Archive for the ‘Supertramp’ category

Top 20 – Álbuns ao vivo (final)

03/07/2016
Paris album

Paris (1980), Supertramp.

O álbum duplo ao vivo Paris, do Supertramp, foi, junto com o Alchemy do Dire Straits, o disco mais importante da minha adolescência. Hoje, contudo, não tenho sequer o CD, ainda que preserve o vinil. Mas tenho o DVD, sobre o qual já escrevi no blog, que não é exatamente a mesma coisa.

Apesar de ser um registro da turnê do Breakfast in America, um álbum que nunca foi dos meus favoritos, o principal contemplado foi Crime of the Century, que só não tem uma de suas faixas gravadas ao vivo no vinil, If everyone was listening. De Breakfast in America e Crisis? What Crisis?, três músicas de cada. E apenas duas de Even in the quietest moments, sendo uma delas a enorme Fool’s Overture e a outra, uma belíssima versão de From now on, que não está no DVD, a única diferença realmente relevante (e sentida) entre as duas mídias.

O fato de ter me dado por satisfeito com o DVD de Paris me faz pensar em como a produção dos álbuns ao vivo mudou ao longo dos anos. Hoje, o CD virou um mero suporte do DVD, que passa a ser o produto principal. Não há mais os grandes álbuns ao vivo de antigamente, quase sempre duplos, antológicos, inesquecíveis. Hoje, com os DVDs e os registros no Youtube, as gravações ao vivo perderam a qualidade de momento único e mágico de outrora.

Ainda que nos anos 80 e início dos 90 alguns lançamentos tenham sido acompanhado de um vídeo em VHS, os vídeos não tinham o mesmo peso, pois era um produto que se desgastava com o tempo, além de a maioria não ter um bom equipamento de som acoplado ao videocassete.

Da minha lista de 20, nove refletem aquela época, e pelo menos dois foram lançados a reboque de um DVD. Considero os anos 90 uma fase de transição entre uma realidade e outra. Há ainda quatro bootlegs oficiais, que parece ser o formato no qual os discos ao vivo mantém sua relevância, pois se tratam, em sua maioria, de registros antigos não registrados em vídeo ou sem um registro de qualidade.

O U2, curiosamente, nunca se interessou em lançar um álbum ao vivo, mesmo nos anos 80. Sempre esteve interessado no vídeo. O EP turbinado de Under a blood red sky foi um subproduto mandrake (pois a maioria das faixas foram retiradas de outra apresentação) do vídeo, que era o projeto principal. E Rattle & Hum, que não é propriamente um álbum ao vivo (e por isso ficou de fora deste Top 20), uma trilha sonora do filme. A partir dos anos 80, a banda só investiu em DVDs (e VHS), relegando os discos ao vivo aos brindes do U2.com. Enfim, os irlandeses foram precursores involuntários da irrelevância dos live albums.

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A seguir, o Top 10 das melhores coletâneas, incluindo aí bootlegs, caixas e coletâneas ao vivo.

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Top 30 – 1970/1979 (6ª parte ou Sessão Nostalgia)

12/07/2013
Crime of the Century (1974), Supertramp.

Crime of the Century (1974), Supertramp.

A carreira do Supertramp se construiu em torno da combinação criativa da dupla Roger Hodgson e Rick Davies, desde sua estréia em 1970, com um (bom) disco genuinamente progressivo. Entretanto, o álbum com capa tosca não impressionou. Acompanhados de outros músicos, fizeram nova tentativa no ano seguinte, incorporando agora o blues e um pouco de folk na sonoridade da banda. Apesar da famosa capa da mulher tatuada com os peitos de fora, voltou a não empolgar. Com sua terceira banda (dessa vez a definitiva), partiram para o terceiro disco, lançado três anos depois.

Em Crime of the Century, a banda atingiu o equilíbrio perfeito entre a origem progressiva, o blues de Davies e o recém incorporado pop de Hodgson. Perfeito da primeira à última faixa, os dois fracassos anteriores cobram seu preço na produção. A diferença sonora em relação aos álbuns posteriores é bastante perceptível, o que não impede de ser este o melhor momento do Supertramp em estúdio. Afinal, lá estão School, Rudy, Dreamer, Hide in your Shell, Asylum

Feita esta constatação, não deixo de rir ao me lembrar do longo tempo em que o vinil de Crime of the Century era um objeto inalcançável lá em casa. Enquanto as bolachas de Even in the Quietest Moments e Breakfast in America eram tocados até arranhar por mim e por minha irmã, Crime of the Century integrava a “coleção de ouro” do meu irmão: os discos que só ele podia tocar, manipular, e escutava exclusivamente no toca-discos artesanal especial do meu pai. Por sorte, o duplo ao vivo Paris (que eu comprei) continha quase todas as faixas do álbum, ficando de fora apenas If everyone was listening (no final das contas, a mais fraca).

