HO-BA-LA-LÁ – À procura de João Gilberto

Publicado 14/06/2017 por cheibub
Categorias: João Gilberto, Livros, MPB

Hobalala

Acabei de ler o mais inusitado dos livros sobre João Gilberto.

No segundo semestre de 2010, entre a vitória de Dilma nas eleições e a ocupação do Morro do Alemão pela polícia, o jornalista e escritor alemão Marc Fischer, seguidor do Novo Jornalismo de Gay Talese, veio ao Rio na tentativa de encontrar (e, se possível, entrevistar) o mais recluso dos nossos mitos musicais: João Gilberto.

Quem conhece João já sabe de antemão o final dessa empreitada. Fischer, então, transforma em livro suas desventuras e descobertas, num misto de biografia artística e autobiografia jornalística.

Autodenominando-se um Sherlock moderno, acompanhado de uma Watson carioca que lhe servia de tradutora, assistente e investigadora, Fischer vai contando os bastidores de cada entrevista, cada porta na cara e até mesmo eventuais porres. Em vez de construir uma narrativa em cima do material levantado, ele narra como obteve cada informação. Assim temos o capítulo com Menescal, o capítulo com Marcos Valle, com João Donato, Miúcha, um ex-cozinheiro do Plataforma etc., incluindo uma ida improvisada a Diamantina em busca do banheiro mágico onde a Bossa Nova teria sido inventada.

O mito (real) do banheiro da casa da irmã, o gosto pela maconha e a reclusão de João são bem conhecidos, mas o livro traz outras revelações que, ao menos a mim, surpreendem, como a relação e a filha com a bela e jovem Claudia Faissol. E principalmente, como ele encontrava a filha todos os fins de semana como um avô brincalhão. A batalha com a EMI e a razão da ausência de seus primeiros discos no mercado. A forma como ele se relaciona com o mundo (na verdade, uma pequeníssima parte dele) através do telefone.

A lentidão com que a investigação se desenrola me lembrou a primeira temporada de True Detective. Muito beco sem saída, muita porta na cara, até que a persistência e os contatos rendam frutos. Neste ínterim, o autor preenche as lacunas fazendo elucubrações românticas dignas de um “João Gilberto e a Filosofia”, com uma ingenuidade que ganha ares de literatura adolescente. No final, quando se dá conta que tinha chegado até onde podia sem atingir a meta pretendida, bate o desespero.

Entretanto, um detalhe na orelha do livro acabou por dar sentido à paixão juvenil que permeia a narrativa. Marc Fischer morreu em abril de 2011, aos 40 anos, pouco antes da publicação do livro. Fiquei curioso em saber se havia sido acidente, uma doença terminal ou algo assim. Marc se suicidou. Seu perfil no Facebook continua ativo, com uma última postagem em fevereiro. A maioria de seus posts era de música, e havia alguns sobre a viagem ao Brasil. E, claro, músicas de João Gilberto.

Perguntei-me, então, se, ao vir ao Brasil atrás de João, o jornalista já encarava aquela viagem como uma última e louca missão guiado pela paixão, talvez uma tentativa de dar sentido a sua vida. E eis que me pego fazendo as mesmas elucubrações que ele. Menescal tem razão: esse João é mesmo um perigo…

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John Lennon

Publicado 03/06/2017 por cheibub
Categorias: John Lennon, Livros, The Beatles

John Lennon, a vida

Não costumo ler biografias de artistas que viraram símbolos, pois geralmente a narrativa é capturada pelo mito. Seja para exaltá-lo, seja para contestá-lo. Por essas e outras, nunca me interessei em ler sobre John Lennon.

Entretanto, após ler duas biografias sobre Paul McCartney e pesquisar sobre George Harrison, fiquei interessado em conhecer mais sobre aquele lado da história. Coincidentemente, ganhei de aniversário justamente uma biografia do líder dos Beatles: John Lennon, a vida, escrita pelo jornalista londrino Philip Norman, também autor de Shout!, livro sobre os Beatles execrado por Paul McCartney.

