Archive for the ‘Sinéad O’Connor’ category

Top 20 – filmes e vídeos de música (parte 6)

21/02/2017

sinead dvd goodnight thank you

Já comentei sobre esse vídeo aqui no blog. Assim como a turnê do Circuladô mostra Caetano Veloso no auge de sua maturidade como artista (e ele mesmo considera este o seu melhor show), Goodnight, thank you, you’ve been a lovely audience mostra Sinéad O’Connor no auge de sua maturidade musical. Mais do que isso, captura a ex-carecuda em um raro momento zen. Acompanhada de excelentes músicos irlandeses, Sinéad se senta entre eles com um misto de fragilidade física e um controle de Mestre Yoda de cada detalhe do que se passa no palco. Meditação e força, expressa por canções folk irlandesas tiradas do álbum Sean-Nós Nua e a total ausência de canções de seu primeiro álbum, The Lion and the Cobra. As demais faixas saíram do Universal Mother e de seu mais famoso (e melhor) álbum, I do not want what I haven’t got. You made me the thief of your heart, composição de Bono e Gavin Friday gravada por ela para o filme In the Name of the Father, completa o setlist. Se no início de carreira Sinéad é pura energia e emoção, no início do século XXI ela canaliza sua emoção totalmente para a música, mais do que para as performances catárticas de outrora.

Gravado no Vicar Street Theatre, em Dublin, em 2002, mas só lançado em DVD em 2003, o registro ao vivo também teve seu lançamento em CD, mas como disco 2 da coletânea de B-sides e raridades chamada She Who Dwells in the Secret Place of the Most High Shall Abide Under the Shadow of the Almighty, ou simplesmente She who dwells… Por essa peculiaridade, não o incluí na disputa de melhor álbum ao vivo.

 

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Top 20 – 1980/1989 (2ª parte)

15/02/2012

I’m Your Man (1988), Leonard Cohen.

Nos anos 80 Leonard Cohen reinventou seu som a partir do álbum Various Positions, de 84. Quatro anos depois, coloca na rua sua nova obra-prima, I’m Your Man.

Tirando a fraquinha Jazz Police (cujo coro lembra aquele dos créditos finais da série clássica de Star Trek), só tem musicão. A melhor de todas, claro, é Tower of Song. Mas First we take Manhattan, Ain’t no cure for Love, Everybody knows, a faixa título, Take this waltz (com base em poema de Federico García Lorca) e I can’t forget, ou seja, o resto do disco, deixam pouco a dever.

Cohen deixou de vez pra trás o estilo bardo e violão para adotar o estilo crooner, com teclados e bateria eletrônica, só não abrindo mão dos vocais femininos.

Eu demorei mais de 15 anos do lançamento desse álbum pra conhecer Leonard Cohen, e um pouco mais do que isso pra conhecer ESSE disco. Portanto, de todo o Top 20 dos anos 80, é o único que se impõe por motivos 100% atuais.

Tower of Song ao vivo no excelente Live in London, de 2009 (simplesmente divino!).

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The Lion and The Cobra (1987), Sinéad O’Connor.

No início de 1988 surgiu aquela carequinha (uma gracinha) no vídeo raivoso de Mandinka. A música tinha saído do disco The Lion and The Cobra, lançado em novembro de 87, quando Sinéad O’Connor estava grávida de seu 1º filho, aos 20 anos (esses irlandeses precoces…). O disco saiu com duas capas: ela com cara raivosa e com cara de coitadinha. Reação: que coisa diferente, punk, alternativa… Legal!!!

O disco contou com outro sucesso midiático, I want your (hands on me). Mas o disco vai muito além dos seus dois sucessos imediatos. A assinatura marcante do estilo e voz de Sinéad pode ser sentindo mais profundamente em Never get old (que conta com introdução em gaélico de Enya), Just like U Said it would B (parceria com Steve Wickham, conhecido pelos fãs do U2 como o violino do álbum War) e a abertura crescendo em Jackie.

Mas mesmo que não houvesse nada disso. Mesmo que o disco fosse mais fraquinho, como a canção Drink before the war, há Troy. E um disco que tem Troy não pode ser qualquer um. Mesmo com épicas versões ao vivo, nada se compara a esta gravação em estúdio, que sempre me hipnotiza e arrepia a espinha toda vez que a escuto.

