Archive for the ‘Top 20 – 2000/2009’ category

Top 20 – 2000/2009 (10ª parte – Final)

10/12/2011

Binaural (2000), Pearl Jam.

Depois de Yield, todos os discos lançados pelo Pearl Jam foram de lenta digestão pra mim. Acho que levou um par de anos pra começar a dar o devido valor ao Binaural, já após o lançamento de Riot Act, quando fui gravar um CD da banda pra um amigo.

Parte disso se deve a mudanças bruscas de climas ao longo do álbum. Ele se inicia com 3 músicas pesadas, sendo Breakerfall, a faixa de abertura, a minha favorita da série. Depois eles vão se aprofundando cada vez mais em sons viajantes e heterogêneos, o que não torna a audição do disco das mais fáceis.

Se Light Years e Thin Air são mais palatáveis, Nothing as it seems e Parting Ways exigem mais atenção do ouvinte. Na belíssima Soon Forget, Eddie Vedder surpreende com seu novo brinquedinho, o ukelele. E Of the girl, de Stone Gossard, é uma das minhas preferidas, mas fica um pouco perdida no meio do disco. É uma canção que renderia melhor abrindo o disco, como ficou provado no CD ao vivo Benaroya Hall.

Alguns take out foram incluídos na coletânea Lost Dogs, entre eles, Fatal, uma bela música que, inexplicavelmente, ficou de fora. Até porque a sonoridade e o clima sombrio combinam com o álbum.

Binaural marcou a estréia de Matt Cameron, ex-Soundgarden. O baterista se encaixou tão bem no grupo que, hoje, é como se ele estivesse estado lá desde Ten.

O título, por sua vez, refere-se a uma técnica de gravação utilizada em 5 faixas, que cria uma espécie de som 3-D. Parece que a melhor forma de aproveitar esse efeito é por meio de headphone (mas não com mp3), o que, curiosamente, nunca experimentei.

A tour do disco foi registrada no excelente DVD Touring Band 2000, que mostra a banda em ação em diversas cidades americanas. Foi nessa mesma oportunidade que o Pearl Jam lançou a idéia dos bootlegs oficiais pra combater a pirataria mercenária, irrigando o mercado com mais de 70 álbuns ao vivo, dos quais tenho apenas o Live at Wembley, fácil de encontrar no Brasil.

Of the Girl abrindo o show de 15/7/2006, em San Francisco.

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American Recordings III – Solitary Man (2000), Johnny Cash.

Fazer uma lista de quem Rick Rubin produziu nos últimos 30 anos é quase um resumo da história do rock. Mas o produtor já garantiria sua relevância apenas por ser responsável pela série American Recordings com Johnny Cash. O encontro rendeu 6 álbuns, sendo dois deles póstumos.

As gravações misturam composições de Cash com diversos covers, nem todos de country e folk. Em The Man Comes Around, IV volume, a faixa título talvez seja a melhor canção inédita do compositor na série. E Hurt, do Nine Inch Nails, o melhor cover. As versões de I Hung my head (Sting) e Personal Jesus (Depeche Mode) também estão excelentes, mas nas versões de Desperado (Eagles), In my life (Beatles) e Bridge over troubled water (Simon & Garfunkel), esta com participação de Fiona Apple, não conseguem ir além de simples covers, sem agregar valor à música original ou imprimir identidade própria à canção, como fez em Hurt e Further on (up the road), de Bruce Springsteen, no V volume.

Assim, acabei optando pelo III volume, Solitary Man, para marcar os discos da coleção lançados nessa década. O álbum conta com um cover de One, do U2, que, se não chega a ser inesquecível, impressiona por dar identidade própria a uma canção mais do que badalada (e quem fala isso é um fã de U2!), e de The Mercy Seat, do Nick Cave. Há também participação da esposa, June Carter, Tom Petty e Sheryl Crow.

Os três álbuns lançados no período 2000/2009 são excelentes, mas creio que o III volume mantém o mesmo alto padrão da primeira à última faixa.

