Archive for the ‘Simon and Garfunkel’ category

Top 20 – Álbuns ao Vivo (parte 8)

10/11/2015
The Concert in Central Park (1982), Simon and Garfunkel.

The Concert in Central Park (1982), Simon and Garfunkel.

Não me recordo a que eu tive acesso primeiro, o vinil duplo ou o show na TV (provavelmente na Bandeirantes, que era onde passavam os melhores shows nos anos 80). Só sei que o show da dupla Simon & Garfunkel no Central Park, realizado em 19 de setembro de 1981 e lançado comercialmente no ano seguinte, abriu de vez meus horizontes da música internacional para além dos Beatles.

Claro que eu já tinha ciência da existência dos Bee Gees, da discoteca (da qual eu não gostava, mas era obrigado a ouvir por causa do meu irmão), Elvis Presley (muito mais pelos filmes da Sessão da Tarde do que pelos discos) e rocks dos anos 50, particularmente aqueles oriundos das trilhas sonoras de Estúpido Cupido e Escalada (nada mais vergonhoso do que entregar a idade comentando sobre novela, mas só sei da existência de uma novela chamada Escalada devido a este vinil que pertencia a meus irmãos – já a antológica novela de Mário Prata eu vi mesmo), mas nada que chegasse perto de um gosto musical próprio, como até então eu havia desenvolvido por alguns artistas da nossa MPB, do rock nacional (Rita Lee e Jovem Guarda) e, claro, os Beatles.

Já tinha lá em casa o ao vivo do Paul Simon (que eu só passei a dar bola após o show do Central Park) e um Greatest Hits da dupla, que eu curtia quando alguém botava pra escutar, mas ainda não tinha me chamado particularmente a atenção. Por algum motivo, tudo mudou quando o prefeito de New York anunciou “Ladies and gentlemen, Simon and Garfunkel!”.

Naquela época, ou melhor dizendo, nessa idade, dar a devida atenção a um disco significa ouvir uma, duas, quinze vezes; decorar (quase) todas as letras; fechar os olhos e visualizar cada detalhe da capa e do encarte. E, agora sim, naquela época, sem as facilidades e o manancial de informações da internet, cada álbum era um universo a ser explorado e que, por mais que você o conhecesse acorde por acorde, ainda restava uma aura de mistério irrevelado.

Hoje eu posso entrar no Wikipedia e saber todos os detalhes que cercaram a realização do show: o clima ruim entre a ex-dupla, que mesmo assim se sentia motivada para levar o projeto adiante; as brigas nos ensaios; as divergências artísticas quanto a arranjos (Garfunkel queria um modelo acústico, Simon queria tocar com banda) e repertório (Garfunkel encaixou apenas uma música de sua carreira solo enquanto Simon emplacou oito).

O show nada tinha a ver com os revivals caça-níquel tão comuns em anos recentes, apesar da depressão de Paul com o retumbante fracasso comercial de seu último projeto e a insossa carreira de Art sugerirem o contrário. Tratou-se de um genuíno esforço em angariar fundos para evitar o fechamento do Central Park (sim, isso já foi uma ameaça real!). A ideia de reunir a dupla partiu dos organizadores do projeto de conservação do parque, iniciado no ano anterior. A escolha se baseou na forte identificação dos artistas com a cidade e com os nova-iorquinos. Simon se sentia tão por baixo que temia não ser capaz de atrair tanta gente.

Só que há 33 anos eu não sabia de nada disso, e o que havia era apenas o disco, o show na TV, as músicas e meio milhão de pessoas assistindo ao concerto extasiadas, arrebatadas pela aura do reencontro após dez anos de separação.

Musicalmente, avaliando o álbum hoje, o que me salta aos olhos é como algumas composições solo de Paul Simon soam como obras da dupla, especialmente as dos dois primeiros álbuns: American Tune, Me and Julio down by the schoolyard e Kodachrome, além de Slip Slidin’ Away, um single de 1977. Só as três da fase jazzística de Simon, Late in the Evening, Still crazy after all these years e 50 ways to leave your lover, destacavam-se de forma inequívoca do resto do repertório. Assim, eu levei mais de uma década para me dar conta que aquelas quatro canções não pertenciam ao lote Simon & Garfunkel. American Tune, particularmente, causava-me perplexidade a sua exclusão do Greatest Hits lá de casa, tamanha a organicidade dessas canções com clássicos do top de Mrs Robinson, Homeward Bound e America. Mesmo A Heart in New York, da carreira solo de Garfunkel, não fossem os créditos autorais, teria entrado no “meu” pacote de canções da dupla.

