Archive for the ‘The Beatles’ category

John Lennon

03/06/2017

John Lennon, a vida

Não costumo ler biografias de artistas que viraram símbolos, pois geralmente a narrativa é capturada pelo mito. Seja para exaltá-lo, seja para contestá-lo. Por essas e outras, nunca me interessei em ler sobre John Lennon.

Entretanto, após ler duas biografias sobre Paul McCartney e pesquisar sobre George Harrison, fiquei interessado em conhecer mais sobre aquele lado da história. Coincidentemente, ganhei de aniversário justamente uma biografia do líder dos Beatles: John Lennon, a vida, escrita pelo jornalista londrino Philip Norman, também autor de Shout!, livro sobre os Beatles execrado por Paul McCartney.

A leitura exigiu fôlego. São 800 páginas sobre 40 anos de vida. São, então, 200 páginas para cada 10 anos. A expectativa é, de saída, uma obra bem detalhada, o que não é frustrada pela leitura. Paul McCartney só aparece depois de 100 páginas. O primeiro capítulo é inusitadamente dedicado a contar a história de Alfred Lennon, filho de John Lennon e pai de John Lennon, o Beatle. Se o livro de Norman tem uma particularidade é justamente o fato de resgatar a figura do pai de John, tido como aquele que abandonou o filho. Lendo o livro, você fica com pena do cara: chifrado incansavelmente pela mulher, execrado pela família dela, ele bem que tentou criar John, a quem amava (assim como um tio, irmão de Alfred, que quis adotá-lo), mas acabou deixando que ele ficasse com a mãe. Não sabemos qual teria sido sua decisão se soubesse que, no fim das contas, o filho seria criado pela tia, e não por Julia. Uma coisa que nunca soube é que, quando ainda era casado com Cynthia, John e o pai se reconciliaram; e só lá pelo final da década John, totalmente surtado, chegou a ameaçar o pai de morte e não mais se falaram.

A mãe, por outro lado, era pintada como a tresloucada incapaz de criar uma criança. Na verdade, Julia queria criar John, assim como o novo namorado. Tanto que, com este, teve mais duas filhas. Trata-se no caso de uma alienação parental por parte da irmã Mimi, que, cooptando o pai (avô materno de John), aproveitou-se da personalidade instável de Julia e conseguiu para si um filho sem ter de passar por situações como sexo, gestação e parto. Extremamente rigorosa e preconceituosa, a Tia Mimi achava terrível que John fosse criado sob um lar “ilegítimo”. Há muita coisa aí que o livro não fala, mas que permite supor que ninguém nessa história era normal. A vítima, claro, foi o menino, que não podia jamais ser alguém normal.

A separação dos pais se deu aos 6 anos. John cresceu com sérios problemas de afeto e sofreu sucessivas perdas nesse sentido em um espaço relativamente curto de tempo. Depois da separação, veio a morte do Tio George, figura paternal e afetuosa que aceitava protagonizar um casamento virgem. Em seguida, a morta da mãe, atropelada. Pouco depois, a súbita morte do melhor amigo, Stu. Mais tarde, a de Brian Epstein. Pra piorar o enredo, logo no início do sucesso, sentiu-se obrigado a se casar ao engravidar a namorada, quando já a chifrava frequentemente com outra, por quem se dizia apaixonado. Nos anos seguintes, repetiu impotente a sina da família: mesmo sem desaparecer como Alfred, foi um pai (e marido) extremamente ausente.

John era uma alma conturbada, bipolar. Uma pessoa bastante insegura, mas que sustentava uma persona confiante e arrogante. Escondia de (quase) todos sua sensibilidade e interesses intelectuais. Tinha rompantes explosivos no qual se tornava uma pessoa fisicamente violenta, além de possuir uma ética um tanto duvidosa. Muitos amigos foram alvo de sua fúria, a quem espancava selvagemente. Algumas vezes sem motivo aparente. Numa delas, quase à morte. Fraco pra bebida, duas cervejas já eram o suficiente pra transformá-lo num ogro. E era praticamente incapaz de pedir desculpas. As drogas, por outro lado, poderiam torná-lo divertido e pacífico, mas também mais paranoico e emocionalmente mais instável que o normal. Ninguém se via livre de sua língua ferina, nem seu filho Julian. Só Ringo nunca foi alvo de seus ataques verbais. Se, com Sean, John foi a vanguarda do pai participativo, com Cynthia foi a caricatura do macho abusivo. E, por fim, tinha um enorme apetite sexual.

Dos aspectos positivos, me surpreendeu a crítica positiva de seus livros e os elogios a suas caricaturas, o Lennon artístico, mas não desenvolvido. Sua língua ferina seria inofensiva não tivesse ele um olhar bem perspicaz sobre as pessoas (pena que tal olhar falhou ante a bajulação de Allen Klein). O talento como compositor, desnecessário comentar. Como amigo, deveria ter mesmo um lado bastante cativante, capaz de compensar sua agressividade.

