Archive for the ‘Top 10 – Coletâneas’ category

Top 10 – Coletâneas (final)

05/10/2016
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Anthology 1 (1994), The Beatles.

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Anthology 1 (1994), The Beatles.

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Anthology 1 (1994), The Beatles.

Para finalizar meu Top 10 de coletâneas, chegou a vez do Anthology, uma coleção de três álbuns duplos no estilo bootleg. Trata-se de uma preciosa viagem pela carreira dos Beatles, com gravações pré-fama, apresentações ao vivo, versões cruas e alternativas de estúdio. Só ficou faltando mesmo mais material das gravações de Let it be.

O destaque fica por conta de composições de George Harrison que só foram lançadas em carreira solo, uma versão de Only a Nothern Song superior a que foi lançada em Yellow Submarine e faixas não lançadas. É inexplicável que All things must pass não tenha sido uma Beatle Song.

Documentário e CDs se complementam. É um verdadeiro presente aos fãs e a qualquer um que gosta de ficar por dentro da história da música.

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O próximo Top será de vídeos e filmes de música, para encerra a série, incluindo shows e documentários.

Top 10 – Coletâneas (parte 9)

29/09/2016
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Pulp Fiction (1994), vários.

Quando ouvimos uma trilha sonora original, como Hair e Grease, é impossível que ela não nos remeta ao musical. É verdade que nem todas as faixas rendem bem como uma faixa de música sem o suporte visual ou narrativo (The Wall que o diga), mas pior do que isso é quando a música falha em trazer o clima do filme, que é o que eu sinto ao ouvir a trilha sonora de Noviça Rebelde. Imperdoável!

Já as trilhas sonoras não originais costumam render boas coletâneas. Talvez a mais relevante pra minha formação tenha sido a trilha sonora nacional de Estúpido Cupido, que ouvíamos, cantávamos e até mesmo encenávamos e coreografávamos sem parar lá em casa.

Nesse segundo tipo, difícil é escapar de soar como uma coletânea, com todos os seus prós e contras. Raras são as que, do início ao fim, leva o ouvinte a reviver o filme/peça/seriado. Este é o mérito de Pul Fiction. Com os diálogos entrecortando as músicas, é como se o disco recontasse a história de uma forma diferente, como se fosse mais um de seus episódios. Talvez por Tarantino ter escolhido músicas pouco conhecidas, muitas delas instrumentais, o disco soe como uma peça única, original.

E ainda tem a Uma Thurman na capa!

Top 10 – Coletâneas (parte 8)

08/09/2016
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The Power of Negative Thinking (2008), The Jesus and Mary Chain

Na discografia de The Jesus and Mary Chain, há duas coletâneas de B-sides e demos: Barbed Wire Kisses e The Sound of Speed. Este último, eu demorei anos pra saber que era uma coletânea. O primeiro se entregava ao apresentar demos e versões de faixas dos álbuns Psycho Candy e Darklands, pra não falar no “B-sides and More” escrito na capa. Se tivesse que escolher entre os dois, escolheria Barbed Wire Kisses. Só que não é necessário!

Eis que surge o box com quatro CDs The Power of Negative Thinking, com B-sides e raridades. Além de ter todo o material dos dois álbuns citados, traz todo o material de singles e algumas demos e outtakes inéditos.

Em tese, uma coletânea dessa natureza tende a perder a coesão sonora. Mas a banda possui um clima sombrio único, que vai do primeiro ao último álbum promovendo mudanças apenas para continuarem os mesmos.

Top 10 – Coletâneas (parte 7)

01/09/2016
Bruce Springsteen and the E Street Band Live 1975-1985

Bruce Springsteen & The E Street Band Live 1975-1985 (1986).