Versão de One, aqui.

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All that you can’t leave behind (2000), U2.

Lançado no final de 2000, All that you can’t leave behind marca o retorno do U2 ao topo do pop/rock internacional, depois de esticar demais a corda do experimentalismo nos anos 90. Àquela altura, muitos não acreditavam na volta por cima dos irlandeses, após o péssimo início da Popmart Tour, com estádios pela metade, o relativo fracasso do Pop, e a ausência de um single de sucesso, além de sérios problemas de voz enfrentados por Bono e o início de seu ativismo político.

De fato, quem, em sã consciência, iria dizer que uma banda, aos 20 anos de carreira, seria capaz de lançar uma obra-prima, ficando atrás “apenas” de Joshua Tree e Achtung Baby, dois dos melhores álbuns de rock de todos os tempos?

O segredo da banda foi aplicar o experimentalismo dos anos 90 na riqueza melódica dos anos 80. O resultado foi uma música de alta qualidade, extremamente radiofônica, com letras muito bem trabalhadas por um determinado Bono disposto a recuperar o posto de “melhor banda do mundo”.

O início do disco, que ganhou 7 Grammy Awards, emplacou 4 singles de imenso sucesso: Beautiful Day, Stuck in a moment you can’t get out of (dedicada a Michael Hutchence, do INXS, que havia se suicidado), Elevation (cuja versão na trilha sonora de Lara Croft: Tomb Raider é a melhor de todas) e Walk on (dedicada à birmanesa Aung San Suu Kyi), que dá o título ao disco e sempre me remete ao clássico de Frank Capra, Do mundo nada se leva (You can’t take it with you).

Qualquer disco que emende quatro sucessos desse calibre já garantiria seu lugar no Olimpo fonográfico, mas não para por o U2. A 5ª faixa, Kite, é uma das melhores letras já escritas por Bono (com auxílio de The Edge), sobre relação pai e filho. Em seguida, In a little while, com a voz de ressaca de Bono (literalmente), é uma irresistível balada de amor que Joey Ramone pediu pra escutar antes de morrer.

Qualquer artista ficaria feliz em poder ter 6 músicas dessas em um Greatest Hits. O U2 consegui tê-las em um único disco, o décimo da carreira.

All that you can’t leave behind sofre um pouco da síndrome Lado A/Lado B. A sua sequência fica bem aquém da 1ª metade. A comparação realmente prejudica. Wild Honey é uma balada gostosa e despretensiosa, mas nada marcante. Peace on Earth tem uma ironia interessante, mas parece atingir o clímax muitos antes de terminar. When I look at the world atinge ótimos momentos, mas não possui o mesmo acabamento das anteriores. New York não passa de uma faixa interessante que não empolga. Encerrando, Grace, uma faixa desprezada pela maioria dos fãs, mas cuja delicadeza da letra e do riff muito me agrada.

E pensar que a banda queria ter incluído no álbum a ótima The Ground Beneath Her Feet, do filme Million Dollar Hotel, mas os produtores acharam que a proximidade com o lançamento da trilha sonora seria prejudicial, e acabou saindo apenas como bonus track no Japão, Austrália e Reino Unido.

A Elevation Tour, que não veio ao Brasil (infelizmente), marcou um recuo cenográfico da banda em relação à grandiosidade da Zoo TV Tour e da Popmart, retomada recentemente na 360° Tour. E ganhou dois excelentes registros em DVD: Live in Boston e Go Home: Live from Slane Castle, o meu DVD preferido do U2, gravado uma semana após o falecimento de Bob Hewson, pai do Bono.

Kite ao vivo em Slane Castle.

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Gostaria de agradecer a Amy Winehouse, Andres Calamaro, Beck, Belle & Sebastian, Ben Harper, Bob Dylan, Dave Mathews, Diana Krall, Green Day, Madeleine Peyroux, Morrissey, PJ Harvey, Regina Spektor, ao casal John Ulhoa e Fernanda Takai (com ou sem o Pato Fu) e a Anneke van Giersbergen (seja em qual banda for) por terem feito esta década discograficamente mais interessante.