A leitura exigiu fôlego. São 800 páginas sobre 40 anos de vida. São, então, 200 páginas para cada 10 anos. A expectativa é, de saída, uma obra bem detalhada, o que não é frustrada pela leitura. Paul McCartney só aparece depois de 100 páginas. O primeiro capítulo é inusitadamente dedicado a contar a história de Alfred Lennon, filho de John Lennon e pai de John Lennon, o Beatle. Se o livro de Norman tem uma particularidade é justamente o fato de resgatar a figura do pai de John, tido como aquele que abandonou o filho. Lendo o livro, você fica com pena do cara: chifrado incansavelmente pela mulher, execrado pela família dela, ele bem que tentou criar John, a quem amava (assim como um tio, irmão de Alfred, que quis adotá-lo), mas acabou deixando que ele ficasse com a mãe. Não sabemos qual teria sido sua decisão se soubesse que, no fim das contas, o filho seria criado pela tia, e não por Julia. Uma coisa que nunca soube é que, quando ainda era casado com Cynthia, John e o pai se reconciliaram; e só lá pelo final da década John, totalmente surtado, chegou a ameaçar o pai de morte e não mais se falaram.

A mãe, por outro lado, era pintada como a tresloucada incapaz de criar uma criança. Na verdade, Julia queria criar John, assim como o novo namorado. Tanto que, com este, teve mais duas filhas. Trata-se no caso de uma alienação parental por parte da irmã Mimi, que, cooptando o pai (avô materno de John), aproveitou-se da personalidade instável de Julia e conseguiu para si um filho sem ter de passar por situações como sexo, gestação e parto. Extremamente rigorosa e preconceituosa, a Tia Mimi achava terrível que John fosse criado sob um lar “ilegítimo”. Há muita coisa aí que o livro não fala, mas que permite supor que ninguém nessa história era normal. A vítima, claro, foi o menino, que não podia jamais ser alguém normal.

A separação dos pais se deu aos 6 anos. John cresceu com sérios problemas de afeto e sofreu sucessivas perdas nesse sentido em um espaço relativamente curto de tempo. Depois da separação, veio a morte do Tio George, figura paternal e afetuosa que aceitava protagonizar um casamento virgem. Em seguida, a morta da mãe, atropelada. Pouco depois, a súbita morte do melhor amigo, Stu. Mais tarde, a de Brian Epstein. Pra piorar o enredo, logo no início do sucesso, sentiu-se obrigado a se casar ao engravidar a namorada, quando já a chifrava frequentemente com outra, por quem se dizia apaixonado. Nos anos seguintes, repetiu impotente a sina da família: mesmo sem desaparecer como Alfred, foi um pai (e marido) extremamente ausente.

John era uma alma conturbada, bipolar. Uma pessoa bastante insegura, mas que sustentava uma persona confiante e arrogante. Escondia de (quase) todos sua sensibilidade e interesses intelectuais. Tinha rompantes explosivos no qual se tornava uma pessoa fisicamente violenta, além de possuir uma ética um tanto duvidosa. Muitos amigos foram alvo de sua fúria, a quem espancava selvagemente. Algumas vezes sem motivo aparente. Numa delas, quase à morte. Fraco pra bebida, duas cervejas já eram o suficiente pra transformá-lo num ogro. E era praticamente incapaz de pedir desculpas. As drogas, por outro lado, poderiam torná-lo divertido e pacífico, mas também mais paranoico e emocionalmente mais instável que o normal. Ninguém se via livre de sua língua ferina, nem seu filho Julian. Só Ringo nunca foi alvo de seus ataques verbais. Se, com Sean, John foi a vanguarda do pai participativo, com Cynthia foi a caricatura do macho abusivo. E, por fim, tinha um enorme apetite sexual.

