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Top 20 – 1990/1999 (9ª parte – Final)

03/02/2012

I do not want what I haven’t got (1990), Sinéad O’Connor.

Relacionamento com a ex-carequinha Sinéad O’Connor nunca é fácil (que o diga o último marido dela). Eu já tinha me empolgado com o primeiro disco. Quando apareceu I do not want what I haven’t got, chorando no clip de um cover do Prince, Nothing Compares 2 U, como resistir? Nem eu, nem o pessoal do Grammy.

Mas aí ela começou a não deixar cantarem o hino americano antes dos shows dela, a rasgar o retrato do Papa em talk show, e, o pior de tudo, gravar, no auge do sucesso, um anti-comercial álbum de covers, com canções como Don’t cry for me Argentina e How Insensitive (Insensatez, de Tom e Vinícius). Com a antipatia de parte do público e sem um sucesso bombando nas paradas pra sustentar suas excentricidades, ficou fácil jogar a carecuda no limbo.

Depois de reencontrá-la, mais de 10 anos depois, no bom DVD The Year of the Horse, num show de 1991, resolvi saber o que ela andava fazendo. Comecei com a coletânea So far… The Best of Sinéad O’Connor (1997), e logo em seguida lançaram Collaborations (2005), que reunia seus trabalhos com vários artistas: U2, Massive Attack, Peter Gabriel, Moby, Asian Dub Foundation, entre outros.

Ouvindo seus trabalhos mais recentes, encantei-me com sua sofisticação musical. Ainda que sua vida pessoal continuasse uma quizumba, artisticamente ela havia atingido a maturidade. Então, em 2009, lançaram a versão remasterizada de I do not want what I haven’t got.

Poder ouvir novamente esse álbum, que há séculos não escutava, com tamanha qualidade, me fez ver que Sinéad já era, em 1990, uma grande artista. Feel so different, I am stretched on your grave (figurinha fácil em seus shows), The Emperor’s New Clothes, The Last Day of Our Acquaintance… todas grandes canções, muito bem tocadas, arranjadas e interpretadas.

Não conta pro Top 20, mas essa edição especial vem com um disco bônus que tem como destaque uma ótima versão de Mind Games, de John Lennon.

E ainda tem fotos dela tão novinha, tão bonitinha…

The Emperor’s New Clothes ao vivo em 1991.

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Bossanova (1990), Pixies.

Pixies, ao menos por aqui, era apenas mais uma banda alternativa que fazia parte de uma coletânea onde se destacavam bandas como Throwing Muses. Participava com Here comes your man. Então, mais uma vez, veio o Nirvana

Kurt Cobain, certa vez, humildemente declarou que tudo o que estava tentando fazer era soar como Pixies. Por essas e outras que a banda só fez sucesso depois que acabou, após 4 discos e 1 EP.

Entre bons (mas irregulares) discos, destaco Bossanova, que considero o mais homogêneo, com canções como Velouria, Blown Away, Allison, All over the world e Stormy Weather.

Atualmente a banda se encontra novamente reunida como cover de si mesma. Os fãs pouco se importam, pois, ainda hoje, suas músicas soam frescas.

Até ter dinheiro pra correr atrás dos CDs da banda, tudo o que tinha era uma coleção espremida em uma TDK 60, que gravei de uma amiga que tinha a coleção completa em CD. E foi esse o repertório que me acompanhou por cerca de 10 anos (um tanto óbvio que as 5 canções supracitadas estavam nela). A fita ainda existe… e toca!

Estranho vídeo para Allison (e com legenda errada).

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Shake your money maker (1990), The Black Crowes.

Não me lembro o que veio primeiro: esse disco (comprado com um vale presente na falecida Hi-Fi) ou o sensacional show do Black Crowes no Hollywood Rock, abrindo para o magnífico show de Plant & Page (certamente este está entre os melhores shows da minha vida).

Olhando os discos que deixei de fora, fico até intrigado. Afinal, são artistas de quem gosto mais e não tiveram um disquinho sequer contemplado nesse Top 20. Mas em nenhum momento tive dúvidas que de que Shake Your Money Maker entraria. Ao escutá-lo novamente, só confirmei essa impressão.

Desde a primeira audição, fiquei apaixonado pelo álbum, do início ao fim. E é um sentimento que se renova cada vez que o escuto. Lembro que, na época, o disco de adoração era o The Southern Harmony and Musical Companion, que veio em seguida. Mas, pra mim, nada supera os acordes iniciais de Twice as hard abrindo o disco e o cover de Otis Redding, Hard to Handle.

