Archive for the ‘The Clash’ category

Top 30 – 1970/1979 (1ª parte)

25/03/2013

Retomando a série dos Tops de cada década após empacar nos anos 70. Afinal, parti de uma lista de 90 discos. Depois de baixar pra 40, a coisa ficou quase impossível. Quando cheguei a 31 discos, passei uma semana pra me decidir qual deles rodaria. Então, fechei essa década excepcional com 30, e não 20 álbuns como as demais décadas.

Confirmando a tese que os 10 anos compreendidos entre 1966 e 1975 foram os melhores da indústria do disco, 25 discos da lista se encontram entre 1970 e 1975, sendo 7 deles de 1970.

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London Calling (1979), The Clash.

London Calling (1979), The Clash.

A capa é a da mais icônicas da história do rock: as letras, cores e diagramação remetendo diretamente ao disco de estreia de Elvis Presley. O cartão de visitas de London Calling não é propaganda enganosa: você pode julgar o álbum pela capa.

Originalmente um vinil duplo, hoje um CD simples, raramente álbuns duplos estão a altura da pretensão da banda ao decidir lançá-los (especialmente na era digital). E este é um desses casos raros. Da primeira a última faixa não há nenhuma irrelevância sonora, nenhum tapa buraco. Ao contrário: enfiado de última hora, sem aparecer nos créditos do vinil, Train in Vain fecha essa obra prima punk do The Clash com brilhantismo. Era muita energia criativa.

Ouvi o disco pela primeira vez ainda nos anos 80, apresentado por meu primo Sérgio, que me  emprestou uma sedutora fita Basf com The Alarm ao vivo de um  lado e uma seleção de London Calling do outro. A outra banda achei até legalzinha, mas ficou completamente eclipsada pelos punks do lado B. Rapidamente tratei de devorar o vinil dele e gravar minha própria fita, só com o Clash dessa vez.

Se tivesse que escolher, com revolver na testa, os 20 melhores discos de rock de todos os tempos, London Calling teria seu lugar garantido na lista.

Clampdown ao vivo na TV.

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A Peleja do Diabo com o Dono do Céu (1979), Zé Ramalho.

A Peleja do Diabo com o Dono do Céu (1979), Zé Ramalho.

Considero Zé Ramalho um cara meio metido, convencido demais de sua própria genialidade. Bem, A Peleja do Diabo com o Dono do Céu, de certa forma, dá a ele alguma razão. De longe o azarão da lista inicial de 90 discos, foi impondo sua permanência a cada corte.

A canção mais conhecida do álbum é Admirável Gado Novo (ótima, sem dúvida), mas a faixa-título consegue ser ainda melhor, seguindo a mesma proposta de reflexão social que permeia todo o disco. E eu acabo de falar apenas das duas primeiras músicas… Depois tem muito mais!

Pelo vinho e pelo pão, dueto com Elba Ramalho, ainda pouco conhecida. Garoto de Aluguel, em total clima Midnight Cowboy. Falas do Povo e Beira-Mar, no seu melhor estilo “profeta apocalíptico”. O regionalismo contagiante de Mote das Amplidões e Frevo Mulher. A viajante e roqueira Jardim das Acácias. E a linda instrumental Agônico (não nesta ordem).

Além do artesanato inspirado e afiado das letras, os arranjos e a execução musical são igualmente sensacionais. Enfim, logo em seu segundo disco, o primo da Elba ganhou o direito de ser marrento.

Jardim das Acácias ao vivo em 2012.