Até os Beatles assinarem com uma gravadora, Norman teve o mérito de entrevistar qualquer um que tenha esbarrado em John pelas ruas de Liverpool e Hamburgo. Da fase dos Beatles, como ocorre em qualquer biografia ou história do Rock, é impossível escapar da força gravitacional da banda, que passa a ser o foco da narrativa. Já não dá pra falar só de John. Fala-se de George, Paul, Ringo, Brian, Martin, os álbuns, as músicas etc. Depois, a base é, principalmente a versão de Yoko Ono, o que pode gerar alguma distorção. Mas o que importa que a sua visão sobre o casal faz sentido.

Aquela simbiose entre John e Yoko na fase final dos Beatles, que sempre me pareceu ser coisa dela, na verdade foi ideia de John. Com drogas na cabeça, paranoico com a Beatlemania, sufocado com o 1° casamento, órfão de Epstein e sentindo-se aquém de Paul, John quis construir para si um mundo próprio, no qual não tivesse que dar satisfações a e não dependesse de mais ninguém. Entretanto, era incapaz de fazer isso sozinho. Quando surgiu Yoko, pôde abrir mão da banda. Mas levou um tempo para sentir-se seguro para tanto. Na verdade, foi Yoko quem teve de abdicar boa parte de sua vida para viver essa fantasia de John. Algo um tanto inusitado para uma feminista. Coisas que eu não sabia sobre o romance: desde o 1° encontro na exposição de arte, demorou muito pro caso engrenar; Yoko engravidou duas vezes de John e perdeu a criança nas duas vezes de forma traumática.

Após o “lost weekend”, período em que ficou separado de Yoko (por iniciativa dela) em meados dos anos 70, a relação dos dois atingiu outro patamar, Logo de início, Yoko finalmente pôde ter um filho com John. O livro traz um generoso relato desses anos em que ele passou longe da mídia, evitando os amigos que pudessem levá-lo de volta ao álcool, às noitadas e à bebida. O jejum não anunciado de produção artística acabou sendo imposto também a Yoko, que não ficou muito satisfeita com isso. Enquanto se dedicava ao lar, ao filho (na tentativa de compensar o fracasso anterior dele como pai e o do próprio pai) e até à gastronomia, Yoko assumiu o papel de mulher de negócios (a contragosto, apesar de mostrar-se bastante talentosa na função). O John que emerge dessa limpeza física (Yoko, por sua vez, teve uma recaída às escondidas) é um ser solar, ainda temperamental e de língua ferina, mas bem mais tranquilo.

Quando tudo parecia ir bem, quando finalmente parecia estar satisfeito consigo mesmo e com sua família, cheio de planos para o ano seguinte, John é assassinado. Se a volta à ribalta o levaria de volta a velhos hábitos é algo que infelizmente nunca saberemos. Um “p.s.” com uma entrevista com Sean Lennon quase me levou às lágrimas. Creio que isso só não ocorreu porque estava em um restaurante. As páginas finais, com a morte iminente, e justamente quando eu começava sinceramente a amar o personagem (e não só a sua arte), já haviam me deixado com um nó na garganta.

Enfim, dificilmente haverá uma biografia tão completa e honesta sobre John (tão honesta que Yoko acabou por não endossá-la). Nas partes mais polêmicas, como a viagem de John e Brian à Espanha, o autor se limita a fornecer as versões, sem tomar partido ou tirar conclusões. Talvez um livro sobre fases delimitadas (como o livro sobre os anos 70 de Paul) possam servir de complemento, mas só.

Top 20 – filmes e vídeos de música (parte 10)

16/03/2017

Chegou a vez de falar dos documentários em série.

Sonic Highways

Sonic Highways, do Foo Fighters, já foi esmiuçado neste blog, onde comentei cada um de seus oito episódios. O documentário de 2015 registra o processo de composição e gravação de cada uma das oito músicas do álbum homônimo. Mas esta não é a melhor parte da história. Cada faixa é gravada numa cidade diferente dos EUA. As cidades não são escolhidas aleatoriamente, mas devido a sua importância musical. Em cada cidade, é escolhido um estúdio que serve como fio condutor da história narrada. Imperdível para os amantes da música.