Numa época em que ouvia The Doors na veia, tudo o que queria era uma banda atual que tocasse um bom blues-rock setentista.

Twice as hard ao vivo em Colônia, Alemanha, 1992.

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Gostaria de agradecer, novamente, Beck, Belle & Sebastian, Ben Harper, PJ Harvey e Pato Fu por terem feito esta década discograficamente mais interessante. E agradecer também ao Afghan Whigs, Caetano Veloso, Cowboy Junkies, The Cure, Electrafixion, Eric Clapton, Fiona Apple, Loreena McKennit, Oasis, Patti Smith, Paul McCartney, Peter Gabriel, Radiohead, Skank, Yo La Tengo e a Ry Cooder e todos os músicos cubanos do Buena Vista Social Club.

Até os anos 80!

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Top 20 1990-1999 (8ª parte)

29/01/2012

Achtung Baby (1991), U2.

O que dizer sobre Achtung Baby que ainda não foi dito? Um dos discos mais celebrados dos anos 90? O álbum que livrou o U2 da rejeição e narizes torcidos que os modernos dirigem àqueles que alcançam o topo do estrelato e chafurdam nele? Essa transformação o DVD From the Sky down já retrata satisfatoriamente.

A guinada do U2 em direção à música industrial alemã, à eletrônica, ao pop e ao cinismo foi recebido por muitos como a confirmação que os dias do rock como estilo mainstream estavam acabados.

Mas nem o rock havia acabado, nem o U2 deixou de ser o U2. As letras ásperas, existenciais, políticas e religiosas ainda estavam lá, só que disfarçadas com casacos de couro, óculos de mosca e calças de vinil.

Depois do arrasador sucesso de Joshua Tree e de ter visto o filme Rattle & Hum 8 vezes no cinema, era natural que a expectativa do próximo disco estivesse nas alturas. O vídeo de The Fly já circulava na MTV e causava uma sensação estranha nos fãs. Já o vídeo de Mysterious Ways, apesar de muito distante do som dos anos 80, parecia mais assimilável. E que diabos é esse negócio de “achtung”?!

Quando a Rádio Cidade anunciou que José Roberto Mahr faria uma prévia do disco em seu programa dominical, não desgrudei da minha cama, ao lado do rádio (a Cidade era a única FM que pegava decentemente em casa). Estarei mentindo se disser que foi uma experiência transcendental (aliás, ouvir Joshua Tree também não foi – U2 não é do tipo que faz música para colar no ouvido). Até hoje não entendi o que Mahr quis dizer ao descrever One como uma versão psicodélica de Stairway to Heaven (alguém tomou chá de cogumelo naquela noite, e não fui eu!). A minha primeira paixão no disco foi Acrobat.

Comprei o álbum assim que saiu, ainda em vinil. Aliás, quando ouvi a versão em CD do meu primo, decidi nunca mais comprar vinil. O som era bem melhor! Àquela altura, os vinis já não eram prensados com o mesmo cuidado. Comprei Zooropa em 1993 em CD, meses antes de ter o aparelho para tocá-lo. Por falar em Zooropa, não há como desvinculá-lo de Achtung Baby, assim como não é possível separar o Rattle & Hum do Joshua Tree. Até a versão resmaterizada do CD foi incluída na caixa super deluxe da edição comemorativa dos 20 anos do Achtung.

Continuei achando The Fly esquisito (hoje, adoro!), preferindo bem mais Zoo Station. Assim como preferi Ultraviolet a Even better than the real thing. E Who’s gonna ride your wild horses logo tomou o lugar de Acrobat, assim como One tornou-se logo minha preferida, principalmente depois deles a terem terminado ao vivo. Até hoje não curto muito os arranjos para So Cruel e Tryin’ to throw your arms around the world (que ficou bonitinha ao vivo).

Confesso que minha 1ª reação a Until the end of the world foi a pior possível. Só comecei a cogitar a hipótese de gostar da música quando assisti ao Live in Sidney, num laser disc. Aos poucos a ficha do disco foi caindo e pude agradecer àqueles irlandeses loucos por fazerem dois grandes discos em sequência, um completamente diferente do outro.

Tryin’ to throw your arms around the world na Zoo TV Tour.

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Out of Time (1991), REM.

Out of Time é um disco que me surpreendeu. Não na época, mas hoje! Sei lá por que, achei que o álbum fosse dos anos 80. Já tinha fechado o Top 20 quando me dei conta do erro. E, pra meu espanto, o disco ultrapassou os outros 5 tão sofridamente cortados e desalojou o Buena Vista Social Club, que tinha conseguido sobreviver à árdua seleção.

