Hello world!

Publicado 19/03/2010 por ahasfma
Categorias: About me

Com o gosto musical formado nos anos 80, vivi a época em que, a cada álbum, buscávamos encontrar a trilha sonora (e, por que não, a solução do mistério) de nossas vidas. Hoje, com a difusão do mp3, parecemos voltar à era dos singles e compactos, onde a canção se sobressai à obra. Entretanto, para os amantes de música surgidos entre os anos 60 e 90, o álbum, a canção dentro de seu contexto artístico, envolvida muitas vezes numa embalagem conceitual, mantém sua importância e constitui parte essencial do universo musical.

Cole Porter, Cartola, George Gershwin, Noel Rosa… Suas histórias são marcadas por suas canções e pelos artistas que as interpretam ao longo do tempo. Bruce Springsteen, Pink Floyd, Led Zeppelin, U2, Tori Amos… Essas carreiras são narradas em seus álbuns, em torno dos quais gravitam singles, shows e entrevistas, pontuando cada momento de suas vidas.

Por essas e outras, esse blog fala de música em todas as suas formas, mas o principal foco são os discos, esse obscuro (com um furo no meio) objeto de desejo.

Formado em Publicidade, Jornalismo e Direito. Ex-cinéfilo, ex-escritor de RPGs, leitor preguiçoso, viajante esporádico, amante de futebol, viciado em séries de TV e fã de música. Cultiva hábitos bizarros como comprar CDs, escrever em blogs para si mesmo, não ouvir rádio, tirar fotos das cervejas especiais que bebe e comprar mais “comics” do que é capaz de ler. Esse sou eu.

Top 20 – filmes e vídeos de música (parte 12)

Publicado 21/04/2017 por cheibub
Categorias: Elvis Presley, Top 20 - filmes e vídeos de música

'68 Comeback Special

Steve Binder foi o ousado diretor e produtor que conseguiu transformar o especial de Natal da NBC com Elvis Presley de uma modorrenta apresentação de músicas natalinas, como desejava o famigerado empresário Colonel Tom Parker, em um épico revival dos anos de Elvis, the Pelvis.

Assim, em junho de 1968, Elvis subiu em um palco em formato de ringue de boxe, acompanhados de seus velhos colegas do início de carreira, Scotty Moore e D.J. Fontana, e outros, vestido com um casaco de couro que nem o rebelde e desafiador John Lennon ousava mais vestir.

Após seis longos anos fora dos palcos, o especial conhecido como 68 Comeback Special mostrava Elvis no auge da forma, tanto física quanto artística. Ao vê-lo cantar relaxado velhas canções como se não houvesse amanhã, sua carreira parecia destinada a uma avassaladora revitalização. E de fato foi assim por um período, mas um curto período.

Com a decadência da fase “gorda” e dançarinas vestidas com gosto duvidoso, o que deixou horrorizado um tímido George Harrison em visita aos bastidores do Madison Square Garden, este especial virou uma referência para os fãs (ou quase fãs) daquilo que poderia ter sido.

Visualmente, o especial é impecável em sua simplicidade e crueza.

Top 20 – filmes e vídeos de música (parte 11)

Publicado 02/04/2017 por cheibub
Categorias: Bob Dylan, Top 20 - filmes e vídeos de música

No Direction Home

O cinema e principalmente a TV são repletos de bons documentários sobre artistas, eventos e fases da música. Mas poucos são tão envolventes quanto No Direction Home, filme de Martin Scorsese sobre Bob Dylan, lançado em 2005.

O grande mérito de Scorsese é narrar, em longos 208 minutos, apenas 5 anos da vida do ganhar do Nobel de Literatura. Justamente os mais relevantes. Fazendo um breve apanhado das origens de Dylan, desde sua cidade natal até a chegada em Nova York em 1961, o filme esmiúça o entrosamento do artista com a cena folk em Greenwich Village, a ascensão ao lado da já conhecida Joan Baez, e a guinada do folk para o rock, até o acidente de motocicleta que o obrigou a fazer uma pausa em tudo.

A cereja do bolo, para mim, é a reação contrária dos antigos fãs ao novo som de Highway 61 Revisited, embora Bringing it all back home já apontasse para esse caminho. O auge é a imagem (virtual) de Pete Seeger empunhando um machado para cortar os fios das guitarras.

Com esse enredo, o documentário ganha uma narrativa digna de uma obra de ficção. Apesar da longa duração, não é cansativo, além de não se perder nada ao assistir em dois tempos, assim como o DVD.

Top 20 – filmes e vídeos de música (parte 10)

Publicado 16/03/2017 por cheibub
Categorias: Foo Fighters, The Beatles, Top 20 - filmes e vídeos de música

Chegou a vez de falar dos documentários em série.