Beatles Anthology

The Beatles Anthology foi televisionado em 1995 em três episódios de 2 horas (formato americano) ou seis de 1 hora cada (formato inglês, que foi o usado no Brasil). Mas bom mesmo foi o lançamento no ano seguinte da caixa em VHS (posteriormente em DVD) da versão estendida, com oito episódios que somam mais de 11 horas de entrevistas (novas e de arquivo), cenas de shows e programas de TV. O material é farto, mas, ainda assim, muita coisa é deixada de lado, e pergunta-se por que foram. A mais sentida foi o show completo sobre o telhado da Apple na Savile Row. O documentário teve sua versão em CD (três álbuns duplos) e livro (um tijolaço!). Ninguém pode se dizer Beatlemaníaco sem ter visto Anthology. Um épico!

Eight Days a Week

22/02/2017

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Estava tranquilo com minha decisão de ver o documentário Eight Days a Week: The Touring Years em DVD, quando fui alertado que depois do documentário era exibido a íntegra restaurada do The Beatles at Shea Stadium, que contém 10 das 12 músicas do setlist, e que este era exclusivo para as salas de cinema.

Há alguns anos comprei um daqueles DVDs mequetrefes da Coqueiro Verde que dizia ser o show no Shea Stadium, mas era pura enganação. Fica na minha estante junto com um do U2 ao vivo na África do Sul para me lembrar do quanto eu posso ser otário.

Soa um tanto irônico ir assistir a um filme cujo título fala de uma semana de oito dias na única sessão de um único cinema da cidade em toda a semana. E lotou!

Não sou daqueles beatlemaníacos que tem tudo, que já viu, leu ou ouviu tudo que saiu, tanto oficialmente quanto pirata, sobre os Beatles, mas posso dizer que tenho uma quilometragem bastante razoável. Depois do Anthology, o melhor documentário sobre os Beatles que eu vi na vida foi um editado por um fã brasileiro, com legendas rudimentares, exibido pela Band ou pela Manchete, de quase duas horas, que mostrava excelentes gravações de shows e programas em Paris e Estocolmo; apresentações em TV na Inglaterra, incluindo uma onde eles cantam Shout em meio à plateia; o show do “rock the jewelry”; muitas tomadas do show em Washington onde Ringo Starr fica virando a bateria; Ringo cantando Boys com dor de barriga.

Assim, assistir a um documentário dos Beatles é como colecionar álbum de figurinha: chega uma hora em que você passa na banca de jornal, compra dez pacotes e sente como um ganhador da loteria caso consiga ao menos uma figurinha não repetida. De fato, o documentário de Ron Howard revela pouco, mas conseguiu me apresentar bem mais do que uma figurinha inédita.

Creio que o principal acerto do diretor foi focar em um tema específico, e não ser mais um documentário sobre os Beatles. No caso, as turnês, os Beatles sobre o palco. Outro acerto foi passar batido em episódios já fartamente esmiuçados em outros documentários, como o imbróglio nas Filipinas, a polêmica sobre o show em Budokan, as razões do fim das turnês e sequer mencionar a substituição de Ringo na Austrália. Talvez o único senão tenha sido fazer parecer (involuntariamente, prefiro acreditar) que Ringo entrou na banda antes de Please Please Me.

Com o tema bem delimitado, Howard pôde debruçar-se sobre algumas pérolas inéditas ou mal exploradas. A melhor de todas é a entrevista com Larry Kane, jornalista que acompanhou a banda em sua primeira turnê regular nos EUA e Canadá, em agosto /setembro de 1964. O que mais impressiona (e emociona) é a naturalidade com que Paul McCartney, numa entrevista, detona com o racismo antes de um show em Jacksonville.

A polêmica sobre ser mais conhecido do que Jesus, que provocou bastante turbulência na turnê de 1966 (não por acaso a última), inovou por dar menos atenção às reações do que à retratação de John Lennon. Pela primeira vez eu vi a entrevista com ele na íntegra.

Das entrevistas novas, a mais surpreendente é a com Whoopi Goldberg, que além de fã de Star Trek se revela agora como uma grande fã de Beatles. Ela narra não só a sua ida ao show no Shea Stadium como o quanto a banda foi importante em sua vida, inclusive para sua autoestima e superação de preconceitos raciais.

No final, o documentário detém-se um pouco sobre Sgt. Pepper’s, talvez por tempo demais devido a especificidade do tema, para então fazer uma ponte rápida para a última apresentação da banda sobre o telhado da Apple. Infelizmente, os fãs ainda permanecem à espera da íntegra dessa performance lendária e icônica.

Mas não tem jeito: aqui a cereja do bolo é mais importante do que o bolo. Você sai de casa, assiste a todo o documentário com um sorriso no rosto, mas o que você está esperando é mesmo por aqueles 30 minutos de mergulho no túnel do tempo. E vale cada fotograma!

E bora comprar o DVD e o CD!

Paz, Amor e Sgt. Pepper

09/12/2016
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Paz, Amor e Sgt. Pepper (1994, 1995), George Martin e William Pearson.