Num DVD recente, piratex, de um show na Suíça acompanhada por orquestra, já fora de forma, muitos quilos a mais e com a voz falhando, à medida que ela vai cantando a música, a mulher meio que é possuída e volta a ser a Sinéad de antes.

Sabe Kurt Cobain em Smell like teen spirit? Esquece. Sinéad, nessa canção, implode de emoção e renasce das cinzas como a fênix da canção. Não uma, mas várias vezes.

Gostando ou não, você pode conferir o que estou dizendo aqui.

Top 20 – 1990/1999 (9ª parte – Final)

03/02/2012

I do not want what I haven’t got (1990), Sinéad O’Connor.

Relacionamento com a ex-carequinha Sinéad O’Connor nunca é fácil (que o diga o último marido dela). Eu já tinha me empolgado com o primeiro disco. Quando apareceu I do not want what I haven’t got, chorando no clip de um cover do Prince, Nothing Compares 2 U, como resistir? Nem eu, nem o pessoal do Grammy.

Mas aí ela começou a não deixar cantarem o hino americano antes dos shows dela, a rasgar o retrato do Papa em talk show, e, o pior de tudo, gravar, no auge do sucesso, um anti-comercial álbum de covers, com canções como Don’t cry for me Argentina e How Insensitive (Insensatez, de Tom e Vinícius). Com a antipatia de parte do público e sem um sucesso bombando nas paradas pra sustentar suas excentricidades, ficou fácil jogar a carecuda no limbo.

Depois de reencontrá-la, mais de 10 anos depois, no bom DVD The Year of the Horse, num show de 1991, resolvi saber o que ela andava fazendo. Comecei com a coletânea So far… The Best of Sinéad O’Connor (1997), e logo em seguida lançaram Collaborations (2005), que reunia seus trabalhos com vários artistas: U2, Massive Attack, Peter Gabriel, Moby, Asian Dub Foundation, entre outros.

Ouvindo seus trabalhos mais recentes, encantei-me com sua sofisticação musical. Ainda que sua vida pessoal continuasse uma quizumba, artisticamente ela havia atingido a maturidade. Então, em 2009, lançaram a versão remasterizada de I do not want what I haven’t got.

Poder ouvir novamente esse álbum, que há séculos não escutava, com tamanha qualidade, me fez ver que Sinéad já era, em 1990, uma grande artista. Feel so different, I am stretched on your grave (figurinha fácil em seus shows), The Emperor’s New Clothes, The Last Day of Our Acquaintance… todas grandes canções, muito bem tocadas, arranjadas e interpretadas.

Não conta pro Top 20, mas essa edição especial vem com um disco bônus que tem como destaque uma ótima versão de Mind Games, de John Lennon.

E ainda tem fotos dela tão novinha, tão bonitinha…

The Emperor’s New Clothes ao vivo em 1991.

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Bossanova (1990), Pixies.

Pixies, ao menos por aqui, era apenas mais uma banda alternativa que fazia parte de uma coletânea onde se destacavam bandas como Throwing Muses. Participava com Here comes your man. Então, mais uma vez, veio o Nirvana

Kurt Cobain, certa vez, humildemente declarou que tudo o que estava tentando fazer era soar como Pixies. Por essas e outras que a banda só fez sucesso depois que acabou, após 4 discos e 1 EP.

Entre bons (mas irregulares) discos, destaco Bossanova, que considero o mais homogêneo, com canções como Velouria, Blown Away, Allison, All over the world e Stormy Weather.

Atualmente a banda se encontra novamente reunida como cover de si mesma. Os fãs pouco se importam, pois, ainda hoje, suas músicas soam frescas.

Até ter dinheiro pra correr atrás dos CDs da banda, tudo o que tinha era uma coleção espremida em uma TDK 60, que gravei de uma amiga que tinha a coleção completa em CD. E foi esse o repertório que me acompanhou por cerca de 10 anos (um tanto óbvio que as 5 canções supracitadas estavam nela). A fita ainda existe… e toca!

Estranho vídeo para Allison (e com legenda errada).

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Shake your money maker (1990), The Black Crowes.

Não me lembro o que veio primeiro: esse disco (comprado com um vale presente na falecida Hi-Fi) ou o sensacional show do Black Crowes no Hollywood Rock, abrindo para o magnífico show de Plant & Page (certamente este está entre os melhores shows da minha vida).

