Archive for the ‘Filmes e Séries’ category

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, o Filme.

27/10/2016
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Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1978), Michael Schultz.

Quando a moda era pegar filmes em videoclubes, a maioria com acervo pirata, chegou lá em casa, sem legenda, uma fita do filme Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, de 1978, dirigido por Michael Schultz, que tem como maior obra do currículo o esquecível Car Wash. Reza a lenda que os ex-Beatles foram convidados para atuar no filme. Na falta dos originais, chamaram Peter Frampton (Billy  Shears) e os Bee Gees (the Hendersons) para formarem o quarteto.

O filme é um musical baseado, principalmente, nas canções dos álbuns Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e Abbey Road, com o reforço de The long and winding road e Get back, do Let It Be, e ainda Nowhere Man e Got to get into my life.

A história é a mais Sessão da Tarde possível, que atualmente poderia estrelar uma série do Disney Channel. A direção, em todos os sentidos, leva o termo Kitsch a significados inimagináveis. As atuações, caricatas (justiça seja feita, propositadamente). A crítica, obviamente, considerou um dos piores filmes jamais feito.

O elenco conta com o grande George Burns como Mr. Kite, Steve Martin no papel de Dr. Maxwell, e ainda Donald Pleasence, Aerosmith, Alice Cooper, Earth Wind & Fire, Billy Preston, Paul Nicholas e grande elenco interpretando personagens como Lucy, Mr. Mustard e Strawberry Fields.

Por alguma dessas inexplicáveis coisas que acontecem na vida da gente, o filme se tornou um mega hit lá em casa. Minha mãe simplesmente adorou! Meu irmão comprou o a trilha sonora!!! Diga-se em minha defesa, que nos anos 80 o material sobre os Beatles andavam escasso no mercado. Nem os filmes passavam no cinema ou na TV. Como eu ainda não havia comprado o Sgt. Pepper’s e Abbey Road, todas as músicas desses dois álbuns que não estão no álbum azul, eu escutei pela primeira vez neste filme. Lembro de ter estranhado muitíssimo a versão de Paul de Oh, Darling, e preferido a de Robin Gibb. Na verdade, concordo com John Lennon quando diz que a canção se adéqua mais à voz dele.

Pra ser justo, alguma versões são bem interessantes, como a da banda (Peter Frampton + Bee Gees) cantando Getting Better, A day in the life, The long and winding road, Golden Slumers/Carry that weight, Good morning good morning, de Billy Preston cantando Get Back, e Aerosmith em Come Together. Até mesmo a inexpressiva Sandy Farina não faz feio em Here comes the sun.

Enfim, hoje consigo ver todos os defeitos do filme, mas sem perder o valor afetivo agregado. Aqui pra casa, tive de recorrer a uma versão em DVD com legendas em francês e espanhol. Consigo achar o filme um desastre e maravilhoso ao mesmo tempo. Vai entender…

 

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Vinyl

14/10/2016
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Vinyl (2016), Mick Jagger + Martin Scorsese + Rich Cohen +Terence Winter

Vinyl é uma série criada por Martin Scorsese, Mick Jagger, Rich Cohen (escritor e colaborador das revistas Vanity Fair e Rolling Stone) e Terence Winter (The Sopranos e Boardwalk Empire) que visa mesclar a temática de submundo de Scorsese com a indústria musical dos anos 70 vivenciada por Jagger. Nesse intento, o quarteto foi bem sucedido. Mas a série tem problemas.

Trata-se de mais uma série curta (10 episódios) com mais de 50 minutos por episódios. Entretanto, o primeiro episódio, o único dirigido por Scorsese, é na verdade um filme. O piloto tem quase duas horas e é uma obra típica do diretor. Enxuta, redonda, firme, melhor do que muitos de seus filmes mais recentes (parece que a ansiedade de ganhar Oscar estava mesmo bloqueando sua criatividade – depois do prêmio, seus filmes melhoraram).

Quando chega ao final do piloto, achei a história tão redondinha – um crápula da indústria musical, mas muito talentoso, que chega ao fundo do poço e é literalmente salvo pelo rock’n’roll – que pensei ser cada episódio uma história diferente. Mas não, no segundo episódio estavam todos lá, e dessa vez com menos de uma hora de episódio.

O segundo episódio é muito divertido, o mais engraçado da série, e parece apontar em uma determinada direção. Só que nos episódios seguintes o caldo meio que desanda. Talvez preocupado demais em retratar o período, homenagear artistas, registrar costumes, a história perde o foco, enrola e fica sem ritmo. Há pelo menos três episódios muito fracos. Enfim, o que foi contado em 10 poderia ter sido feito em 6 episódios.

Apesar disso, a caracterização está muito boa. Exceto por um esquisitíssimo Robert Plant, você embala no sonho com Lou Reed, David Bowie, Alice Cooper, John Lennon, Andy Warhol etc. Por outro lado, a trama policial se torna muito óbvia, cartesiana.

Só no último capítulo a série recupera o pique e surpreende. Coincidência ou não (acredito que não), o 2° e o último episódios foram escritos por Terence Winter, que co-escreveu com seus colegas de criação o piloto. Ou seja: o que há de melhor na série tem o dedo dele.

No geral, a série acaba valendo a pena, mas a grande frustração fica por conta do final. Ou não final. As tramas principais encontram um desfecho, mas a temporada se encerra com algumas pontas soltas. Na época, estava prevista uma segunda temporada, mas quatro meses depois a HBO decidiu cancelá-la.