Paz, Amor e Sgt. Pepper (Summer of Love: the making of Sgt. Pepper) talvez seja a visão mais abrangente possível que uma única pessoa poderia dar às gravações do mais famoso álbum dos Beatles: Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Escrito por George Martin com o auxílio de William Pearson, após participar do documentário de 25 anos do disco (e imediatamente antes do documentário Beatles Anthology), o relato bastante pessoal do produtor mostra porque Sgt. Pepper é um dos mais importantes álbuns da história do pop/rock.

Ainda que não seja para muitos (incluindo eu e Martin) o disco favorito dos Beatles, o nível de inventividade que a criatividade de John e Paul (então livres das turnês e totalmente dedicados às gravações) exigiu da equipe técnica fez com que o álbum virasse a cabeça de todos no mundo da música. O que hoje parece fácil e comum, lendo o relato de Martin fica claro o quão revolucionário foi o resultado final. Alguns comentários sobre o uso dos canais só vão interessar a entendidos, mas quanto a todo o resto, ainda que um leigo não possa compreender toda a complexidade técnica, é possível perceber o tamanho do desafio proposto.

O texto não se limita apenas aos longos meses de gravação. Martin se dá a liberdade de alguns flashbacks, como o primeiro encontro e as gravações com a banda, o fim dos shows e as gravações de Revolver, e ainda um pequeno estudo sobre as influências musicais do quarteto de Liverpool e o papel que esta cidade desempenhou no som deles.

É possível, ainda, ter pequenos vislumbres da vida cotidiana não só dos integrantes da banda, mas também de Brian Epstein. Também vemos a real admiração pela capacidade musical de Paul e uma certa preferência por John, assim como o preconceito inicial pelas músicas de George, que fez com que Only a Nothern Song ficasse de fora.

Falando muito pouco sobre dias futuros, particularmente o pouco apreço pelo clima confuso das gravações entre Magical Mystery Tour e Let it be, a narrativa tem seu ponto final com a morte de Epstein.

Infelizmente, a necessidade de lançar um single no final do ano fez com que Strawberry Fields Forever e Penny Lane ficassem de fora do álbum, fazendo com que este tenha muitas faixas tapa-buraco. Strawberry Fields Forever foi o ponto de partida de todo o processo e não deveria ter ficado de fora. Ao escutar Sgt. Pepper, sempre fico com a impressão de estar faltando alguma coisa.

Leitura obrigatória para qualquer beatlemaníaco e indicada para os fãs de música em geral, o livro encontra-se esgotado no Brasil, mas é fácil encontrá-lo por um bom preço na Estante Virtual, no acervo da Relume Dumará.

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, o Filme.

27/10/2016
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Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1978), Michael Schultz.

Quando a moda era pegar filmes em videoclubes, a maioria com acervo pirata, chegou lá em casa, sem legenda, uma fita do filme Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, de 1978, dirigido por Michael Schultz, que tem como maior obra do currículo o esquecível Car Wash. Reza a lenda que os ex-Beatles foram convidados para atuar no filme. Na falta dos originais, chamaram Peter Frampton (Billy  Shears) e os Bee Gees (the Hendersons) para formarem o quarteto.

O filme é um musical baseado, principalmente, nas canções dos álbuns Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e Abbey Road, com o reforço de The long and winding road e Get back, do Let It Be, e ainda Nowhere Man e Got to get into my life.

A história é a mais Sessão da Tarde possível, que atualmente poderia estrelar uma série do Disney Channel. A direção, em todos os sentidos, leva o termo Kitsch a significados inimagináveis. As atuações, caricatas (justiça seja feita, propositadamente). A crítica, obviamente, considerou um dos piores filmes jamais feito.

O elenco conta com o grande George Burns como Mr. Kite, Steve Martin no papel de Dr. Maxwell, e ainda Donald Pleasence, Aerosmith, Alice Cooper, Earth Wind & Fire, Billy Preston, Paul Nicholas e grande elenco interpretando personagens como Lucy, Mr. Mustard e Strawberry Fields.

Por alguma dessas inexplicáveis coisas que acontecem na vida da gente, o filme se tornou um mega hit lá em casa. Minha mãe simplesmente adorou! Meu irmão comprou o a trilha sonora!!! Diga-se em minha defesa, que nos anos 80 o material sobre os Beatles andavam escasso no mercado. Nem os filmes passavam no cinema ou na TV. Como eu ainda não havia comprado o Sgt. Pepper’s e Abbey Road, todas as músicas desses dois álbuns que não estão no álbum azul, eu escutei pela primeira vez neste filme. Lembro de ter estranhado muitíssimo a versão de Paul de Oh, Darling, e preferido a de Robin Gibb. Na verdade, concordo com John Lennon quando diz que a canção se adéqua mais à voz dele.

