Archive for the ‘The Rolling Stones’ category

Top 20 – 1960/1969 (4ª parte)

04/03/2015
Beggars Banquet (1968), The Rolling Stones.

Beggars Banquet (1968), The Rolling Stones.

Beggars Banquet é o primeiro de uma excelente série de quatro álbuns dos Rolling Stones, que marca um distanciamento da Satisfaction Era após uma tentativa fracassada de tentar seguir o mesmo caminho psicodélico trilhado pelos Beatles com Their Satanic Majesties Request. Foi o último álbum com a participação integral de Brian Jones.

A faixa de abertura, Sympathy for the Devil, é uma das mais icônicas do universo pop e, por si só, garantiria a relevância de qualquer álbum. Mas na sequência vem uma série de grandes músicas, embora não tão conhecidas. Street Fighting Man, que abre o antigo lado B, e é a segunda mais conhecida (e talvez tocada) do disco, sequer está entre as melhores.

O grande atrativo de Beggars Banquet para aqueles que gostam da banda mas não conhecem muito além do clássico é ver (e ouvir) o quanto eles se garantem sem os big hits.

No Expectations ao vivo no Hyde Park, em 1969.

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Songs of Leonard Cohen (1967).

Songs of Leonard Cohen (1967).

Em um post de maio de 2010 sobre Leonard Cohen, escrevi: em seu primeiro álbum, Songs of Leonard Cohen, de 1967, o artista queria apenas voz e violão. O produtor, John Simon, queria arranjos pra compensar sua voz monocórdia. Prevaleceu o meio termo: a voz e o violão dominam a cena, e uma etérea cama sonora preenche o espaço como se não estivesse lá, sutil, envolvente, aparecendo de tempos em tempos como ecos fantasmagóricos. E assim também funcionam outra marca registrada de Cohen, o contracanto feminino. Esse esquema funcionou muito bem e permaneceu até seu quarto álbum, New Skin for the Old Ceremony, de 1974.

Dessa primeira fase “bardo”, talvez eu revisite mais Songs of Love and Hate, de 1971, possivelmente por ter sido o primeiro que ouvi dele. Mas não tem como escapar do magnetismo daquele que deu origem à série. Não tem faixa ruim aqui.

So long, Marianne ao vivo em 1979 na Alemanha.

 

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Top 20 – 1961/1969 (2ª parte)

08/02/2015
The Velvet Underground (1969).

The Velvet Underground (1969).

O terceiro disco do Velvet Underground se distancia bastante do seu antecessor, White Light/White Heat. Letras a parte, pode ser considerado musicalmente uma fase solar da banda. Tivesse o quarto álbum visto a luz do dia, The Velvet Underground faria uma trilogia (complementada por Loaded) das mais fortes da indústria musical. Numa espécie de folk underground, com arranjos menos pretenciosos, mais intimista, como Pale Blue Eyes, parece que a saída de John Cale fez bem ao grupo. Seu único escorregão é a doideira de Murder Mystery. Parece obrigação ter uma faixa do gênero nos álbuns do Velvet, e sempre a mais longa.

Lou Reed tocando Some Kinda Love no Roskilde Festival, Dinamarca, em 1984.

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Let It Bleed (1969), The Rolling Stones.

Let It Bleed (1969), The Rolling Stones.

Na listagem dos anos 70, comentei sobre o “quadrado mágico” dos Rolling Stones: uma sequência de quatro álbuns excepcionais. O segundo deles é Let It Bleed. Neste disco se processa a troca de Brian Jones por Mick Taylor, o mais talentoso parceiro de Keith Richards. Com petardos como Gimme Shelter, Midnight Rambler, You can’t always get what you want, e um cover de Robert Johnson, Train in Vain, fica fácil entender o porquê da escolha.

You got the silver ao vivo em 2007, com o pai de Jack Sparrow no vocal.

Top 30 – 1970-1979 (9ª parte)

30/07/2013
Straight Up (1971), Badfinger.

Straight Up (1971), Badfinger.

Badfinger foi uma das poucas apostas dos Beatles bem sucedidas na Apple. Inicialmente chamada The Iveys, quase uma banda cover dos Beatles, ganhou a maioridade como Badfinger, mas não se livrou da pecha de ser “a melhor banda de Beatles”.

A “sombra” dos Beatles não foi sem razão. O disco de estréia, com muitas faixas reaproveitadas do álbum lançado como The Iveys, foi a trilha sonora do filme The Magic Christian, com Ringo Starr no elenco e a principal música, Come and get it, composta por Paul McCartney. A canção foi o primeiro hit da banda e, se ouvida distraidamente, faz você jurar que foi gravada pelo próprio Paul (cuja versão pode ser ouvida no Anthology 3).

Depois do disco seguinte, o ótimo e elogiado No Dice, veio Straight Up, que contou com a participação de George Harrison na produção e na guitarra em Day After Day, um dos hits do álbum e cujo refrão Raul Seixas “aproveitou” em seu Tente Outra Vez (só provocando). Outros dois nomes ligados ao Beatles também aparecem nos créditos: Geoff Emerick, na produção, e Klaus Voorman tocando piano elétrico em Suitcase. A lista de ilustres participantes também contém Leon Russell, tocando nas mesmas faixas acima citadas,  e Todd Rundgren (We’re an American Band, Bat out of Hell, New York Dolls) na produção e mixagem final.