Olhando os discos que deixei de fora, fico até intrigado. Afinal, são artistas de quem gosto mais e não tiveram um disquinho sequer contemplado nesse Top 20. Mas em nenhum momento tive dúvidas que de que Shake Your Money Maker entraria. Ao escutá-lo novamente, só confirmei essa impressão.

Desde a primeira audição, fiquei apaixonado pelo álbum, do início ao fim. E é um sentimento que se renova cada vez que o escuto. Lembro que, na época, o disco de adoração era o The Southern Harmony and Musical Companion, que veio em seguida. Mas, pra mim, nada supera os acordes iniciais de Twice as hard abrindo o disco e o cover de Otis Redding, Hard to Handle.

Numa época em que ouvia The Doors na veia, tudo o que queria era uma banda atual que tocasse um bom blues-rock setentista.

Twice as hard ao vivo em Colônia, Alemanha, 1992.

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Gostaria de agradecer, novamente, Beck, Belle & Sebastian, Ben Harper, PJ Harvey e Pato Fu por terem feito esta década discograficamente mais interessante. E agradecer também ao Afghan Whigs, Caetano Veloso, Cowboy Junkies, The Cure, Electrafixion, Eric Clapton, Fiona Apple, Loreena McKennit, Oasis, Patti Smith, Paul McCartney, Peter Gabriel, Radiohead, Skank, Yo La Tengo e a Ry Cooder e todos os músicos cubanos do Buena Vista Social Club.

Até os anos 80!

Ex-Carequinha em DVD

13/06/2010

Pra me recuperar do jogo chinfrim entre Inglaterra e EUA pela Copa, assisti a um DVD ao vivo de Sinéad O’Connor na Suiça. O show é atual, pois contém músicas do seu último disco, Theology (2007). É numa daquelas casas com mesas e um pessoal mais velho na platéia. Difícil de entender a situação. O DVD é mais daqueles materiais não oficiais que andam aparecendo nas lojas, sem créditos, sem nenhuma referência, provavelmente copiado de alguma transmissão de TV, como o DVD do Pearl Jam em Santiago, 2006.

Cabelo bem curto (mas com cabelo), vestindo terno e um pouco acima do peso, nunca vi Sinéad tão feia. Se não abrir a voz, qualquer um diria tratar-se de um homem, talvez um integrante do Tears for Fears. Ou quem sabe a K. D. Lang mais jovem. A voz também já não é a mesma, perdendo algumas nuances e tendo que forçar um pouco mais. Entretanto, é um bom show. Mostrando que a Irlanda é um lugar pequeno, a violinista e a baixista eram as mesmas do show de Damien Dempsey, que abriu pro U2 no Croke Park em 2009.

Seja nos melhores ou piores momentos, Sinead sempre me impressiona com sua sensibilidade musical. Faz tempo que se livrou daquela figura irascível que rasgou o retrato do Papa, mas mantém a personalidade forte.

Year of the Horse/Value of Ignorance (2004), Sinéad O’Connor.

Em DVD, é fácil encontrar barato o Year of the Horse/Value of Ignorance, que registra dois shows da cantora ainda careca. Value of Ignorance, gravado em Londres, 1988, é um vídeo experimental que não mostra nada do show, apenas o som. Mas o Year of The Horse, em Bruxelas, 1990, vale muito a pena. É um show bem montado, a cantora e o público estão empolgados, boas músicas e um final emocionante com a versão acústica de Troy (minha música preferida).

Good night, thank you, you’ve been a lovely audience (2003), Sinéad O’Connor.

Mas o melhor DVD ao vivo é o Good night, thank you, you’ve been a lovely audience, de um show de 2002 em Dublin, na época do álbum Sean-Nós Nua, de músicas tradicionais irlandesas. Começa com Molly Malone, um hino informal de Dublin, que virou estátua numa esquina em frente ao Trinity College. Para os fãs do U2, conta com a participação de Steve Wickham, volinista que participou do álbum War.

O clima é um tanto intimista e bem emotivo. A qualidade dos arranjos e da performance, irretocáveis. Ainda que o repertório de Year of the Horse seja superior, esse show é um presente aos ouvidos.

O DVD ainda conta com clips do disco folk (pouco interessantes) e um documentário sobre o álbum (mais interessante).