Pra ser justo, alguma versões são bem interessantes, como a da banda (Peter Frampton + Bee Gees) cantando Getting Better, A day in the life, The long and winding road, Golden Slumers/Carry that weight, Good morning good morning, de Billy Preston cantando Get Back, e Aerosmith em Come Together. Até mesmo a inexpressiva Sandy Farina não faz feio em Here comes the sun.

Enfim, hoje consigo ver todos os defeitos do filme, mas sem perder o valor afetivo agregado. Aqui pra casa, tive de recorrer a uma versão em DVD com legendas em francês e espanhol. Consigo achar o filme um desastre e maravilhoso ao mesmo tempo. Vai entender…

 

Top 10 – Coletâneas (final)

05/10/2016
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Anthology 1 (1994), The Beatles.

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Anthology 1 (1994), The Beatles.

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Anthology 1 (1994), The Beatles.

Para finalizar meu Top 10 de coletâneas, chegou a vez do Anthology, uma coleção de três álbuns duplos no estilo bootleg. Trata-se de uma preciosa viagem pela carreira dos Beatles, com gravações pré-fama, apresentações ao vivo, versões cruas e alternativas de estúdio. Só ficou faltando mesmo mais material das gravações de Let it be.

O destaque fica por conta de composições de George Harrison que só foram lançadas em carreira solo, uma versão de Only a Nothern Song superior a que foi lançada em Yellow Submarine e faixas não lançadas. É inexplicável que All things must pass não tenha sido uma Beatle Song.

Documentário e CDs se complementam. É um verdadeiro presente aos fãs e a qualquer um que gosta de ficar por dentro da história da música.

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O próximo Top será de vídeos e filmes de música, para encerra a série, incluindo shows e documentários.

Beatles em Quadrinhos

19/05/2016
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Beatles com a (2014), Mauri Kunna.

Apesar de ser fã dos Beatles, nunca li uma biografia deles. Já li duas do Paul McCartney e vários documentários sobre a banda, mas livro, nunquinha (mas já tem um aqui na pilha, escrito pelo Geroge Martin). Por outro lado, li dois livros ilustrados. Um do finlandês Mauri Kunnas, Beatles com a, e outro do francês Hervê Bourhis, O Pequeno Livro dos Beatles.

Beatles com a é uma história em quadrinhos que conta desde o nascimento de cada integrante do quarteto até a gravação do segundo single, Please please me/Ask me why. Já O Pequeno Livro dos Beatles tem o formato de uma cronologia ilustrada, que também começa no nascimento do quarteto, mas segue com a carreira solo deles (e falecimentos) até janeiro de 2010.

O Pequeno Livro dos Beatles

O Pequeno Livro dos Beatles (2010), Hervé Bourhis.

O livro de Bourhis tem uma abordagem leve e bem humorada, com ilustrações espirituosas, mas é o tempo todo respeitoso com seus personagens e com a história oficial, sendo uma grande homenagem à banda e um presente inestimável aos fãs.

Já Kunnas toma certas liberdades narrativas, não se furtando em realçar aspectos questionáveis da personalidade dos garotos de Liverpool. Como Ringo só aparece no final da história, acaba sendo um pouco poupado. O desenho é rico em referências e informações visuais, do tipo que força o leitor a ficar buscando pequenos detalhes em cada quadro. Destaque para a irreverência dos querubins stonianos.

Com diferentes estilos de abordagem, as duas obras acabam sendo complementares.

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Top 20 – 1960/1969 (11ª parte – final)

27/04/2015
The Beatles (1968).

The Beatles (1968).

Sempre que alguém me fala que não gosta dos Beatles ou simplesmente não vê nada de mais na banda, eu pergunto se a pessoa já ouviu o Álbum Branco. Coincidentemente, a resposta é sempre não.

As músicas conhecidas desse álbum costumam ser Obladi-Oblada, Back in USRR e While my guitar gently weeps. Com um pouco sorte as pessoas também conhecem Blackbird e Helter Skelter.

O álbum flagra o processo de ruptura da banda ao longo do ano de 1968. Muitas das músicas foram compostas ou inspiradas em eventos ocorridos no “spa” do quarteto na Índia. Lennon e Yoko viraram irmãos siameses, Harrison estava de saco cheio, mas quem deixou a banda por alguns dias foi Ringo, a ponto de algumas faixas terem sido gravadas sem ele. Ao mesmo tempo, é o primeiro álbum com uma composição do baterista. E o primeiro a contar com a participação de um artista de fora: Eric Clapton, que chegou a ser cogitado por John como substituto de George, quando este ameaçou sair.