Durante uma greve na faculdade, estava com um amigo na finada Gabriela do Barra Shopping (antiga loja de discos) e me deparei com uma caixa do Bruce Springsteen ao vivo, Bruce Springsteen & the E Street Band Live 1975-1985. Não era barato, nem estupidamente caro, mas eu havia economizado o dinheiro do lanche por causa da greve. Indeciso, meu amigo deu o empurrão: “Você gosta do cara, tá com dinheiro, compra. Você não vai ter outra oportunidade dessas”. De fato, eu nunca veria essa caixa à venda novamente.

Comprei. Quem não ficou nada contente com o uso do dinheiro foi o meu pai. Apenas fui alertado para não fazer isso de novo. Ok. Quem gostou foi meu irmão, que “descobriu” Bruce Springsteen antes de mim, em um show na Bandeirantes.

O mimo continha cinco vinis e um encarte cheio de fotos e letras. Pra quem só tinha comprado The River (a preço de banana na também finada Mesbla) e gravado uma fita com Born in the USA, aquele material equivalia a uma arca do tesouro. E quem conhece Bruce sabe que ele ao vivo é outro tipo de animal.

Gravações de 1975 a 1985, abrangendo de forma bastante generosa os sete álbuns do Boss lançados até então. Incluindo quatro faixas que não estão em nenhum deles: a instrumental Paradise in the C; Fire, uma habitual dos shows na turnê do Darkness on the edge of town; a versão de Bruce para o hit Because the night, gravado por Patti Smith; e covers de War e Raise your hand.

A abertura, gravada no Roxy Theatre em outubro de 1975, com o anúncio “ladies and gentlemen, Bruce Springsteen and the E Street Band”, seguido da levada ao piano e gaita de Thunder Road, até hoje me causa arrepios. Curiosamente, as faixas ao vivo das músicas de Born in the USA foram as que menos me impressionaram, exceto pela arrepiante versão de Bobby Jean, onde o sax do Big Man se funde ao lamento de Bruce. Talvez, por isso, não tenha lamentado tanto a estranha ausência de Dancing in the dark e Glory Days, mas desejado por mais daquelas jams e o despojamento dos shows dos anos 70.

Duas décadas depois, minha esposa resolveu me dar de presente de aniversário a versão da caixa em CD. Importado, claro. A versão americana digital é reduzida de três CDs. E foi essa que ela encomendou. Só que, ao abrir o pacote, descobri que eles haviam enviado a versão japonesa, que reproduz fielmente a caixa original em vinil, com cinco discos, com as capas com foto de cada um deles, e até mesmo aquele indefectível plástico que envolvia os vinis. Ploft!

Aproveitando o tema, certa vez minha esposa me alertou sobre a liquidação de uma loja no Leblon que estava fechando. Claro que, quando cheguei lá, quase tudo de interessante havia sido levado. Mas eis que sorria para mim a Tracks, caixa de quatro CDs com sobras de estúdio, B-sides e gravações raras de Bruce Springsteen, de 1972 a 1995. E por uma pechincha!

Top 10 – Coletâneas (parte 6)

17/08/2016
Chiapas

Chiapas (1996), vários.

Em meados dos anos 90, pedi a um amigo que viajava pro Chile pra me trazer algum CD de rock chileno. Ele me trouxe de fato um CD, mas se tratava de uma coletânea com vários artistas da América Latina, inclusive Paralamas de Sucesso. E tampouco era só de rock, tendo até Mercedes Sosa. O objetivo do disco, na verdade, era prestar solidariedade à questão social na região de Chiapas, no México. A maioria dos artistas reunidos era de argentinos, mas o disco acabou sendo se tornando, para mim, uma excelente introdução no rock/pop latino dos anos 90.

A versão dos Paralamas de Uns Dias, acústica e com solo de derbake, já valeria o presente. Mas em Chiapas descobri Los Tres, uma das minhas bandas preferidas. Descobri Andres Calamaro, que na época reiniciava sua carreira solo após o fim da banda espanhola Los Rodriguez. Media Verónica seria lançada no álbum Alta Suciedad, mas em versão distinta. Fui enganado com uma faixa folk acústica do Café Tacvba, algo bastante estranho à discografia da banda.