Enfim, não poderia falar do álbum sem comentar a capa, a minha preferida da banda e uma das melhores em geral. Aliás, ela me faz lembrar a Zona Fantasma naqueles filmes de Superman com o Christopher Reeve. Afinal, tratava-se de uma prisão a girar solta pelo espaço.

Rudy ao vivo em 2010.

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Secos & Molhados (1973).

Secos & Molhados (1973).

Desde que me entendo por gente havia aquele disco do Secos & Molhados lá em casa. Não preciso dizer a fascinação que provocava em uma criança aquelas cabeças pintadas servidas numa bandeja. Pra não falar naquela famosa pegadinha: “você acredita que não é uma mulher que está cantando?” (uma década depois a história voltaria a se repetir com Mick Hucknall, do Simply Red – não só não era uma mulher, como não era uma negona).

Na época, minha música preferida era O Vira, enquanto Rosa de Hiroshima não suportava ouvir. Afinal, de gato preto, lobisomem, coruja, saci e de fadas criança entende. Já aquela história de crianças mudas e meninas cegas era muito esquisita… De qualquer forma, não demorou muito pro disco ficar mais arranhado do que eu em tombo de bicicleta.

Creio que só fui revisitar Secos & Molhados na época da faculdade, ouvindo amigos ensaiando Sangue Latino. Mesmo tendo passado tanto tempo, aqueles acordes estavam entranhados na veia como um “atirei o pau no gato”. Eu conhecia a música sem mesmo reconhecê-la. Mas só quando o CD foi lançado é que pude mergulhar novamente naquele oceano criativo.

É difícil crer que um disco desses surgiu no Brasil em 1973, em pleno governo Médici, com toda a exuberância de um jovem Ney Matogrosso e algumas letras incômodas, lotando o Maracanãzinho, então maior palco de shows no Rio de Janeiro. Mas o mais incrível mesmo é constatar o brilhantismo dos arranjos, das composições, um sentimento de “caramba, a gente fazia isso no Brasil?!!” que só fui ter ouvindo Mutantes.

Um hilário playback de Sangue Latino na TV (me lembrou muito a história em que Cebolinha e Cascão montam um grupo de rock).

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The Dark Side of the Moon (1973), Pink Floyd.

The Dark Side of the Moon (1973), Pink Floyd.

Seguindo pelas reminiscências da infância, The Dark Side of the Moon era aquele disco que todos os jovens escutavam… uma, duas, várias vezes. Eu não era jovem, era criança, mas ficava intrigado com aquela capa do prisma. Acho que todo mundo na época devia querer ter uma pirâmide de cristal ou algo parecido para tentar reproduzir o efeito. Creio que a gente tinha um peso de papel em forma de cubo… Não lembro se funcionou.

Minha lembrança concreta mais antiga é de esticar o pescoço pela janela (na velha casa da Aldeia onde meu tio morava) pra dentro do quarto da minha prima Denise e ver o pessoal sentado na cama, no chão, olhando perdido pro papel de parede, pro teto, enquanto ouvia o disco.

Eventualmente esse vinil chegou lá em casa, muitos anos depois. O mais vendido, o mais festejado, o mais tocado, mas não era o meu favorito do Pink Floyd. Wish You Were Here me encantava muito mais. Tenho implicância com a instrumental On the run, que sempre me soou (e ainda soa) como uma encheção de lingüiça entre Breathe e Time. Money e Us and Them me pareciam arrastadas demais, mas só fui me dar conta que o problema era esse quando lançaram o Delicate Sound of Thunder, no qual Money tinha o groove que vinha da minha cabeça, mas não da caixa de som. Ao contrário da sua contraparte do lado A, Any colour you like é um bom instrumental, que só irrita nas divisões de faixa ou arquivos digitais (um problema inexistente na era analógica). A sequência final com Brain Damage e Eclipse era o que realmente redimia o lado B.

No lado A, claro, a sequência de Time, Breathe (reprise) e The Great Gig in the Sky garante ao álbum o seu merecido lugar na história. Só Time já seria capaz de carregar todo um disco nas costas, uma das mais belas letras de todos os tempos. O vocal de Clare Torry em The Great Gig in the Sky vem arrepiando gerações. Há tempos eu tenho a curiosidade de ouvi-la com um saxofone no lugar da voz. Tenho certeza de que alguém já pensou nisso e já pôs a ideia em prática, só não chegou aos meus ouvidos ainda.

