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Yo La Tengo

24/10/2016
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I can hear the heart beating as one (1997), Yo La Tengo.

Como disse em outra oportunidade, não saio por aí caçando um novo som, uma nova banda. Sequer escuto rádio pra ficar por dentro das novidades (nunca escutei). Contudo, na minha rede sempre cai um peixe ou outro. É tudo uma questão de estar atento. Ouvidos atentos.

Certa vez, li um artigo no finado Caderno B do Jornal do Brasil sobre a vinda de uma banda sobre a qual eu nunca tinha ouvido falar, que acabara de lançar um disco cujo título eu não fiz questão de guardar. Pra falar a verdade, o próprio nome da banda eu viria esquecer pouco depois. Guardei apenas a boa impressão do texto. Gostei do que li, gostei da descrição da banda, do som, do álbum, e pensei que poderia gostar daquilo.

Muitos e muitos anos depois, chafurdando em lojas de CDs usados, dei de cara com I can hear the heart beating as one, do Yo La Tengo. E algo tilintou dentro de mim: acho que é aquela bando sobre a qual li certa vez no JB. E acho que era desse disco que estavam falando. Tinha a vaga lembrança de ser um nome longo. Nem perdi tempo em escutar alguma faixa na loja. Comprei.

Chegando em casa, pus o CD para tocar e adorei. A partir dali, saí enfileirando álbuns da banda. Quase todos usados. Alguns gostei menos, outros mais, mas I can hear the heart beating as one sempre foi meu favorito. No conjunto, é um álbum relaxante. Nos detalhes, apresenta uma boa variedade rítmica e de estilos, com o direito a covers dos Beach Boys (Little Honda) e de um sucesso de 1960 na voz da cantora americana Anita Bryant, My little corner of the world. Da banda, que escutava pela primeira vez, foi perceptível o DNA do underground nova-iorquino, que remete a Velvet Underground e Sonic Youth.

Depois, pesquisando sobre a banda, pude constatar que, pela data, era mesmo este álbum (e turnê correspondente) do qual falava o artigo que havia lido. Não é só porque as coisas demoram a acontecer que o (meu) mundo não deixa de estar em movimento.

Infelizmente, quando tive a oportunidade de assistir a um show do Yo La Tengo no Circo Voador, em 31 de maio de 2014, havíamos chegado na noite anterior de uma longa viagem e estávamos completamente exaustos. Fomos porque já havíamos comprado os ingressos. Pouco pudemos aproveitar.