Apesar de ter emplacado quatro ou cinco big hits ao longo da carreira, a vida nunca foi fácil para a banda, ora envolta pela crise da Apple, ora perdendo tempo e dinheiro em brigas com empresários salafrários. O futuro da banda foi trágico, com o suicídio de dois membros fundadores: Peter Ham, em 1975, e Tom Evans, em 1983.

Straight Up é considerado, com justiça, o melhor álbum do Badfinger, mas não por causa da crítica, que preferiu o trabalho anterior. É um daqueles discos que garantiu seu lugar na história pelo reconhecimento do público. E não foi só porque ele emplacou dois hits, Day After Day e Baby Blue, mas porque todo o disco é bom, cada uma das 12 faixas. Ainda que Sometimes seja chupada de She’s a woman, ainda que Badfinger continue sendo a melhor banda de Beatles de todos os tempos depois dos Beatles (e isso não é pouco!), o álbum é pop-rock de altíssimo gabarito. A capa, por outro lado, uma das mais feias…

Vídeo de Day After Day.

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Aqualung (1971), Jethro Tull.

Aqualung (1971), Jethro Tull.

Aqualung my friend… é simplesmente um daqueles álbuns que entra fácil em qualquer lista de “melhores de todos os tempos”. Certamente um dos dez primeiros que me vem à mente. Um falso disco conceitual, como Sgt. Pepper’s, o que parece ser muito comum numa época em que álbuns conceituais eram moda. Modismo, aliás, repelido por Ian Anderson, que odeia o rótulo de conceitual dado ao disco. Talvez por isso o disco seguinte, Thick as a brick, tenha sido o álbum de uma música só, com o líder do Jethro Tull respondendo aos críticos: “ISSO é um disco conceitual”.

Jethro Tull me foi apresentado nos anos 80 como banda de rock progressivo. Aquela flautinha do Ian, o tal disco verdadeiramente conceitual e a extensão de determinadas músicas (“rock progressivo é qualquer música com mais de 6 minutos”, já foi dito por alguém) até pareciam indicar nessa direção. Meu irmão havia comprado uma coletânea e o Thick as a brick, enquanto eu devorava a fita na qual eu gravara o Bursting Out (álbum duplo ao vivo) do meu primo Sérgio. Naquela mesma década, a banda levou o Grammy de melhor grupo de Heavy Metal, batendo um iniciante Metallica. Bem, metaleiros eu tinha certeza de que eles não eram, apesar de poderem soar um pouco mais pesados vez ou outra. Iron Maiden, inclusive, tascou um cover de Cross-Eyed Mary, segunda faixa de Aqualung, no lado B de The Trooper.

Mas, ouvindo Aqualung, nem mesmo o “progressivo” parece se adequar (talvez, com boa vontade, em My God – afinal, tem mais de 7 minutos). Quem sabe um folk hard rock. Até mesmo a questão sobre ser ou não um disco conceitual não é fácil de ser respondida. Se não há, de fato, um conceito que permeia todo o álbum, há alguns temas recorrentes que podem ser detectados separadamente ou não, como religião, sentimentos que beiram o autobiográfico e a decadência.

Acho deliciosa a presença de pequenas canções acústicas: Cheap Day Return, Slipstream e Wond’ring Aloud, a minha canção de amor preferida. Certa vez, conversando com uma amiga da faculdade sobre as breves músicas do U2 em seus primeiros álbuns, como Promenade e October, ela comentou: “São tão lindas… Pena que sejam tão curtas”. “Talvez sejam boas justamente por isso”, respondi. Não consigo imaginar um verso ou acorde a mais nelas (tanto nas do U2 quanto nas do Jethro), pequenas e perfeitas.

Enquanto Aqualung, Cross-Eyed Mary e Hymn 43 põem peso nos autofalantes, Mother Goose, Up to me (genial!) e My God soam como um rock medieval moderno. Fechando essa obra-prima, duas preciosidades em sequência matadora: Locomotive Breath, que se tornou presença obrigatória nos shows, e a linda Wind-Up. Apenas na versão comemorativa de 40 anos a remasterização digital conseguiu fazer jus ao original em vinil. Aqualung não é para ouvidos desatentos.

Aqualung, a faixa-título, ao vivo em 1977.

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Sticky Fingers (1971), Rolling Stones.

Sticky Fingers (1971), Rolling Stones.

Sticky Fingers é, provavelmente, o meu disco favorito dos Rolling Stones (tratando-se de quem é, a cautela torna-se necessária). O álbum abre com Brown Sugar, que faz jus aos grandes riffs dos anos 60; tem I got the blues e You gotta move rendendo homenagem às raízes do blues; Dead Flowers, Bitch, Wild Horses… E o que dizer de Sister Morphine com Ry Cooder na slide guitar?

