Archive for the ‘Uncategorized’ category

Digital vs Analógico

07/09/2017

Confesso que não tenho saudades da época do vinil.

Quem viveu, há de se lembrar da fragilidade, dos cuidados, do perrengue. Ocupavam mais espaço, tinham de estar em pé, todo o cuidado pra não empenarem, não deformarem, não quebrarem. Levar disco pra casa de um amigo ou simplesmente comprar e levar pra casa era uma aventura! Comprar em uma viagem, então, sinônimo de muita dor de cabeça.

É bem verdade que o visual das capas e do encarte era deslumbrante, mas tamanho não é documento. A praticidade dos CDs é insuperável! Vinil você tinha de levantar pra trocar de lado, e nem tinha como selecionar só uma faixa, ou faixas. E ainda tinha de limpá-lo volta e meia, pois juntava poeira e mofo. Pouco importa se ficava dentro de um plástico, ou se a própria capa era envolta em um plástico externo: isso só alterava a frequência. E não podia ser qualquer pano, qualquer produto. Às vezes era necessário deixar o vinil em banho-maria em uma solução.

É bem verdade que falo dos vinis antigos. Os de hoje são caríssimos, feitos em alta definição. E aí eu me pergunto: por que os antigos não eram assim?

Quando o CD surgiu, todos realçaram a limpeza e clareza do som. Mas logo apareceram argumentos que mostravam ser o som analógico superior. O mais pertinente dizia que o som analógico era continuo, enquanto que o digital era fatiado. Faz sentido! Isso dava crédito a quem dizia que o som do vinil era mais “quente”, passava mais emoção, provavelmente uma sensação derivada do som contínuo. Mas quem teria ouvidos para perceber a diferença? A única coisa que eu sei que nenhuma versão digital de Aqualung, do Jethro Tull, superou o original.

Contudo, mesmo supostamente superior, a reprodução de um vinil só soaria superior a um CD se os sulcos do vinil não estivessem desgastados e a agulha (que não poderia ser qualquer uma) em perfeitas condições. Ou seja, um vinil perfeito seria como a voz de Axl Rose (no auge), que acaba na terceira música.

E então veio o MP3, que seria o som digital já fatiado com as arestas aparadas. Isso deixaria o som mais compacto e de alta intensidade, o provocaria uma certa saturação auditiva. Curiosamente, em vez das gravadoras apostarem na profundidade sonora dos CDs, algumas passaram a reproduzir o tipo de som dos MP3s, tornando a audição integral de um disco um tanto maçante. Por sorte, nem todos seguiram a onda, e hoje temos vários formatos que tentam dar à música ouvida na internet uma dignidade auditiva.

Relembrando a discussão entre vinil versus CD ao longo dos anos 90, é irônico constatar que quem saiu perdendo foi o CD, suplantado por versões digitais de qualidade inferior.

MP3 e CD é o inverso de cerveja puro malte e cerveja com milho e arroz. Na cerveja, quando você bebe uma pilsen puro malte, você não percebe a diferença pra uma cerveja industrial padrão. Porém, se você fica um tempo só bebendo puro malte, ao voltar a beber a outra, esta fica parecendo água suja. No caso dos formatos digitais, quando você começa a ouvir MP3, não nota a perda de qualidade. Mas quando volta a ouvir CD, o som faz toda a diferença do mundo.  Mas nunca tive a chance de fazer o mesmo teste com vinil.

Nesse meio deste ano, finalmente voltei a ter um toca-discos (ainda não inaugurado). Não me desfiz de nenhum vinil, mas a preguiça de limpá-los será grande. Ainda mais considerando que tenho praticamente todos em CD (e MP3). Mas a nostalgia é uma doença que piora com idade…

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Como os nossos pais?

02/06/2016

É normal termos expectativas sobre nossos filhos. É normal também que os pais tentem incutir nos filhos os mesmos gostos musicais, o clube do coração, a paixão pela leitura, hábitos gastronômicos etc. Não sei se isso dá muito certo. Muitas vezes pode acabar causando o efeito contrário. Não necessariamente por rebeldia. Talvez, ao se acostumar com algo muito cedo, a pessoa acabe enjoando ou associando aquilo a uma fase da infância. Enfim, não importa o que a gente planeje para os nossos filhos, vai dar errado.

De vez em quando me perguntam como vai a educação musical do meu filhote, que no momento está na versão 1.3. Posso responder que ele curte instrumentos musicais e adora batucar, experimentar o som das coisas. Ele gosta de ouvir música e às vezes pede pra colocar, apontando pro CD player desligado. Também gosta de ficar olhando as caixas de CDs. Aliás, ele pede! E reclama se a gente não der. O problema é quando ele quer um específico e a gente tem de pegar um a um até ele dar o ok.