Agora terei de me virar pra fechar a lista de 1990/1999.

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Top 20 – 2000/2009 (9ª parte)

04/12/2011

Antes de prosseguir no Top 20, devo fazer uma errata: acabo de reparar que errei na conta. Em vez de listar 20, listei 21 álbuns. Como todos os que restam são presença garantida, devo pedir pra desconsiderar o How to dismantle an atomic bomb, do U2, que entrou de última hora, e também pela relevância.

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Bloco do Eu Sozinho (2001), Los Hermanos.

Esse é um disco que impõe sua presença pela importância. Acredito que, nele, materializa-se todo um movimento da música jovem brasileira que teve seu início, ou um de seus inícios, quando Marisa Monte surgiu no cenário como compositora, em seus discos Mais e Cor de Rosa e Carvão, e Nando Reis com suas composições juvenis e despojadas.

Até então, samba era coisa de velho ou do povão. Como o personagem-narrador da graphic novel Marvels, eu fui testemunha ocular da transformação: estudantes da PUC sentados nos bancos do Baixo Gávea tocando música de raiz; Seu Jorge, recém saído do Farofa Carioca, desfilando com seus vinis debaixo do braço nas mesinhas em frente ao Seu Cláudio, boteco da Lapa que, junto com o Semente, Sinuca da Lapa e alguns poucos bares, começavam a atrair um público jovem universitário ao bairro. Antes do ressurgimento do Circo Voador, a Fundição Progresso funcionou meio como bunker dessa geração.

De repente o samba virou música de jovem descolado, e cada vez mais era atraído para o liquidificador sempre ligado do rock. Misturas musicais não nasceram com Chico Science e Raimundos, já existem no BRock desde Raul Seixas e Mutantes. Mas a síntese dessa cena musical, unindo o universo da MPB com o rock, criando praticamente um novo estilo musical, ou que a partir dele passou a ser reconhecível como tal, foi o disco Bloco do Eu Sozinho.

Los Hermanos havia surgido um pouco antes com Ana Julia e um disco muito punk. Ninguém esperava o que veio depois; nem o baixista original, que deixou a banda durante as gravações, sendo o instrumento assumido por Kassin. Houve também muita discussão com os produtores e com a gravadora, que simplesmente rejeitaram a nova proposta. A banda marcou época não só musicalmente, mas pela convicção em acreditar na qualidade do seu trabalho contra a gravadora. Alguns pensavam, na época, que o sucesso de Ana Julia havia lhes subido a cabeça (e, de fato, muita coisa devia lhes subir a cabeça). Enfim, sem essa determinação eles não teriam colocado seu bloco na rua (trocadilho inevitável).

A partir desse álbum, que fez a banda dar dois passos pra trás, em termos de público, para depois dar 5 pra frente, a banda apenas reforçou o estilo,  e, no 4º álbum, pareceu cair numa mesmice da qual não conseguia sair. A banda deu um tempo, deixando pra trás uma legião de fãs fiéis e, muitas vezes, odiados.

De fato, Los Hermanos tem algo de chato: frases chicobuarqueanas, a cara sempre deprimida de Marcelo Camelo, e a insistência de Rodrigo Amarante em cantar cada vez mais desafinado (o que é uma pena, pois, no 4, suas composições são mais interessantes que as de Camelo). Mas tudo se perdoa ao ouvir o hino Todo carnaval tem seu fim, que considero a melhor gravação da década no Brasil.

Clipe oficial de Todo o carnaval tem seu fim.

Top 20 – 2000/2009 (8ª parte)

27/11/2011

The Rising (2002), Bruce Springsteen.

The Rising se tornou a trilha sonora do 11/9 nos EUA. Embora apenas algumas canções tenham sido inspiradas pelo evento, o resultado geral é bem coeso, falando sobre perda e superação.