Em termos de performance, muitas faixas não apresentam nada além do esperado. Mas American Tune e Me and Julio down by the schoolyard, além das razões já expostas, ganham aqui suas versões definitivas. Bridge over troubled water tornou-se um momento solo de Art Garfunkel, que deu à canção uma interpretação memorável, assim como April come she will, que ganhou um andamento um pouco mais lento e uma versão mais delicada. O medley de Kodachrome e Maybellene de Chuck Berry é de fazer morto dançar. Por fim, a empolgação da plateia com o jazz-rumba de Late in the Evening, que mereceu um bis (sim, houve uma época em que bis significava repetir uma música nos shows). O bis, contudo, ficou de fora do álbum, assim como a então inédita The Late Great Johnny Ace, de Paul Simon, cuja gravação foi prejudicada devido à invasão do palco por um homem aparentemente bêbado. Mas ambas estão no vídeo.

Hoje é possível encontrar dois CDs ao vivo da dupla nos anos 60, mas, na época, The Concert in Central Park foi o primeiro álbum ao vivo de Simon & Garfunkel lançado oficialmente.

April come she will ao vivo no Central Park.

Top 20 – 1960/1969 (7ª parte)

25/03/2015
Sounds of Silence (1966), Simon & Garfunkel.

Sounds of Silence (1966), Simon & Garfunkel.

Fala-se pouco do papel dos produtores na carreira de um artista ou até mesmo no desenvolvimento da música. No caso de Paul Simon, talvez este deva a sua bem sucedida carreira a um cara chamado Tom Wilson. Wilson havia produzido o disco de estreia da dupla Simon & Garfunkel, em 1964, um álbum folk totalmente acústico, que teve uma recepção fria. Com o fracasso da estreia, Art Garfunkel voltou pra vida universitária e Paul Simon voou pra Londres em busca de novos horizontes musicais.

Incomodado com o não reconhecimento de uma faixa em particular, The Sound of Silence, Wilson resolveu colocar em prática o que havia presenciado quando os Byrds eletrificaram Mr. Tambourine Man de Bob Dylan, influenciados pelo estouro dos Beatles. O grande sucesso da versão dos Byrds resultou na reviravolta da carreira de Dylan, que decidiu eletrificar o seu som antes que mais um aventureiro o fizesse (nada bobo esse Bob). Wilson deve ter pensado: “se funcionou uma vez…”

Assim, Tom Wilson juntou uns músicos no estúdio e, sem a presença de Simon e Garfunkel (talvez até sem o conhecimento destes), apenas com a fita original da música embaixo do braço, gravou a versão eletrificada de The Sound of Silence que todos nós conhecemos. E assim a dupla alcançou pela primeira vez o nº 1 na parada de sucessos americana.

O estrondoso sucesso da canção fez a dupla voltar aos estúdios para gravar um novo álbum. Claro que nem passou pela cabeça de Paul Simon reclamar da “deformação” de sua arte ou nada parecido. Muito pelo contrário, o novo álbum seguiu o estilo da gravação de Wilson, mas sem a participação do produtor, que foi trabalhar com Bob Dylan.

E assim nasceu essa obra prima do folk rock sessentista chamada Sound of Silence. O álbum, além da faixa título, tem delicadas canções folk como April come she will (utilizada na trilha sonora de A primeira noite de um homem), Kathy’s Song, Leaves that are green e A most peculiar man; baladas mais agitadas, de acordo com os novos ventos da época, como Blessed, Somewhere they can’t find me e a ótima e inquietante Richard Cory (que mereceu um cover dos Wings), ou até mesmo dançante, no caso de We’ve got a groovy thing goin’.

O álbum encerra com I am Rock, já descrita como a melhor música sobre a solidão (I have my books / And my poetry to protect me / I am shielded in my armor / Hiding in my room, safe within my womb / I touch no one and no one touches me / I am a rock / I am an island).

Enfim, Tom Wilson tinha razão. The Sound of Silence é uma das mais belas composições já escritas. Não podia mesmo passar despercebida. Obrigado pela insistência.

Richard Cory ao vivo, em 1966, na TV canadense.

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Parsley, Sage, Rosemary and Thyme (1966), Simon & Garfunkel.

Parsley, Sage, Rosemary and Thyme (1966), Simon & Garfunkel.

Sound of Silence foi gravado em 1965 e lançado em janeiro de 1966. Naquele mesmo ano saiu o disco seguinte, Parsley, Sage, Rosemary and Thyme. Lançar dois álbuns no mesmo ano e com a mesma qualidade garantem a carreira de qualquer artista. E o primeiro, por si só, já garantiria o futuro da dupla Simon & Garfunkel.

