Deluqui e do Bial tentando pegar onda, Paulo Pagni caminhando na Floresta da Tijuca…

Pra finalizar, uma entrevista otimista sobre as expectativas da turnê dos Quatro Coiotes, abortada por conflitos de ego e excesso de “aditivos”. Aí me lembro da narração do Bial enquanto mostrava as meninas no quarto e a banda no camarim se aprontando pro show: “todos se aplicando…” Pois é.

Aqui, RPM no Mixto Quente.