Outro ponto marcante foi o retorno de Bruce Springsteen aos estúdios junto com a E Street Band, que o acompanhou desde o início, em 1973, até o álbum Tunnel of Love, em 1987, e a turnê da Anistia Internacional no ano seguinte, a Human Rights Now!, que tive o privilégio de assistir no Parque Antártica. A reunião nos palcos já havia ocorrido em 2000, devidamente registrado em CD e DVD num fantástico show no Madison Square Garden.

Depois de Born in the USA, Bruce fez bons discos (4 em 16 anos), com ou sem a E Street, mas nenhum memorável. Com The Rising, The Boss retorna como uma flecha para o topo, e não parou de produzir desde então. A turnê do álbum rendeu um excelente DVD ao vivo, Live in Barcelona.

Tanta onda em torno do disco vai além do momento histórico: o disco é bom mesmo! Embora as performances ao vivo sejam essenciais para vislumbrar todo o potencial das canções. Mas qualquer fã de Bruce Springsteen sabe que ele atinge seu auge sobre o palco.

Uma curiosidade: é deste disco a canção Further on (up the Road), regravada magistralmente por Johnny Cash no volume V do American Recordings.

Bruce esbanja carisma em Waiting on a sunny day, ao vivo em Barcelona.

A rush of blood to the head (2002), Coldplay.

Não compartilho do frenesi em torno do Coldplay. Acho até que a banda seria melhor se seu vocalista, Chris Martin, deixasse de lado a sua fixação de ser U2 e fazer rock de arena. Afinal, a banda funciona melhor sendo apenas Coldplay.

Mas, tenho de admitir que A rush of blood to the head é o disco que justifica toda essa badalação em torno da banda. Ele sofre a síndrome do lado A / lado B como outros bons discos, mas o “lado A” em questão traz realmente uma sequência de canções arrasadoras: Politik, In my place, God put a smile upon your face, The Scientist e Clocks. Do “lado B”, entre outras boas canções, as quais precisei ouvir em separado da outra metade pra poder apreciá-las devidamente, destaco a faixa título.

God put a smile upon your face ao vivo no Rock in Rio 2011, em versão aditivada.

Top 20 – 2000/2009 (7ª parte)

19/11/2011

You are free (2003), Cat Power.

Se tivesse feito essa lista há uns meses atrás, provavelmente esse disco ficaria de fora. Já falei dele aqui. De lá pra cá, o disco cresce a cada audição. Repetindo o que disse antes, You are free é um disco agradável, diversificado, e que conta com a participação instrumental de Dave Grohl (Nirvana, Foo Fighters) e de uma fantasmagórica participação de Eddie Vedder (Pearl Jam) em duas faixas. É o mais próximo que Cat Power consegue chegar de um disco solar.

Top 20 – 2000/2009 (6ª parte)

15/11/2011

Os dois álbuns abaixo pertencem às duas bandas nascidas nesta década que mais me empolgaram e impressionaram positivamente: Arcade Fire e Franz Ferdinand. As duas lançaram seu primeiro álbum em 2004, e calhou de conhecê-las também no mesmo ano, em 2006. De lá pra cá, ambas lançaram mais dois álbuns.

Funeral (2004), Arcade Fire.

A estréia discográfica da banda canadense foi, na verdade, em 2002, com um EP homônimo. Mas o grande début foi mesmo com Funeral, que antigamente seria chamado de LP.

De cara, o grupo me lembrou Belle & Sebastian: banda numerosa, indie, criada em torno de um casal, e com um texto no encarte muito parecido com o de Tigermilk, primeiro álbum da banda escocesa. Mas as semelhanças param por aí.

Meu primeiro contato foi com a canção Wake Up, que abria os shows do U2 na Vertigo Tour. De tanto ouvir aquilo nos bootlegs, foi natural querer ouvir a música toda e mais coisas da banda. E assim cheguei a Funeral, um disco pouco comum, de sonoridade dramática e complexa, nada radiofônico. O vocal feminino lembra muito Bjork.