Dos aspectos positivos, me surpreendeu a crítica positiva de seus livros e os elogios a suas caricaturas, o Lennon artístico, mas não desenvolvido. Sua língua ferina seria inofensiva não tivesse ele um olhar bem perspicaz sobre as pessoas (pena que tal olhar falhou ante a bajulação de Allen Klein). O talento como compositor, desnecessário comentar. Como amigo, deveria ter mesmo um lado bastante cativante, capaz de compensar sua agressividade.

Até os Beatles assinarem com uma gravadora, Norman teve o mérito de entrevistar qualquer um que tenha esbarrado em John pelas ruas de Liverpool e Hamburgo. Da fase dos Beatles, como ocorre em qualquer biografia ou história do Rock, é impossível escapar da força gravitacional da banda, que passa a ser o foco da narrativa. Já não dá pra falar só de John. Fala-se de George, Paul, Ringo, Brian, Martin, os álbuns, as músicas etc. Depois, a base é, principalmente a versão de Yoko Ono, o que pode gerar alguma distorção. Mas o que importa que a sua visão sobre o casal faz sentido.

Aquela simbiose entre John e Yoko na fase final dos Beatles, que sempre me pareceu ser coisa dela, na verdade foi ideia de John. Com drogas na cabeça, paranoico com a Beatlemania, sufocado com o 1° casamento, órfão de Epstein e sentindo-se aquém de Paul, John quis construir para si um mundo próprio, no qual não tivesse que dar satisfações a e não dependesse de mais ninguém. Entretanto, era incapaz de fazer isso sozinho. Quando surgiu Yoko, pôde abrir mão da banda. Mas levou um tempo para sentir-se seguro para tanto. Na verdade, foi Yoko quem teve de abdicar boa parte de sua vida para viver essa fantasia de John. Algo um tanto inusitado para uma feminista. Coisas que eu não sabia sobre o romance: desde o 1° encontro na exposição de arte, demorou muito pro caso engrenar; Yoko engravidou duas vezes de John e perdeu a criança nas duas vezes de forma traumática.

Após o “lost weekend”, período em que ficou separado de Yoko (por iniciativa dela) em meados dos anos 70, a relação dos dois atingiu outro patamar, Logo de início, Yoko finalmente pôde ter um filho com John. O livro traz um generoso relato desses anos em que ele passou longe da mídia, evitando os amigos que pudessem levá-lo de volta ao álcool, às noitadas e à bebida. O jejum não anunciado de produção artística acabou sendo imposto também a Yoko, que não ficou muito satisfeita com isso. Enquanto se dedicava ao lar, ao filho (na tentativa de compensar o fracasso anterior dele como pai e o do próprio pai) e até à gastronomia, Yoko assumiu o papel de mulher de negócios (a contragosto, apesar de mostrar-se bastante talentosa na função). O John que emerge dessa limpeza física (Yoko, por sua vez, teve uma recaída às escondidas) é um ser solar, ainda temperamental e de língua ferina, mas bem mais tranquilo.

Quando tudo parecia ir bem, quando finalmente parecia estar satisfeito consigo mesmo e com sua família, cheio de planos para o ano seguinte, John é assassinado. Se a volta à ribalta o levaria de volta a velhos hábitos é algo que infelizmente nunca saberemos. Um “p.s.” com uma entrevista com Sean Lennon quase me levou às lágrimas. Creio que isso só não ocorreu porque estava em um restaurante. As páginas finais, com a morte iminente, e justamente quando eu começava sinceramente a amar o personagem (e não só a sua arte), já haviam me deixado com um nó na garganta.

Enfim, dificilmente haverá uma biografia tão completa e honesta sobre John (tão honesta que Yoko acabou por não endossá-la). Nas partes mais polêmicas, como a viagem de John e Brian à Espanha, o autor se limita a fornecer as versões, sem tomar partido ou tirar conclusões. Talvez um livro sobre fases delimitadas (como o livro sobre os anos 70 de Paul) possam servir de complemento, mas só.