Conheci REM por meio de um amigo de faculdade, que tinha uma fita K7, possivelmente do Document, que achava o máximo uma banda com o nome de Rapid Eye Movement e uma música intitulada It’s the end of the world (as you know it). Mesmo assim, uma rápida checada em seus fones do walkman foi tudo o que eu ouvi. Tempos depois, assistindo na MTV o making of de um estranho vídeo de uma música chamada Losing my religion, me deparei novamente com a banda. Achei as entrevistas legais e gostei da música. Na Kitschnet (boate que sucedeu ao Crepúsculo de Cubatão) dançava Stand, mas tudo o que tive da banda foi uma coletânea da época da IRS, a gravadora deles nos anos 80.

Na verdade, o que jogou de vez a banda na minha vida foi o excelente MTV Unplugged (por que não lançam o DVD disso?), com repertório baseado no Out of Time e nas músicas que constam no The Best of REM.

Por um acaso da vida, até vê-los ao vivo no Rock in Rio de 2001, nunca tinha me relacionado com o REM em termos de álbuns, apenas de músicas. Sempre foi muito fácil pra mim ouvir os sucessos da banda. Era só pensar em uma, esticar os ouvidos, e ela estava lá, tocando em algum lugar, de forma que os álbuns nunca chegaram a ter uma identidade pra mim. Sempre foram uma fonte amorfa de grandes canções. Consegui, a partir de 2001, ir recuperando essa história discográfica de trás pra frente, até chegar ao Automatic for the People (que sobreviveu até o Top 25).

Então, se essa aventura solitária desbravando minha própria coleção valeu a pena, foi por ter recolocado Out of Time no seu merecido lugar de destaque. Tudo bem que o disco tem Shiny happy people, mas tem também Low, Me in honey, Half a world away, Radio Song… Tudo bem que sempre haverá uma loura histérica nos shows gritando pra tocar Shiny happy people, mas a gente sempre poderá jogá-la da arquibancada, não é mesmo, Alexandre?

Half a world away no MTV Unplugged.

Top 20 – 1990/1999 (7ª parte)

24/01/2012

E 1991 foi o ano do grunge. Mas devo dizer que nos primeiros anos da década me encontrava bastante refratário às novidades, de forma que as bandas de Seattle demoraram pra entrar no meu radar. Os dois álbuns desse capítulo não estariam nesse Top 20 se eu seguisse exclusivamente meu gosto pessoal. Provavelmente o disco do Nirvana não emplacaria o Top 30 e o do Pearl Jam teria ficado entre os 5 últimos que tive grande dificuldade de tirar. Entretanto, é nesse momento que a importância histórica se sobrepõe. Mas cada um dos discos percorreu caminhos distintos para estarem aqui.

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Ten (1991), Pearl Jam.

Quando escrevi sobre o Yield, comentei em que ponto e como o Pearl Jam entrou na minha vida. Pois bem, Ten demorou um pouco mais. Em primeira audição, apenas Even Flow havia me cativado. Alive, apenas ao vivo, inicialmente na versão do Unplugged MTV. Fui reparar em Black no lançamento da coletânea ao vivo Live on Two Legs (1998).

Jeremy nunca esteve entre minhas favoritas. Sempre tive a impressão que a fama era mais devida ao vídeo do que à música em si. Fui cair de amores só no show de 2011, na Apoteose, em versão apoteótica (sem trocadilho). Mesmo assim, continuo preferindo Oceans, Once e Why Go.

O disco sempre me pareceu sofrer da síndrome “lado A/lado B”, muito comum na era do vinil. No Top 20 de 2000/2009, isso não foi obstáculo pra entrar na listagem. Já na concorrida década de 90, só mesmo tendo um borogodó.

O disco de estréia do Pearl Jam nunca foi de frequentar muito meu cd player. Após alguns anos fui reparar a razão: ele estava em praticamente todos os álbuns ao vivo da minha coleção. Fenômeno semelhante ocorria com o Vs., de forma que ficava difícil sentir saudades de escutá-los.

Tive que fazer o caminho inverso, do show ao estúdio, pra me dar conta que o álbum não podia ficar de fora desse Top 20.

A apoteose de Alive no Rio de Janeiro em 2005 (dessa vez com trocadilho), um momento transcendental na minha vida.

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Nevermind (1991), Nirvana.