As músicas e sua capa feita por Andy Warhol são célebres. Há mesmo pouco a acrescentar, exceto que acho Moonlight Mile, a mais esnobada, linda. O fato de ter sido o meu 3º ou 4º disco dos Stones se deve, creio, a minha paixão por Brown Sugar, que fazia minha alegria junto com Get off of my  cloud (presente no meu 2º CD da banda) na minha surrada fita K7.

Dead Flowers ao vivo em 2012.

Top 30 – 1970/1979 (7ª parte)

20/07/2013
Exile on Main Street (1972), Rolling Stones.

Exile on Main Street (1972), Rolling Stones.

Exile on Main Street é o último de uma sequência matadora de álbuns dos Rolling Stones, iniciada com Beggars Banquet, e único álbum duplo original (e com toda a pretensão que projetos do gênero sugerem). Como embarquei tarde nessa canoa, não conheci sua versão em vinil, mas apenas o CD simples. Influenciado pela disputa Beatles x Stones, só comecei a me interessar por Richards, Jagger & Cia por meio dos covers e snippets com os quais Renato Russo homenageava o grupo inglês. Assim, por algum tempo, uma fita k-7 de 60 minutos repleta de hits e o vinil duplo Love You Live era tudo o que eu tinha.

Meus primeiros CDs dos Stones foram Now e December’s Children, e Exile veio logo depois, já recomendado por um amigo como “o melhor disco dos Stones”. O disco de fato é excelente, mas não é meu favorito. O fator “álbum duplo” certamente contribui muito para isso, mas não é o único.

Não me lembro de já ter lido ou ouvido uma comparação de Exile com o Álbum Branco dos Beatles, mas é exatamente disso do que se trata. O álbum está embrulhado no mito de um mergulho nas raízes do rock e no glamour das gravações em Nellcôte, casarão de Keith Richards em Villefranche-sur-Mer. Mas o disco nem é uma proposta consciente e integrada de explorar as raízes do rhythm’ blues, e tampouco fruto das caóticas sessões nos porões de Nellcôte. O disco é uma colagem de momentos distintos e inspirações diversas das duas mentes criativas da banda: Mick Jagger e Keith Richards (nesse conflito de egos, talvez o papel de Mick Taylor, bastante ativo na “fase francesa”, tenha sido o mais subestimado).

O documentário do making-of, Stone in Exile, foca principalmente nas gravações na França, mas não deixa de registrar que muita coisa ainda foi feita depois dali (ou antes). Se, de fato, muita coisa teve origem na Côte d’Azur, o que rolou depois em Los Angeles, e até mesmo na Inglaterra, não teve importância menor. Basta dizer que Loving Cup, Tumbling Dice e Shine a Light vieram desse segundo momento. All down the line e Sweet Black Angel tiveram origem ainda durante as gravações de Sticky Finger, o disco anterior. E dá pra imaginar Exile on Main Street sem elas?

Nellcôte é puro Keith Richards, com suas drogas e gravações noturnas. Los Angeles é basicamente Mick Jagger. O resultado é a soma de esforços desconexos de um grupo que começava a perder a coesão. Um disco até certo ponto frouxo, variado e genial. Mais “álbum branco” impossível.

Sweet Virginia ao vivo no Texas, em 1972.

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Harvest (1972), Neil Young.

Harvest (1972), Neil Young.

Harvest foi o primeiro álbum do Neil Young que eu escutei por inteiro, e isso aconteceu há menos tempo do que eu gostaria. Até então conhecia algumas poucas músicas esparsas, o que não me impediu de ir ao show dele no Rock in Rio 3.

O disco (na verdade uma pasta com arquivos em mp3 que peguei com meu amigo Alexandre) me foi apresentado como “o melhor disco de Neil Young”. Não sei se é porque foi o primeiro, mas tendo a concordar. Seguindo o padrão soft-folk-rock do excelente disco anterior, Harvest não deixa de explorar algumas sonoridades, como em A man needs a maid e There’s a World, nas quais o arranjo com a Orquestra Sinfônica de Londres dá um ar de rock progressivo às faixas. There’s a World, particularmente, fica a cara de canção do Renaissance.

Impressiona também que um álbum tão bom tenha sido gravado praticamente de improviso, juntando músicos de estalo, e contando casualmente com participações de James Taylor e Linda Ronstadt, além do trio Crosby, Still & Nash.

Heart and Gold ao vivo em 1971, antes mesmo do disco ser gravado.

The Rolling Stones – Exile on Main Street (1972 – 2010)

19/09/2010
The Rolling Stones - Exile on Main Street (1972 - 2010)

The Rolling Stones – Exile on Main Street (1972 – 2010)

Esta é a edição lançada este ano, com um disco bônus.

Quanto ao Exile on Main Street, nada a ser dito, é um dos melhores álbuns já lançados. Foi remasterizado, o som está melhor do que o cd que eu já possuía.

As 10 músicas lançadas como bônus são ótimas, poderiam estar no disco sem problemas. Algumas são gravações da época, outras foram retrabalhadas para o lançamento, o que não tira seu brilho.

Vale a pena, mesmo para quem já tem o disco.