O único jeito de transformar o álbum em realidade foi cada um trabalhar na composição do outro como músico de estúdio. Não se trata exatamente de um álbum colaborativo, mas de uma soma de partes. Só isso explica uma das faixas mais idiotas já gravadas no mundo pop: Revolution 9, uma colagem de sons elaborada por John, George e Yoko. Paul e George Martin foram contra a sua inclusão no álbum, mas tudo o que conseguiram foram reduzir a sua duração para “apenas” 8 minutos.

Mesmo com este cenário de terra arrasada, os Beatles conseguiram produzir um álbum icônico, que se tornou referência para definir álbuns de outros artistas que representam algum tipo de ruptura na carreira. O disco mais badalado do Metallica é conhecido como The Black Album em referência direta ao White Album. Cuatro Caminos, disco do Café Tacvba a ganhar um Grammy, foi considerado um “álbum branco” da banda.

Musicalmente, The Beatles (White Album) marca o afastamento de Harrison das composições de influência indiana em direção ao blues. Lennon buscando um rock mais cruento, como Yer Blues. Paul aproveita o espaço para expandir suas experimentações musicais, indo da romântica e singela I will ao rock pesadíssimo em Birthday e Helter Skelter.

Este foi o último álbum da discografia oficial que eu comprei, ainda em vinil, já passando dos 18.

Blackbird ao vivo com os Wings, em 1976.

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Abbey Road (1969), The Beatles.

Abbey Road (1969), The Beatles.

Por muito pouco, mas muito pouco mesmo, eu não fecho esse Top 20 com Astral Weeks, do Van Morrison. Se fosse há alguns anos atrás, o disco dos Beatles que estaria disputando esse lugar seria A Hard Day’s Night. Mas calhou de ser Abbey Road, uma das capas mais famosas da indústria do disco, mas um álbum que nunca foi dos meus favoritos… até comprar a versão remasterizada.

O último relançamento da coleção dos Beatles não mostra muita diferença quanto aos primeiros álbuns, mas praticamente abriu meus ouvidos para as belezas ocultas em Abbey Road. Foi como se ouvisse o disco pela primeira vez. E dizer isso de uma banda da qual conheço cada acorde como se fosse parte do meu corpo não é pouco!

A qualidade dos arranjos, a clareza nos instrumentos, tudo ganhou mais profundidade, mais frescor, nova dimensão. Fenômeno só ocorrido nesse disco (e, num contexto bem diferente, com o Let it be Naked). Até corri pra escutar o Sgt. Paepper’s Lonely Hearts Club Band, na expectativa de produzir o mesmo resultado, mas a ausência dele nessa listagem já revela qual foi o resultado.

Infelizmente, Maxwell’s Silver Hammer continuou sendo a maior bobagem já gravada por Paul McCartney nos Beatles. Há coisas que nenhuma remasterização ou remixagem do mundo é capaz de fazer.

Por outro lado, Something e Here comes the sun são consideradas a melhor participação de George Harrison num álbum dos Beatles, incluindo aí declaração do próprio Paul. Frank Sinatra considerava Something a melhor canção de Lennon & McCartney; e a segunda passou a ter valor afetivo inestimável por ser, via Bee Movie, a porta de entrada da minha sobrinha para a obra da banda. Come Together, junto com as canções de George, é o grande hit do álbum. Aqui também está a contribuição mais interessante de Ringo Starr, Octopuss Garden (não que ele tenha dado muitas). Mas melhor do que a contribuição de Ringo como compositor é sua performance como baterista em Here comes the sun. A minha preferida depois de A day in the life.

Oh Darling sempre esteve entre as minhas favoritas. Curiosamente, a maioria dessas canções eu conheci primeiro pelo filme trash Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos anos 70, com Peter Frampton, Bee Gees, Aerosmith, Steve Martin, Billy Preston, entre outros. O filme é uma espécie de brega-psicodélico, mas eu adoro. Oh Darling é cantada por Robin Gibb, e por muito tempo preferi a versão dele. Aliás, concordo com John Lennon quando diz que a música ficaria melhor na voz rascante dele.

O grande resgate da versão remasterizada foram I want you (she’s so heavy) e Because. Grande som! Também foi possível apreciar melhor a boa sacada que foi juntar arremedos de canções que não se sustentariam sozinhas numa espécie de suíte; ainda que soem como uma enrolação para se chegar ao grand finale, a verdadeira suíte de Paul, com Golden Slumbers, Carry that weight e The End, passando por um You never give your Moneyrevisited”.

John Lennon toca Come Together ao vivo no Madison Square Garden, em 1972.

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Assim, fechando o último dos Tops por década, gostaria de agradecer a The Allman Brothers Band, Antônio Carlos Jobim e Frank Sinatra, The Band, Beach Boys, Buffalo Springfield, Gal Costa, Gilberto Gil, Janis Joplin, Jefferson Airplane, João Gilberto e Stan Getz, Pink Floyd, Roberto Carlos, Tim Buckley, Van Morrison, por terem feito esta década musicalmente memorável.