O crescimento musical desde o EP e as sutis, mas significativas, mudanças de um disco pro outro representam uma maturidade musical animadora.

Da primeira vez que a banda veio ao Brasil, não a conhecia. Depois, fiquei torcendo que sua possível vinda ao Rock in Rio 2011 se concretizasse. Não foi dessa vez…

Vídeo de Wake up.

Franz Ferdinand (2004).

Conheci os escoceses do Franz Ferdinand também via U2. Sem ter ouvido um acorde sequer da banda, vi com prazer os rapazes abrindo para o U2 no Morumbi em fevereiro de 2006. Vi uma banda empolgada, tocando com garra e habilidade, e um som contagiante. Voltando ao Rio, o antológico show deles no Circo Voador já estava esgotado. Ficamos pegando restos de som na cerca do lado de fora. Minha esposa, após o show, ainda conseguiu autógrafos de Alex Kapranos e Bob Hardy nas fotos tiradas dias antes em São Paulo. Conseguimos vê-los meses depois na Fundição Progresso, cuja acústica é deplorável.

O disco de estréia eu conheci após o segundo CD, You could have it so much better, e me causou ainda mais impacto pela inventividade e vibração das composições.

Nesses dois primeiros trabalhos, a banda apresentou diversos caminhos possíveis, mas preferiu, no terceiro, Tonight, seguir na área de conforto do rock dançante. Fico na expectativa de que a inquietação que percebi em Joss Stone e Arcade Fire venha a arrebatar esse simpático grupo.

Take me out ao vivo aqui.

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Enquanto Franz Ferdinand e Funeral representam o novo, os outros dois álbuns de 2004 são de velhos conhecidos. Coincidentemente, as duas escolhas mais pessoais desse Top 20.

Trampin’ (2004), Patti Smith.

O primeiro disco de Patti Smith a gente nunca esquece. Ela foi uma daquelas artistas de que eu sempre ouvi falar e demorei a conhecer. Mais um empurrãozinho do U2, com o cover de Dancing Barefoot.

Não há um disco de Patti que eu ache ruim, mas este possui um encanto especial aqui em casa. Quando minha esposa me pedia pra ouvir Patti Smith, eu botava qualquer um, apenas para perceber que, na verdade, ela sempre queria ouvir Trampin’.

A razão disso continua um mistério. Tento, racionalmente, explicar pra mim mesmo que é porque o disco é mais equilibrado que os anteriores, mais regular. Mas, no fundo, creio que seja o vínculo afetivo da descoberta.

Pouco tempo depois, tivemos a oportunidade, junto com o Alexandre, de marcar presença em seu show no Tim Festival.

Jubilee ao vivo na França.

How to dismantle an atomic bomb (2004), U2.

Se alguém disser que eu incluí esse disco só porque é do U2… estará certo. No dia em que fechei a lista, me fiz uma pergunta: eu trocaria algum desses discos por aqueles do U2 que ficaram de fora? Bem, foi com esta pergunta que No line on the horizon tirou American Idiot (Green Day) da lista.

Então, dando a lista como encerrada, resolvi botar How to dismantle an atomic bomb pra tocar enquanto passava um caderno a limpo. Me peguei cantando todas as músicas, mesmo aquelas das quais já tinha enjoado, como Miracle Drug. Então me dei conta que não tinha como deixar um disco com Vertigo, City of Blinding Lights, One step closer e Original of the species de fora; não seria honesto. Além disso, foi devido à turnê desse disco que me interessei por Arcade Fire e Franz Ferdinand. E foi assim que Sea Change (Beck), saiu da lista. Sorry, coisas do coração…

One step closer em um vídeo caseiro, utilizando imagens de shows.

Top 20 – 2000/2009 (5ª parte)

10/11/2011

Prairie Wind (2005), Neil Young.