Sonic Highways

Sonic Highways, do Foo Fighters, já foi esmiuçado neste blog, onde comentei cada um de seus oito episódios. O documentário de 2015 registra o processo de composição e gravação de cada uma das oito músicas do álbum homônimo. Mas esta não é a melhor parte da história. Cada faixa é gravada numa cidade diferente dos EUA. As cidades não são escolhidas aleatoriamente, mas devido a sua importância musical. Em cada cidade, é escolhido um estúdio que serve como fio condutor da história narrada. Imperdível para os amantes da música.

Beatles Anthology

The Beatles Anthology foi televisionado em 1995 em três episódios de 2 horas (formato americano) ou seis de 1 hora cada (formato inglês, que foi o usado no Brasil). Mas bom mesmo foi o lançamento no ano seguinte da caixa em VHS (posteriormente em DVD) da versão estendida, com oito episódios que somam mais de 11 horas de entrevistas (novas e de arquivo), cenas de shows e programas de TV. O material é farto, mas, ainda assim, muita coisa é deixada de lado, e pergunta-se por que foram. A mais sentida foi o show completo sobre o telhado da Apple na Savile Row. O documentário teve sua versão em CD (três álbuns duplos) e livro (um tijolaço!). Ninguém pode se dizer Beatlemaníaco sem ter visto Anthology. Um épico!

Top 20 – filmes e vídeos de música (parte 9)

Publicado 12/03/2017 por cheibub
Categorias: Dire Straits, Fito Paez, Top 20 - filmes e vídeos de música

Dois vídeos que se encontram no Top 20 dos melhores álbuns ao vivo. Entram na lista de melhores vídeos única e exclusivamente por sua qualidade musical.

Alchemy DVD

Alchemy (1984), Dire Straits.

Alchemy, do Dire Straits, é uma gravação padrão de show dos anos 80. Já comentei no blog sobre a excelente versão em DVD (que demorou uma eternidade pra ser lançada), mas mesmo tendo em mente apenas o vídeo original em VHS, além do charme das imagens do antigo Hammersmith Odeon, ele possui uma direção que valoriza o instrumentista. E foi assim que me apaixonei por Alan Clark, Terry Williams e, claro, Mark Knopfler. Você vê a música acontecendo, sem aqueles cortes rápidos e frenéticos dos vídeos deste século.

No se si es Baires o Madrid

Nó sé si és Baires o Madrid (Fito Paez), 2009.

No sé si es Baires o Madrid, também muito comentado aqui no blog, mostra Fito Paez em sua versão mais sóbria. Sempre me incomodou um pouco seu jeito afetado, quase histriônico, sobre o palco. Aqui, só ao piano (e uma música na guitarra), e recebendo convidados, a música está sempre em primeiro plano, assim como a simpatia de Fito. O DVD é bem mais completo que o CD. Só o pato de ter me apresentado ao Marlango faz deste um show especialíssimo.

Top 20 – filmes e vídeos de música (parte 8)

Publicado 07/03/2017 por cheibub
Categorias: Top 20 - filmes e vídeos de música, Tori Amos

Live at Montreux 1991-1992

Live at Montreux 1991/1992 é uma das ideias mais felizes para um DVD que já vi. Também lançado em CD, aqui o visual conta e muito. O vídeo registra duas apresentações consecutivas de Tori Amos no famoso Montreux Jazz Festival, que, assim como o nosso finado Free Jazz, tinha pouco a ver com o gênero de Louis Armstrong e Miles Davis. Só que, em 3 de julho de 1991, Tori era apenas uma cantora americana que fazia algum sucesso pela noite londrina. Participava, por assim dizer, da matinê do festival. Mas em 7 de julho de 1992 ela já havia estourado com Little Earthquakes.

É interessante perceber a diferença no visual e na postura entre uma artista que não tinha nada a perder e a outra que saboreava, enfim, o estrelato. Em ambas as apresentações, vemos apenas Tori e seu piano.

No geral, prefiro o frescor e espontaneidade do show de 1991, mas o de 1992 tem momentos de tirar o fôlego, particularmente Me and a Gun e o cover de Smells like a teen spirit.

Top 20 – filmes e vídeos de música (parte 7)

Publicado 26/02/2017 por cheibub
Categorias: Pearl Jam, Top 20 - filmes e vídeos de música

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O Pearl Jam tem alguns DVDs bem interessantes, e talvez até musicalmente melhores, mas Immagine in Cornice tem um charme irresistível e mora no meu coração.