Mas, após essa jornada regressiva de 2009 a 1965 (o álbum mais antigo escolhido), com poucos arrependimentos (hoje faria algumas mudanças na década de 2000), a aventura não chegou ao fim. Chegou a hora de encarar o Top 20 dos álbuns ao vivo. Mas dessa vez não divido por décadas, mas os 20 melhores álbuns de shows de todos os tempos (para mim, é claro). Valendo apenas álbuns oficiais e registros de uma mesma turnê.

Portanto, desde já, ficam de fora caixas como a de Bruce Springsteen Live 1975-1985. Estas farão parte do último Top, o das coletâneas.

Top 20 – 1960/1969 (10º parte)

23/04/2015
Revolver (1966), The Beatles.

Revolver (1966), The Beatles.

Quando esse blog foi criado, fiz questão que o primeiro post fosse sobre o Revolver, meu álbum favorito de minha banda favorita. E o que faz deste um disco tão especial?

Revolver é o elo de ligação entre a primeira e a segunda fase dos Beatles se encontram. Nele há um pouco da Beatlemania e um pouco da psicodelia; as baladas clássicas e experimentações estilísticas de Paul McCartney; e, acima de tudo, as inovações no processo de gravação.

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band costuma ser citado como o disco da virada do quarteto de Liverpool, mas, pra mim, esta virada ocorre em Revolver. O disco mais famoso da banda é a consolidação dessa variada. E vou logo adiantando que Sgt. Pepper’s não aparecerá nesse Top 20. Mas trata-se de álbum tão importante que até sua ausência merece ao menos um parágrafo explicativo.

Sgt. Pepper’s era um álbum concebido inicialmente para ser conceitual. Mas esta ideia está presente apenas em umas poucas faixas. O disco é praticamente um álbum repleto de canções independentes, e muitas delas nem são exatamente as mais inspiradas da banda. Isso muito se dá devido a ausência das duas faixas que foram selecionadas para serem o single: Strawberry Fields Forever e Penny Lane. Estivessem elas no álbum, certamente ele apareceria em destaque nesta listagem. Mas Fixing a Hole, Good Morning Good Morning, Lovely Rita e Being for the Benefit of Mr. Kite! Passam longe disso. Mesmo Within You Without You, a faixa de George Harrison, a parte instrumental Indiana é melhor do que a parte cantada. Na verdade, do álbum, eu destacaria apenas She’s leaving home, A Day in the Life e When I’m 64 como memoráveis. A Day in the Life é, sem dúvida, o melhor momento da carreira de Ringo Starr. É um disco que, na época, impactou pelas inovações de estúdio, visual arrojado e sonoridade. Mas, décadas depois, os parâmetros são outros.

Revolver, por sua vez, apresenta, pela primeira e única vez, Harrison com três faixas no mesmo álbum (no Álbum Branco foram quatro, mas ele é duplo!). Das três composições, duas estão entre as melhores canções dele nos Beatles: Taxman e I want to tell you.

Paul, desde And I love her, queria emplacar a balada perfeita. Conseguiu logo em Yesterday. Mas, sempre ambicioso, tentou repetir o feito. Não conseguiu fazê-lo, pelo menos não da mesma maneira. Ainda que não tenham alcançado o mesmo sucesso que Yesterday, For no one e Here, there and everywhere são duas lindas e inspiradas baladas românticas.

Assim como em Sgt. Pepper’s, o álbum sofre dois desfalques das sessões de gravação, canções “desviadas” para compor o single da vez: Rain e Paperback Writer. Meu sonho é que essas duas faixas estivessem no disco, possivelmente no lugar de Dr. Roberts (a mais fraca, na minha opinião) ou mesmo de Yellow Submarine. Por outro lado, é compreensível a escolha. Yellow Submarine, hoje, pode até parecer uma escolha óbvia para um single, mas na época dificilmente a gravadora apostaria numa brincadeira musical. Já Paperback Witer, para época, era a música mais do que certa para sustentar um single. Rain joga no mesmo time de I’m only sleeping, duas músicas de John Lennon com vibe semelhante. É natural que uma delas ficasse de fora. Ainda assim, eu lamento.

A pscicodelia entra de chapa no solo invertido de I’m only sleeping, em She said She said e na inventiva e hipnótica Tomorrow never knows.

Paul experimenta novos estilos em Good Day Sunshine e Got to get into my life, iniciando uma linhagem que prossegue com Fixing a hole, When I’m 64, Martha my dear, Honey Pie, Obladi Oblada, Rocky Racoon, Helter Skelter etc.