Com Nevermind, segundo disco do Nirvana, a história foi bem diferente. Meu primeiro cd do Nirvana foi tardio, o Unplugged MTV. Mas, apesar da minha resistência às músicas novas da época, não fiquei imune a Smell like teen spirit.

Mas por que eu tinha essa implicância? Na virada dos 80 pros 90, a imprensa musical e até mesmo alguns artistas, como Lulu Santos, entraram numas de querer enterrar o rock’n’roll. Lulu falava do sambapopbalanço. Lá fora, Pet Shop Boys eram o som do futuro: o pop eletrônico. Mesmo o recém lançado Achtung Baby do U2 parecia reforçar essa impressão: “Viram? Até a maior banda do rock voltou–se para o pop e para a eletrônica!”

Não adiantava chamar a atenção para o fenômeno Guns’n’Roses. O argumento era que a banda de Axl Rose fazia um som de época, o mesmo dos Rolling Stones e do Aerosmith. Não havia novidade, o rock estava parado no tempo. Sobreviveria apenas como gueto mercadológico, assim como o rock progressivo, o heavy metal e o tango.

Então, eu meio que me desconectei das revistas, das rádios, e pegava aquilo que o vento jogava na minha cara (o vento, em muitos casos, era meu primo Sérgio Erse, que não abraçou o grunge, mas me gravou umas fitas preciosas de rock britânico). E, mesmo assim, com muito pé atrás, com uma postura excessivamente crítica (mais ou menos como eu era lá por meados dos anos 80).

Então todos nós vimos e ouvimos aquele vídeo do Kurt Cobain arremessando, com a garganta, a alma conta a parede. Lembro de um debate sobre a música em plena pista de dança da Dr. Smith. E a indústria do disco nunca mais foi a mesma.

Lembro de uma entrevista recente com os Pet Shop Boys contando como foram chutados do topo das paradas para o limbo pelo fenômeno grunge. Lembrou-me muito das declarações dos grupos vocais americanos dos anos 60 comentando sobre a invasão britânica.

Sempre quando alguém tenta dar uma de Cassandra sobre o fim do rock, lembro-me daquela época e sorrio.

Aqui, o vídeo de Smell like teen spirit.

Top 20 – 1990/1999 (6ª parte)

11/01/2012

Little Earthquakes (1992), Tori Amos.

A primeira Tori a gente nunca esquece… Tori Amos é do tipo “ame ou odeie”, impossível ficar indiferente. Também impossível de classificar: é uma mulher ao piano, e a partir daí tudo pode acontecer.

Conheci Tori por meio de uma ex-namorada. Ela já tinha lançado seu 2º disco, mas a música que eu ouvi foi de Little Earthquakes, seu 1º álbum. A canção era Silent all these years. E achei muito bom! Logo em seguida ouvi o resto da fita (naquela época era fita) e continuei gostando.

Nem sempre o 1º disco de um artista é o seu melhor (na verdade, o 1º disco da Tori é Y Kant Tori Read, que ela diz ser o nome de uma banda, não um disco solo – exceto por 3 faixas, melhor que continue assim), mas esse é o caso aqui. Talvez pelo fato do disco ter sido engendrado em uma longa temporada nos bares ingleses, para onde ela migrou após o fracasso da tal banda. Mas há outras razões.

Esse é um disco raiz: nele é possível vislumbrar (quase) tudo o que ela veio a fazer depois. Em termos sonoros, é uma síntese de sua carreira, uma mostra perfeita de seu potencial. A forma mais recomendada para conhecer essa compositora/pianista/cantora pouco convencional.

Quando finalmente vi a capa do disco (então, um vinil), veio à lembrança uma resenha do finado Jornal do Brasil tecendo comentários elogiosos. E também uma festa na casa de uma amiga em Laranjeiras onde alguém também falou bem. Enfim, estava fadado a conhecê-lo.

O mais impressionante de Tori, nesse disco, percebi na volta de carro da casa de um amigo no Frade para o Rio, onde coloquei a fita pra ouvir. Quem não a conhecia comentou ser uma música calma, tranqüila. Num carro, à noite, com pessoas falando, o barulho da estrada, uma bela lua cheia, não dava mesmo pra prestar atenção nas letras espinhentas, provocativas, nada tranqüilas. Tori é um poço de inquietude.

Leather, uma daquelas pequenas grandes músicas, ao vivo em Montreux antes do álbum ser lançado, em 1991.

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El amor después del amor (1992), Fito Páez.