O vídeo mostra a passagem da banda pela Itália na turnê de 2006, com trechos de apresentação em Bolonha, Verona, Milão, Torino, Turim e Pistoia, num total de 13 músicas. Mas o destaque vai para as cenas de bastidores, na estrada, ensaios e entrevistas. O DVD vem com três faixas bônus.

A fotografia é particularmente bela e poética, incomum em vídeos musicais. Provavelmente esta característica tenha influenciado no título.

Lançado em 2007, depois dele a banda só lançou o Twenty, e em 2011! Tão esperando o quê?

Eight Days a Week

Publicado 22/02/2017 por cheibub
Categorias: Documentários, The Beatles

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Estava tranquilo com minha decisão de ver o documentário Eight Days a Week: The Touring Years em DVD, quando fui alertado que depois do documentário era exibido a íntegra restaurada do The Beatles at Shea Stadium, que contém 10 das 12 músicas do setlist, e que este era exclusivo para as salas de cinema.

Há alguns anos comprei um daqueles DVDs mequetrefes da Coqueiro Verde que dizia ser o show no Shea Stadium, mas era pura enganação. Fica na minha estante junto com um do U2 ao vivo na África do Sul para me lembrar do quanto eu posso ser otário.

Soa um tanto irônico ir assistir a um filme cujo título fala de uma semana de oito dias na única sessão de um único cinema da cidade em toda a semana. E lotou!

Não sou daqueles beatlemaníacos que tem tudo, que já viu, leu ou ouviu tudo que saiu, tanto oficialmente quanto pirata, sobre os Beatles, mas posso dizer que tenho uma quilometragem bastante razoável. Depois do Anthology, o melhor documentário sobre os Beatles que eu vi na vida foi um editado por um fã brasileiro, com legendas rudimentares, exibido pela Band ou pela Manchete, de quase duas horas, que mostrava excelentes gravações de shows e programas em Paris e Estocolmo; apresentações em TV na Inglaterra, incluindo uma onde eles cantam Shout em meio à plateia; o show do “rock the jewelry”; muitas tomadas do show em Washington onde Ringo Starr fica virando a bateria; Ringo cantando Boys com dor de barriga.

Assim, assistir a um documentário dos Beatles é como colecionar álbum de figurinha: chega uma hora em que você passa na banca de jornal, compra dez pacotes e sente como um ganhador da loteria caso consiga ao menos uma figurinha não repetida. De fato, o documentário de Ron Howard revela pouco, mas conseguiu me apresentar bem mais do que uma figurinha inédita.

Creio que o principal acerto do diretor foi focar em um tema específico, e não ser mais um documentário sobre os Beatles. No caso, as turnês, os Beatles sobre o palco. Outro acerto foi passar batido em episódios já fartamente esmiuçados em outros documentários, como o imbróglio nas Filipinas, a polêmica sobre o show em Budokan, as razões do fim das turnês e sequer mencionar a substituição de Ringo na Austrália. Talvez o único senão tenha sido fazer parecer (involuntariamente, prefiro acreditar) que Ringo entrou na banda antes de Please Please Me.

Com o tema bem delimitado, Howard pôde debruçar-se sobre algumas pérolas inéditas ou mal exploradas. A melhor de todas é a entrevista com Larry Kane, jornalista que acompanhou a banda em sua primeira turnê regular nos EUA e Canadá, em agosto /setembro de 1964. O que mais impressiona (e emociona) é a naturalidade com que Paul McCartney, numa entrevista, detona com o racismo antes de um show em Jacksonville.

A polêmica sobre ser mais conhecido do que Jesus, que provocou bastante turbulência na turnê de 1966 (não por acaso a última), inovou por dar menos atenção às reações do que à retratação de John Lennon. Pela primeira vez eu vi a entrevista com ele na íntegra.

Das entrevistas novas, a mais surpreendente é a com Whoopi Goldberg, que além de fã de Star Trek se revela agora como uma grande fã de Beatles. Ela narra não só a sua ida ao show no Shea Stadium como o quanto a banda foi importante em sua vida, inclusive para sua autoestima e superação de preconceitos raciais.

No final, o documentário detém-se um pouco sobre Sgt. Pepper’s, talvez por tempo demais devido a especificidade do tema, para então fazer uma ponte rápida para a última apresentação da banda sobre o telhado da Apple. Infelizmente, os fãs ainda permanecem à espera da íntegra dessa performance lendária e icônica.

Mas não tem jeito: aqui a cereja do bolo é mais importante do que o bolo. Você sai de casa, assiste a todo o documentário com um sorriso no rosto, mas o que você está esperando é mesmo por aqueles 30 minutos de mergulho no túnel do tempo. E vale cada fotograma!

E bora comprar o DVD e o CD!