And your Bird can sing é uma faixa que poderia estar nos discos anteriores, enquanto Eleanor Rigby, com sua parte orquestrada, é uma ousadia que dá mais do que certo, inspirando uma certa continuação com She’s leaving home. Uma canção atemporal, clássica, eterna.

Se os Beatles não tivessem decidido não mais fazerem shows ao vivo, dificilmente teriam condições, só os quatro, de reproduzirem Revolver numa eventual turnê.

Ensaio de For no One.

Top 20 – 1960/1969 (9ª parte)

08/04/2015
Help! (1965), The Beatles.

Help! (1965), The Beatles.

Help! foi meu primeiro disco preferido dos Beatles, que embalou a minha pré-adolescência. Até a morte de John Lennon, tudo o que se conhecia lá em casa eram os álbuns duplos vermelho e azul, coletâneas oficiais lançadas nos anos 70. O vermelho era a primeira fase, da Beatlemania. O azul era a psicodélica, das barbas e cabelões. E mesmo assim os vinis eram dos meus primos. Nós só tínhamos as fitas gravadas, assim como a fita do show no Hollywood Bowl, álbum também lançado naquela década.

Além disso, os filmes que passaram, salvo engano, na TVE. O que mais me encantou foi justamente Help!, por mais encantador que fosse A Hard Day’s Night. O colorido, o humor, o jeitão palhaço de Ringo Starr e aquela correria toda eram um prato cheio para as crianças. Curiosamente, nunca gostei do desenho Yellow Submarine. Enquanto o primeiro filme só consegui rever muitos anos depois, Help! ainda tive a chance de rever na telona, num cinema pulgueiro da Praia de Botafogo. Só por isso, Help! já era forte candidato à melhor disco dos Beatles. No dia em que viesse a tê-los claro.

E isso ocorreu após a morte de John. Naquele verão de 1981, consegui convencer meu pai a comprar “pros meus irmãos”, que estavam em viagem a Disney, três discos dos Beatles. Um deles era uma coletânea não oficial que tinha Hey Jude; o segundo era a coletânea oficial Oldies (but Goldies); e, salvo engano, Revolver. Claro que meus irmãos não desgostaram do presente, mas o comentário foi “por que você não comprou logo os álbuns vermelho e azul”? No meu aniversário, poucas semanas depois, arrastei meu pai para o setor de música da velha Sears, onde hoje fica o Botafogo Praia Shopping, e pedi de aniversário os discos dos Beatles que se encontravam por lá. Nessa leva certamente estavam, entre outros, Help!

Ao ouvir o álbum, maravilhado com a qualidade de Night Before, You’re gonna lose that girl (um mega hit lá em casa), Another Girl, I need you, meu irmão virou pra mim e disse: “Você tem razão. Se tivesse comprado o álbum vermelho, a gente não teria conhecido essas músicas!”

Ao contrário de A Hard Day’s Night, onde o lado B é melhor do que o lado que serve como trilha do filme, o lado A de Help!, com as músicas do filme, é superior ao lado B. Mesmo assim, faixas como It’s only love, Tell me what you see (uma música menor dos Beatles que meu irmão cantava com uma empolgação surpreendente), a ótima I’ve just seen a face e a rasgada Dizzy Miss Lizzy garantiam a alegria do outro lado. E, claro, “ela”, “a” música: Yesterday.

I’ve just seen a face ao vivo no Unplugged de Paul McCartney.

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Rubber Soul (1965), The Beatles.

Rubber Soul (1965), The Beatles.

Rubber Soul é o álbum que fez a crítica ver os Beatles com outros olhos, e não mais como uma banda de sucesso adolescente. Aqui eles enxergaram nos quatro rapazes de Liverpool algo além do alvoroço da Beatlemania. Ao dizerem isso, todos costumam citar particularmente In my life, que creio ser a música que marca a maturidade do grupo. De fato, Bob Dylan já motivava Lennon a aprimorar seu lado letrista. Paul McCartney sempre procurou não ficar atrás de seus pares, principalmente de John.

Mas essas viradas não acontecem da noite pro dia, ainda mais numa banda produtiva como os Beatles. Tal mudança já ocorria em Help! A faixa título já mostrava John apresentando composições mais pessoais; You’ve got to hide your love away mostrava a influência de Dylan; Ticket Ride abre caminho para a exploração de novas sonoridades em Rubber Soul, onde a banda explora arranjos mais funkeados.

Nesse disco, a participação de George Harrison também fica mais interessante com Think for yourself e If I needed someone. A cítara indiana também é introduzida por George em Norwegian Wood.

Mas mesmo apresentando arranjos e composições mais trabalhadas e complexas, ainda é possível reconhecer nas faixas do álbum a banda da Beatlemania. A verdadeira mudança ainda estava por vir.

You won’t see me ao vivo com Paul McCartney em St. Petesburg, 2004.