Acredite se quiser: não conheci Fito Páez por meio da versão do Paralamas do Sucesso para Track Track (a melô da piada pronta). A primeira vez que vi/ouvi o cantor argentino foi numa ponta no ótimo filme de Fernando Solanas, Sur, onde ele aparece como um roqueiro chamado Marcelo. Acho que é o único não-tango da trilha sonora encabeçada por Ástor Piazzolla.

Mesmo ouvindo muito falar de Fito via Paralamas e de alguns amigos mais chegados ao que rolava em Buenos Aires, e da ótima versão de Caetano Veloso para Un vestido y un amor no álbum Fina Estampa, só fui conhecer melhor o artista em 2005, após, finalmente, ir a Buenos Aires. Voltei de lá com uma Antología dupla. Satisfeito com o pacote genérico, passei a pesquisar a discografia via Soulseek, baixando álbuns inteiros, pois Fito é bom, mas muito irregular. Nessa pesquisa, logo me chamou a atenção o álbum El amor después del amor.

Apesar da capa de fenômeno brega-romântico, o disco impressiona por sua vitalidade musical. É o momento em que o compositor se afasta um pouco do rock e arrisca mais no pop, fazendo um disco diversificado e mostrando tudo o que é capaz de fazer.

Un vestido y un amor é um clássico; a faixa título é um rock soul contagiante; Pétalos de sal, uma linda balada ao piano. La Rueda Mágica, que conta com a participação de Charly García e Andrés Calamaro (o disco tem ainda a participação de Mercedes Sosa e Ariel Rot, entre outros), Brillante sobre el mic, Tumbas de la Gloria e Dos dias en la vida são outros grandes momentos. Quanto à estranha Sasha, Sissí y El Círculo de Baba, até hoje não cheguei à conclusão se gostei ou não.

Assim como Litte Earthquakes, de Tori Amos, este é um disco que recomendo para quem quer conhecer Fito Páez.

Faixa-título ao vivo aqui.

Top 20 – 1990/1999 (5ª parte)

08/01/2012

Stoned and Dethroned (1994), The Jesus & Mary Chain.

Não sei o que fez eu me desligar de The Jesus and Mary Chain no início dos anos 90. O fato é que eu segui fielmente a banda desde Darklands até o show da turnê do Automatic no Canecão, em 1991. Depois disso, limbo. Se tivessem me dito que a banda havia terminado, não duvidaria. Talvez o fato de só ter comprado meu 1º cd em 1993 (Zooropa) tenha algo a ver com isso, pois os dois discos posteriores da banda não chegaram ao Brasil em vinil.

Reencontrei a banda no carnaval de 1995, num shopping em Recife, quando minha namorada na época chamou minha atenção pra um disco da banda numa filial da Aki Discos. Era o Stoned & Dethroned. Fiquei surpreso comigo mesmo com o quanto estava por fora do que a banda vinha fazendo. Pouco depois, ganhei dela aquele cd de presente de aniversário. A volta da paixão pela banda foi imediata, ainda que o som do álbum fosse bem diferente de tudo que o JMC havia lançado antes, mesmo dos discos que eu então desconhecia (Honey’s Dead e The Sound of Speed).

O som do álbum é um espécie de country pós-punk estradeiro. Serve um pouco pra tudo: pra ouvir quando se está alegre, quando se está triste, zangado, apaixonado, de coração partido, na hora do “vamuvê”, ou na hora de dormir. Garanto que é melhor do que Bombril!

Sometimes Always, a canção que mais se assemelha com um hit no disco, conta com a participação da estranhíssima Hope Sandoval, na época vocalista do Mazzy Star. Em God help me, sempre achei que um dos irmãos Reid estivesse de porre, mas é apenas uma participação de Shane McGowan, do The Pogues.

Não só esse é um dos meus discos preferidos, como o é também da minha esposa, de forma que é figurinha fácil no nosso cd player.

Sometimes Always ao vivo na MTV.

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Severino (1994), Paralamas do Sucesso.

Apesar de Selvagem? ser um ótimo álbum, a guinada para a música latina dada pelo Paralamas do Sucesso na mesma época em que me deslumbrava com o pós-punk britânico fez com que me afastasse da banda e não acompanhasse a sua mudança sonora nos 90.

Em Os Grãos, de 1991, o grupo já buscava novos rumos, num disco um tanto impreciso, mas extremamente bem produzido. Em Severino, os Paralamas incorporaram também diversos ritmos brasileiros, e produziram um disco simplesmente magnífico. No álbum seguinte, Nove Luas (também ótimo), eles retomam a latinidade para, logo em seguida, fazer a fusão total em Hey-Na-Na!