Todo mundo reunido no Live 8 tocando Money.

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Ashes are Burning (1973), Renaissance.

Ashes are Burning (1973), Renaissance.

Por muito tempo, Ashes are Burning foi, pra mim, sinônimo de Renaissance (os outros discos, importados, faziam parte da “coleção proibida” do meu irmão). Foi amor a primeira audição. Afinal, já não era tão criança e canções como Carpet of the Sun e Can you understand? me pegavam de jeito, do tipo que grudam mesmo.

Meu irmão era apaixonado por Let it grow, e ficou espumando de raiva quando a canção começou a tocar nas rádios. Seu temor era ser visto como alguém que gostava da música porque ela tocava nas rádios, por modismo, como se estivessem roubando-lhe a identidade.

A faixa-título é sensacional, mas só fui apreciá-la devidamente mais tarde, depois de me desacostumar da longuíssima versão ao vivo (e o incrível solo de baixo de Jon Camp) do Live at Carnegie Hall. Por, a minha versão em CD veio com a abertura e encerramento de La Cathédrale Engloutie de Debussy na belíssima At the Harbour. On the Frontier resta como a mais mediana do álbum.

Tanto o antecessor, Prologue, como o disco seguinte, Turn of the Cards, são muito bons. Mas só Scheherazade and Other Stories rivaliza com Ashes are Burning, saindo fora desse Top 30 na reta final. Esses quatro discos em sequência formam uma discografia de qualidade incomum. Infelizmente, o desprestígio do rock progressivo ao longo dos anos fez com que o Renaissance caísse um pouco no esquecimento.

Hoje tendo a concordar com as críticas aos agudos de Annie Haslam (não que isso me impeça de continuar gostando da banda), mas na época aquilo era o suprassumo.

Carpet of the Sun ao vivo em 1977.

Top 30 – 1970/1979 (2ª parte)

06/05/2013
Even in the Quietest Moments (1977), Supertramp.

Even in the Quietest Moments… (1977), Supertramp.

Apesar de ter duas faixas que deixam cair um pouco a peteca, esse belo disco do Supertramp está repleto de referências nostálgicas, além de ter sido por ele que conheci essa banda inglesa que mistura blues, pop, progressivo e um toque de gospel. Apesar dela ter estourado mundialmente no disco seguinte, Breakfast in America, creio que foi o Even in the Quietest Moments que colocou o grupo às portas do estrelato.

Há discos que são responsáveis diretos pelo boom de um artista. Contudo, há outros que preparam o terreno pra esse boom, desde que o próprio artista não pise na bola e entregue um disco ruim. Não necessariamente o disco do boom é superior ao disco anterior. Isso aconteceu, por exemplo, com Dire Straits e Legião Urbana.

A primeiro coisa que me chamou a atenção no álbum, ainda moleque, foi a bela capa que me remetia diretamente às cenas dos Beatles cantando na neve em Help (coisa de criança, claro…). Depois, aqueles cabeludos na capa, e um deles (o saxofonista e showman John Anthony Helliwell) era sósia do então namorado da minha prima Lúcia (sim, eles eventualmente se casaram). Só mais adiante fui perceber que os meus irmãos não passavam uma semana sem por o vinil pra tocar (e bem mais vezes do que aquele outro que apareceu, com uma garçonete imitando a Estátua da Liberdade na capa).

A preferência não era modismo (pois nada daquilo tocava no rádio). Havia de fato uma pequena coleção de clássicos naquele álbum. A começar pela irresistível e aderente balada de abertura, Give a little bit, a mais radiofônica delas. Fechando o lado A (algo que se perdeu com os CDs – cada disco tinha 2 faixas de abertura e 2 de encerramento), a belíssima Downstream, um arrastado blues ao piano, composta e cantada por Rick Davies. Esta levou anos pra cair no meu gosto, e hoje é minha favorita. No meio, a linda faixa título, com canto de pássaros e aquela atmosfera religiosa própria de Roger Hodgson (por muitos anos ficou impraticável escutá-la devido a um insistente arranhão mais pro final).

Mas os grandes hits estavam mesmo no lado B: From now on (que ficou ainda melhor no ao vivo Paris) e a épica Fool’s Overture (a primeira das várias músicas que escutei a usar parte do discurso do Churchill). Apenas nesta última o Supertramp ainda fazia jus a sua inclusão no rol de bandas de rock progressivo.