As faixas que mais marcam é o delicado arranjo para a folclórica Scarborough Fair (também na trilha sonora de A primeira noite de um homem), mesclada com uma composição de Simon chamada Canticle; a “ulissiana” Homeward Bound e a contagiante The 59th Street Bridge Song (Feelin’ Groovy).

Só isso já bastaria para um álbum inteiro, mas o disco ainda tem Cloudy, a belíssima For Emily, Whenever I may find her (que mereceu um cover de John Frusciante com o RHCP) e Flowers never bend with the rainfall, que preenchem o espaço das canções delicadas, assim como Patterns e The Big Bright Green Pleasure Machine o das baladas mais agitadas.

Mas o álbum dá um passo adiante, apresentando arranjos e composições mais arrojadas em The Dangling Conversation e A Simple Desultory Philippic (or How I was Robert McNamara’d into Submission), esta totalmente inspirada, cantada e tocada a la Bob Dylan, com muitas referências ao artista. A Poem on the Underground Wall é uma deliciosa crônica urbana em quanto a última faixa é dedicada à crítica social, com o noticiário do mundo cão fazendo contraponto à angelical Silent Night.

For Emily, Whenever I may find her  ao vivo há muito tempo atrás.

Top 30 – 1970/1979 (11ª parte)

19/03/2014
Bridge Over Troubled Water (1970), Simon & Garfunkel.

Bridge Over Troubled Water (1970), Simon & Garfunkel.

Nada mais anos 60 do que uma canção de Simon & Garfunkel. Mas, apesar de ter sido gravado em 1969, o lançamento de Bridge Over Troubled Water foi no início de 1970, que, apesar de tecnicamente ser década de 60, nesse meu Top Top não é.

A faixa título é a mais avassaladora interpretação de Art Garfunkel, e foi coverizada por Elvis, Aretha, Jackson 5, Willie Nelson, Whitney Houston, entre vários outros.  No “lado B” (coisa de velho), o igualmente clássico The Boxer. Ambas com letras inspiradíssimas. Como se não bastasse,  o disco ainda tem a linda The Only Living Boy in New York e a versão de Paul Simon para a peruana El Condor Pasa.

A inclusão da versão ao vivo de Bye Bye Love, boa música mas com qualidade de som inferior, é uma incógnita pra mim. E até hoje ainda não me decidi se gosto ou não de Cecília. São os dois únicos senões de um álbum que foi o canto do cisne de uma dupla que fez lotar de saudade o Central Park dez anos depois.  Pra mim, entretanto, mesmo já tendo um Greatest Hits sendo furado no toca-disco lá de casa, foi neste reencontro que eu descobri  Simon & Garfunkel.

Keep the Customer Satisfied ao vivo em 2003.

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Moondance (1970), Van Morrison.

Moondance (1970), Van Morrison.

Fui apresentado a Van Morrison por um amigo no final dos ano 80 pelo vinil de Astral Weeks, sempre referido como o melhor de sua obra. Entretanto, só fui mesmo parar para ouvir este genial irlandês mais de 15 anos depois, restabelecendo contato pelo mesmo Astral Weeks. Gostei tanto que resolvi arriscar o disco seguinte, Moondance. E aí fiquei chapado.

Com todo respeito ao disco anterior, que é mesmo sensacional e está cotado (mas não confirmado) pro Top 20 – 1960-1969, este é o meu disco favorito do Van Morrison, basicamente pela pluralidade musical apresentada. Na faixa-título ele avança com maestria para o reino do jazz como que possuído pelo espírito de um Tony Bennet (não a toa ganhou cover do Michael Bublé, o Harry Connick Jr. da vez).

Moondance ao vivo no Festival de Montreux, em 1980.

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After The Gold Rush (1970), Neil Young.

After The Gold Rush (1970), Neil Young.

Descobri After The Gold Rush pouco depois de Harvest (também incluso neste Top 30), e um é a continuação musical do outro. Ainda tateando no universo de Neil Young, fui atraído a este álbum pela presença de Southern Man, que eu conhecia de um cover bastante mal gravado do U2. A rapidez com que me aprofundei no universo deste bizarro canadense logo tornou obsoleto uma coletânea comprada na mesma época, que por isso mesmo escutei umas duas vezes no máximo (alguém aí interessado?).

A beleza desses dois álbuns representa pra mim o coração da obra de Neil Young (mas não a resume ou sintetiza), assim como A Day at the Races e A Night at the Opera para o Queen.

Tell me why ao vivo em 1970.