Não me estrague o dia, que abre o álbum, traz um som de cordel sofisticado num ótimo trabalho vocal. Navegar impreciso, com participação de Tom Zé, carrega no experimentalismo. Varal traz o lirismo regional com um trabalho de guitarra lindo. Requiém do Pequeno é Paralamas em sua melhor forma. Vamo batê lata traz a sonoridade funk’n’lata carioca com alma rock.

Assim como em Grãos, Herbert Vianna recorre mais uma vez à música de Fito Paez, El Vampiro bajo el sol. Dessa vez, com a inusitada participação de Brian May na guitarra (não faço idéia de como isso ocorreu!). Depois desssa, fica até sem graça dizer que Fito Paez toca piana na faixa.

Em Música, a banda apresenta um de seus melhores arranjos para a letra espermatozóica de Tom Zé. Em Dos Margueritas, eles voltam à sonoridade do final dos 80, como se disessem “nós ainda sabemos fazer”. Mas mesmo assim não soa igual.

Em Rio Severino, Herbert ataca com um riff pesado de guitarra embalado por uma batida de baião e, como na faixa de abertura, um esperto uso de duas vozes. Seria um fecho com chave de ouro, mas o disco continua…

As últimas duas músicas destoam do resto. Cagaço é uma faixa cheia de pretensões mas que soa apenas ok. O Amor Dorme tenta ser aquela balada paralâmica que há em todos os discos (com participação na guitarra do produtor do disco, Phil Manzanera), mas nada sobrevive a uma frase do tipo “como Deneuve entre os pombos”.

O cd ainda possui 2 boas faixas bônus (duas versões em espanhol), uma delas com participação de Egberto Gismonti, mas bonus track não conta nesse top top.

Máxima vergonha só ter descoberto a melhor fase dos Paralamas após o Acústico MTV. Mas antes tarde do que nunca!

Uma versão hardcore de Rio Severino.

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Verde, Anil, Amarelo, Cor de Rosa e Carvão (1994), Marisa Monte.

Depois de se lançar e brilhar como intérprete em um disco ao vivo, atirando pra todos os lados, Marisa Monte surpreendeu como compositora e definiu melhor o seu som na excelente turnê de Mais. Com o disco seguinte, Verde, Anil, Amarelo, Cor de Rosa e Carvão, mais conhecido como Cor de Rosa e Carvão, a cantora carioca atingiu seu auge, e nada do que fez depois disso chegou aos pés.

Aos parceiros do disco anterior, os titãs Arnaldo Antunes e Nando Reis (seu namorado na época) e o produtor Arto Lindsay, Marisa adiciona Carlinhos Brown (sempre melhor ao contribuir em discos alheios do que em sua carreira solo). Participam ainda a Velha Guarda da Portela, Gilberto Gil, Laurie Anderson, Paulinho da Viola, Philip Glass, Arthur Maia, Marcos Suzano e o conjunto Época de Ouro.

Tenho pra mim que Marisa é uma dos responsáveis por resgatar o samba como música jovem, feita por jovens e para jovens. Os meus amigos (bem) mais novos em meados dos 90 tinham Marisa Monte como um ídolo pop, como a geração de meus irmãos tiveram Elis e Gal. O apreço da cantora/compositora por samba tradicional, presente em todos os seus discos até então, ajudou muito nesse processo de recuperação, não só do samba, mas da própria MPB. E dá pra incluir aí a Jovem Guarda.

As faixas que mais saltam aos olhos de início são Segue o Seco, de Carlinhos Brown, e Dança da Solidão, de Paulinho da Viola, com participação de Gilberto Gil. Mas é Arnaldo Antunes o responsável por momentos brilhantes em De Mais Ninguém, Alta Noite e Bem Leve.

Acredito que o romance entre os dois ainda não havia começado, mas é curioso que Laurie Anderson declame a letra em inglês de Enquanto Isso no mesmo álbum que tem uma bela e criativa cover de Lou Reed (seu futuro marido), Pale Blue Eyes, da época do Velvet Underground.

E o disco ainda tem cover de Jorge Ben (Balança Pema) e um fecho com a Velha Guarda da Portela e Paulinho da Viola, Esta Melodia.

Quando consegui ver a turnê desse disco, já era época do Barulhinho Bom, e o (bom) show, que vi também no Canecão, não passou o mesmo frescor e brilho do Mais. Talvez fosse mesmo hora de ir pra casa e sonhar tudo de novo.