Já poderia me dar por satisfeito por meu filho gostar de CDs, coisa rara hoje em dia. Mas eu sei que tudo isso pode ser temporário: os CDs, a música, a batucada. Não me fixo nisso. Desde a barriga, só me preocupei com uma coisa: exposição. Já parti pra maternidade com uma seleção (era pra mãe, mas já fiz o setlist pensando nele também), que ficou se repetindo todo o tempo em que estivemos lá. Como eram mais de 200 músicas, não chegou a enjoar.

Meu objetivo não é fazê-lo gostar de um determinado típico de música, embora haja um viés inevitável nessa exposição musical (por exemplo: ele já fica apontando pras fotos dos Beatles querendo saber quem é John, Paul, Ringo e George). O que eu quero e fazê-lo gostar de música. Ponto. Não falo gostar do tipo tratar música como papel de parede, algo que fica lá no fundo decorando o ambiente, como diz o Neil Young, mas desenvolver um senso crítico em relação à música. Seja apenas como ouvinte, seja também como instrumentista. Se algum dia ele virar pra mim e disser que quer ser músico quando crescer, provavelmente vou respirar aliviado por ele não querer ser advogado ou engenheiro.

Se ele vier a gostar de sertanejo, pagode, música eletrônica, ópera chinesa ou folclore búlgaro, que não seja pelo efeito manada, Maria vai com as outras, mas fruto de um gosto pessoal, desenvolvido ao longo dos anos (aliás, que seja assim pra tudo: política, esporte, religião, literatura). Nesse ponto, meu filho só irá me desapontar se for menos ele mesmo.

Blog

 

O tempo voa…

07/01/2015

Meu último post foi em abril do ano passado. Aí viajei e pretendia voltar falando dos shows da Tori Amos, do Yo La Tengo… Mas eu diria que a viagem saiu melhor do que o planejado. A família começou a crescer e o tempo ficou escasso e tumultuado. Espero agora poder retomar o blog com a calma e a atenção que ele merece, mesmo que os gritos pela casa não sejam exatamente aqueles melodiosos e afinados de antes.

Listas da Rolling Stone

11/09/2011

A Rolling Stone brasileira tem colocado nas bancas aquelas edições especiais com listas de músicas ou artistas. Comprei duas: 500 melhores canções de rock; e as 100 melhores canções dos Beatles. Pra quem conseguir abstrair de detalhes como a posição de determinada música na lista ou a presença ou ausência de certa canção, terá uma ótima leitura nas mãos.

O grande barato é justamente ler sobre as músicas, sobre a história das gravações, ou mesmo conhecer alguns artistas e certas versões até então ignoradas. Na edição sobre os Beatles há pequenos boxes falando sobre as preferidas de Paul e John, os melhores solos de Harrison e Max Weinberg (baterista da E Street Band) comentado sobre os melhores momentos de Ringo. Além de boas fotos. Um luxo!

No site da Roling Stone Magazine há varias dessas listas disponíveis. Destaco a dos 100 melhores artistas, onde cada um dos listados mereceu uma resenha de outro artista.

Vou aproveitar a deixa pra dizer que em breve postarei minha listinha. Como o foco principal do blog é sobre álbuns, esse será o tema. Mas eventualmente escreveremos também sobre cerveja, é que por enquanto está mais divertido bebê-las.

Olá, quanto tempo…

09/07/2011

Eu e Flávio começamos este blog porque amamos música. Fatos da vida (ou preguiça, mesmo) nos afastaram dele, mas vou voltar a escrever. Quer dizer, não escrever. Minha idéia inicial era apenas fazer uma lista dos discos que ouvi, sem comentá-los, mas o Flávio gosta de comentar e eu fui na onda. Pois bem, volto a postar, porém sem comentários, minha idéia original. Assim, posso colocar todos os discos que ouço (ou tentar). Se puder, coloco o link para alguma música.

Eu também seguia uma regra de só publicar discos comprados, mas mudei de idéia. Eu me tornei entusiasta da “High Resolution Music”, “Audiophile”, ou se ja lá que nome tenha. O pessoal pega os discos de vinil, transforma em arquivos FLAC de alta resolução (24 bits e 96 kHz; os cd´s têm 16 bits e 44.1 kHz), com as capas digitalizadas. Eu gravo esses arquivos em DVD-Audio, que, por sorte, meu aparelho de som consegue tocar.

Em minha opinião, o som é sensacional, bem melhor que o cd.

Esta página disponibiliza esses arquivos.

Aqui se explica o DVD-A.