Archive for the ‘Jazz’ category

Top 10 – Coletâneas (parte 4)

02/08/2016
The Quintessential volume 2

The Quintessential Volume 2 (1987), Billie Holiday.

Há muitas coletâneas da Billie Holiday, mas a minha preferida é a coleção de 9 volumes chamada The Quintessential, que reúne o material da Columbia entre 1933 e 1942. Como na época da Columbia o formato “álbum” ainda não tinha emplacado, o que só foi acontecer na sua fase final, nos anos 50, esse período só pode mesmo ser encontrado em coletânea. Há um box ainda mais completo dessas gravações, que cheguei a dar presente a meu pai, mas opto por The Quintessential por razões afetivas.

O volume 2, que pega o ano de 1936, sempre foi o meu favorito. Ironia do destino, um dos poucos que eu não tenho em CD. Faltam também os volumes 4 e 9. Hoje descobri que posso achá-los na Amazon, mas o atual custo do frete é proibitivo. O vinil, entretanto, ainda está lá, na casa do meu pai.

O álbum traz ótimas versões de Easy to love, Billie’s Blues e a A Fine Romance. Uma versão de These foolish things que, devo admitir, não chega aos pés da de Ella Fitzgerald com Oscar Peterson. Versões bem distintas e animadinhas de Summertime e The way you look tonight. Mas a minha favorita é It’s like reaching for the moon. Literalmente.

Mas parece que não sou o único apaixonado pelo disco. O crítico do All Music, ao comentar sobre a coleção, escreve: “Neófitos que estão ligeiramente intimidados pelo tamanho desta série deveriam procurar pelo volume 2 como ponto de partida”.

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Ella é demais!

05/08/2010

Pure Ella (1994), Ella Fitzgerald.

Pure Ella é formado por duas seções de gravação, nas quais a cantora Ella Fitzgerald é acompanhada pelo pianista Ellis Larkins, em sua despedida da Decca: uma de 1950, só com canções de Gershwin (8 faixas), que gerou o álbum Ella sings Gershwin, e 12 faixas gravadas em 1954, Songs in a Mellow Mood.

Lá em casa sempre se ouviu mais Ella, ainda que Billie Holiday fosse devidamente apreciada, assim como Sarah Vaughan. Mas só descobri os discos de Billie já na faculdade, e me apaixonei (e, confesso, abandonei Ella). No melhor estilo “Beatles vs Rolling Stones”, havia uma pequena rixa entre os fãs, principalmente os de Billie Holiday. Falavam da sua voz, da sua interpretação, da sua sinceridade, como uma pré-Winehouse. Mas pra mim não era nada disso. Até porque, voz por voz, como criticar a perfeição da voz de Ella? Só sendo botafoguense (Ok! Ok! Não misturemos as coisas… Mas nessas horas sempre me vem um Arthur Dapieve à cabeça).

Pra mim, a grande vantagem de Billie era não estar acompanhada daquelas orquestras grandiosas (sim, há algum trauma provocado por Wagner Tiso e Lincoln Olivetti aqui) e das big bands (que até acho legais, mas não pra um disco inteiro). Nos discos de Billie havia apenas quatro, cinco músicos, sempre muito bons, e era possível distinguir cada som, como nos discos do Cartola com o Marcus Pereira. Gosto mais assim.

Dessa forma, poder escutar Ella acompanhada praticamente só por um piano, ouvir sua voz pura e cristalina, é uma dádiva, um agrado aos ouvidos.