Segue o Seco no VMB de 1995.

Top 20 – 1990/1999 (4ª parte)

02/01/2012

La Espada & La Pared (1995), Los Tres.

Los Tres é uma banda chilena surgida nos primeiros anos de retorno à democracia no Chile, formada em Concepción, fora da capital Santiago. Até então, o ícone rock dos jovens chilenos era a oitentista Los Prisioneros.
Logo em seu primeiro disco, a banda surgiu com grandes canções, mostrando um bom domínio dos instrumentos, letras complexas e um certo toque jazzístico. Entretanto, os dois primeiro álbuns ainda revelavam uma banda em busca de sua identidade. E essa foi encontrada em seu 3º disco em estúdio, que levou a banda a ser conhecida na América Latina, inclusive México, e a gravar um Unplugged MTV em Miami.
La Espada & La Pared apresenta uma perfeita mistura de rock, blues, jazz e ritmos regionais. O disco abre com minha música preferida da banda, Déjate caer (Las horas no demoran / A mi alma desertora /Explícalo muy bien /se abre la tierra el cielo está a mis pies), e apresenta ainda o blues animado de Hojas de Té (Los recuerdos harán que te olvide / Que no se te olvide acordarte que me tienes que olvidar), a irônica Tírate (Y si me dices que te vas / que no lo quieres intentar / entonces abre la ventana y tírate) e a lírica Me rompió el corazón (Mi último adiós / no espera perdón / sólo dos lágrimas de amor /que veo en tu alma).
Infelizmente, o disco conta também com a pior música da banda, Moizefala, que parece saída de um festival de música brega. No final, dois covers fecham o disco: Tu cariño se me va, de um velho e popular cantor chileno chamado Buddy Richard, e uma inusitada versão de All Tomorrow’s Parties, do Velvet Underground.
Em 1997, Los Tres gravariam seu 4º disco em estúdio, Fome, no geral tão bom quanto este (e até mesmo mais regular), mas sem músicas tão marcantes.

Dejate caer ao vivo no Unplugged MTV.

Top 20 – 1990/1999 (3ª parte)

24/12/2011

Set the Twilight Reeling (1996), Lou Reed.

Conheci Velvet Underground por meio do bootleg V.U. que um amigo havia comprado no Museu do Disco, em São Paulo, ainda na era do vinil. Mas tirando Walk on the wild side, mesmo assim via U2 ou Marky Mark; Dirty Boulevard, do álbum New York (que havia dado de presente a um primo, mas sem tê-lo escutado); Vicious, de um Free Nelson Mandela da vida; e o cover de Satellite of Love pelo U2, não conhecia nada da carreira solo de Lou Reed.

Portanto, estranhei quando a minha então namorada resolveu me dar, como primeiro CD de presente em nossa relação, o Set the Twilight Reeling. Estranheza porque tampouco ela era muito familiarizada com Lou Reed ou Velvet Underground. Se foi dica de algum amigo que trabalhava em loja (o que é bem possível), nunca revelou. Seja lá como for, acertou em cheio!

Não há faixa ruim no disco. A qualidade do som e o refinamento instrumental talvez fossem até então inéditos num disco dele. Fazia tempo que não o escutava, mas, ao ouvi-lo novamente, não tive dúvidas de que seria presença garantida nesse Top 20. Todas as emoções provocadas lá pelos idos de 97, 98, estavam ainda presentes.

Egg Cream me lembra inevitavelmente de Roberto Benigni no filme Down by Law, de Jim Jarmusch. Roy Bittan, da E Street Band, participa de Finish Line, música composta em homenagem a Sterling Morrison, do Velvet, recém-falecido. A então futura esposa, Laurie Anderson, participa de Hang on to your emotions. E a faixa-título, que encerra o álbum, sempre me remete a Rock’n’Roll Suicide, de David Bowie, mas nem vou tentar explicar isso.

Lou Reed e Laurie Anderson tocam Hang on to your emotions ao vivo na TV5.

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Unchained (1996), Johnny Cash.

Não fosse o U2 a banda que é, só o fato de ter tirado Johnny Cash do limbo ao convidá-lo pra cantar a última canção do álbum Zooropa, The Wanderer, já justificaria a existência do grupo irlandês.

Coincidência ou não, quando estive em Dublin, pude constatar como é fácil ouvir Johnny Cash sendo tocado nas ruas e pubs da cidade. Um turista mal informado poderia voltar pra casa com a certeza de que Cash era irlandês, assim como Van Morrison.