12 segundos de oscuridad

Publicado 28/05/2017 por cheibub
Categorias: Jorge Drexler, Rock/Pop Latino

12 segundos de oscuridad

12 segundos de oscuridad (2006), Jorge Drexler.

“No es la luz lo que importa en verdad; son los 12 segundos de oscuridad.”

Cabo Polônio é uma pequena vila no litoral norte uruguaio em meio a uma reserva natural. O local não possui energia elétrica nem infraestrutura sanitária. Os estabelecimentos com gerador de energia costumam desligá-los depois das 22h. Tampouco há acesso por estrada. Ou se chega lá caminhando 7 km por bosques e dunas ou as atravessando com um 4×4.

O cenário é dominado por um farol, cuja luz, durante a noite, varre as ruas (?) da vila em intervalos de 12 segundos. Ceta noite, o cantor e compositor uruguaio Jorge Drexler havia esquecido de sair com sua lanterna. Na volta a sua hospedagem, tinha de esperar a luz do farol para vislumbrar seus próximos passos na escuridão. E assim nasceu a ideia da canção título de seu álbum 12 segundos de oscuridad.

Eco, de 2004, é disparado o melhor álbum do uruguaio (ou mesmo do Uruguay), e Sea, de 2001, o álbum que colocou o cantor no mapa. Mas este disco com ares de brisa marinha é, a meu ver, sua segunda melhor obra, com uma sonoridade homogênea (com exceção do cover de Disneylandia, dos Titãs, que encaixaria melhor no álbum de 2001) e uma atmosférica poética.

A faixa-título é uma obra-prima, sendo os outros pontos altos o cover de High and Dry, do Radiohead, que soa como composição própria; a gostosa Inoportuna; e o dueto com Maria Rita em Soledad.

Top 20 – filmes e vídeos de música (parte 12)

Publicado 21/04/2017 por cheibub
Categorias: Elvis Presley, Top 20 - filmes e vídeos de música

'68 Comeback Special

Steve Binder foi o ousado diretor e produtor que conseguiu transformar o especial de Natal da NBC com Elvis Presley de uma modorrenta apresentação de músicas natalinas, como desejava o famigerado empresário Colonel Tom Parker, em um épico revival dos anos de Elvis, the Pelvis.

Assim, em junho de 1968, Elvis subiu em um palco em formato de ringue de boxe, acompanhados de seus velhos colegas do início de carreira, Scotty Moore e D.J. Fontana, e outros, vestido com um casaco de couro que nem o rebelde e desafiador John Lennon ousava mais vestir.

Após seis longos anos fora dos palcos, o especial conhecido como 68 Comeback Special mostrava Elvis no auge da forma, tanto física quanto artística. Ao vê-lo cantar relaxado velhas canções como se não houvesse amanhã, sua carreira parecia destinada a uma avassaladora revitalização. E de fato foi assim por um período, mas um curto período.

Com a decadência da fase “gorda” e dançarinas vestidas com gosto duvidoso, o que deixou horrorizado um tímido George Harrison em visita aos bastidores do Madison Square Garden, este especial virou uma referência para os fãs (ou quase fãs) daquilo que poderia ter sido.

Visualmente, o especial é impecável em sua simplicidade e crueza.

Top 20 – filmes e vídeos de música (parte 11)

Publicado 02/04/2017 por cheibub
Categorias: Bob Dylan, Top 20 - filmes e vídeos de música

No Direction Home

O cinema e principalmente a TV são repletos de bons documentários sobre artistas, eventos e fases da música. Mas poucos são tão envolventes quanto No Direction Home, filme de Martin Scorsese sobre Bob Dylan, lançado em 2005.