Fecham o álbum as medianas Babaji e Lover Boy, uma de cada lado.

Roger Hodgson tocando Even in the quietest moments em carreira solo.

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Rumours (1977), Fleetwood Mac.

Rumours (1977), Fleetwood Mac.

Fleetwood Mac tem diversas encarnações como banda, mas eu fui apresentado primeiramente à última e mais conhecida, quando entraram Lindsey Buckingham e Stevie Nicks, por meio de um álbum duplo ao vivo lançado em 1980. O primeiro disco com a nova formação, de 1975, já foi muito bom, mas foi o segundo que marcou época – e com razão!

Em termos sonoros, Rumours é bem diversificado, mas consegue manter uma identidade soft rock que agrada a gregos e troianos. O antigo lado A é repleto de hits: Dreams, Never going back again, Songbird, a eletrizante Go your own way e a (muito) otimista Don’t stop. O lado B, como era comum na era do vinil, não tem a mesma pegada, tendo You make loving fun como único e grande hit, mas isso não desmerece as demais faixas, menos comerciais. Colocadas todas em sequência em um CD, o fosso que as separava em meu vinil magicamente desaparece, e o álbum, como um todo, ganha mais relevância e unidade.

Go your own way ao vivo na BBC em 1976.

Bonsoir, Paris!

06/11/2012

Live in Paris ’79 (2012), Supertramp.

Finalmente foi lançado em DVD o show do Supertramp em Paris, em dezembro de 1979. Não se trata do mesmo material do famoso álbum duplo Paris, que traz faixas de várias noites, mas principalmente do show de abertura. O DVD traz quase a íntegra do 3º show. Cinco músicas ficaram de fora e são apresentadas, em áudio, nos extras. Criminosamente, From now on é uma delas (considero a versão do Paris a melhor dessa música). As demais são: You started lauging (a única do Crime of the Century que não está no CD, apesar do show ser da turnê do Breakfast in America), Ain’t nobody but me (que está no CD), Downstream (outro pecado!) e Soapbox Opera (em uma bela versão que também está no CD).

A qualidade da imagem é boa. Como era comum nessa época, por limitação técnica, há pouquíssimas cenas do público. Já o som está fenomenal! Espetacularmente limpo (e alto). Portanto, praqueles que criticavam a qualidade sonora dos vinis ao vivo da época, é um prato cheio.

Além da bela experiência musical, assistir a esse filme foi nostalgicamente revigorante, um reencontro com uma das minhas bandas preferidas em meados dos 80.

O baterista Bob Siebenberg é quase ignorado pela câmera boa parte do tempo, mas o baixista, Dougie Thompson mostra surpreendente presença. Rick Davies e Roger Hodgson ficam cada um em seu canto, meio paradões. O mestre de cerimônia, que anda todo o palco e dá liga à banda com bastante carisma é John Anthony Helliwell (sopros e backing vocals).

O detalhe que mais me chamou a atenção ao ver esse show foi o trabalho na guitarra de Roger Hodgson. Às vezes sutil, às vezes poderosa, mas quase sempre presente e marcante, assim como a face concentrada de Roger, com o corpo semi-imóvel mesmo nos mais bárbaros solos.

Enquanto o CD realçava as canções de Crime of the Century, talvez devido ao fato da produção do disco estar abaixo do status alcançado pela banda posteriormente, o DVD traz Another Man’s Woman e Child of Vision do Breakfast in America. Se, por um lado, sai From now on, do álbum anterior, entram Give a little bit e uma linda versão acústica de Even in the quietest moments.

Pra não dizer que tudo são flores, há um erro grotesco de diagramação no encarte que faz com que se perca algumas linhas, a cada página par, do bom texto sobre o show e a carreira da banda.

Supertramp – Even in the Quietest Moments… (1977)

10/04/2010
Supertramp - Even in the Quietest Moments... (1977)

Supertramp – Even in the Quietest Moments… (1977)

Para você ver o que é o preconceito: há muito vejo este disco sendo vendido por aí, barato, mas sempre empurrei pra frente. Não conheço o Supertramp, só aquelas músicas de sucesso mesmo, que acho boas. Quando o Flávio me emprestou o “Crisis? What Crisis?” eu não gostei, achei chato. Então, deixei o Supertramp pra lá.

Aí, resovi comprar este disco. E é bom pra caramba!

Tem ótimas músicas, é bem gravado, muito bom mesmo.

Vou pensar melhor antes de deixar de lado certos discos.

Sobre o Supertramp, aqui.