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O 11 de Novembro de Sílvia Pérez Cruz

23/12/2013
11 de Novembre (2012), Sílvia Pérez Cruz.

11 de Novembre (2012), Sílvia Pérez Cruz.

Estou longe de reclamar das redes sociais e dos aborrecimentos eventuais que ele pode causar. Em que outro lugar um torcedor do Avaí, que nunca encontrei pessoalmente, iria me dar a dica de uma cantora catalã? A dica, no caso, chama-se Sílvia Pérez Cruz, que veio atrelada a sua performance junto a um grupo feminino de flamenco conhecido como Las Migas.

O que eu não sabia, ao chegar a Barcelona, é que Sílvia tinha um extenso rol de colaborações com outros artistas, sendo Las Migas apenas mais uma, em duas oportunidades. Neste rol inclui-se um dueto de voz e hang, um instrumento de percussão suíço bastante sui generis. Ao vê-lo sendo tocado em frente à catedral de Girona, podia jurar que era algo árabe, trazido pelos mouros. Certamente o homem que o tocava me induziu involuntariamente a essa conclusão.

O que eu também não sabia, ao me deparar com o CD de Sílvia Pérez numa prateleira de sucessos na Fnac, era que 11 de Novembre era o seu primeiro disco solo. O álbum possui faixas cantadas em castelhano, catalão e português, numa mistura de composições de fazer inveja a um tropicalista: folk, samba, jazz, flamenco, fado… E o mais incrível: todas composições dela.  Apenas quatro das treze faixas com parceria.

Vou tentar reproduzir, com vários meses de atraso, o impacto de ouvir este disco pela primeira vez. Trata-se de um álbum que passa a léguas, muitas léguas, do óbvio. É uma sonoridade minimalista, de canto suave, arranjo sofisticado e que demanda, ou melhor, exige silêncio e atenção. O passar do dedo nas cordas do violão, o som de trovoadas, passos, corda de um relógio, um sopro sutil… Um festival de suavidade e bom gosto conduzido por uma voz deslumbrante.

Sílvia Pérez Cruz é uma intérprete como poucas, que, devido a nossa ignorância do que vai além da música brasileira e anglo-americana, permanecerá desconhecida por essas bandas. E eu sequer mencionei que ela é linda!

Aqui uma bela versão acústica de Iglesias, com o irresistível snippet de Moon River.