Quem não me animou muito foram os já badalados e oitentistas Charly Garcia e Fito Paez. Tive de “descobri-los” por outras fontes.

No geral, o mais importante foi me acostumar, escutando diferentes gêneros musicais, do rap ao hard rock, ao canto em espanhol. Não foi de imediato. A primeira reação foi de total estranhamento. Só mais de um ano depois, após deixar o disco uma boa temporada na prateleira, consegui me despir de meus preconceitos auditivos e passar a curtir tudo aquilo. Foi o início de uma bela amizade.

Por hoje adorar folk e rock latino, o que me abriu portas para descobrir e gostar de Jorge Drexler, Manel, Sílvia Pérez Cruz, Julieta Venegas, Jaime Roos, Los Fabulosos Cadillacs, Sui Generis, Uchpa, Serú Girán, No te va gustar, Marlango e até mesmo Shakira, entre tantos outros, talvez tenha sido um dos discos mais importantes da minha vida.

Top 10 – Coletâneas (parte 5)

10/08/2016
Elvis 56

Elvis 56 (1996), Elvis Presley.

Elvis Presley tem uma penca de coletâneas, principalmente em vida. A série Elvis’ Golden Records, que de tempos em tempos juntava um pacote de singles, está, certamente, entre as melhores. Mas difícil mesmo é fazer uma coletânea póstuma relevante. E eles conseguiram ao menos duas: uma do período da Sun Records, e outra no momento seguinte, o primeiro ano de Elvis na RCA. E assim nasceu Elvis 56.

A coletânea pega gravações entre janeiro e setembro de 1956, as primeiras do Rei em uma grande gravadora. Som com mais qualidade, melhor produzido, e com um perfil já definido.

Além do mérito de centrar mais no rhythm and blues do que no country e nas baladas, o álbum possui uma das melhores capas da discografia daquele que não morreu.

O próprio conceito da coleção e o curto espaço entre as gravações garantem um elemento essencial para este top 10: a harmonia entre as faixas. Por mais que se conheça a obra de Elvis, escutar Elvis 56 é uma delícia para os ouvidos.

Top 10 – Coletâneas (parte 4)

02/08/2016
The Quintessential volume 2

The Quintessential Volume 2 (1987), Billie Holiday.

Há muitas coletâneas da Billie Holiday, mas a minha preferida é a coleção de 9 volumes chamada The Quintessential, que reúne o material da Columbia entre 1933 e 1942. Como na época da Columbia o formato “álbum” ainda não tinha emplacado, o que só foi acontecer na sua fase final, nos anos 50, esse período só pode mesmo ser encontrado em coletânea. Há um box ainda mais completo dessas gravações, que cheguei a dar presente a meu pai, mas opto por The Quintessential por razões afetivas.

O volume 2, que pega o ano de 1936, sempre foi o meu favorito. Ironia do destino, um dos poucos que eu não tenho em CD. Faltam também os volumes 4 e 9. Hoje descobri que posso achá-los na Amazon, mas o atual custo do frete é proibitivo. O vinil, entretanto, ainda está lá, na casa do meu pai.

O álbum traz ótimas versões de Easy to love, Billie’s Blues e a A Fine Romance. Uma versão de These foolish things que, devo admitir, não chega aos pés da de Ella Fitzgerald com Oscar Peterson. Versões bem distintas e animadinhas de Summertime e The way you look tonight. Mas a minha favorita é It’s like reaching for the moon. Literalmente.

Mas parece que não sou o único apaixonado pelo disco. O crítico do All Music, ao comentar sobre a coleção, escreve: “Neófitos que estão ligeiramente intimidados pelo tamanho desta série deveriam procurar pelo volume 2 como ponto de partida”.