O que esperar do 28º álbum de qualquer artista? Quando se trata de Neil Young, qualquer coisa. Quarenta anos de carreira e o cara ainda consegue fazer um disco danado de bom! Mesmo sem inovar, ele ainda consegue se provar relevante, mesmo em longas faixas, que parecem curtas de tão boas. Neil Young é um daqueles artistas que às vezes erram feio. Mas quando acerta…

Enfim, não é um disco, é uma terapia.

A faixa título ao vivo aqui, com o coro saído de um episódio de “O Cavaleiro Solitário”.

Top 20 – 2000/2009 (4ª parte)

09/11/2011

The Greatest (2006), Cat Power.

Fazia tempo que ouvia falar de Cat Power, mas nunca tomava a iniciativa. Até que me mostraram uma versão dela de Wonderwall; adorei! Fui totalmente no escuro a The Greatest, não lembro se na ilusão de ser uma coletânea. De qualquer forma, foi um daqueles golpes de sorte: foi paixão à primeira audição. The Greatest me revelou uma voz sensacional, de repertório variado, arranjos delicados, produção sofisticada e som cristalino. Minha esposa chegou a ficar com ciúme, mas teve sua vingança: ela deu show no Circo Voador no mesmo dia em que havíamos marcado a celebração do aniversário dela (o que o amor não faz…).

Tão contente fiquei, que fui pras origens, discos dos anos 90: Moon Pix e The Covers Record (de cujo bootleg havia saído a versão de Wonderwall). Confesso que fiquei desapontado. Os discos eram monótonos, monocórdios e desanimados. Então resolvi ir para frente, pro disco posterior, Jukebox, também de covers, e percebi que esta década foi muito mais abençoada para Chan Marshall (a cabeça, voz e membros por trás de Cat Power).

The Greatest no programa do Jools Holland.

Hágalo usted mismo (2006), Los Tres.

A banda de rock chilena Los Tres acabou em 2000 e anunciou sua volta em 2006. Tive aquela impressão de volta caça-níqueis após carreiras solo decepcionantes. Só quem não topou foi o ex-baterista, Francisco Molina, que se tornou uma referência no circuito jazz chileno. Mas eis que o disco de retorno, Hágalo usted mismo, revelou-se uma grata surpresa.

Com uma ajuda na produção do amigo Emmanuel Del Real, do Café Tacvba, o disco está entre os melhores da banda. Com produção acima dos discos dos anos 90, eles apresentam 10 canções com a mistura de rock e música popular chilena que marcou o som da banda desde o 3º álbum de estúdio, La Espada & La Pared.

Link para a divertida faixa título aqui, em mais um vídeo bizarro típico de Los Tres.

We Shall Overcome: The Seeger Sessions (2006), Bruce Springsteen.

Primeiro disco de covers de Bruce Springsteen. O roqueiro quase sessentão (na época) decidiu mergulhar no universo sonoro de Pete Seeger, o mesmo que tentou cortar os fios dos instrumentos de Bob Dylan a machadadas, responsável pela popularização de diversas músicas do folclore americano. A maioria sem autor conhecido, músicas tradicionais, executadas com muita paixão.

Bruce deixou um pouco de lado a E Street Band, com quem havia voltado a tocar em 2000, juntou um grupo de músicos pouco conhecidos e a esposa, Patti Scialfa, e se enfurnou numa fazenda para ensaios. O resultado, em gravação relâmpago, deu origem à Bruce Springsteen with the Sessions Band Tour, com a adição de mais músicos e a troca do tocador de banjo.

A turnê foi registrada em seu final, no DVD Live in Dublin, gravado no The Point. Cerca de 10 faixas do disco eram tocadas ao vivo, mescladas a outros covers e clássicos de Bruce, só que totalmente rearranjados pra encaixar no universo musical folk. Growin’ Up, por exemplo, só é reconhecível pela letra. Open all night, uma canção de Nebraska pela qual se passa batido, torna-se um grande momento do show. E são 18 músico no palco, dançando, cantando, trocando de instrumento, muito bem ensaiados para o deleite do público. E todos têm seu momento de brilho.

O Mary don’t you weep ao vivo em Dublin.