O ótimo desempenho de Cash na faixa fez uma luz se acender na cabeça do produtor Rick Rubin, que convidou o artista para o projerto American Recordings. O 1º volume é acústico, apenas Cash e seu violão. Já o seguinte, Unchained, conta com vários músicos e uma pequena constelação.

Lindsey Buckingham e Mick Fleetwood, ambos do Fleetwood Mac, participam do country Sea of Heartbreak.

Flea, do Red Hot Chili Peppers, toca em Spiritual, cujo título é auto-explicativo. Junto com Hurt, do 4º volume, é a gravação emocionalmente mais impactante da série. Se nos últimos álbuns Cash já soava como um velho e cansado bardo cantando sua alma, em Unchained isso não ocorre. Sua voz consegue soar jovial em alguns momentos, ou como nos álbuns posteriores quando assim a interpretação da música exige. É o que acontece nessa faixa.

O que Cash faz com a voz no cover do Soundgarden, Rusty Cage, é deslumbrante, atingindo seus impressionantes graves. Outro cover inusitado é a faixa de abertura, Rowboat, do Beck.

Um convidado que participa de todo o disco é Tom Petty, que também mereceu um cover, Southern Accents. Petty também participa, em menor escala, de Solitary Man, o disco seguinte.

Vídeo de Rusty Cage.

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Crash (1996), Dave Matthews Band.

Quando conheci Dave Matthews Band, Before these crowded street era o disco do momento. Mas foi um caminho tortuoso até chegar à banda.

Como acontece muitas vezes, o encontro foi antecedido de pequenos e sutis movimentos. O primeiro, foi um anúncio no Multishow enquanto assistia a um show de uma banda pouco relevante, The Presidents of the United States of America (alguém lembra deles?). Achei o nome Dave Matthews Band meio bobo, e achei que devia ser algo tão desinteressante quanto ao que estava assistindo naquela tarde tediosa de sei lá quando.

O segundo momento foi no terraço do apartamento do meu amigo Pedro. Percebi alguns CDs daquela banda com o tal nome “bobo”. Disse a ele que não conhecia e perguntei se era bom. Ele me respondeu: “você, que gosta de música, faça um favor a si mesmo: escute Dave Matthews Band”. A ênfase me impressionou, e fiquei com aquilo na cabeça.

O terceiro momento foi quando a mãe da minha futura esposa encontrou num banco do Baixo Gávea, em frente a Tracks (uma loja de CDs), uma sacola com CDs recém comprados. Salvo engano, era um do Seal (não gosto), Massive Attack (não gosto), alguma coisa da qual não lembro, e Before these crowded streets, da DMB. Depois de uma semana no quiosque de plantas em frente, aguardando alguém perguntar pela sacola, ela acabou levando os CDs pra casa. Assim, enquanto passava uma tarde na casa deles em Petrópolis, jogando um buraco, botamos os discos pra escutar. Não só gostei do que ouvi da DMB, como achei algo na voz de Dave Matthews muito semelhante ao Eddie Vedder.

Acabou que não foi esse o meu primeiro CD da banda, pois fiquei na expectativa de acabar “herdando o CD”. Mas a casa foi assaltada umas duas vezes, e, em uma delas, levaram os CDs.

Antes de comprar, resolvi pedir emprestado ao Pedro, que gentilmente me emprestou o EP Recently e Crash, que foi por onde comecei. Ao ouvir os primeiros acordes de So munch to say enlouqueci. E a sequência com Two Step, minha música preferida até hoje, foi demais para este pobre coração. Demorou dias para que eu pudesse avançar no disco, pois botava as duas primeiras e repetia tudo de novo. Tudo que vinha depois soava esmaecido, distante.

Claro que depois ouvi o disco inteiro, e outra dupla me encantou: #41 e Say Goodbye. Talvez Proudest Monkey não precisasse de 9 minutos, mas mesmo assim o disco é um prazer aos ouvidos.

Minha primeira providência, claro, foi copiar os CDs e pedir mais emprestado ao Pedro. Mas não demorou muito pra comprar o meu Crash. O Pedro, coitado, acabou emprestando o dele a uma ex-namorada e ficou a ver navios. Retribuí dando-lhe a minha cópia.

Muitos não curtem o pop/jazz da banda, tampouco as longas improvisações que fazem nos shows, mas os discos são bem mais econômicos nesse aspecto, conseguindo maior capilaridade comercial.

Two Step em Woodstock, 1999.