O grande mérito de Scorsese é narrar, em longos 208 minutos, apenas 5 anos da vida do ganhar do Nobel de Literatura. Justamente os mais relevantes. Fazendo um breve apanhado das origens de Dylan, desde sua cidade natal até a chegada em Nova York em 1961, o filme esmiúça o entrosamento do artista com a cena folk em Greenwich Village, a ascensão ao lado da já conhecida Joan Baez, e a guinada do folk para o rock, até o acidente de motocicleta que o obrigou a fazer uma pausa em tudo.

A cereja do bolo, para mim, é a reação contrária dos antigos fãs ao novo som de Highway 61 Revisited, embora Bringing it all back home já apontasse para esse caminho. O auge é a imagem (virtual) de Pete Seeger empunhando um machado para cortar os fios das guitarras.

Com esse enredo, o documentário ganha uma narrativa digna de uma obra de ficção. Apesar da longa duração, não é cansativo, além de não se perder nada ao assistir em dois tempos, assim como o DVD.

Top 20 – filmes e vídeos de música (parte 10)

Publicado 16/03/2017 por cheibub
Categorias: Foo Fighters, The Beatles, Top 20 - filmes e vídeos de música

Chegou a vez de falar dos documentários em série.

Sonic Highways

Sonic Highways, do Foo Fighters, já foi esmiuçado neste blog, onde comentei cada um de seus oito episódios. O documentário de 2015 registra o processo de composição e gravação de cada uma das oito músicas do álbum homônimo. Mas esta não é a melhor parte da história. Cada faixa é gravada numa cidade diferente dos EUA. As cidades não são escolhidas aleatoriamente, mas devido a sua importância musical. Em cada cidade, é escolhido um estúdio que serve como fio condutor da história narrada. Imperdível para os amantes da música.

Beatles Anthology

The Beatles Anthology foi televisionado em 1995 em três episódios de 2 horas (formato americano) ou seis de 1 hora cada (formato inglês, que foi o usado no Brasil). Mas bom mesmo foi o lançamento no ano seguinte da caixa em VHS (posteriormente em DVD) da versão estendida, com oito episódios que somam mais de 11 horas de entrevistas (novas e de arquivo), cenas de shows e programas de TV. O material é farto, mas, ainda assim, muita coisa é deixada de lado, e pergunta-se por que foram. A mais sentida foi o show completo sobre o telhado da Apple na Savile Row. O documentário teve sua versão em CD (três álbuns duplos) e livro (um tijolaço!). Ninguém pode se dizer Beatlemaníaco sem ter visto Anthology. Um épico!

Top 20 – filmes e vídeos de música (parte 9)

Publicado 12/03/2017 por cheibub
Categorias: Dire Straits, Fito Paez, Top 20 - filmes e vídeos de música

Dois vídeos que se encontram no Top 20 dos melhores álbuns ao vivo. Entram na lista de melhores vídeos única e exclusivamente por sua qualidade musical.

Alchemy DVD

Alchemy (1984), Dire Straits.

Alchemy, do Dire Straits, é uma gravação padrão de show dos anos 80. Já comentei no blog sobre a excelente versão em DVD (que demorou uma eternidade pra ser lançada), mas mesmo tendo em mente apenas o vídeo original em VHS, além do charme das imagens do antigo Hammersmith Odeon, ele possui uma direção que valoriza o instrumentista. E foi assim que me apaixonei por Alan Clark, Terry Williams e, claro, Mark Knopfler. Você vê a música acontecendo, sem aqueles cortes rápidos e frenéticos dos vídeos deste século.

No se si es Baires o Madrid

Nó sé si és Baires o Madrid (Fito Paez), 2009.

No sé si es Baires o Madrid, também muito comentado aqui no blog, mostra Fito Paez em sua versão mais sóbria. Sempre me incomodou um pouco seu jeito afetado, quase histriônico, sobre o palco. Aqui, só ao piano (e uma música na guitarra), e recebendo convidados, a música está sempre em primeiro plano, assim como a simpatia de Fito. O DVD é bem mais completo que o CD. Só o pato de ter me apresentado ao Marlango faz deste um show especialíssimo.